Acne Juvenil – Malditas borbulhas

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 12 dezembro 2018

Acne Juvenil – Malditas borbulhas

Poucos são os jovens que lhe escapam, embora a acne juvenil nem sempre seja levada a sério.

A boa notícia é que as borbulhas não têm de ser um drama – consoante a gravidade da doença, existem vários tratamentos eficazes para a combater.

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A acne juvenil é tão indesejável para os jovens que até Harry Potter lhe dedicou várias páginas do seu diário. Não é, contudo, caso para entrar em pânico. A acne é uma doença, mas tem cura!

acne juvenil

A partir dos 11, 12 anos, a maior parte dos jovens começa a sofrer de acne juvenil. Uma doença de pele que está ligada ao processo de crescimento e que se pode manifestar de várias formas. Afecta tanto os rapazes como as raparigas pois ambos produzem hormonas.

No caso das raparigas, as modificações que ocorrem durante o período menstrual podem ainda piorar as lesões da acne. Uns sofrem apenas de pequenas erupções cutâneas, outros há que ficam com o rosto coberto de borbulhas e pontos negros. Um fenómeno tão difícil de aceitar que muitos deles recusam-se a sair de casa ou criam até dismorfofobias – fobia à acne.

Para o dermatologista Pinto Soares, a persistência de alguns sinais obrigam a uma visita ao médico especialista em pele e não a um centro de beleza, como acontece frequentemente. «A acne deve ser explicada ao jovem, para que ele possa aceitá-la como uma fase do seu crescimento.

A partir de certa altura da vida existem hormonas que até aí não estavam desenvolvidas, responsáveis pelo aparecimento de pêlos no corpo e pelo desenvolvimento das mamas. Essas hormonas são estimuladas pelos folículos sebáceos.»

A partir da puberdade, o aumento da secreção de hormonas sexuais masculinas, característico dessa idade, ocasiona em alguns jovens uma resposta anormal dos folículos sebáceos, que se traduz por excreção de sebo mais abundante e modificação das características do revestimento dos folículos.

Para além da idade, a prevalência é influenciada por factores hereditários e raciais: é mais frequente em determinadas famílias, observa-se mais na raça branca que na negra e é raríssima nos esquimós e índios americanos. Parece ser menos frequente em climas com muito sol.

O clima, efectivamente, parece afectar a acne, que habitualmente abranda durante o Verão e piora no Inverno. Em ambientes húmidos e quentes, como a sauna, a acne piora.

Em muitos países da Europa ainda há ainda quem defenda que a acne é sinónimo de falta de higiene e de uma alimentação deficiente. Mas o professor Pinto Soares não é dessa opinião. «Há jovens que estão geneticamente mais predispostos e os que têm peles oleosas estão mais sujeitos a estes problemas do que os que têm peles secas

Mas afinal em que consiste, exactamente, a acne?

«As lesões observadas na acne mais vulgar são os comedões abertos e fechados, vulgo pontos negros; as pápulas, mais conhecidas como borbulhas; e as pústulas, quando têm a cabeça de pus. As piores são quando tudo isto começa a aumentar, surgindo nódulos e quistos que se não forem tratados deixam marcas para toda a vida», esclarece este especialista.

O excesso de sebo retido no folículo é colonizado pelas bactérias da pele – colonização bacteriana. Estas agem sobre o sebo, degradando-o e produzindo ácidos gordos livres e outras substâncias irritantes. A inflamação que daí resulta produz as borbulhas, com ou sem pus.

Pinto Soares é da opinião que a acne atinge proporções mais graves por ser potenciada por vários erros. «Os adultos têm tendência para atitudes de pouco senso, como por exemplo dizer a um adolescente, que já sofre extraordinariamente com isso, que a acne passa com a idade. Com a idade tudo passa, mas é impossível viver cinco ou sete anos com acne e sem qualquer tratamento.»

Mas se o comportamento dos adultos nem sempre é o mais adequado, também há jovens que não ajudam nada, como aqueles que acreditam excessivamente em propaganda cosmética ou os que insistem em espremer tudo o que é borbulha ou ponto negro.

«Há acnes que não precisam de tratamento nenhum – se um jovem tem três pontos negros e uma borbulha de vez em quando. Mas é preciso evitar as atitudes que, ao invés de combaterem a acne, podem conduzir ao seu agravamento.

Um dos erros mais frequentes é o de espremer borbulhas e pontos negros. Isso não se deve fazer, porque, tratando-se de uma infecção, só vai contribuir para que esta se alastre a todo o rosto ou dê origem ao aparecimento de quistos. Quando uma borbulha aparece, nunca se deve mexer-lhe.

Se a acne progride e em vez de uma aparecem várias borbulhas, então já é uma doença que deve ser tratada pelo médico.»

O primeiro passo a dar, logo que surgem sinais de acne juvenil, prende-se com a higiene facial. «Deve usar-se um gel de limpeza, mas só produtos de farmácia. Depois, recomenda-se uma solução de farmácia que contenha Peróxido de Benzoil a 5%. Nos casos mais ligeiros, estes produtos podem ser muito eficazes.»

Os casos mais graves devem ser alvo de uma maior atenção. «Há acnes juvenis com um componente inflamatório gravíssimo. O tratamento da acne tem a ver com a intensidade, com a localização, com a idade e com a atitude da pessoa. Há o tratamento local e o geral.

O local é normalmente indicado para acnes mais ligeiros, e é feito com produtos para lavar e soluções para aplicar na pele. A sua função é a de secar a acne. Nas mais graves podem usar-se, nomeadamente, algumas loções de antibióticos e outros produtos de compensação.

Algumas acnes que, pela sua evolução, não respondem a estes tipos de tratamento, precisam de um tratamento sistémico: os antibióticos especiais que normalmente se usam durante dois ou três meses, outros que são efectuados com um medicamento muito particular derivado da vitamina A e que se destinam a casos que resistem aos tratamentos mais ligeiros, e também àqueles que sofrem de dismorfofobia, uma fobia resultante da intensidade da forma e da fealdade que a acne lhes provoca, deixando os jovens de tal forma perturbados que entram em depressão.»

É importante ressalvar que, independentemente da gravidade da acne, os resultados só começam a ver-se passadas algumas semanas de tratamentos.

Algumas das perturbações dos jovens que sofrem desta doença, devem-se aos mitos que existem à sua volta. «Convém esclarecer que a acne não é contagiosa, não tem a ver com a sexualidade, não está cientificamente provado que certos alimentos a provoquem. Nem mesmo o chocolate.»

Tranquilizem-se pois os adolescentes. Segundo afirma Pinto Soares, a acne tem cura. «Há cura e tratamentos eficazes que suspendem a actividade inflamatória da acne, prevenindo as cicatrizes. Há acne que deixa marcas devastadoras. Embora já existam tratamentos capazes de disfarçar estes defeitos, nomeadamente através do laser co2 fracionado, entre outros, estes não deixam de ser tratamentos isentos de sofrimento e despesa, porque são tratamentos muito complexos. O melhor é prevenir, controlando a acne

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