Aprender a gerir as Emoções

Publicado em 29/10/2010. Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Aprender a gerir as Emoções

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Medo, cólera, crise de lágrimas. Para cada uma situação uma dada emoção. Descubra as chaves que lhe permitirão compreender as suas reacções, para melhor as enfrentar

“A emoção age como água lançando-se contra um molhe”, escreveu o filósofo Kant. Palpitações, congestionamentos, crises de lágrimas ou de riso tolo, qualquer um de nós já foi, uma vez por outra, submergido por uma destas manifestações súbitas e independentes da nossa vontade.

Se não é desejável nem possível controlar as nossas emoções, podemos pelo menos aprender a compreendê-las e a geri-las. Façamos um pequeno apanhado das situações mais comuns para evitar situações descontroladas e se sentir nas nuvens.

Se o medo a deixa paralisada

“Quando o meu patrão me dirige a palavra fico aterrorizada”, queixa-se Clara. “O seu olhar paralisa-me e fico incapaz de alinhar duas palavras”, acrescenta. “Falar em público, é-me insuportável”, assegura Noémia. “Sinto um medo pavoroso, transpiro.” Por que será que Clara e Noémia reagem assim?

Porque, inconscientemente, consideram os seus interlocutores inimigos potenciais, o que espoleta reflexos de sobrevivência. O medo é uma reacção instintiva, que nos preserva da dor ou da destruição. Deste modo, são duas as atitudes possíveis: o imobilismo ou a fuga.

Sob o terror, tanto as hormonas quanto a adrenalina, libertam-se e aumentam as possibilidades físicas. O medo pode ser benéfico e, um dia, poderá salvar-vos a vida. Mas as suas manifestações são constrangedoras e desagradáveis quando não existe perigo real.

Então, que fazer em caso de pânico?

Se for possível, prepare-se para enfrentar a situação. Feche os olhos e tente visualizar o que se vai passar. Por exemplo: vai fazer a apresentação de um trabalho diante de um grupo de colegas; existem duas soluções possíveis: ou adopta o método Coué, afirmando para si mesma que tudo irá correr bem, ou imagina um cenário catastrófico, irá perder o fio condutor das suas ideias, um colega irá colocar-lhe uma questão a que não saberá responder… Antes de mais questione-se. “Será que isso é assim tão dramático?”

Perceberá, então, que os seus receios são exagerados. Se o medo se fizer sentir, enfrente-o, controlando as suas manifestações. Para diminuir as palpitações cardíacas, respire lenta e profundamente. A sensação de garganta apertada pode desaparecer, se se esforçar por acreditar.

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O olhar do seu interlocutor intimida-a?

Em vez de baixar os olhos, fixe um ponto entre as suas sobrancelhas. Deste modo, adoptará um comportamento menos submisso e ganhará rapidamente segurança.

Se a irritação a atinge

“Fervo em pouca água”, admite Irene. Quando me irrito, não consigo controlar-me e as minhas palavras ultrapassam, na maior parte das vezes, o meu pensamento. Depois reflicto no que disse, mas o mal já está feito.” A cólera responde a um reflexo arcaico de sobrevivência.

É uma reacção instintiva de defesa. Perante o perigo, o corpo prepara-se para atacar. Inconscientemente, grita-se, cerram-se os punhos, enchem-se os pulmões, avança-se para intimidar um potencial adversário. Paralelamente, as substâncias hormonais libertam-se. Acentuam o poder e permitem uma diminuição da dor.

Felizmente, na maior parte das vezes, refreamos a fúria e nunca chegamos a agredir-nos fisicamente. Mas soçobramos e delapidamos a nossa energia. A cólera é uma resposta mal adaptada a um contexto particular.

Aquele sobre o qual a lançamos mais não é do que um bode expiatório que nos permite descarregar frustrações e tensões. Por exemplo: durante o dia fomos chamadas à atenção pelo nosso chefe ou fomos apanhados num engarrafamento ao sair do emprego, stressadas, ao chegar a casa e por uma coisa de nada, transformamo-nos numa malvada e insultamos toda a gente.

Para prevenir a irritação, esforce-se por exprimir o que sente, antes que tal se torne insuportável. Diga: “Gostaria que me ajudasses a fazer as limpezas”, em vez de “nunca fazes nada!” Se se sentir enervada e prestes a explodir, pense numa pessoa reputada pela sua calma e pergunte-se: “Que faria ela no meu lugar?”

Este simples exercício permite fazer uma pausa e ter tempo para recuar. Poderá, igualmente, descarregar as suas tensões, respirando profundamente e massajando suavemente a nuca.

Se as lágrimas a acometem

“O meu pai morreu há um mês”, conta Maria, “desde essa altura sinto-me muito mal e choro constantemente.” Esta jovem tem uma reacção “normal”. Diante de uma perda real (uma morte, uma separação) ou simbólica (uma esperança destruída), a tristeza favorece o trabalho de luto.

Qualquer pessoa que se encontre em estado de angústia em consequência de um choque emocional, necessita, durante algum tempo, de hibernar, para se proteger e reencontrar forças. Fisiologicamente, a dor manifesta-se através do desempenho de actividades lentas: o rosto está menos expressivo, o passo mais lento, a voz ganha um tom mais baixo e o discurso torna-se mais vagaroso.

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Paralelamente, as lágrimas exercem uma acção benéfica sobre o corpo. Permitem, graças às hormonas que contêm, libertar o organismo de substâncias químicas resultantes do stress e reduzir as tensões. Se se sente triste, não oiça aqueles que a aconselham a secar as lágrimas.

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Para apaziguar os seus sofrimentos, procure reconforto. Após um desgosto, as pessoas lançam-se instintivamente sobre os braços. Não tenha receio em se entregar à tristeza, como uma criança, e de se deixar embalar por alguém de confiança. Tome banhos quentes e aproveite o sol.

O calor ajuda a libertar endorfinas que asseguram uma sensação de bem-estar. Antes de se deitar, adquira o hábito de beber um copo de leite morno. Esta bebida reenvia-a, inconscientemente, para a segurança materna. O consolo e o conforto estão, assim, assegurados.

De qualquer modo, se o seu desgosto persistir e se tiver perdido o gosto por tudo, melhor será consultar um médico que, provavelmente, lhe diagnosticará uma depressão e, consequentemente, a tratará.

Se a alegria a invade

“Quando recebi o meu diploma, fiquei tão contente que beijei todas as pessoas que estavam ao pé de mim”, recorda, rindo-se, Isabel. Ao contrário do medo, da cólera ou da tristeza, a alegria é uma emoção muito agradável. Liberta hormonas que causam certo prazer. Assemelhando-se aos efeitos do álcool, euforiza (como se costuma dizer, fica-se “ébrio de felicidade”) e desinibe.

É, igualmente, muito comunicativa. As sucessivas vitórias da equipa da selecção nacional durante o euro 2004 são um bom exemplo desta euforia colectiva que invadiu Portugal. Constitui um excelente exercício que faz trabalhar os músculos do maxilar, do diafragma e dos abdominais.

Esta actividade muscular desenvolve uma massagem interna que amacia o tubo digestivo. Permite, por outro lado, a descarga de tensões. Dez minutos de riso repartidos pelo dia equivalem a vinte minutos de descontracção.

A crise de riso descontrolado, que faz lembrar o tempo em que éramos estudantes, pode tornar-se inoportuno em certas ocasiões. Para a interromper aperte com força ou morda o interior das bochechas, cerrando, ao mesmo tempo, os punhos. Mas, para além deste inconveniente menor, deixe-se submergir pela alegria e consuma-a imoderadamente.

3 perguntas a Manuela Cruz, Psicóloga Clínica

O que é uma emoção?

As emoções ou afectos são estados internos que surgem subitamente e são de controlo difícil. Existem detonadores internos e/ou externos de emoções. À estas estão ligados pensamentos, sensações, reacções fisiológicas e comportamentos expressivos específicos.

Se estamos ansiosos o coração bate com mais força e temos sensações de perigo ou medo. Se estamos felizes sentimo-nos bem e seguros. O padrão de resposta às emoções também varia com múltiplos factores como, por exemplo, a idade, o sexo, a personalidade e experiência de vida.

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Por que razão certas pessoas são mais sensíveis do que outras?

A sensibilidade está ligada à expressão das emoções. Avaliamos a expressão das emoções examinando várias componentes: o elemento subjectivo em que entram cognições e sensações, o comportamento e a fisiologia.

Há pessoas que aprenderam a exercitar mais as cognições e estão sempre a pensar e a racionalizar os seus actos. O pensamento controla a emoção. Outras, pelo contrário, aprenderam a reger a sua vida pelas emoções. Estas dizem-se, em linguagem comum, mais sensíveis.

Estes diferentes aspectos da personalidade de cada um estão relacionados com múltiplos factores biológicos, sociais e psicológicos, que se interligam entre si.

Quando somos muito emotivos podemos ficar doentes?

Tudo o que é em excesso é prejudicial à nossa saúde física ou psicológica. Por isso, as cognições desempenham um papel importante na manutenção e moderação de emoções.

O nosso cérebro tenta manter um equilíbrio emocional óptimo entre cognição e emoção no sentido de reduzir a intensidade dos sentimentos fortes, positivos ou negativos. Se a ansiedade é intensa, se a tristeza é intensa, se a alegria é intensa, podemos adoecer. Há doenças a que chamamos distúrbios afectivos caracterizados por tristeza excessiva, ou pelo seu oposto: excitação excessiva…

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