Anemia

Considerada um problema de saúde bem comum e frequente, a anemia costuma ser diagnosticada de maneira equivocada por grande parte dos médicos.

Além disso, muitos desses mesmos profissionais oferecem alternativas de tratamento pouco eficazes, além de não explicarem corretamente aos pacientes as origens que levam ao desenvolvimento do problema.

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Na sequência, a anemia será explicada em todos os seus detalhes, abordando a definição da própria doença, quais são as causas e os tipos de anemia, como deve ser realizado o diagnóstico, os sintomas que a anemia apresenta, a ligação existente entre leucemia e anemia, além de apontar o significado de hemoglobina e de hematócrito.

Definição de anemia

No meio popular, a anemia é simplesmente relacionada à perda de sangue. Embora essa ideia não esteja totalmente incorreta, é possível acrescentar alguns pontos mais precisos a ela.

Tecnicamente, quando um corpo fica anêmico isso significa que houve uma diminuição da concentração de hemácias (igualmente conhecida como glóbulos vermelhos, ou eritrócitos) na corrente sanguínea.

Ocorre que são essas células as responsáveis por levar o oxigênio de uma parte a outra do organismo, suprindo a necessidade dessa substância de todos os tecidos e órgãos que constituem o corpo.

Mas, ainda é preciso explicar o que é, afinal, o sangue. Basicamente, a corrente sanguínea é composta por células e plasma.

O segundo equivale ao teor líquido, razão pela qual responde por mais da metade do volume detido pelo sangue. Mais de 90% do plasma é formada por água.

Completa a composição uma série de elementos dissolvidos, tais como alguns sais minerais, enzimas, proteínas, hormônios, anticorpos, e glicose – dentre outros.

Já a parte restante da corrente sanguínea, 45%, é constituída por células, que são as plaquetas, os glóbulos brancos (leucócitos), e os já citados glóbulos vermelhos (hemácias).

A importância das hemácias se reflete nos números, já que elas correspondem à cerca de 99% do total das células dispersas no sangue.

Assim, quando a quantidade de glóbulos vermelhos cai, o porcentual de diluição do sangue aumenta, caracterizando a anemia.

Para diagnosticar adequadamente a anemia, é essencial que haja uma contagem da concentração de hemácias presente na corrente sanguínea.

Esse resultado é obtido mediante um exame chamado hemograma. A determinação do total de hemácias é efetuada por meio dos índices apontados para a hemoglobina, e o hematócrito.

Definição de hematócrito, e de hemoglobina

Hematócrito

O hematócrito é um termo usado para designar o volume da corrente sanguínea que é preenchido pelos glóbulos vermelhos.

Uma taxa de hematócrito considerada normal oscila entre 40% e 45%, porcentagem que indica a parcela da corrente sanguínea ocupada pelas hemácias.

Essas células (hemácias) têm origem na medula óssea e detêm um tempo de existência razoavelmente curto, equivalente a 16 semanas.

Quando atingem essa fase de vida, elas são devidamente eliminadas por um órgão chamado baço, localizado à esquerda da cavidade do abdômen.

Esse processo permite que os glóbulos vermelhos sejam renovados em períodos cíclicos de 120 dias. Observe-se que, em um organismo que esteja funcionando plenamente, a liberação de novas hemácias e a extinção das velhas ocorre de maneira totalmente equilibrada. Isso acontece para que a corrente sanguínea sempre mantenha um bom volume de hemácias saudáveis.

Hemoglobina

Já a hemoglobina é um composto que contém ferro e se localiza no interior das hemácias. Considerada um elemento de vital importância para o corpo, a hemoglobina tem a missão de conduzir o oxigênio através do sangue.

O ferro, por sua vez, é o principal componente da hemoglobina. Indivíduos que não possuam concentrações adequadas de ferro são incapazes de ter hemoglobinas em quantidade suficiente para o transporte apropriado de oxigênio.

Além disso, as hemoglobinas são parte essencial para a síntese das próprias hemácias. Logo, uma queda drástica no volume de hemoglobinas provoca uma redução direta da quantidade de hemácias disponíveis, resultando em um estado anêmico.

Como as taxas de hematócrito podem ser influenciadas pelo porcentual de diluição da corrente sanguínea, a contagem da hemoglobina costuma ser mais eficaz e decisiva durante o diagnóstico da anemia.

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Como é feito o diagnóstico

Para decretar a anemia, o médico avalia as porcentagens de hematócrito e hemoglobina exibidos pelo exame de hemograma.

A doença é determinada após a comparação entre os resultados coletados e os valores de referência. Quando os primeiros forem inferiores aos segundos, é decretada a anemia.

Os valores utilizados como referência pelos médicos quanto à concentração ideal de hematócrito variam de 35% a 47%, e de 41% a 54%, considerando mulheres e homens, respectivamente.

Já os parâmetros normais de hemoglobina apontam para índices entre 12 e 16 g/dL, e entre 13 e 17 g d/L, igualmente para mulheres e homens, respectivamente.

Assim, quaisquer discrepâncias inferiores a esses números indicam a existência da anemia.

Entretanto, deve-se ressaltar que a tabela de referência utilizada pelos laboratórios pode sofrer pequenas alterações entre eles.

Além disso, quando os dados coletados pelo hemograma apresentarem valores abaixo dos índices de referência, mas ainda muito próximos a eles, caberá ao médico efetuar a interpretar o resultado para chegar a uma conclusão mais precisa.

Essa análise aprofundada é importante, pois em muitos casos existem diferenças que não são significativas e que, portanto, não são determinantes para diagnosticar a anemia.

Durante o ciclo menstrual, por exemplo, é perfeitamente normal que as mulheres apresentem algum nível de anemia devido ao processo hemorrágico característico dessa fase. No entanto, em situações normais essa anemia é momentânea e não causa problemas à saúde da paciente.

Quais são as causas

As três causas mais frequentes que acarretam a anemia são a queda de produtividade do volume de glóbulos vermelhos (realizada pela medula óssea), uma quantidade de hemácias eliminadas acima do normal, e as hemorragias, através das quais perde-se boa parte de ferro e glóbulos vermelhos.

Para que o tratamento proposto seja o ideal e adequado a cada caso, é vital e extremamente necessário desfazer um grande equívoco: na ampla maioria dos casos, a anemia não é a doença, mas sim a manifestação de um problema clínico.

Feito isso, o médico deve avaliar criteriosamente qual é, exatamente, a razão de um indivíduo estar anêmico.

Essa cautela evita a adoção de terapias inócuas, como a simples recomendação de aumento do consumo de ferro, o que nem sempre soluciona o problema.

Para que fique claro como a prescrição de ferro pode ser inútil a um paciente diagnosticado com anemia, basta expor três circunstâncias:

1 – Se a medula óssea tiver sido atingida por uma determinada infecção, o comprometimento da produção de glóbulos vermelhos é uma das possíveis consequências. Como pode-se perceber, neste caso a anemia é resultante de uma deficiência do volume de glóbulos vermelhos. Portanto, a reposição de ferro se torna plenamente inadequada para tratar o problema.

2 – Existem certos tipos de medicamentos que são nocivos às hemácias, provocando sua eliminação do organismo antes do tempo previsto de 4 meses. Naturalmente, isso acarreta um desequilíbrio na quantidade de hemácias disponíveis na corrente sanguínea, levando à anemia.

3 – Pacientes que possuam câncer no intestino estão sujeitos à ocorrência de hemorragias que com o tempo vão minando a porcentagem de glóbulos vermelhos do organismo.

Este é um caso em que a negligência médica pode ocasionar a piora do quadro clínico.

Nessa situação e em um primeiro momento, após efetuar a reposição de ferro o paciente tende a apresentar taxas melhores o hematócrito.

Porém, suprir a carência do referido nutriente não será capaz de interromper as hemorragias, tampouco tratar o câncer.

O diagnóstico impreciso pode mascarar o problema, gerando a ilusão de que ele foi resolvido apenas com o aumento do consumo de ferro.

Como se vê, descobrir que o corpo está anêmico é apenas o primeiro passo para que o médico chegue ao diagnóstico determinante do que, exatamente, está motivando a anemia.

O tratamento que consiste na simples reposição de ferro deve ser usado somente quando o paciente tem a chamada anemia ferropriva, que é a anemia precisamente definida pelo déficit desse importante nutriente.

Entretanto, partindo do princípio de que também existe uma motivação por trás da insuficiência de ferro, o trabalho de diagnóstico deve prosseguir até que se descubra a causa.

Afinal, a anemia ferropriva pode ser gerada em virtude de várias complicações, como sangramento vaginal, câncer do intestino, e úlceras gástricas.

De uma forma mais ampla, existe uma quantidade significativa de doenças que podem provocar anemia, como linfomas, mieloma múltiplo, leucemias, neoplasias, doenças gastrointestinais, insuficiência renal, toxicidade da medula óssea em decorrência de drogas, lúpus, deficiências de vitaminas, hipotireoidismo, alcoolismo, hemorragia no sistema digestivo, doenças do fígado, síndrome hemolítico-urêmica, e AIDS.

Também devem ser levadas em conta quaisquer outras doenças que, de alguma forma, prejudiquem o bom funcionamento da medula óssea e, por conseguinte, provoquem a diminuição do número de glóbulos vermelhos.

Em alguns casos, a medula óssea pode parar de funcionar normalmente devido a uma inflamação crônica. Esse quadro caracteriza a chamada anemia de doença crônica.

Anemias primárias

Geralmente e conforme descrito há pouco, a anemia é uma consequência ocasionada por alguma doença. Entretanto, em alguns casos a anemia é causada simplesmente devido a problemas na produção de glóbulos vermelhos.

Essas são as intituladas anemias primárias, ou seja, aquelas que não são originadas por uma doença específica.

Esse tipo de anemia é normalmente causado por doenças genéticas, dentre as quais estão a anemia falciforme, talassemia, esferocitose, deficiência de G6PD, hemoglobinúria paroxística noturna, talassemia, e anemia sideroblástica.

Todos esses problemas genéticos comprometem a síntese de glóbulos vermelhos, culminando na anemia.

A anemia pode se transformar em leucemia?

Isso não passa de mito. Não existe a menor chance de a anemia se transfigurar em leucemia, ou em qualquer outra categoria de câncer.

O que ocorre é que o distúrbio pode ser uma manifestação da presença de câncer, dentre os quais pode ser identificada a leucemia. Assim, conclui-se que, na verdade, é a leucemia que provoca a anemia, e não o oposto.

Quais são os sintomas da anemia?

Conforme indicado anteriormente, quando o organismo não contém uma quantidade adequada de glóbulos vermelhos, o nível de oxigenação de órgãos e tecidos passa a ser prejudicado, uma vez que são esses glóbulos que transportam o oxigênio.

Nesse contexto, surge uma constante sensação de exaustão, sintoma mais clássico da anemia. Diante disso, quem tem anemia pode se sentir extremamente cansado apenas ao efetuar uma troca de roupas, por exemplo.

De acordo com a progressão da anemia, essa fraqueza se torna mais ou menos predominante e intensa. Quando o processo anêmico se desenvolve de forma lenta, o organismo humano consegue se adaptar ao problema, minimizando os efeitos da anemia, que passam a ser sentidos somente em estágios muito avançados.

A rapidez com que a anemia domina o corpo pode ser ilustrada com a perda de sangue de um determinado paciente. Caso ele sofra uma queda acentuada de sangue, ocasionando a diminuição da hemoglobina de 12 g/dL para 8 g d/L após dois dias, o cansaço que o abaterá será intenso.

Porém, quando o sangramento é contínuo, mas mínimo, e o mesmo registro da queda de hemoglobina aconteça somente após cerca de três meses, é bem provável que o paciente sinta fraqueza apenas se submeter o corpo a treinamentos físicos muito exaustivos.

Outro sintoma que evidencia a anemia é a palidez da cútis, frequentemente notada por pessoas próximas que convivem diariamente com o indivíduo afetado.

No entanto, quando o paciente possui pele negra essa lividez anormal é mais difícil de ser detectada.

Uma das formas mais simples de assinalar a existência de anemia é através do exame da chamada membrana conjuntiva, que nada mais é do que o tecido que reveste os olhos e a área interna das pálpebras.

Quando o corpo está saudável, essa região possui uma tonalidade avermelhada. Já em casos de anemia ela tende a ficar bem clara, quase sem vestígios da cor vermelha.

Dentre os demais sinais da anemia que se somam à palidez cutânea e à sensação contínua de cansaço estão a sonolência, dificuldade para respirar, taquicardia, hipotensão, dores no peito, e vertigens.

Além disso, os pacientes que estejam na terceira idade também podem apresentar ligeira perda das capacidades cognitivas e déficit de atenção.

Conclusão

Apesar de ser tratada como um problema simples e corriqueiro, a doença pode agregar causas bem complexas, podendo estar vinculada a uma série de doenças graves e, ocasionalmente, fatais.

Devido às frequentes falhas de diagnóstico ou negligência médica, é altamente recomendado que o paciente recuse o tratamento pronto embasado apenas na reposição de ferro.

Para evitar o adiamento de um diagnóstico impreciso, convém questionar o profissional sobre o que, de fato, está motivando a anemia. O médico deve ser capaz de apontar a causa específica e explicar por que determinado tratamento é o mais apropriado.

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