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A voz da mãe ajuda-os a recuperarem-se

Publicado em 12/07/2010. Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

A voz da mãe ajuda-os a recuperarem-se

A enfermeira introduz uma mini-cassette na incubadora e pressiona a tecla on. A fita começa a avançar, e a criança – um bebé prematuro, pequeno e magro – volta os olhinhos e fixa-os no pequeno aparelho que emite o som.

Na incubadora, de um lado, há uns auriculares enormes que quase não deixam ver o rosto do bebé. Apesar dos tubinhos que entram e saem do seu corpinho frágil e pequeno, parece tranquilo e bem disposto.

As visitas sentem curiosidade em saber o que escutam os bebés com tanto interesse, que espécie de gravação exerce sobre eles um efeito tão calmante: música clássica, melodias infantis, ritmos étnicos…?

Nada disso. É a voz da mãe, um som conhecido, carinhoso e, segundo parece, de grande valor terapêutico para os prematuros.

A cena tem lugar no piso dos prematuros no hospital de Augsburgo (Alemanha) e faz parte de um plano de «estimulação acústica» que pretende precisamente isso: estimular os bebés que nascem antes de tempo, e assim fortalecer os seus desejos de viver, além de os acalmar e de os ajudar nos momentos de solidão.

Quando uma mãe não pode estar junto do seu filho, a sua voz gravada (umas palavras carinhosas, uma canção de embalar…) pode oferecer-lhe tudo isso.

Preferem música suave e tons agudos

O ouvido desenvolve-se cedo no feto, e por isso os bebés prematuros, imaturos em muitos aspectos, possuem um sentido auditivo idêntico aos bebés nascidos de tempo. Há alguns anos, que se realizam estudos de como se comportam os recém-nascidos a diversos estímulos acústicos. Já se sabe que as melodias doces e pausadas os relaxam e os acalmam.

Por isso, em muitas maternidades do mundo, a música (sobretudo a clássica) emprega-se de maneira mais ou menos rotineira – como pano musical ou melodia de fundo – para sossegar os bebés.

Mas não é a música o seu som preferido

O recém-nascido mostra uma predisposição natural para as vozes humanas, em especial pelas femininas, e mais concretamente pela voz da mãe. Ao nascer já conhece e diferencia esta voz de qualquer outra; e o mais importante, já se comprovou que este som o tranquiliza de uma forma especial. Isto, que levou muitos anos de estudo e experiências, começou a aplicar-se com fins terapêuticos no hospital de Augsburgo (donde provêm as imagens) e noutras maternidades alemãs.

Neste centro, procurou-se também encontrar ruídos que substituam os sons que acompanham a criança na sua permanência intra-uterina (o coração da mãe, sons intestinais, etc.,). No início os prematuros reagiam com grande interesse.«Mas, depois, quando terminava a fita, mostravam-se angustiados pela perca. A recordação dos sons, inquietava-os e fazia-os chorar», disse o Dr. Frederich Porz, neonatologista do hospital alemão.

Depois desse fracasso, decidiu-se testar com audições de vozes maternas. Os resultados foram excelentes. Ao observar a evolução dos grupos de prematuros – uns receberam estimulação acústica e outros não – confirmou-se os benefícios do tratamento. As crianças que escutaram gravações de música e vozes familiares receberam alta antes; ao completar cinco meses.

Os seus progressos na área da linguística e motriz eram significativamente maiores: e, como se não bastasse, as suas mães adaptaram-se melhor aos problemas da sua prematuridade e amamentaram-nos durante mais tempo.

A terapia auditiva é correcta e barata (é unicamente constituída por cassetes pequenas e fitas virgens) e só é necessário tomar a precaução de renovar as gravações de vez em quando, pois, através da voz se transmitem também estados de alma e sentimentos, às vezes negativos. Em Augsburgo aperceberam-se de que, ao voltar a ouvir uma gravação antiga que a mãe tinha gravado quando o bebé estava muito mal, o bebé reagia chorando.

Diminuir o nível de ruído nas UCI

Se os sons suaves relaxam o recém-nascido, os ruídos fortes perturbam-no e excitam-no. Infelizmente as unidades neo-natais de cuidados intensivos não são lugares silenciosos. Aparelhos e pessoal produzem muitas vezes níveis de ruído muito superiores ao desejado.

As crianças que estão nas incubadoras devem suportar um ruído permanente de um motor (entre os 50 e os 90 decibeis), sem contar com as vozes, alarmes de monitores, abrir e fechar os óculos das incubadoras, etc., que podem gerar picos na ordem dos 120 decibeis. Esta poluição acústica provoca nos bebés, perda de sensibilidade, stress, alterações do ritmo respiratório, irritabilidade…

Felizmente, que se vai impondo uma cultura de respeito para com estes pequeníssimos pacientes. Controlar o ruído das incubadoras, manipular as suas portas com cuidado, melhorar a qualidade dos alarmes ou falar em voz baixa, são medidas que contribuem para que o mundo seja para eles, um pouco mais acolhedor.

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