Aula gravada de Cirurgia – Queimaduras

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 12 dezembro 2018

Aula gravada de Cirurgia – Queimaduras

Por exemplo, o indivíduo coloca a mão no fio de alta tensão, a saída da corrente elétrica é no pé, ele é um fio terra. Ele vai fazer necrose deste membro que freqüentemente deve fazer amputação desse membro associado.
Pergunta: ?
Resposta: Por exemplo, uma queimadura de corrente elétrica tem uma porta de entrada que pode ser um membro, o abdômen e tem a corrente elétrica que faz o seu trajeto.

A queimadura superficial de 1° grau é caracterizada pela hiperemia, como a queimadura solar. A clínica da queimadura de 1° grau é caracterizada por ser extremamente dolorosa.

A queimadura de 3° grau tem o aspecto extremamente feito, tem o aspecto de mármore, pois ela fica endurecida, cheia de placas enegrecidas, placas mais brancas porque ocorreu necrose até o subcutâneo. Então, nesta necrose vai ocorrer necrose das terminações nervosas, não sendo tão dolorosa.

Enquanto na queimadura de 1° grau as terminações estão preservadas, sendo extremamente dolorosa.
Na queimadura vai ocorrer a nível local destruição do tecido, perda do líquido, ou seja, todo aquele líquido celular vai evaporar. Será elucidado que um dos primeiros passos para o tratamento da queimadura é cessar o processo de queimadura. Sabe-se que na parte mais quente existe uma necrose e hiperemia nas bordas porque o calor está concentrado numa região e para ele (o tecido) diminuir a temperatura, ele vai dissipando gradativamente, ele vai de maneira centrífuga dissipando esse calor até um momento que ele vai chegar à temperatura corporal e a queimadura vai cessar. Para fazer cessar a dissipação de calor a melhor maneira é resfriando com água. Depois com isso a nível local ainda perde-se também a proteção da pele, isso provoca também perda de calor para o meio externo. Ocorre além da perda líquida por evaporação, por necrose, cria também o seqüestro. Observa-se que o endotélio vascular vai sofrer alterações que permitirá a saída de proteínas do meio intracelular para o meio extracelular, gerando o aumento da osmolaridade no extracelular e conseqüentemente aumenta a desidratação, podendo levar ao choque hipovolêmico.

No primeiro momento o grande queimado morrerá de desidratação, de choque hipovolêmico. Então, quando o grande queimado chega no pronto socorro, deve-se pensar que ele vai desidratar e vai morrer, então se hidrata o queimado, faz reposição volêmica. Existem várias maneiras de se repor: cristalóide, colóide. Mas deve fazer uma oferta generosa de liquido para esse paciente. No segundo tempo, ele saindo dessa fase inicial, a principal causa de morte é a infecção que evolui para sepse e morre porque ele fica sem defesa corporal, a pele é uma defesa contra as agressões do meio externo, se a perde o indivíduo fica susceptível a infecções. E a própria necrose pode levar a infecção.

Então, quando tem a propagação ou calor com a zona de coagulação que é a zona de queima, vai ocorrer necrose até os vasos que estão nesta área, depois uma zona de estase e uma zona de hiperemia local que na realidade isso acontece por dissipação de calor. É ai que se tem de atuar para diminuir estas zonas, resfriar no caso com água, para tentar cessar a queimadura.

Dentre as manifestações sistêmicas estão as cardivasculares, renal, pulmonar e gastrintestinal. A nível cardiovascular, vai ocorrer uma hemólise. Na queimadura por descarga elétrica, esta hemólise pode ser associada a uma mioglobinúria (destruição de células musculares) que vai sair pela diurese do indivíduo. A mioglobinúria junto da hemólise vai provocar depositação a nível glomerular. O paciente já vai estar desidratado, associado a isso vai estar este outro fator que aumenta a lesão renal. Uma das complicações neste paciente é a insuficiência renal, este é outro motivo para aumentar a oferta de líquido para o paciente.

Desnaturação protéica, ou seja, perda protéica, modificação da atividade protéica e extravasamento da proteína do meio intracelular para o extracelular através de uma deformidade que vai aumentar a permeabilidade capilar, promovendo o extravasamento dessa proteína do MIC para o MEC. Perde volume tanto para o meio externo quanto para o 3° espaço, isso vai gerar uma compensação da perda de volume com taquicardia que libera também o fator depressor do miocárdio. A nível pancreático e intestinal são liberados estes fatores que vão atuar diretamente sobre o músculo cardíaco, diminuindo a sua ação. Esta é uma situação em que o paciente vai evoluir para um quadro de falência.
Pergunta: ?
Resposta: São substâncias que são liberadas diretamente pelo pâncreas e intestino porque se terá uma hipovolemia. É um estado de falência, ou seja, o organismo começa a entrar em falência, se não for feita uma intervenção nesta fase o indivíduo evolui para óbito. É uma fase de pré-falência de múltiplos órgãos, se deixar ele vai começar a liberar fatores depressores. Os principais órgãos a liberar estes fatores são o pâncreas e o intestino.

A nível renal, tem a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), aumento da permeabilidade glomerular, hemoglobina, mioglobinúria e necrose tubular. Estas fases ocorrem gradativamente até chegar a necrose tubular que associado á desidratação, à hipovolemia deste paciente vai evoluir para o quadro de necrose tubular.
Pergunta: ?
Resposta: Não, não são só à hemólise. Tem a hemólise e também a mioglobinúria, associado a isso tem uma hipovolemia, uma hipoperfusão renal. Um dos fatores é a hemólise que vai gerar hemoglobinúria, mas associado a ela tem uma hipovolemia também.
Pergunta: O que essa hemólise e essa mioglobinúria vão fazer no rim que eu não entendi?
Resposta: Na corrente sangüínea tem destruição celular tanto a nível sangüíneo quanto muscular. Isso vai ser depositado a nível de túbulo glomerular, gerando uma necrose. Tem-se uma depositação, ali essa depositação vai gerar uma isquemia local e necrose. Isso associado a uma hipovolemia. Se o indivíduo for sadio, hipervolêmico, isso poderia ser tratado com hidratação, a própria volemia compensaria o depósito, eliminando essas substâncias. Mas o indivíduo também está hipovolêmico, tem a depositação renal, levando a necrose tubular.
Pergunta: Estes efeitos sistêmicos são para queimadura de 3° grau?
Resposta: Estes efeitos são para queimaduras de 2° e 3° grau. Na de 2° grau vai ter menos já no de 3° grau terá todos os efeitos.
Pergunta: Esta mioglobinúria ocorre só no queimado elétrico?
Reposta: Ocorre mais no queimado elétrico ou nos queimados de 4° grau que aquele queimado que além do comprometimento do tecido celular subcutâneo tem também o comprometimento de alguma outra camada que normalmente é o muscular. Pode ter, por exemplo, o indivíduo que queima o membro inteiro e vai ter queimadura muscular que leva a mioglobinúria.

A nível pulmonar a taquipnéia (junto com a taquicardia) é uma compensação da acidose metabólica. Quando se tem uma área queimada, tem-se uma isquemia que leva a uma acidose metabólica. Para compensar a acidose metabólica, tem que liberar CO2 por meio da taquipnéia. Tem-se uma hipovolemia e par aumentar a perfusão celular, faz-se uma taquicardia. São situações de compensação.

Sempre deve-se pensar em queimadura de árvore respiratória em vítimas de explosão, indivíduos em confinamento em um local pegando fogo. Quando se tem ______________ caros de carvão, queimadura na face, de cílios, de cavidade oral, deve-se imaginar queimadura da árvore respiratória. Nesta situação, deve-se viabilizar o mais rápido possível uma via aérea porque uma vez queimada a via aérea e edemaciar (a queimadura causa edema, extravasamento de proteínas, aumento do edema, necrose) a tendência é fechar a via aérea. E se ela fechar não se passa mais nada, não se consegue se ter acesso. Se tiver suspeição tem que arrumar uma via aérea para a vítima. Tuboorotraqueal, traqueostomia, cricotireoidostomia.
Pergunta: Qual é a via aérea de escolha (?) para queimadura de árvore respiratória?
Resposta: Se puder passar o tubo orotraqueal é melhor.
Pergunta: Se ta edemaciado e na hora de tirar o tubo?
Resposta: Na hora de tirar faz uma traqueostomia. O indivíduo está com queimadura da língua, da face, tem escaros escuros, se ele tiver critério para entubação, faz-o. Passou 12 dias entubado, terá que tirar o tubo, faz uma traqueostomia e tira o tubo.
Pergunta: Se ele chegar no hospital e a via aérea já estiver edemaciada?
Resposta: Faz-se uma cricotireostomia ou por punção ou cirúrgica e depois faz uma traqueostomia.

São doentes graves que tem uma chance de mortalidade alta.
As queimaduras torácicas circulares vão provocar uma área de necrose circular (em volta do tórax) e vão restringir o movimento respiratório. Ou se tiver uma queimadura de membro circular, vai causar uma necrose circular e restringir a circulação. Então, deve-se fazer uma incisão longitudinal para permitir o movimento tanto respiratório quanto da musculatura do membro, este procedimento é chamado de escarotomia é a nível cutâneo.

Posições viciosas, isto não é restrito ao tórax, é em qualquer situação. É quando um indivíduo sente dor a algum movimento e deixa de faze-lo, por exemplo, o indivíduo queima o pescoço e ele evita movimenta-lo. Então, ele vai ter uma posição antálgica; acontecerá o progresso cicatricial e a cicatriz ficará retraída e o queimado ficará numa posição viciosa. O tratamento para isso é analgesia associada a uma fisioterapia. Ele tem que movimentar aquele membro ou aquela região.

A nível de manifestações gastrintestinal, tem o íleo metabólico ou íleo paralítico que são “alterações hidroeletrolíticas com desidratação, hipocalemia, distúrbios ácido-básico, acidose metabólica” (caderno da Camila, a explicação dele não tinha nexo nenhum). Existe a úlcera do queimado que é a úlcera de Curling que surge por isquemia e evolui com necrose da mucosa gástrica e hemorragia digestiva.
Pergunta: Pode repetir o íleo metabólico?
Resposta: O íleo metabólico ocorrerá em função da perda volêmica, da perda iônica. Esse paciente começa a fazer distúrbio hidroeletrolítico que gera a situação de íleo metabólico. Ele também acontece pelo desvio de sangue do tubo digestivo para outras áreas como coração, SNC…
Pergunta: A nutrição deste paciente será paraenteral?
Resposta: Não obrigatoriamente.
Pergunta: ?
Reposta: É a úlcera do queimado (de Curling) que acontece pela necrose da mucosa gástrica que vai gerar o (?) de sangue. Também é uma úlcera de estress. É até mais uma complicação, mas é uma alteração fisiopatológica também.
Pergunta: E a nutrição deste paciente?
Resposta: O ideal é um aporte nutricional muito grande, pois ele entrará em catabolismo e depois terá que construir tudo aquilo que foi destruído (pelo catabolismo e pela queimadura). Então, esse paciente tem que ter um aporte hipoprotéico e hipercalórico. Se não for uma queimadura muito grave, dentro de 24 a 48 horas ele poderá voltar a comer normalmente sem precisar da paraenteral, caso contrário faria uma enteral. O aporte sempre deverá ser hiperprotéico e hipercalórico. A paraenteral só deverá ser feita se não tiver a via enteral. Mas normalmente deve-se primeiro estabilizar a queimadura dentro de 24 a 48 horas que á a base aguda.
Pergunta: “Eu pensei devido à úlcera e o íleo paralítico”.
Resposta: Isto é dentro de 24 horas, no momento da queimadura. Se fizer uma hidratação boa no paciente, se consegue reverter este quadro.

O grande queimado tem duas fases onde será tratado. Na cirurgia plástica e no pronto socorro se vivencia muito bem isto.
O paciente queimado é difícil de ser tratado, tanto no primeiro momento como tardiamente. Paciente que tem uma superfície corporal queimada grande pode estar lúcido, conservando, mas ele tem o prognóstico ruim com mais de 80% de chance a ir a óbito (está parte foi o resumo da enrolação dele), voltando…

Então o tratamento ao queimado é dividido em duas fases: aquela fase que se trata na hora, no primeiro momento, e a tardia. Será mais enfatizado a fase aguda, pois a tardia é para o cirurgião plástico pois são as deformidades em função da queimadura.

Na fase aguda, o paciente morrerá de desidratação, no primeiro momento. Inicialmente deve-se fazer o ABC, pois o paciente foi vítima por um trauma de queimadura. Verifica-se as vias aéreas, se ele está respirando ou não, se teve queimadura de vias aéreas ou não. Além da preocupação com as vias aéreas, também deve-se ter uma preocupação preventiva dessa queimadura, uma vez instalada, dificilmente se consegue o acesso, ele é mais difícil. Então cessar a queimadura. Se o indivíduo estiver vestido tem que tirar a roupa porque grande parte das vestimentas é de material sintético, ou seja, este material continua em combustão. Mesmo o paciente no pronto socorro, ele continua queimando porque o material está queimado.

Ao ter o acesso venoso, deixar o soro aberto (Ringer Lactata, soro fisiológico) para deixar correr direto. E depois calcula, pois enquanto se calcula, está hidratando o queimado.
A maioria dos acidentes de queimaduras são domésticos e acontece com maior freqüência em crianças. (virou a fita)
…no velhinho tem que ter essa preocupação, mas deixa correr o soro.
Pergunta: Se tiver asfalto na queimadura?
Resposta: Tem que tirar. Depois que estabilizou este doente, ele é levado ao centro cirúrgico para tratamento local é o desbridamento. Tem que lavar.

O curativo do grande queimado é soro e uma compressa na mão para esfregar. Queimadura por abrasão (caiu no asfalto e se arrastou por 500 metros). Tem que levar ao centro cirúrgico e lavar.
Na avaliação inicial, tem que saber a história do paciente, se foi uma explosão, um confinamento, o que aconteceu e como aconteceu?

Medir a superfície corporal queimada e ver a profundidade, quais foram os planos atingidos para determinar a conduta a ser tomada.
Pergunta: ?
Resposta: Queimadura óssea normalmente é queimadura de membro, queimadura elétrica e normalmente se faz à amputação. A queimadura elétrica é normalmente mutiladora.
Observa-se, nas vias aéreas, quando esta está queimada, é escaros de carvão, queimadura de orofaringe, de cílios, de vibrissas. São situações em que se tem suspeição de queimaduras de vias aéreas.

Cuidado local, dos fatores locais, que é um curativo com soro que pode ser fechado ou aberto. O ideal é o curativo aberto, feito em centro de queimados que só trata este tipo de trauma e tem fluxo de ar laminar para evitar infecção, é específico. Nos hospitais gerais, faz-se o curativo fechado que troca de 2 em 2 dias no centro cirúrgico com lavagem e limpeza.

E o acesso venoso, tira a roupa, joga água para tentar cessar…interrompido pela pergunta: Essa água é gelada? Resposta: Gelada não. Se jogar água gelada, dependendo da superfície queimada pode fazer hipertermia.
Pergunta: ?
Resposta: A vítima queimou os 4 membros, o fato dele ter queimado os membros não impede de pegar um acesso em um dos membros queimados. O ideal é que não se faça no membro queimado, e sim no membro sadio. Se não tiver alternativa de acesso venoso em qualquer veia de todo corpo, pode-se fazer na queimadura.
Pergunta: ?
Resposta: Tem uma coagulação intravascular: necrose. Mas aquele vaso está obstruído, se for um vaso superficial, tem-se o profundo. Se o profundo estiver obstruído, perde-se o membro, pois tem que ter um fluxo vascular para não perder o membro.

Todo paciente que tiver queimadura acima do 2° grau, mais de 20% da superfície corporal queimada tem indicação de internação hospitalar.

O acesso venoso é preferencial nos membros superiores, mas depende da viabilidade deste acesso. O ideal é um cateter calibroso e curto. O cateter de subclávia ajuda, mas ele é longo. Quanto mais longo o cateter mais devagar é a infusão. Quanto menor o cateter, mais rápido é a infusão.
Pergunta: É 20% e 2° grau?
Resposta: No mínimo de 2°.
Pergunta: Se tiver mais de 20% e for de 1° grau.
Resposta: Ai não tem indicação de internação.
Pergunta: Qual a diferença do acesso venoso ser no membro inferior?
Resposta: Por causa de trombose. O membro inferior tem uma incidência maior de trombose e vai ser uma complicação por estase. A estase é causada pelo estado de hipercoagubilidade do paciente queimado.

Na avaliação: _história, superfície e profundidade. Já foi citado lesões associadas, explosão, tempo de queimadura, doenças associadas e vacina contra o tétano. Doenças associadas estão relacionadas com reposição volêmica.

O tempo de queimadura está relacionado com a reposição, o tempo que está queimado e (desde o acidente até a assistência médica) está relacionado com a reposição volêmica.

Para determinar superfície queimada existem duas regras práticas:
A regra dos 9: o corpo vai ser dividido em 11 segmentos de 9% da superfície corporal. Isto dará 99% de superfície corporal, o restante de 1% corresponde ao períneo. A regra dos 9 é boa para o adulto, mas existe uma para criança (regra dos nove adaptada para crianças).

Adulto
Cabeça = 9%
Cada braço = 9% (x2)
Cada perna = 18% (x2)
Tronco posterior = 18%
Tronco anterior = 18%
Períneo = 1%

Criança
Cabeça = 18%
Cada braço = 9%
Cada perna = 14%
Tronco posterior = 18%
Tronco anterior = 18%
Períneo = 1%
OBS: Tabela tirada de foto do livro do Vieira.

A regra palmar é que a palma da mão do próprio doente corresponde a 1% da sua superfície corporal. Exemplo, pega a mão do indivíduo e mede a área queimada se couber 30 mãos a área é referente a 30% de superfície queimada.
A regra dos nove na criança difere na área da cabeça ser maior por isso esta regra é adaptada para ela.
A regra dos nove para adulto é a mais usada, é a que se deve ter em mente.
Profundidade: 1º, 2º, 3º grau e tem até 4º grau que é quando se tem comprometimento além da pele.
1º grau: restrito à epiderme
2º grau: superficial – atinge a epiderme
– profunda: tem também acometimento do folículo piloso.
3º grau: atinge o subcutâneo
A partir do 4º grau: algum outro tecido está associado à queimadura. Pode ser parte óssea, tendão, fáscia, musculatura, etc.

Característica:

1º grau: hiperemia, dolorosa;
2º grau: bolhas;
3º grau: aspecto marmório (existe necrose, placa retrai e fica duro com o aspecto de uma pedra de mármore pela presença de placas.);

Foto:

Queimadura de 3º grau com área de necrose central e ao redor tem área de hiperemia formando um halo de hiperemia na lesão.

Pergunta: A área de hiperemia é a área de estase?
Resposta: A área de estase é mais central. Têm a área de necrose, área de estase, e a área de hiperemia.
O tratamento do paciente. Ele chegou no pronto socorro; verifica-se via aérea, permeabilização da via aérea, ventilar, verificar se houve queimadura da via aérea, fazer reposição, volume, prevenção do tétano, sonda nasogástrica, sonda vesical para ter a diurese do paciente. O ideal é uma diurese de 30 a 50 mL por hora. Tem que ter volume porque esse paciente fará necrose tubular. Tem que mantê-lo hidratado, o ideal é ter uma PVC, uma pressão Venosa Central dele para fazer volume nele. Num paciente desidratado a PVC vai estar baixa, tem que tentar normalizar isso. Tem que ter o tratamento local, levando ele ao centro cirúrgico para desbridar a queimadura, lavar a ferida, analgesia.
Pergunta: ?
Resposta: Hoje se preconiza a sulfadiazida.
E exames complementares: hemograma, o uso de antibiótico é questionável no paciente queimado. Tem serviços que preconiza usar. Tem serviço que não usa, o paciente chega e faz o hemograma rotineiramente auxiliar e nas primeiras alterações no hemograma, inicia-se o antibiótico.
Pergunta: Por que a prevenção do tétano?
Resposta: Porque o paciente tem área aberta sem proteção.
Pergunta: Mas você não sabe se ele tem vacina antitetânica.
Resposta: Tem que fazer a prevenção.
Pergunta: A prevenção é feita com vacina ou soro?
Resposta: Vacina. Normalmente é vacina.
Pergunta: Queimado é imunodeprimido?
Resposta: Você o considera. Não que ele seja imunodeprimido, mas ele vai perder a defesa. A pele é uma defesa.
Pergunta: Em relação à célula de defesa dele, é normal?
Resposta: É normal, a não se que ele esteja em uma situação de imunodepressão. Mas até o momento da queimadura o indivíduo era sadio. Ele deixou de ser sadio por causa da queimadura. A partir dali ele pode estar em um estado de imunodepressão.
Pergunta: (…) tem uma imunodepressão tão grande que ele não rejeita o enxerto de pele. (…)?
Resposta: Isso foi depois da queimadura. É questionável, é discutível. Ele não é imunodeprimido, ele passou a ser a partir do incidente.
Pergunta: Você raspa e limpa?
Resposta: Você vai lavar e desbridar, tirar todo aquele tecido necrosado.
Pergunta: joga-se água na queimadura de primeiro grau por ter hiperemia e na de 2º e 3º grau não? Na de 2º grau tem as bolhas, têm que deixa-las?
Resposta: As bolhas têm que tirar, debridar todas.
Pergunta: Se tiver uma área muito grande, vai desbridá-la toda ou vai deixar partes sem desbridar? Vai piorar?
Resposta: Se deixar necrose evolui para infecção, mas não piora.

Obs: A fita é nova e o barulho da turma está atrapalhando a passar a aula. O que adianta comprar gravador e fitas novas, se a turma não colabora com silêncio. Aqueles que estão perto do gravador podiam se esforçar em ficarem quietos; se não for possível, passem o gravador para alguém que esteja em silêncio. Mesmo com fitas novas as aulas vão ficar ruins, faltando partes porque a sala não coopera.

Abafa-se se o indivíduo estiver pegando fogo. Jogar o cobertor em cima do queimado é para acabar com a queimadura, acabar com o fogo. Agora este indivíduo está sem superfície corporal, então vai perder calor. Ele vai fazer hipotermia, tem que cobri-lo para aquece-lo e tira-lo da hipotermia.
Na tabela de reposição volêmica do paciente faz-se um cálculo de reposição de volume. E essa reposição será tempo dependente. Para fazer o cálculo com o peso e a superfície de área queimada, tem um valor. Por exemplo, um indivíduo de 50Kg que tem 30% da sua superfície corporal queimada. Faz-se 50Kg x 30% x 4mL (4mL x peso x %) que é igual a 6000mL. Metade desse volume tem que ser feito nas 6 primeiras horas. Se o paciente queimou e demorou 3 horas para chegar ao pronto socorro, resta 3 horas para infundir a metade do volume. E o restante, a outra metade do volume, faz em 16 horas.
Pergunta: Se passar dessas 6 horas?
Resposta: Tem que modificar, fazer o máximo que puder inicialmente, pois já perdeu o tempo que tinha que fazer a metade do volume.
Pergunta: Você disse que essa reposição tem haver com o tempo de ___________. Como que calcula isso?
Resposta: Por exemplo, ele demorou três horas para chegar, teria que fazer metade do volume em 6 horas. Então, o médico só tem mais 3 horas para fazer a metade do volume. Agora se passar das 6 horas, já deveria ter feito a metade da reposição de volume para ter o tratamento eficiente possível.
Pergunta: Então é calculado desde o momento que ele foi queimado?
Resposta: Isso, desde que ele foi queimado e não desde a hora que ele chegou ao hospital.
A mais usada é o esquema de Parkland. O esquema de Brook-evans também é usado só que ele associa colóide que é soro fisiológico com cristalóide. A de Pakland só usa cristalóide, no lugar do Ringer pode usar soro fisiológico.
Pergunta: Por que não se coloca proteína?
Resposta: No primeiro momento não faz proteína. Mas 24 – 48 horas depois pode fazer. No primeiro momento tem desnaturação protéica por queimadura direta, todas aquelas proteínas que estavam ao alcance do calor foram desnaturada, esse paciente faz um quadro de hipoproteinemia. Há também o aumento da permeabilidade vascular, extravasamento protéico. Se der proteína, o paciente perderá mais líquido.
Complicações já foram comentadas. Num primeiro momento desidratação. Insuficiência renal, Hipóxia, traumapsíquico. (trocou a fita)

O paciente às vezes não agüenta o volume a ser infundido, pois o coração não agüenta. Então, tem que diminuir o volume. Edema de laringe. Úlcera de Curling que é a úlcera do queimado. Íleo paralítico. Infecção que é a complicação tardia. Sepse. E o paciente acaba evoluindo para morte. É o paciente que não teve, não foi tratado.
Pergunta: Se a segunda causa, a causa tardia, é a infecção, por que não é dado antibiótico?
Resposta: É feito antibiótico.

Trabalho

Em relação a esse hemograma, tem um dado. Vocês colocaram que diminuiu a leucometria e os bastões. Tem outro dado que relata que a paciente está melhorando que é até mais importante que aqueles que vocês comentaram. Eosinófilos, provavelmente o outro hemograma não apresentava eosinófilos e este já apresenta.
O que é importante ressaltar no trabalho de apendicectomia, a apendicectomia é a incidência que grande parte da população vai ter apendicite, 5- 7% da população. A maior incidência é em torno da 2º e 3º década de vida. Na mulher, existem algumas observações a serem feitas principalmente relacionadas ao diagnóstico diferencial que podem ser gravidez tubária rota, DIPA, salpingite.
Existe maior incidência de apendicite dependendo da posição apêndice?
Não, não tem nenhuma alteração sobre a posição.
A dificuldade de diagnóstico está muito relacionada com a posição. Por exemplo, ele pode estar na posição pélvica, pode estar na fossa ilíaca esquerda, fossa ilíaca direta, retrocecal, subseroso, de acordo com a sua localização ele vai ter uma manifestação clínica diferente.
O apendicite está bem definido pela dor migratória, ou seja, o que é uma dor visceral (difusa) e vai virar localizada no Raio X, se vê o fecalito. O apendicite é uma doença clinica, é de diagnóstico clínico. Por exemplo, qual é o diagnóstico para adenocarcinoma de reto? É a histopatológico, pode ser feito toque e sentir o tumor. O exame clínico no apendicite é a dor migratória, a localização mais na fossa ilíaca direita, através da palpação abdominal observa-se a irritação peritoneal localizada que é o rinal de Bum peg positivo. No Raio X observa-se o apagamento do psoas à direita e pressupõe, mas não é patognonânico, pressupõe que tem um processo inflamatório desse lado. Associado ao exame físico, hemograma e ao EAS, chega-se à conclusão que tem apendicite aguda. Tem também outros sinais radiológicos, nível hidroaéreo localizado em fossa ilíaca, fecalito.