ADAPTAÇÃO Á GRAVIDEZ

ADAPTAÇÃO Á GRAVIDEZ
A ALTERAÇÃO EM DEIXAR DE SER UMA PESSOA INDIVIDUAL para passar a ser mãe é uma das mais profundas por que alguma vez passará; uma mulher é diferente de uma mãe; um pai não é o mesmo como homem. É uma experiência essencialrnente positiva e profundamente satisfatória – mas também vaí achá-la uma tarefa perturbadora, fatigante e incrivelmente dura.

PENSAR COM ANTECEDÊNCIA
A sua gravidez é uma altura para ponderar sobre as grandes mudanças que se avizinham – para cada um de vós como indivíduos e pârâ ambos como casal. Em muitos aspectos, é impossível descrever exâctamente o que vai acontecer durante a gravidez, atêlâ chegar. Contudo, é bem verdade que podem esrar o mais bem
preparados possível, fazendo perguntas, lendo e conversando com amigos que passaram por isso.

AS VOSSAS REACÇÕES DIFERENTES
Os homens e as mulheres reagem de formas diferentes à notícia da gravidez; a alegria pode degenerar em medo, ansiedade ou depressão ao pensarem nas responsabilidades iminentes e nas mudanças que são inevitáveis. As alterações nos relacionamentos podem ser ameaçadoras na melhor das alturas. As que acontecem no início da gravidez são particularmente marcantes, porque têm lugar quando a mãe se sente
cansada e possivelmente ansiosa e o pai pode estar a sentir-se ambivalente sobre a nova situação. Utilizem os meses que têm à vossa frente para se prepararem, o mais possível, para o que está para vir, mas tentem também desfrutar da gravidez. Afinal de contas, a vida nunca mais voitará a ser a mesma. se puderem, vão para fora durante um fim-de-semana ou tirem umas férias entre os quatro e os sete meses de gravidez – isso vai dar-vos bastante tempo e espaço para partilharem em conjunto os vossos sentimentos, e alguns anos mais tarde provavelmente olharão para trás e verão esse período como o fim da vossa antiga maneira de viver, na expectariva dos novos tempos que se avizinham.

SENTIMENTOS SOBRE A GRAVIDEZ
Dispõe de aproximadamente nove meses para examinar os seus sentimentos o mais desapaixonadamente possível e, nesse período, é útii acompanhar a evolução da gravidez. Ao princípio, as alterações físicas, comuns à maioria das mulheres grávidas, podem alterar a sua visão da gravidez. Muitas mulheres descobrem
que os incómodos físicos dos primeiros três meses – cansaço, náuseas, seios doridos – ocorrem quase depois da gravidez ter sido confirmada, por vezes até alguns dias após a ausência do período. Isto pode apanhar os casais de surpresa, transformando o prazer inicial em apreensão e incerteza. No entanto, esta reacção é
normalmente temporária, demorando cerca de 12 semanas; depois disso, aperceber-se-á subitamente de que já não acorda enjoada e com a cabeça confusa, que está cheia de energia e que em vez de parecer mais gorda à volta da cintura, está a desenvolver um “alto” que anuncia a sua gravidez ao resto do mundo e da qual pode orgulhar-se!

A GRAVIDEZ APOS UM ABORTO
O trauma de um aborto espontâneo, de um nado-morto, ou até mesmo de uma interrupção voluntária da gravidez no passado pode afectar o modo como ambos se sentem na presente gravidez.

REACENDER O DESGOSTO
Mesmo que a sua anterior gravidez tenha ocorrido há já algum tempo, poderá achar que estar grávida outra
vez vai reacender a sua preocupação. Converse sobre os seus sentimentos com o seu companheiro ou com uma amiga íntima: se ultrapassar agora este antigo desgosto, vai achar mais fácil acolher o seu novo bebé quando ele nascer.

REVIVER O PASSADO
Se teve um aborto, ambos acharão muito difícil ficar descontraídos sobre a nova gravidez. Poderão achar
particularmente difíceis de ultrapassar as semanas que estão perto da altura em que perderam o bebé. Animem-se ao pensar que a grande maioria das mulheres que perdeu um bebé tem um filho saudável da próxima vez.

DEPOIS DE UMA INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ
Se fez um aborto devido a alguma malformação do feto, muito provavelmente terá que fazer exames , de diagnóstico durante esta gravidez o mais depressa que for possível.
Novamente, anime-se pois grande parte desses problemâs tem poucas probabilidades de voltar a acontecer.
Se o aborto foi devido a outras razões, ‘ poderá vir a sentir sentimentos de culpa por levar esta gravidez adiante.
É importante falar sobre estes problemas em vez de guardá-los para si, uma vez que isso pode afectar o seu
relacionamento com o novo bebé.

DEPOIS DE UM NADO-MORTO
Se teve um nado-morto, provavelmente estará a pensar se este bebé irá ou não sobreviver e achará o final da sua gravidez quase insuportável. Apesar de ser vigiada de muito perto, desabafe sempre os seus medos com um terapeuta – é muito capaz de vir a ter o bebé alguns dias ou até mesmo algumas semanas antes da data prevista.

PLANEADA OU NÃO PLANEADA
Quer a gravidez tenha sido ou não planeada, isso vai ter grande importância na forma como a encara. Uma gravidez não planeada pode ser mais bem-vincla por um dos pais do que pelo outro (e é mais vezes o pai do que a mãe). No entanto, os dois podem sentir-se ambivalentes a esse respeito, principalmente se tiverem problemas de dinheiro. Quer a gravidez seja ou não planeada, poderá haver implicações na sua carreira profissional, principalmente se trabalhar numa empresa que não vir com bons olhos a licença por causa do nascimento dos filhos. Isto é mais importante para as mulheres trabalhadoras do que para os homens, mas a experiência demonstra que é possível reassumir uma carreira mesmo quando teve uma licença prolongada devido ao parto ou à assistência ao bebé. Assim que souber que está gravida,fale com o seu chefe, o mais depressa possível, sobre as suas opções, para saber o que pode usufruir da licença de maternidade . Isto vai ajudar a apaziguar os receios que tiver sobre as perspectivas da sua carreira, que podem toldar a maneira
como se sente globalmente em relação à sua gravidez.

SE A SUA GRAVIDEZ FOR ASSISTIDA
A sua atitude perante a gravidez tem probabilidades de ser afectada, caso tenha que esperar durante muito tempo para conceber, ou se tiver feito um tratamento para engravidar. Irá sentir uma enorme sensação de alívio por o seu bebé tão desejado estar finalmente a caminho, mas poderá preocupar-se com medo de fazer qualquer coisa capaz de causar um aborto, por isso existe a tendência de lidar com a gravidez como se esta fosse uma doença. Tente evitar essa situação; a maioria dos especialistas em concepção assisdda vai passar as suas pacientes para os serviços normais de maternidade, vma vez firmada a gravidez – se alguma coisa tiver que correr mal, é mais provável que aconteça nas primeiras seis a dez semanas e terá que ser avisada a esse respeito. Embora tenha sido obrigada a sujeitar-se a tratamentos prolongados e invasivos para conseguir engravidar, tente não lhes dar muita importância e, em vez disso, olhe para o futuro ) para o nascimento do seu bebé saudável.

DAR A NOTICIA
Talvez ambos queiram contar logo a toda a gente que vão ter um bebé; por outro lado, poderão querer guardar esse segredo durante algum tempo. Poderão até ficar surpreendidos com a forma como contam, dependendo da pessoa a quem contam, porque muitas pessoas quando admitem publicamente que vão ser pais, só então tomam consciência desse facto pela primeira vez. O apoio incondicional dos amigos e da família pode ajudar a ultrapassar quaisquer sentimentos de dúvida; como alternativa, talvez acabem por confessar aos amigos mais íntimos a vossa ambivalência sobre o assunto, muito embora aparentemente pareçam encantados. Depois de se saber a notícia, tenha em atenção que, no caso de um aborto, quanto
mais pessoas souberem do assunto, mais penoso será ter que explicar depois que perderam o bebé.

VÍNCULO PRÉ-NATAL
Apesar de ser maravilhoso poder ver o seu bebé a mexer-se quando fizer a primeira ecografia, a maioria das mulheres sente que o processo vinculativo realmente começa quando o sentem. Muito embora isso só possa acontecer depois das primeiras 16 semanas numa primeira gravidez, é uma vantagem que possui sobre o
seu companheiro – por isso partilhe o mais possível com ele os seus sentimentos e incentive-o a sentir a sua barriga. As primeiras sensações de movimento coincidem muitas vezes com uma alteração dos níveis de energia, por isso vai provavelmente sentir-se melhor consigo mesma e em relação ao bebé do que julgou possível ao início.

PAI
As alterações físicas da gravidez podem afectar a sua companheira. Estar preparado para o que possa
acontecer deverá ajudá-lo a lidar com os momentos menos bons que ela tiver, à medida que eles aparecerem,

OS SENTIMENTOS DA SUA COMPANHEIRA
O cansaço é uma característica comum do início da gravidez – é causado por todas as hormonas que o corpo da sua companheira tem subitamente que lidar. Incentive-a a levar as coisas com calma e espere
pelos meses seguintes, quando ela já se sentirá com uma energia incrível e
bem acordada; o “vigor” da gravidez nesta altura fará com que ela tenha óptimo aspecto – por isso
não deixe de lho dizer!

O efeito das hormonas da gravidez combinado com a ideia geral de se tornar mãe pode fazer
com que ela se sinta muito mais emotiva do que o costume; ela vai chorar com facilidade num filme “piegas” ou com uma notícia trágica que ouve nas notícias. Não faça troça dela – seja compreensivo.

Ela poderá preocupar-se com o facto de que vai engordar. Não dê muita atenção a isso: seja positivo
sobre o seu aspecto e faça-lhe elogios.
É uma péssima a ideia fazer dieta durante a gravidez, mas ela também não precisa de comer por dois. A maioria das gorduras que se adquire durante a gravidez é armazenada para nutrir a amamentação e queima-se muito rapidamente. Depois de ela começar a amamentar o bebé após o parto, incentive-a com esta informação.

A sua parceira pode achar que perdeu o controlo sobre a sua vida quando engravidou, porque há sempre alguém com ideias novas sobre o que é melhor para ela. Não reforce esta posição – ela conhece o seu corpo melhor do que ninguém, e quando chegar a altura de decidir, é ela quem tem que dar a última palavra.

O FUTURO PAI

UM DOS MOMENTOS MAIS EXCITANTES da sua vida será, provavelmente, quando descobrir que vai ser pai. O
impacto emocional que sentir será tão real como o da sua companheira, mas é muitas vezes subestimado e poderá achar que, uma vez passada a excitação inicial, as pessoas deixarão de perguntar-lhe como você se sente. No entanto, é importante falar sobre as suas emoções, mesmo que seja apenas com a sua companheira, e deixar-se envolver nos planos relativos à gravidez e ao parto. Transforme o mais possível esse facto como fazendo parte integrante da sua vida – afinal de contas, é uma coisa que está a acontecer aos dois e não apenas à sua companheira.

COMPREENDER AS SUAS EMOÇÕES CONTRADITÓRIAS
A gravidez pode não parecer real durante as primeiras duas semanas – e isto porque a sua companheira vai parecer fisicamente igual. Não se preocupe se se sente de maneira diferente dela em relação à gravídez; é uma experiência interna para ela e uma experiência externa para si e não se transformarão de repente numa só pessoa com os mesmos sentimentos, só porque vão ter um bebé. No entanto, depois de ver que o corpo da sua companheira começou a mudar e, mais tarde, quando sentir o bebé a mexer-se, a ideia de ter um bebé vai tornar-se mais real. É nesta altura que os seus sentimentos de alegria e excitação podem ser substituídos por medos e preocupações; seja qual for o seu ambiente familiar, é normal que um homem comece a preocupar-se se será capaz de sustentar a sua família. Ter um filho pode ser um fardo financeiro extra, principalmente se a sua companheira vai deixar de trabalhar, mas tente não tomar decisões radicais, como por exemplo arranjar um novo emprego ou procurar alcançar uma promoção. É dificil saber se quererá mais uma responsabilidade durante todo o ano, depois de nascer o bebé. Não se esqueça de que,
como pai, tem mais do que apenas bens materiais para oferecer ao seu filho.

COMO PODE PARTICIPAR
Ser um futuro pai é uma altura da sua vida em que poderá sentir-se algo descontrolado. Esta sensação de ser um intruso não será beneficiada pela maneira como os outros o tratam: as amigas bem intencionadas e os familiares podem empurrá-lo inconscientemente para fora do que eles vêem como o seu território.
Tâmbém poderá achar que os profissionais, como por exemplo os obstetras e as parteiras, direccionam as conversas mais para as suas companheiras do que para si.

TOMAR A INICIATIVA
Não se afaste nem permita que os seus familiares do sexo feminino e amigas participem mais do que você. Conte aos seus próprios amigos e colegas: poderá ser alvo de alguma troça mas, da mesma forma, as pessoas podem olhá-lo como alguém mais responsável e maduro. Tente informar-se o mais que puder sobre gravidez, para que possa compreender as alterações que estão a ocorrer com o corpo da sua companheira. Se possível, vá com ela às ecografias, para que possa assistir ao desenvolvimento do vosso bebé; converse sobre o facto de ir ser pai e faça as perguntas que achar convenientes – e principalmente aprecie a situação!

MÃE

Poderá achar que o relacionamento com o seu companheiro não vai mudar antes de o bebé nascer, mas isso vai acontecer, por isso esteja preparada.

COMPREENDER O SEU COMPANHEIRO
É muito fácil que os homens se sintam excluídos, por isso certifique-se de que inclui o mais possível o seu companheiro em tudo o que faz.

Não esteja à espera de que ele se sinta igual a si. Esperar um bebé é uma experiência externa para ele e
poderá ser-lhe difícil sentir empatia para com as alterações invisíveis que ocorrem dentro dela. Não se
esqueça de que a vida diária dele não será muito diferente e não sofrerá grandes mudanças óbvias até ao nâscimento do bebé.

Converse com o seu companheiro sobre a forma como está a sentir-se. Poderá passâr por grandes oscilações de humor e atravessar períodos em que se sente insegura e feia. Não lhe atribua todas as
culpas – a culpa não é dele. Em vez de guardar o que sente e descarregar numa discussão, sente-se e explique ao seu companheiro o que está a sentir.

AFECTO E SEXO
O seu companheiro pode sentir-se ansioso em relação ao seu bem-estar e tratá-la como se estivesse doente. Este tipo de atenções pode ser sufocante, por isso digalhe se isso não lhe agradar. Lembre-lhe
também que está tão interessada como ele em não fazer nada que ponha em risco a vida do bebé.
Da mesma forma, se o seu companheiro não lhe dispensar atenção suficiente, diga-lhe que precisa de carinho.

O seu desejo de ter relações sexuais pode mudar nas diferentes fases da gravidez. Se não quiser ter relações, diga ao seu companheiro.

PLANEAREM JUNTOS O NASCIMENTO

Precisará de discutir com a sua companheira sobre o tipo de parto que ela deseja e decidir qual vai ser a sua participação. Terá também de falar com o seu chefe para poder tirar algumas dispensas para a acompanhar às consultas pré-natais, assim como para o parto, para ter mais tempo para ficar em casa depois do nascimento do bebé.

PLANEAR O PARTO
Discuta com a sua companheira sobre o que pode surgir com o tipo de parto, mas não imponha os seus pontos de vista. Se a sua companheira estiver bem segura sobre determinados assuntos, por exemplo, se quiser um trabalho de parto sem o auxílio de medicamentos, tente respeitar os sentimentos dela, mas insista em debater as vantagens e desvantagens. Mostre-se ansioso por estar presente no parto. Não se esqueça de que presenciar o parto do seu filho é provavelmente urna das experiências mais enriquecedoras por que passará e está provado que pegar no bebé ao colo nos seus primeiros segundos de vida ajuda a consolidar os futuros laços entre pai e filho.

VÍNCULO PRÉ-NATAL

Nunca será cedo de mais para estabelecer um elo de ligação com o seu bebé. Os bebés podem ouvir sons fora do útero por volta dos cinco ou seis meses; se falar com o seu bebé, ele
ligar-se-á à sua voz enquanto ainda está na barriga da mãe e, na verdade, será capaz de ouvir melhor a sua voz baixa do que a da mãe. Não se sinta estranho – pense na vida que criou e ame-a. Para ajudá-lo a ligar-se ao seu bebé:
Massaje suavemente a barríga da sua companheira e sinta o bebé a mexer-se.

Fale e murmure suavemente com o seu bebé, beije-o e afague-o através da pele da sua companheira.

Use os tubos de cartão dos rolos de papel higiénico para ouvir o bater do
coração do bebé.

Acompanhe a sua companheira às ecografias para ver o desenvolvimento do bebé.

PARTICIPAR
O bebé também é seu. Tem todo o direito de participar em todos os aspectos da gravidez e de:
Ser aberto em relação aos seus sentimentos.

Expressar as suas preocupações sem receio de interpretações erradas.

Falar francamente com a sua companheira sobre sexo, para que isso não se torne um problema.

Tomar parte em todos os preparativos e planos para o nascimento.

Assistir a aulas pré-natais.

Ir às consultas pré-natais. para poder ouvir o bater do coração do bebé e vê-lo mexer no monitor das ecografias.

Visitar o hospital e a sala de partos com a sua companheira.

Contribrir para os planos sobre o nascimenro.

Conhecer todos os profissionais de saúde envolvidos.

E o mais importante e marcante de todos, “Estar presente no momento do parto“.