Alto Alentejo

Revisado por Andre a 28 outubro 2018

Compreendido entre o rio Tejo e a serra algarvia, no Alto Alentejo tudo seduz, desde a imensidão da paisagem ao sabor dos cozinhados e excelência dos vinhos. Relevo aplanado e lânguido que exprime perfeitamente a noção de planície, nele sobressaem a grandeza da serra d’Ossa e de São Mamede. O clima acusa já a influência mediterrânica e as baixas densidades populacionais são em parte reflexo disso.

Aliás, o povoamento do Sul do país sempre foi mais lento do que o do Norte. Ocupado pelos romanos e muçulmanos, que aqui deixaram inúmeros e valiosos vestígios, no Alto Alentejo, o poder real doou vastas herdades aos seus auxiliares e os latifúndios, com a moradia a coroar o monte, continuam a fazer parte da paisagem rural.

‘Celeiro de Portugal’, como era apelidado, onde abundam campos de trigo, girassóis, vinhas, olivais e soutos, o Alentejo é também um paraíso para os amantes do turismo cinegético, que podem contar com o auxílio do Rafeiro do Alentejo, cão de montaria nas matilhas de caça grossa. Às emoções da caça, juntam-se o prazer do Sol e dos desportos náuticos praticados nas inúmeras albufeiras e o gosto pela história, cultivado em cidades e vilas de encantar como Évora, Marvãoou Monsaraz.

Visitar o Alentejo é, por isso, percorrer os alvos povoados, desenhados a pedra e cal e guardar na memória o bom gosto das gentes, a tranquilidade dos dias, o azul do céu e o sussurrar das searas.

O Alto Alentejo é constituído por 29 concelhos:

Alandroal, Arraiolos, Borba, Estremoz, Évora, Montemor-o-Novo, Mora, Mourão, Portel, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Vendas Novas, Viana do Alentejo e Vila Viçosa, Alter do Chão, Arronches, Avis, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Elvas, Fronteira, Gavião, Marvão, Monforte, Nisa, Ponte de Sôr, Portalegre e Sousel.

Arquitectura Tradicional

Casa Alentejana

É fácil encontrar semelhanças entre a casa ribatejana e a casa alentejana. Singela, a casa da planície é uma construção térrea de planta rectangular com telhado de duas águas coberto de telhas de canudo e chaminé.

O adobo, o tufo e o tijolo são os materiais de construção mais comuns. Caiadas de puro branco, as casas apresentam, normalmente, um rodapé em amarelo, azulão, vermelho ou verde que protege o adobo ou a taipa dos salpicos da chuva. As janelas e portas são guarnecidas com pedra ou madeira. No interior da casa o pavimento é de terra batida e as assoalhadas são dispostas de enfiada: cozinha, quartos e arrumações, que comunicam entre si através de portas.

A casa ribatejana situa-se, normalmente, em ruas largas e rectilíneas. As janelas da fachada estão quase sempre fechadas e a intimidade da vida quotidiana decorre na direcção do quintal.

Ao vaguear pelas zonas ribeirinhas encontra-se outro tipo de habitações, estas sim muito peculiares. Chamam-se palafitas e são casas em madeira erguidas sobre pilares, para protecção contra as cheias. Dispostas em pequenas povoações piscatórias, no quadro onde se integram há sempre barcos e redes à vista.