A segunda gravidez é mais fácil

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

A segunda gravidez é mais fácil 

Os especialistas dizem que não há uma gravidez igual a outra, e no caso dos partos acontece o mesmo. Seja porque o corpo já sofreu várias alterações, ou por experiência adquirida, ou porque emocionalmente a futura mãe o enfrenta de modo diferente, a verdade é que a maioria das mães assegura que o segundo parto não se assemelhou ao primeiro. Quase todas confirmam que normalmente é mais fácil e decorre mais depressa.

Porque é que é mais rápido?
Os músculos e tecidos do períneo e do útero experimentam uma grande distensão no primeiro parto. Ainda que o corpo sempre se recupere depois de dar à luz, os músculos nunca ficam como anteriormente, estão mais brandos e distendidos. Isto facilita que o processo de dilatação nos partos seguintes seja mais curto e mais fácil.
Além disso, a diferença do que acontece com as primíparas, nas multíparas (mulheres que já tiveram um ou mais filhos) a preparação do colo do útero e a dilatação deste, procedem por fases. Isto é assim, inclusivamente, quando entre um parto e o seguinte decorreram vários anos, já que o corpo guarda sempre a informação do que já viveu.

O expulsivo também pode durar menos quando a mulher já deu à luz anteriormente. Como evolui o parto em geral e, em concreto, como progride esta fase, dependerá que se possa evitar uma segunda episiotomia.

Vive-se com menos medo
Na marcha do parto não intervêm unicamente factores físicos. Esta fase pode ver-se favorecida ou prejudicada por aspectos psicológicos (está demonstrado que os sentimentos e estados de ânimo influenciam muito o processo fisiológico).
Normalmente, quando se trata do segundo parto, a mamã enfrenta a experiência com menos inquietação e mais segurança; não tem o típico temor do desconhecido das primíparas (já sabe o que vai acontecer).

A tranquilidade da mãe repercute-se positivamente na evolução do parto, que não vai ter como influência uma quantidade indesejável de toxinas (catecolaminas) que elimina o organismo quando sente medo. A serenidade também ajuda a que a parturiente possa respirar melhor. Isso favorece uma correcta oxigenação, que se torna benéfica tanto para os músculos (se estão oxigenados contraem-se melhor), como para o bebé.

Por sua parte, os pais também podem assistir ao nascimento do segundo filho menos nervosos e mais confiantes. E segundo as mães, podem ajudar muito mais do que na primeira vez.

A experiência anterior condiciona
A parturiente que repete nem sempre chega á maternidade com tanta serenidade. Também há grávidas que esperam atemorizadas o momento do parto, a maioria das vezes porque a experiência anterior não foi gratificante (foi um parto muito demorado, complicado, com um desenlace dramático?).
Nestes casos, é importante superar esse medo, e pedir ajuda a um especialista se necessário.

Todos os especialistas são da opinião de aconselhar que repita a preparação para o parto em cada gravidez. Nestas aulas, a gestante aprende que nem todos os partos são semelhantes e que uma experiência negativa não tem porque se repetir. Além disso, seguir um curso de educação materna é sempre conveniente, entre outras coisas para recordar conhecimentos que podem ter-se esquecido (por exemplo, sobre relaxação e respiração).

Repetir-se-á a cesariana?
As mulheres que sofreram uma cesariana no primeiro parto podem interrogar-se se esta será necessária também nos partos seguintes. Isso depende muito das causas que motivaram a primeira intervenção e das complicações que podem aparecer no segundo parto.

Há casos em que esta operação é sempre necessária: se a mãe tem a pélvis estreita, se existe desproporção entre esta e o diâmetro da cabeça do bebé, ou se o feto se encontra posicionado transversalmente.

Se, pelo contrário, a primeira cesariana teve origem num problema de dilatação, ou se o parto não desenvolvia (neste caso, também será necessário conhecer as causas), não tem porque se repetir a operação. Em todo o caso, se não existem condicionantes nem problemas prévios, o médico tentará sempre um parto vaginal.

A possibilidade de que o segundo bebé nasça sem cesariana pode ser um motivo mais de esperança para a gestante. No caso de ter de se repetir a intervenção (às vezes sabe-se com antecipação) e isso seja motivo de tristeza ou frustração, a mãe deve avaliar a opção de solicitar que lhe administrem a anestesia epidural, em vez da geral; isso permitirá que esteja consciente durante a operação e que vela nascer o seu filho.

Será tão emocionante como o primeiro?

«Pensava que não ia sentir o mesmo que senti na primeira vez», disse Lúcia, mãe de uma criança de três anos e de um bebé de três meses. «Estava muito mais tranquila, pois sabia tudo o que se ia passar. Além disso, amava tanto o mais velho que me parecia impossível sentir o mesmo pelo segundo. Mas, enganei-me. Quando vi o rostinho de Sandra, tudo mudou. A emoção foi tão intensa como quando nasceu o Raul».

Testemunhos como o da Lúcia são bastante frequentes. É verdade que algumas mamãs acreditam não ser possível emocionarem-se tanto com o parto do segundo filho como com o parto do primeiro e, descobrem imediatamente que não é assim. Mas também há mães que reconhecem que, apesar de sentirem uma grande felicidade ao conhecer o novo bebé, esse momento não foi tão especial como o vivido com o primeiro.

Para os especialistas, a explicação disso é simples: ao existir um filho mais velho para tratar, a mamã tem menos tempo para se ocupar da sua gravidez e para pensar no nascimento e em como será o futuro bebé. E ainda que esse filho seja tão desejado como o primeiro, o factor de curiosidade e de se estrear como mãe já não existem. Nenhuma mulher deveria reprimir estes sentimentos, já que, no conceito dos especialistas, são absolutamente normais.