Aneurisma da aorta abdominal: Sintomas, Causas e Tratamentos

O aneurisma da aorta abdominal (AAA), na literatura médica, refere-se a um inchaço (aneurisma) da aorta – a principal artéria do corpo, proveniente do ventrículo esquerdo do coração, que desce pelo abdômen até o resto do corpo.

A aorta abdominal é o maior vaso sanguíneo do corpo, medindo geralmente 2 cm de largura – aproximadamente a largura de uma mangueira de jardim. No entanto, ela pode aumentar para mais de 5,5 cm – sendo nestes casos classificada como um grande aneurisma.

Embora sejam raros, os aneurismas de maiores dimensões podem implicar complicações graves na saúde, já que, em caso de rompimento ou ruptura podem originar sangramento interno intenso – e muitas vezes são fatais.

O abaulamento ocorre quando a parede da artéria enfraquece e, embora a causa desse enfraquecimento não seja clara, acredita-se que o tabagismo e a hipertensão sejam dois fatores de risco importantes.

O evento é mais comuns em homens com mais de 65 anos, e a ruptura é responsável por mais de 1 em 50 de todas as mortes deste grupo.

É importante que todos os homens com 65 anos ou mais realizem testes de rastreio. O exame é simples! Envolve apenas uma ultrassonografia e demora cerca de 10 a 15 minutos.

Aneurisma Da Aorta Abdominal, Sintomas, Causas E Tratamento

Sintomas

A maioria dos casos de aneurisma da aorta abdominal não apresenta sintomas perceptíveis, a menos que se tornem particularmente grandes e manifestem dor ou sensação de pulsação no abdómen ou dor lombar persistente.

Apesar de não representar uma ameaça séria à saúde, existe o risco de rompimento e consequente hemorragia interna maciça, muitas vezes fatal. O sintoma mais comum de rompido do aneurisma é uma dor súbita e intensa no abdómen.

Os sintomas de um AAA em que ainda não ocorreu rompimento incluem:

  • uma sensação pulsante no estômago (abdômen), geralmente perto do umbigo, que geralmente só é perceptível ao toque;
  • dor nas costas persistente;
  • dor abdominal persistente.

Caso ocorra algum dos sintomas descritos, é importante consultar um especialista logo que possível. O angiologista, o cirurgião vascular e o clínico geral são os especialistas indicados para o diagnóstico e tratamento do aneurisma.

AAA rompido

Quando o aneurisma rompe, ocorre uma dor súbita e intensa no meio ou ao lado do abdômen. Nos homens, essa dor pode também irradiar para o escroto. Outros sintomas incluem:

  • tonturas;
  • pele suada e pegajosa;
  • pulsação acelerada (taquicardia);
  • falta de ar;
  • perda de consciência.

Emergência Médica

A ruptura do aneurisma é uma emergência médica. É importante chegar ao hospital o mais rápido possível. Cerca de 80% dos pacientes em que ocorre ruptura morre antes de chegar ao hospital ou não sobrevivem à cirurgia de emergência.

Caso suspeite que você ou alguém sob seus cuidados sofreu a ruptura de um aneurisma, ligue para o 112 imediatamente e peça uma ambulância.

Causas

Desconhece-se a causa exata que leva ao enfraquecimento da parede da aorta, embora o aumento da idade e ser do sexo masculino, sejam os principais fatores de risco.

A aorta transporta sangue rico em oxigênio do coração para o resto do corpo. O aneurisma ocorre quando parte do revestimento da aorta enfraquece, levando o sangue que por ela passa a grande intensidade a pressionar seus pontos fracos, projetando-a para fora – dando origem ao aneurisma.

Fatores de risco

Estudos mostram que as pessoas com mais de 75 anos têm sete vezes mais chances de serem diagnosticadas com a patologia que pessoas com menos de 55 anos.

Os homens estão cerca de seis vezes mais propensos a ser diagnosticados com a dilatação anormal da artéria que as mulheres. No entanto, existem outros fatores de risco (descritos abaixo) sobre os quais é possível fazer alguma coisa – sendo o mais importante o tabagismo.

Fumar

As pesquisas mostram que os fumantes têm 7 vezes maior chance de desenvolver a dilatação do vaso sanguíneo que indivíduos que nunca fumaram.

Previna-se! Pois quanto mais você fuma, maior o risco de desenvolver a doença. Os indivíduos que fumam regularmente mais de 20 cigarros por dia elevam 10 vezes mais o risco que os não-fumantes, já que o fumo do tabaco contém substâncias nocivas que podem danificar e enfraquecer o revestimento das artérias.

Aterosclerose

Trata-se de uma condição grave em que ocorre a obstrução da artéria pelo depósitos de gordura – como colesterol, por exemplo. Acredita-se que o aneurisma ocorra quando esses depósitos (chamados placas) levam ao alargamento da veia, na tentativa de manter o fluxo sanguíneo através dela. À medida que alarga, ela também fica mais frágil.

Fumar, seguir uma dieta rica em gorduras e a pressão arterial elevada, ambos aumentam o risco de arteriosclerose.

Pressão alta

Além de contribuir para o desenvolvimento da aterosclerose, a hipertensão também pode levar ao aumento da pressão da aorta.

Histórico familiar

O histórico familiar de aneurisma da aorta abdominal indica que o indivíduo tem maior risco de desenvolver o evento. No entanto, embora o histórico de família sugira que alguns genes herdados dos pais podem tornar o indivíduo mais vulnerável ao problema, ainda não foram identificados genes específicos.

Diagnóstico

A dilatação anormal da artéria muitas vezes é identificada como resultado da triagem ou exame físico de rotina – quando o clínico geral percebe uma sensação pulsante anormal no abdômen.

O diagnóstico pode ser confirmado através de ultrassonografia. O ultra-som pode ajudar a determinar o tamanho do aneurisma – fator importante na decisão sobre o curso de tratamento.

Triagem: É importante que todos os homens com 65 anos ou mais realizem testes de rastreio (ultrassonografia, por exemplo) para avaliar a saúde da artéria.

Tratamento

O tratamento para o aneurisma da aorta abdominal depende de vários fatores, incluindo o tamanho da dilatação, idade e estado geral de saúde do paciente.

Quando o aneurisma é grande (5,5 cm ou maior), o paciente pode ser aconselhado a realizar uma cirurgia, seja para fortalecer a seção inchada da aorta ou substituí-la por um enxerto de material sintético. O risco de ruptura é geralmente superior ao risco de reparação do vaso.

Quando o aneurisma é pequeno (3,0-4,4 cm) ou médio (4,5 a 5,4 cm), devem ser feitos exames regulares para verificar o seu estado.

Durante o tratamento o paciente recebe alguns conselhos sobre como retardar a evolução do aneurisma e reduzir o risco de ruptura (por exemplo, parar de fumar – ou a prescrição de medicamentos para reduzir a pressão arterial e os níveis de colesterol).

Tratamento para aneurismas grandes (5,5 cm ou mais)

Após identificado um aneurisma com 5,5 cm ou mais, o paciente é encaminhado a um cirurgião vascular (cirurgião especializado em doenças dos vasos sanguíneos), onde será avaliada a melhor abordagem a seguir.

As opções de tratamento dependem da saúde geral e condicionamento físico do paciente, bem como o tamanho do aneurisma.

Por vezes não é indicada cirurgia. No entanto, ainda assim é possível reduzir o risco de rompimento realizando exames regulares que avaliem seu tamanho e progressão – o mesmo tratamento realizado em pessoas com aneurismas pequenos ou médios (Ver abaixo).

Existem duas técnicas cirúrgicas usadas no tratamento de aneurismas de maiores dimensões: a cirurgia endovascular e a cirurgia aberta. Embora ambas sejam igualmente eficazes na redução do risco de ruptura, cada uma delas tem suas vantagens e desvantagens. Cabe ao cirurgião perceber qual a mais adequada para o caso.

Cirurgia endovascular

A cirurgia endovascular é feita realizando pequenos cortes na virilha, por onde é inserido um pequeno tudo de malha de metal forrado com tecido (enxerto) que será guiado pela veia da perna até à seção inchada (aneurisma), selando ambas as extremidades da parede da aorta.

O procedimento reforça a veia, e reduz o risco de ruptura.

Dos dois tipos de cirurgia disponíveis, este é o mais seguro. Cerca de 98 a 99% dos pacientes recuperam totalmente, e o tempo de recuperação é menor que através da técnica “aberta”.

A cirurgia endovascular também causa menos complicações (como infecção de feridas ou trombose venosa profunda, por exemplo).

No entanto, a forma como o enxerto fica ligado não é tão segura quanto a técnica aberta. Após o procedimento são necessários exames regulares para garantir que o enxerto não sai do local. Por vezes, a vedação realizada em cada extremidade começa a vazar e precisa ser novamente selada, exigindo uma nova cirurgia.

Cirurgia aberta

Na cirurgia aberta, o cirurgião realiza um corte no abdómen para alcançar a aorta abdominal e substitui a seção dilatada por um enxerto – realizado com um tubo de material sintético. O enxerto é suturado ao local – portanto, é mais provável que permaneça no lugar e funcione bem para o resto da vida.

O risco de complicações após a cirurgia também é menor que a cirurgia endovascular.

No entanto, é importante perceber que a cirurgia aberta por vezes não é recomendada em pessoas com outros problemas de saúde, pois trata-se de um procedimento exigente e mais arriscado que a cirurgia endovascular – apenas 93 a 97% dos pacientes recuperam totalmente.

O principal risco da cirurgia aberta é a morte ou o ataque cardíaco. O tempo de recuperação também é maior que com a cirurgia endovascular.

Além disso, existe também um maior risco de complicações, como infecção de feridas, infecção torácica e trombose venosa profunda.

Tratamento para aneurismas pequenos ou médios (3,0 a 5,4cm)

Quando é identificado um aneurisma pequeno (3,0-4,4cm) ou médio (4,5-5,4cm), o paciente geralmente não é encaminhado para o cirurgião vascular, pois é improvável que beneficie de cirurgia.

Em vez disso, será instruído a realizar exames regulares para verificar se ocorreram mudanças no tamanho. Os exames devem ser realizados anualmente (em casos de pequenos aneurismas), ou a cada três meses (em casos de aneurismas medianos).

Além disso, o paciente também receberá conselhos sobre o que fazer para evitar que o aneurisma aumente, incluindo:

  • parar de fumar;
  • realizar uma dieta equilibrada;
  • garantir que mantém um peso saudável;
  • praticar exercício físico de forma regular.

Quando o paciente fuma, a atitude mais importante a seguir é abandonar o hábito. Pesquisas mostram que os aneurismas crescem mais rápido em fumantes que em não-fumantes.

Além da necessidade de exames regulares e mudanças em alguns hábitos, pode haver necessidade de alterar a medicação ou ser prescrito um novo medicamento, especialmente se o paciente tiver:

  • hipertensão arterial – tratada geralmente com um medicamento chamado “inibidor da enzima conversora da angiotensina” (IECA);
  • colesterol alto – tratada geralmente com estatinas.

Tratamento após ruptura

O tratamento de emergência para o aneurisma da aorta abdominal rompido baseia-se no mesmo princípio que o tratamento preventivo – são usados ​​enxertos para reparar o vaso sanguíneo. A decisão sobre a técnica escolhida (cirurgia aberta ou endovascular) é tomada pelo cirurgião.

Prevenção

A melhor forma de prevenir o aneurisma – ou reduzir o risco de aumento e possível rompimento – é evitando qualquer “gatilho” que possa danificar os vasos sanguíneos. Isso inclui:

  • fumar;
  • seguir uma alimentação rica em gorduras,
  • não se exercitar regularmente,
  • estar com sobrepeso ou obeso.

Pessoas com pressão alta ou níveis elevados de colesterol, devem ser consultadas para que seja prescrita medicação e reduzir o risco de complicações graves.

Fumar

Tal como referido no início, o fumo do tabaco contém substâncias que podem danificar as paredes das artérias. Portanto, fumar é um importante fator de risco a ter em conta, já que leva ao desenvolvimento de aterosclerose (endurecimento das artérias) e aumenta a pressão arterial.

Os fumantes estão 7 vezes mais propensos a desenvolver o aneurisma que os não-fumantes. Caso seja necessário, o médico pode encaminhar o paciente a um Serviço ou programa de Combate ao Tabagismo, onde receberá ajuda e aconselhamento dedicados sobre as melhores formas de abandonar o vício.

Dieta

Seguir uma dieta rica em gorduras aumenta o risco de aterosclerose. É especialmente importante limitar a quantidade de alimentos ricos em gordura saturada consumidos, como biscoitos, bolos, manteiga, salsichas e bacon, por exemplo.

Sabe-se que a ingestão elevada de gordura saturada também pode aumentar os níveis colesterol e consequentemente levar ao seu acumulo nas paredes das artérias.

Exercício

Manter o corpo ativo e praticar exercício físico de forma regular reduz a pressão arterial, o que consequentemente mantém o coração e os vasos sanguíneos em bom estado de saúde.

Quando praticado regularmente, o exercício físico também pode levar à perder peso, o que também ajuda a reduzir a pressão arterial. Recomenda-se que o adultos realizem pelo menos 150 minutos (duas horas e 30 minutos) de atividade aeróbica de intensidade moderada por semana. Ciclismo ou caminhadas rápidas são apenas alguns exemplos.

Peso

Estar acima do peso força o coração a trabalhar ainda mais para bombear o sangue pelo corpo – processo que pode levar ao aumento da pressão arterial, o que por sua vez causa pressão nas artérias.

Use uma calculadora para medir seu IMC (índice de massa corporal) e com isso entender se precisa perder peso. Caso exista essa necessidade, saiba que, perder apenas alguns quilos fará uma grande diferença na pressão arterial e na sua saúde geral.

Em caso de dúvida é importante consultar o médico ou nutricionista para receber dicas e conselhos nutricionais seguros para prevenir a hipertensão.


Referências
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