Amamentar com êxito

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Amamentar com êxito

Quando começar a dar de mamar é muito importante ter atenção à postura. A coluna direita, os cotovelos fora da mesa, sem se balancear na cadeira…». Nós os pais insistimos para que os nossos filhos se sentem bem à mesa. Fazê-mo-lo, sem dúvida, demasiado tarde quando a postura não é mais que uma questão de bons modos. Ainda que pouco conhecido, há um momento em que a posição do corpo influi de forma importante na alimentação dos nossos filhos: quando tomam o peito, especialmente nos primeiros meses. Porque o aleitamento é um processo activo por parte do bebé. Tem que fazer algo e tem que o fazer bem.

Como se produz a «descida» de leite
cada peito está formado por numerosos saquinhos microscópicos. No seu interior há um grupo de células secretoras, que produzem o leite, rodeados por uma grande célula contráctil. Durante a mamada (ou antes, só que a mamã pense que vai dar de mamar ao seu filho), esta célula contrai-se por efeito da oxitocina (sim, a mesma hormona que contrai o útero durante o parto; por isso se notam contracções ou dores tortas durante a toma). Nesse momento é possível sentir um formigueiro no peito e que o leite goteje. É a descida, crescimento, apoio ou queda do leite (alguns chamam-lhe a «subida», mas não se pode confundir com a outra subida de leite que acontece uma só vez no início do aleitamento). Esta «descida» produz-se em cada toma, mas a maioria das mães deixam de notar a descida ao fim de algumas semanas, e algumas não a notam nunca.

Isso não significa que tenham menos leite, é totalmente normal. Se todo o leite que sai disparado por efeito da oxitocina se perdesse, ínfimo desperdício! Por sorte, a maior parte não chega a gotejar, apenas fica acumulada numas dilatações dos condutos chamados seios galactóforos, situados ao redor do peito, a um par de centímetros (mais ou menos no bordo da auréola). Se a mãe se apalpa no momento da mamada, notará os condutos cheios, como um borboto.

Assim mama o bebé
As crianças mamam aspirando ou fazendo vácuo, como quem toma um refresco sinal que exprimem (ordenam) o peito, apertando com a língua precisamente onde estão os seios galactóforos cheios de leite. É importante colocar a língua debaixo dos seios galactóforos e extrair o leite.

Que acontece se o bebé está mal colocado?

A má posição do bebé no momento de mamar pode desencadear toda uma série de sintomas. Como é normal, nem todos acontecem ao mesmo tempo. Não é uma questão de tudo ou nada, apenas existe uma vasta gama de posições, desde a «perfeita» até à «errada», passando pela «bastante boa», a «assim-assim», etc.

Vejamos então:

Ao não poder apertar com a língua, o bebé vê-se obrigado a tentar aspirar, provocando o vácuo. As bochechas encovam-se e os papás dizem «Olha bem, como mama com tanta força». Tudo ao contrário! As bochechas não se encovam quando o bebé mama bem.

Por mais que a criança aspire, o leite sai muito lentamente. Mais que mamar, parece estar à espera que lhe caia na boca o leite que goteja. Certamente estará meia hora ao peito, «e porque eu lho tiro, pois ele continuaria». O bebé que mama correctamente não necessita que o retirem do peito pois, ele abandona-o por si próprio.

Com tanta força num espaço tão curto (só o mamilo) e durante tanto tempo, acaba magoando. A causa principal da dor e gretas no peito é a má posição do bebé ao mamar.

Apesar de todo o tempo que mama, continua a ter fome. O leite do princípio é mais aguado: o do final tem muitas gorduras e, consequentemente mais calorias. O nosso herói nunca consegue extrair o leite até ao fim, não fica satisfeito ao mamar.

Como no entanto tem fome, ao fim de muito pouco tempo volta a pedir. Claro que o peito se dá a pedido, e não faz mal se uma criança o pede, ocasionalmente, ao fim de meia hora. Mas não é normal que queira mamar cada meia hora, dia e noite, todos os dias. Como média, os bebés podem mamar umas dez ou doze vezes em 24 horas (ainda que distribuídas muito irregularmente). Se uma criança pede o peito continuamente, é provável que não esteja bem colocado.

Visto que o bebé não consegue tirar o leite até ao final, o peito responde fabricando mais leite do princípio, do que goteja graças oxitocina. E mais oxitocina para o expulsar para que o bebé o tome sem esforço. A mãe sente o peito desagradavelmente sempre cheio, muitas vezes tem ingurgitações e inclusivamente pode sofrer de mastites. E nota vária vezes em cada toma a descida ou subida de leite e, mais forte que o normal.

O bebé acaba por tomar grande quantidade de leite (mas com poucas calorias, porque é o do princípio). Como não lhe cabe no estômago, a toda a hora «bolsa», regurgita o vomita violentamente, mas apesar de tudo continua com fome.

E que acontece com o peso? Provavelmente não estará muito famoso, sobretudo se ao nosso pequeno herói só lhe dão de mamar dez minutos em cada quatro horas. Com isso, um bebé mal colocado não tem alimento nem para quebrar o apetite. Mas se a mamã lhe dá todo o que pede, pode ser que o seu filho esteja com um bom peso, ou inclusivamente até pese demais. Como a sensação de saciedade depende das gorduras, alguns bebés conseguem tomar suficiente leite do princípio para ganhar peso mas, continuam esfomeados. É o que se passa com muitos adultos, que não comem gorduras para não engordar, mas como ficam com fome, estão sempre a comer alguma coisa e nunca emagrecem.

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