Algarve

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Uma das regiões mais visitadas de Portugal, o Algarve oferece belas praias, boas infra-estruturas turísticas, boa gastronomia e um clima de excepção. De origem árabe, Algarve significa “o Sul” e definia a faixa ocidental que os muçulmanos detinham na Península Ibérica — incluindo, na altura, o Ribatejo, Lisboa e Sintra. Só um século após a independência de Portugal o Algarve se tornou português e os seus limites se estabeleceram muito próximos dos actuais.

As suas condições naturais únicas — influência mediterrânea, amplo litoral sul e escassa linha de costa ocidental que a subtraem aos ventos de oeste, abrigada por montanhas que o defendem dos ventos frios e quentes ligados aos centros de acção atmosférica do interior da Península Ibérica —, conferem-lhe a característica de possuir o clima mais mediterrânico de todo o Portugal, com Invernos suaves e Verões quentes, secos e prolongados.

Deve considerar-se, no entanto, três zonas bem diferenciadas que se estendem, tal como a própria região, de oeste para leste: a serra, o barrocal e o litoral, sendo às duas últimas que sempre se associa a ideia que habitualmente se tem sobre o Algarve. No litoral evidencia vida marítima, ao contrário do que acontece noutras regiões costeiras portuguesas, com desenvolvimento da navegação, pesca e extracção de sal. Diversas aldeias, vilas e cidades servem de pólos destas actividades, e, em algumas delas, as indústrias ligadas à pesca marcam forte presença.

A evolução recente da economia agrícola do Algarve tem registado a decadência de culturas intercalares, o aumento das áreas de forragens e vinha e maior produção horto-frutícola para o abastecimento dos mercados urbanos, sobretudo da área de Lisboa. Contudo, o aspecto mais relevante da evolução do Algarve nos últimos anos é, sem dúvida, o espectacular desenvolvimento do turismo, explorando as suas naturais características.

Sendo uma belíssima região para se visitar durante todo o ano, é no Verão que milhares de portugueses e outro tanto de estrangeiros invadem a região. Faro, Lagos e outras cidades parecem colmeias, mas mesmo aí é possível escapar às grandes multidões. Não deve deixar de visitar Portimão, Albufeira, Tavira e as lagoas do leste, as povoações do interior e a serra de Monchique, que oferece passeios de rara beleza.

Faro
Capital do Algarve, foi conquistada em 1249 por D. Afonso III. Conheceu então um grande desenvolvimento com a expansão africana devido ao comércio com o Norte de África. Em 1540 é elevada à categoria de cidade e, em 1596 é quase totalmente destruída pelos ingleses, quando Portugal se encontrava sob o domínio filipino. A cidade medieval cresceu dentro dos muros, numa zona designada por Vila-a-Dentro. No centro da vila Velha, o Largo da Sé é um dos mais belos conjuntos arquitectónicos de todo o Algarve.

Sé – Primeira igreja cristã da cidade erguida no local de uma mesquita. Belo órgão do século XVIII decorado com motivos chineses.
Arco da Vila – Construído no século XIX na entrada do castelo medieval.
Paço Episcopal – Do século XVIII, ainda em uso mas fechado a visitas.
Igreja de S. Francisco – Decorada com belos azulejos que retratam a vida de S. Francisco (séc. XVIII).

Igreja de Nossa Senhora do Pé da Cruz – Painéis a óleo com cenas do Livro do Génesis, como a criação das estrelas e do céu.
Igreja do Carmo – Explosão barroca coberta com folha de ouro do Brasil, apresenta ainda uma capela dos ossos, de 1816, forrada com ossos humanos retirados do cemitério dos frades.
São Pedro, igreja paroquial de Faro, destacando-se a capela do Santíssimo e o altar da Capela das Almas decorado com azulejos de 1730.
Estói – A 9 quilómetros de Faro, perto de Estói, ruínas de uma cidade romana que, segundo alguns, seria Ossónoba, capital da Céltica, destruída depois pelos mouros (século VIII).

Sagres
A leste do cabo de S. Vicente, a ponta de Sagres parece uma pequena península de arribas ainda mais a pique que as do cabo de S. Vicente. Tem um farol e terá sido ali que o Infante D. Henrique fundou a sua escola de navegação.

Rosa dos Ventos – Tem 43 metros de diâmetro e é a principal atracção de Sagres.

Capela de Nossa Senhora da Graça – Mandada erigir pelo Infante D. Henrique.

S. Brás de Alportel
Predominantemente agrícola, a sul da serra do Caldeirão, de origem árabe ou pré-árabe, fica a pouco mais de 15 quilómetros de Faro.

Monchique
Belas vistas panorâmicas e belos passeios transformaram-na numa atracção turística, que, com a sua serra, alguns apelidam de Sintra do Algarve. É, ainda e devido à abundância das suas águas, a principal zona verde do Algarve. Próximo encontram-se as Caldas de Monchique, modesto estabelecimento termal com um belo parque de camélias, acácias, ulmeiros e pinheiros.

Mosteiro de Nossa Senhora do Desterro – Casa franciscana fundada no século XVII.
Igreja Matriz – Tem impressionante porta manuelina.

Silves
Instalada na encosta de um dos montes da Serra de Monchique, é atribuída aos Fenícios a sua fundação. Ocupada depois pelos árabes tornou-se a mais importante cidade do Algarve.

Castelo – Bela construção árabe edificada em taipa e grés vermelho. Não deve deixar de visitar a Cisterna da Moura Encantada.
Sé – Catedral do século XIII, construída no local de uma mesquita.
Igreja da Misericórdia – Do século XVI tem porta lateral manuelina e retábulo renascentista.

Albufeira
No fundo de uma pequena enseada aberta entre a ponta da Baleeira e o Forte de São João, terá sido fundada pelos Fenícios e mais tarde ocupada pelos romanos.
Capelinha da Misericórdia – De gótico incaracterístico.
Torre do Relógio – Junto com o hospital, pode ser admirada no antigo castelo
Furnas Marítimas.
Praia dos barcos.
Praia de São Rafael.
Praia da Oura.

Portimão
Na margem direita do rio Arade não possui grande espólio monumental, já que não desempenhou o mesmo papel de Lagos ou Tavira no comércio marítimo. Durante muito tempo funcionou como porto de mar de Silves.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição – Tem a sua origem numa construção do século XIV com belos azulejos dos séculos XVII e XVIII.
Rua Vasco da Gama – No centro da cidade, artéria comercial com lojas de artigos típicos da região.
Praia da Rocha – Série de enseadas arenosas com altas rochas vermelhas. Um verdadeiro postal do Algarve.

Tavira
Na foz do rio Asseca terá sido fundada pelos Fenícios ou Cartagineses, mas foram os romanos que, pelas suas construções — tais como a sua célebre ponte ainda em funcionamento — imprimiram a sua marca. No século XVI desempenha importante papel nos Descobrimentos, sendo o seu porto um dos mais movimentados da costa sul.
Castelo dos mouros. No centro árabe donde se tem uma bela panorâmica da cidade e dos seus arredores.

Igreja de Santa Maria do Castelo – Ocupa o lugar onde se encontrava a maior mesquita do Algarve de fachada e janelas góticas.
Igreja de Nossa Senhora da Graça – Construída em 1568 para a Ordem de Santo Agostinho.
Igreja da Misericórdia – De arquitectura renascentista, apresenta uma bela entrada ladeada pelas imagens de São Pedro e São Paulo.
Ruas da Liberdade e José Pires Padinha – Ali se podem admirar belas casas do século XVI.
Margens do rio Asseca – Belas mansões do século XVIII.
Ponte romana.
Ilha de Tavira – Com 11 quilómetros de extensão é muito frequentada no Verão. Pode apanhar o barco em Quatro Águas, a apenas 2 quilómetros de Tavira.
Praia do Camilo.
Praia de Dona Ana – Dizem que uma das mais bonitas da região.
Meia Praia – Com quase 4 quilómetros de extensão.
Ponta da Piedade – Maravilhosas formações rochosas com grutas de águas calmas e transparentes.
Barragem da Bravura – Passeio pitoresco, sobretudo se observa de um ponto elevado.

Lagos
Tem origem anterior à ocupação muçulmana da Península Ibérica já que, no século III A.C. ali existia Lacóbriga. Ligada à conquista do Norte de África e aos Descobrimentos, daqui partiu a armada para a conquista de Ceuta, e de D. Sebastião para a tragédia de Alcácer Quibir. Ali, durante o século XV, funcionou um importante mercado de escravos.

Igreja Matriz – O terramoto de 1755 destruiu grande parte da cidade, merecendo, por isso, destaque apenas duas portas dos séculos XVI e XVII.
Igreja de Santo António – Bela talha dourada barroca.
Muralha de D. Manuel – As suas ruínas merecem uma visita, sobretudo a janela manuelina ligada pela tradição popular à partida de D. Sebastião para África.
Estátua de D. Sebastião – Notável escultura, plena de interpretação histórica, de João Cutileiro.

Loulé
Conheceu importante desenvolvimento na época das Descobertas, sobretudo devido ao comércio com o Norte de África. Quarteira e Vilamoura são os seus centros mais turísticos. Da sua vila medieval pouco resta.

Castelo – O terramoto de 1755 derrubou-o mas hoje encontra-se parcialmente reconstruído.
Igreja Matriz – Fundada no século XIV, foi reconstruída, incorporando elementos do chamado Convento da Graça.
Bairro Popular – Entre a Matriz e as muralhas do castelo, de ruas estreitas e casas caiadas de branco.
Praça da República – Belos edifícios, em geral do século XIX, com fachadas de azulejos e ferro forjado nas varandas.

Vilamoura
É uma sucessão de hotéis, casas e um sem número de infra-estruturas turísticas. Construída do nada, tenta obter o título de maior centro de lazer turístico da Europa.

Marina – Um passeio com cafés e restaurantes funciona como miradouro para a bela marina repleta de barcos.
Cerro da vila – Ruínas romanas do século I que incluem banhos e os restos de mosaicos que terão pertencido a uma parede de uma casa nobre.

Artesanato

No Algarve distinguem-se os seguintes tipos de artesanato: as albardas e carroças em Cachopo, os bonecos e brinquedos de madeira e de juta em Martinlongo, os cestos de palma e de esparta em Paderne ou Salir, as figuras de barro negro de Aljezur, a loiça de Porchese as telhas mouriscasde Santa Catarina da Fonte do Bispo.

As Casas da Serra, a Flor d’Agulha, a Manusfactum em Aljezur, a Escola de Artesanato de Lagoa e a FATACIL são alguns dos espaços onde se podem admirar e adquirir as peças mais típicas do artesanato algarvio.

Arquitectura Tradicional

Casa Algarvia

No Algarve existem dois tipos de casas, a da região serrana e a da área do litoral. No interior as casas apresentam uma estrutura simples e humilde, de acordo com os modos de vida da população. O elemento mais característico da casa algarvia, a chaminé, apresenta-se muito discreto. Quando se caminha em direcção ao mar, começam a surgir, no centro e sotavento, as platibandas (parede que esconde o telhado), as açoteias e as chaminés cheias de motivos.

Na construção recorre-se a técnicas para aumentar a resistência dos materiais, entre as quais a taipa (parede montada no local) é das mais frequentes. A cal é a cor preferida para pintar a casa, embora os azuis, os verdes e os ocres também se utilizem. Algumas portas e janelas, onde se podem apreciar o calcário e o grés de Silves, são dignas de nota. Os telhados de duas águas, dão lugar aos de quatro em Tavira e, em Olhão, as casas cúbicas são uma excepção. Afinal, o Algarve é um ‘ninho’ de reminiscências árabes.