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A importância de não se sentir abandonada

Publicado em 01/07/2010. Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

A importância de não se sentir abandonada

A mulher chega ao parto com angústia e tensão, por muito que se prepare. Se, ao entrar no hospital se proibir a entrada de familiares e se despoja de toda a união afectiva, essa angústia aumenta. Uma forma de parar essa angústia que gera medo e interfere no desenrolar do parto, é que a mulher esteja acompanhada.

Esta opinião é compartilhada por muitos especialistas e psicólogos. Durante o parto, a mulher encontra-se psicologicamente debilitada e o seu estado afectivo é de uma enorme sensibilidade. Por isso, necessita do apoio e tranquilidade de saber que não está só.

Na prática, essa tranquilidade da futura mãe traduz-se num melhor parto. Segundo os especialistas, se se compararem dois grandes grupos de mulheres com características similares e se se permitir que umas fiquem acompanhadas e outras não, observa-se que, no primeiro grupo, os partos duram menos, e o número de cesarianas e fórceps é menor, a atitude das futuras mamãs é mais calma e relaxada, dizem que lhes dói menos e desfrutam e participam mais. Outra vantagem da presença familiar é que no pós-parto, os laços afectivos entre o bebé e a mãe estabelecem-se melhor porque todo o cenário de envolvimento é mais propício.

Quando o parto é cirúrgico ou instrumental, regra geral o pai deve esperar cá fora. Os médicos podem evocar razões de assepsia e argumentar que nem todo o mundo está preparado para presenciar um parto com fórceps ou uma intervenção cirúrgica. Este excesso de zelo pode chocar-se com o desejo dos casais que querem estar juntos durante o nascimento do seu filho, apesar das complicações que se apresentem.

Se a mulher está consciente (como no caso das cesarianas com epidural), o pai pode estar a desempenhar um papel, ainda que secundário. Há hospitais, em que o pai pode entrar na sala de operações (ainda que só em casos excepcionais) e a experiência pode ser muito boa.

Aproximadamente, em 75 por cento dos centros hospitalares dependentes da Segurança Social permite-se que a mulher esteja acompanhada durante o parto. O novo plano integral de Atenção à Mulher, promovido pelo dito organismo, pretende impulsionar esta tendência. Como é?

As mulheres valorizam muito o apoio incondicional do seu marido durante as largas horas, às vezes duas horas, da dilatação.

A autorização para assistir ao parto, tanto se nega por reticências dos profissionais como por deficiências estruturais de algumas maternidades, onde a presença do acompanhante afecta a intimidade de outras parturientes.

As mulheres que não desejem dar à luz sozinhas devem informar-se sobre as normas do hospital que lhes corresponde. Em alguns centros é necessário solicitá-lo previamente (inclusivamente por escrito) e recordá-lo no momento da admissão.

«Veio uma parteira e disse-me: “A partir de agora vamos ser boas amigas”»
Pediu-me o nome do meu marido para que me fizesse companhia, disse-lhe que era solteira, o nome da minha mãe, respondi-lhe que preferia que ele não me visse sofrer assim, que poderia enfrentar esse momento sozinha; e ainda me emociono ao recordar as suas palavras: «Só, não ficas; agora mesmo chamo uma colega para que me substitua nos partos e eu vou ficar contigo». Sentou-se ao meu lado e deu-me a sua mão. Quando chegou a altura, ajudou o meu filho a nascer. Que felicidade! Estava são e salvo. M. Ramos.

«O meu marido esteve a acariciar-me e a mimar-me o tempo todo»
Todos os dias, quando chegava cansado do trabalho, dedicava um tempinho a acariciar-me a barriguinha, falando com o bebé e, antes de dormir, cantava uma canção de embalar. Quando chegou o grande momento, estivemos os três sós no hospital.
Queríamos que fosse um momento íntimo e não o queríamos compartilhar com mais ninguém. Foram horas muito difíceis que me ajudou a ultrapassar com o seu carinho. A minha filhinha e eu tivemos a sorte de que o deixassem entrar na sala de partos. Quando a vimos nascer, começámos a chorar. Depois, sem que me deixasse um momento, estava a acariciar-me e be4ijar-me enquanto o obstetra retirava a placenta e me colocava pontos. Quero felicitar o meu «super marido» e dizer que a gravidez e o parto, não é coisa de um, mas sim, que tem o mérito dos dois. M.C.

«Ele foi o meu melhor apoio, dava-me ânimo»
Dizia-me «vem, vem, meu amor», calculava o tempo das contracções e pedia-me que, quando sentisse dores, lhe pegasse na mão e apertasse. O momento mais feliz foi ver nascer o nosso bebé, quando o colocaram em cima da minha barriga e ver o meu marido a meu lado. A casa, de repente, se encheu de felicidade, estávamos os dois numa nuvém. R.L..

«Deixaram-me completamente só numa casa»
A dor era insuportável e a única pessoa que entrava e saía (a enfermeira) gritava-me e ralhava-me.
Eu necessitava de alguém a quem agarrasse a mão e não havia. Estive assim sete horas e sentia-me, juro-o, como numa sala de torturas. O bebé rasgou-me ao nascer, e a enfermeira, ao coser-me, queixava-se que ia perder o autocarro com tanto sangue e tantos pontos. Passaram muitos meses em que todas as noites me recordava desta terrível experiência, que tinha vivido.
Passados 4 anos fiquei de novo grávida. Então resolvi ir a uma clínica em que o meu marido pudesse estar comigo todo o tempo. E, assim foi.. Estive muito descansada, com o meu marido e uma enfermeira parteira, amável e humana, até à expulsão com o médico na sala de partos.Senti dores? Pois sim. Um pouco de medo? Também. Mas, foi tão rápido e senti-me tão apoiada que não tive tempo para sofrer. Quando acabou tudo, estava eufórica de alegria. Agora penso que o parto é algo lindo, mas que nele influi muito o apoio, o sentir-se tratada como pessoa, e sobretudo, Ter ao lado o nosso companheiro». D.V.

Em boa companhia dói menos
Contar com a presença de um ser querido, se possível o marido, tranquiliza a mulher e melhora a dinâmica do parto.

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