Amamentar, nem sempre é um prazer

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Amamentar, nem sempre é um prazer

O leite materno é o melhor alimento do bebé durante os primeiros meses de vida. Mas dar de mamar não é só um acto de nutrição. Além disso, permite à mamã e ao seu bebé desfrutar de momentos de intimidade e ternura graças a esse estreito contacto corporal que reforça o vínculo entre ambos. Para a maioria das mamãs pressupõe uma das experiências mais gratificantes da maternidade.

Doenças que impedem continuar a amamentar:
Sem dúvida, que o aleitamento nem sempre se desenvolve nestes termos. Diversos factores podem dificultar o processo. Em primeiro lugar, estão as doenças no peito e respectivos mamilos, mais frequentes no primeiro trimestre. Muitas vezes, podem desaparecer com os cuidados adequados. Outras vezes são tão intensas que supõem um sério obstáculo para continuar a amamentar.

«Eu tive problemas desde o primeiro dia», diz Maria do Carmo, mãe de um bebé de 14 meses. «O peito encheu-se-me de gretas e as dores tornaram-se insuportáveis.

Enquanto terminava uma toma, já estava angustiada a pensar na seguinte. Apesar de toda a gente me animar a continuar, depois de oito semanas, decidi deixá-lo. O meu filho adaptou-se optimamente aos biberões e eu recuperei a tranquilidade».

À mercê do bebé
Os transtornos físicos não são a única causa que pode levar uma mamã a desistir do aleitamento. Algumas mamãs confessam viver com desagrado a dependência constante que acarreta a alimentação ao peito.

«O meu filho tinha fome a toda a hora e mamava com avidez: era capaz de estar mais de vinte minutos em cada peito», conta Margarida, uma jovem mãe que interrompeu o aleitamento ao mês e meio. «A mim custava-me muito ter de estar sempre preparada para dar de mamar.

Aborrecia-me de ter sempre os peitos gotejando, e o odor do leite que me acompanhava a todo o lado e, sobretudo, uma sensação de frustração de viver unicamente para amamentar».

Na opinião da nossa assessora, este tipo de sentimentos negativos estão mais relacionados com a dificuldade da mãe em se adaptar à nova situação do que com o aleitamento em si mesmo. «Durante a gravidez pode haver uma ideia idílica da maternidade, que depois não corresponde à realidade.

Ter um filho implica grandes alterações e a mulher nem sempre está preparada para isso. O bebé requer cuidados contínuos e, nos primeiros tempos, a mãe pode sentir-se desanimada.

Quase todas as mulheres passam por esta fase com menor ou maior intensidade, em especial quando se trata do primeiro filho, se, além disso, o aleitamento é desagradável; porque se torna doloroso, o desconsolo é ainda maior».

A partir do terceiro mês tudo muda

Para superar as barreiras psicológicas, que impedem de desfrutar o aleitamento, a Dr.ª Madalena Barata, recomenda paciência. «Com o tempo, tudo se vai tornando mais fácil, as crianças vão-se adaptando a um ritmo de sono e alimentação mais regular, a produção de leite vai-se adaptando às necessidades, os peitos perdem a tensão inicial e os mamilos deixam de gotejar entre as tomas.

Por outro lado, os incómodos físicas raramente se prolongam a partir do terceiro mês. No segundo trimestre, a mulher sente-se mais cómoda, e o aleitamento, assim como a relação com o bebé, pode ser muito mais gratificante.

E quanto mais se prolonga o aleitamento, mais desfrutam as mamãs». Há alturas, em que é necessário também uma mudança de mentalidade. «Amamentar não implica deixar de levar uma vida normal. Mas, há que aprender a conviver com o bebé, a incorporá-lo na rotina familiar e não ser prisioneira dele», diz a Drª. Madalena Barata.

Muitas vezes evitar que o aleitamento se converta numa carga acrescida é um problema de organização que se pode resolver estabelecendo uma ordem de prioridades nas tarefas domésticas e compartilhando com o papá os cuidados com o bebé.

Mesmo assim, não devemos esquecer as múltiplas vantagens que oferece o aleitamento natural desde o ponto de vista prático. Para a maioria das mães, torna-se mais prático dar o peito do que arranjar os biberões.

O leite materno já está «empacotado» higienicamente e à temperatura correcta, e encontra-se pronto a ser consumido. Esterilizar tetinas e biberões, ferver água, calcular quantidades, juntar o pó e esperar que a mistura esfrie pode ser uma tarefa bem mais complicada. E isso, não falando no equipamento necessário, cada vez que se sai de casa.

Não se é pior mãe
Quando um mãe não experimenta a mínima satisfação em amamentar, o caminho correcto pode ser o desmame. Se isso contribui para que se sinta melhor consigo própria, o que seguramente também terá vantagens para o seu filho e para a relação entre ambos. «Os bebés são altamente receptivos ao comportamento da mãe. Se ela está tensa, o bebé pode reagir tendo más tomas», diz a nossa assessora.

Ora bem, se o problema que leva a interromper o aleitamento é um bebé exigente e comilão, que quer mamar a toda a hora, pode ser que o desmame seja a melhor solução. «Para ele será uma perda que a mamã terá de compensar com mais atenções. O bebé que perdeu a mama, terá de comprovar que não perdeu a sua querida mamã. Por isso, o desmame supõe um período de maior afecto», acrescenta a nossa assessora.

Em qualquer caso, são muitas as razões porque uma mulher não quer ou não pode continuar a amamentar. E se for a sua decisão, nem sempre é fácil de tomar, há que respeitá-la. É frequente que a mamã que opta por deixar o aleitamento, sinta um sentimento de culpa que a leva inclusivamente a questionar-se da sua capacidade como mãe.

«A ideia de que a boa mãe é a que dá de mamar e a má recorre ao biberão não é mais que uma tendência social.- afirma a Dr.ª Madalena Barata – Em todo o caso, uma boa mãe é aquela que tem uma atitude aberta, amorosa e terna para o seu filhinho. E isso, desde logo, é algo que tem pouco a ver com o tipo de alimentação».

Guia da Gravidez