Amamentar a pedido

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Amamentar a pedido

Nós, seres humanos, funcionamos na perfeição: quando o nosso organismo precisa de alimento, a fome começa a torturar-nos. Ao contrário, o relógio da sala, por muito bom que seja, não sabe quando é que o bebé da nossa casa precisa de comer. Assim é que, ao menor sinal, o mais prudente é pô-lo ao peito e esquecer-se da hora.

Esta regra tem uma excepção: alguns recém-nascidos, os bebés doentes ou que perdem peso, às vezes estão demasiado debilitados para pedir alimento e convém oferecer-lhes antes que o solicitem (cada hora ou hora e meia, por exemplo). Segunda regra: há que permitir que seja a criança a largar o peito quando já não quiser mais. O melhor é esperar que acabe. Ao contrário corremos o risco de que o nosso pequenino não aceda às últimas gotas da mama, mais espessas e nutritivas.

Como saber que está a pedir peito?

Não quer mais do que colo!, pensam algumas mães. No entanto, com frequência, o que o pequeno verdadeiramente ambiciona é aceder ao peito da mamã. Por isso permanece calado ao seu lado (ou seja, ao lado do peito). Uma última questão: quando um bebé chora por fome é porque está com muita, mesmo muita, fome. Os pequenos não devem esperar tanto para comer. O correcto é oferecer-lhes o peito antes de chegar a este ponto.

Guias muito irregulares

Os lactentes são surpreendentes. Umas vezes pedem o peito de pouco em pouco tempo e outras deixam passar várias horas. Há momentos em que mamam muito pouco (ou pouco) e, enquanto mamam, estão meio adormecidos. Ou então adormecem, sem hipóteses. Tão pouco é raro que queiram mamar só de um lado (ou talvez dos dois) e, 15 minutos depois voltam a reclamar alimento. Inclusive pode ocorrer que peçam mais que dois peitos (isto também é normal): quando acabam o segundo, basta voltar a oferecer-lhes o primeiro.

Segundo o Dr. Gonzalo Pin, pediatra e especialista em sono infantil, o ritmo irregular do lactente mantém-se durante o primeiro e segundo mês de vida (a partir de então já conseguiram manter o seu ritmo biológico, fixo). Daí a razão de dar o peito a pedido: é a única forma de estarmos seguros de que o pequeno alimenta-se correctamente. Enquanto for crescendo, entenderemos melhor as suas necessidades.

Até quando se pode seguir com este ritmo?

Algumas pessoas pensam que, a partir de certa idade, deve submeter-se a um horário. Segundo o Dr. Carlos González, especialista em amamentação materna, Isto não se baseia em nenhum motivo lógico. O horário fixo é incómodo porque se o bebé chora antes da amamentação, há que escutar o seu choro impassível ou deve tentar acalmá-lo com outros métodos não tão efectivos como a mama. As mães podem continuar a dar o peito sem a escravatura do relógio durante toda a amamentação!

Aos poucos, o problema surge quando a mulher volta a trabalhar, o que a impede de dar peito durante o dia de trabalho. Algumas mães recorrem à alimentação artificial. Outras optam por dar o seu próprio leite (em biberão ou em papas) durante a sua ausência e, continuar a amamentar o resto do dia. Há quem tente combinar as duas alternativas.

Quanto às tomas nocturnas, alguns especialistas estão a favor de as manter e outros não. Na opinião do Dr. Pin, A partir dos quatro meses convém que o bebé não durma ao peito. Quando está inquieto devemos acalmá-lo inclusive, com a mama, mas antes de adormecer há que retirá-la. A partir dessa idade, adormecer a sugando é um factor de risco para a insónia infantil pode gerar maus hábitos de sono.

Alimentar sem horários reforça o vinculo afectivo com o bebé.

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