Ansiedade: O Que é, e Como Tratar

A ansiedade, o que é? O que se pode fazer pelos doentes com ansiedade? – Como a Tratar?

São questões com que, de facto, nos deparamos no dia-a-dia.

Os termos stress e ansiedade surgem de uma forma muito frequente nas conversas, constituindo expressões bastante comuns durante as consultas.

Pode dizer-se que as perturbações de ansiedade constituem problemas psicológicos que se traduzem por sentimentos de insegurança ou de medo sem fundamento real.

Todos temos um certo grau de ansiedade, que funciona como elemento adaptativo que nos defende e ajuda a viver. Lembro-me da frase de um colega, que dizia: “só não é ansioso quem já morreu.

Por vezes, em determinados momentos da vida, podemos ter picos de ansiedade, sem que isso seja patológico, mas sim adaptativo.

Quando surge a ansiedade?

Quando as manifestações próprias da ansiedade são excessivas ou desproporcionadas em relação à fonte de preocupação, incontroláveis, prolongadas, por vezes irracionais e interferindo de uma forma mais ou menos significativa na vida do dia-a-dia…

Um fenómeno frequente é a ansiedade antecipatória… que pode chegar a um medo paralisador.

Existem, portanto, vários níveis de ansiedade, desde manifestações ligeiras aos ataques de pânico com quadros fóbicos.
Centrando-me nos quadros que mais tipicamente se apresentam ao médico especialista em Medicina Geral e Familiar, vou-me referir aos sinais e sintomas da ansiedade ligeira e respectivas perspectivas de terapêutica.

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Normalmente, a ansiedade exprime-se por um sentimento de medo, inquietação, irritabilidade, insónia, sensação de perigo iminente, (por vezes, medo de insucesso, de morte súbita, medo de perder o autocontrole, medo de ficar mentalmente destabilizado), sendo em muitos casos acompanhada por algumas manifestações físicas, tais como, secura de boca, pulso acelerado, transpiração excessiva, dores musculares, vertigens e opressão torácica, descrita pelos pacientes como uma sensação de angústia, enquanto tipicamente põem a mão na região peitoral…

Obviamente, a importância do diagnóstico diferencial e o afastar de patologia orgânica, bem como do possível abuso de substâncias, são algo de incontornável e mandatório de realizar.

Do conhecimento da literatura e da nossa experiência, verificamos que os distúrbios mentais têm uma elevada prevalência na população mundial, e que a maioria das pessoas apresenta sintomas de ansiedade ligeira que, se forem deixados sem tratamento, constituem um risco elevado de complicações futuras (International Consortium in Psychiatric Epidemiology, 2003).

Portanto, é nossa função ajudar no alívio dos quadros ansiosos, que ocorrem em qualquer faixa etária e em ambos os sexos, e que levam muitas das vezes a automedicação, nomeadamente com benzodiazepinas, com todos os riscos inerentes, nomeadamente ha bituação, tolerância, défices cognitivos e de atenção, depressão respiratória, etc.

A Perturbação de Ansiedade Generalizada estabelece-se quando os sintomas são consistentes e persistem pelo menos durante seis meses, podendo ter uma origem hereditária e piorar quando o paciente está sujeito a níveis de tensão psicológica mais elevados, normalmente surgindo em idades precoces.

Se não for tratada, pode tornar-se crônica.

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RAIZ DE VALERIANA NO COMBATE DA ANSIEDADE

Surgindo este artigo motivado pela minha experiência com a valeriana, devo dizer que a venho utilizando de forma crescente, não só pelos resultados obtidos, mas também pela segurança que isso representa para os meus doentes.

Em latim, valeriana quer dizer valere, que significa “ter força”.

Desde épocas remotas (já milenares), que esta planta vem sendo utilizada com intuitos medicinais, havendo registos da sua utilização atribuídos a Hipócrates.

Actualmente, porém, propõe-se a valeriana com base em estudos científicos validados, atestando a sua eficácia em estados de tensão nervosa que se traduzem clinicamente como situações de ansiedade, com desequilíbrios leves do Sistema Nervoso e, muitas vezes, com insónia.

Uma das vantagens da sua utilização nestes quadros patológicos, é a quase ausência de contra-indicações com impossibilidade prática de induzir consequências danosas nos doentes.

Existem vários estudos científicos descrevendo a interacção dos constituintes da valeriana com o sistema do neurotransmissor GABA.

Também têm sido divulgados estudos comparativos entre a valeriana em doses elevadas e o oxazepan, em que não se constataram diferenças significativas de efeito entre as duas substâncias, visando o tratamento da dificuldade em adormecer, ou seja, da insónia inicial.

Relativamente aos efeitos secundários da valeriana, porém, a valeriana apresentou um perfil mais favorável.

A dosagem de valeriana por mim utilizada, situa-se nas 500 mg, uma a três vezes por dia. Dosagem até 3000 mg, sinto-as como seguras.

No entanto, entre 500 e 1500 mg, isto é, um a três comprimidos, é eficaz em grande número de casos, nomeadamente quando aguardo acção de antidepressivo nos casos de quadros depressivos com ansiedade associada.

Obviamente, sempre que possível, será importante promover a intervenção psicoterapêutica.

Porém, na prática clínica, muitos dos pacientes acabam por necessitar de uma intervenção farmacológica que se pode prolongar no tempo, pelo que, e muitas das vezes numa primeira linha, utilizo a valeriana, por todos os benefícios que trará ao doente.

Não é demais lembrar que, no doente idoso, pelas suas fragilidades, quer a nível de intercorrências medicamentosas quer pela muito frequente polimedicação, a valeriana é de utilização em primeira linha, sempre que necessário para combater os quadros ligeiros a moderados de ansiedade e/ou insónia.

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Vantagens do uso da valeriana no tratamento da ansiedade

De facto, tenho constatado que, no enorme número de pacientes que padece de quadros de ansiedade ligeira a moderada, quadros com sintomas somáticos de tensão e de insónia leve a moderada, o uso de valeriana tem sido uma mais-valia.

Posso considerar que existem diversas razões para que isso venha a acontecer:

• É eficaz num grande número de situações;
• Apresenta um menor risco de efeitos laterais, isto é, é mais segura;
• Cria menor hipótese de dependência;
• Não induzirá risco de tolerância;
• Permite redução substancial da utilização de benzodiazepinas, desde que efectuada de modo faseado;
• Não induzirá efeitos negativos a nível de desempenho cognitivo;
• Quer nos adolescentes quer nos doentes idosos, a adaptação é muito boa, sendo suficiente na maioria dos casos;
• Os próprios pacientes são mais tolerantes na toma da substância, por sentirem ser “mais natural”, evitando o estigma das benzodiazepinas.

E você, já sofreu ou sofre com este probleminha? Partilhe suas dúvidas e experiências no fórum e ajude muitas pessoas!

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