Azares em viagem

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Os 13 azares em viagem

Perder um voo de ligação, esperar eternamente e em vão pela bagagem ou perder o bilhete de avião acontece a qualquer um. Mesmo quando pensamos que estas situações só aparecem aos outros, no melhor da festa qualquer coisa pode corre mal. Tome nota de 13 situações que lhe podem estragar a viagem, ou não, caso esteja devidamente prevenido …

Perder o voo de ligação
O problema – Pois é… queria passar a lua de mel em Bora Bora e comprou uma passagem com ligação em Paris, mas um problema de sobrecarga de “auto-estradas” aéreas fê-los perder o voo, além de os obrigar a uma mini lua de mel num hotel baratucho na capital francesa.

Como prevenir – Nunca, nunca aceite ligações com menos de uma hora de intervalo, no mínimo. O ideal, se tiver de utilizar voos de ligação, é optar pelas duas ou três horas de diferença.

Como resolver – Apesar de tudo, sempre está protegido pelas leis da aviação, já que a companhia aérea que emitiu o bilhete deve garantir o embarque e a chegada dos passageiros ao destino escolhido, nem que para isso o viajante tenha de embarcar e desembarcar dezenas de vezes, em diferentes companhias aéreas.

Quando precisar de reclamar, é com quem lhe vendeu o bilhete que você o deve fazer. Além disso, enquanto estiver a aguardar pela segunda ligação, depois de perder a primeira, todas as despesas de alojamento, refeição e telefonemas necessários são por conta da companhia aérea responsável.

Onde foi parar o bilhete?
O problema – Depois de uma longa viagem de carro até ao aeroporto, decidiu ir beber um café com os amigos. A conversa era tão interessante que, só na altura de pagar a conta percebeu que a passagem aérea tinha desaparecido. Que azar…

Como prevenir – O bilhete de avião é a prova do contrato de transporte que você estabeleceu. Ao recebê-la deve guardá-la escrupulosamente, não sem antes tirar pelo menos duas cópias. A primeira, por questões de segurança, deve deixá-la com alguém de confiança da sua família ou algum amigo que more perto de si. A outra deve ser sempre transportada com o viajante e guardada num lugar diferente da passagem original.

Assim, se o bilhete original desaparecer, tem sempre escapatória. Além disso, não faz mal nenhum, pelo contrário, se anotar, antes de partir, os números de telefone da companhia aérea nas cidades por onde pretende passar. É uma pesquisa que deve ser feita antes de iniciar a sua viagem.

Como resolver – Depois de dar conta do que lhe aconteceu, faça um boletim de ocorrência e, em seguida, dirija-se a uma loja da companhia aérea com a sua cópia da passagem e cancele o bilhete. Se não houver representante da sua companhia na cidade ligue para um daqueles telefones que anotou antes de sair de casa. Faça isso rápido, senão bem pode rezar para que ninguém viaje no seu lugar. Se isso acontecer, não há solução: tem mesmo de comprar um outro bilhete se quiser regressar a casa.

Desculpe, mas já não há vagas
O problema – O meu grupo de amigos desembarcou em Nova Iorque ainda de madrugada, o cansaço era arrasador e nada fazia prever que, na recepção do hotel o rapaz pronunciasse aquelas palavras: “desculpe, mas os quartos só estão disponíveis a partir das 13:00. Até lá, as bagagens têm que ficar ali num canto”. Nem queríamos acreditar. Nem o gosto da água do duche a correr pelas costas podíamos sentir. Mas o mal ainda estava para vir. Afinal, segundo o funcionário, nem constávamos na lista de reservas…

Como prevenir – A única forma de prevenir é exigir sempre um fax ou e-mail com a confirmação da reserva do hotel, quando se efectua a reserva directa. Já quando há intermediários (agências de viagens) usa-se sempre o “voucher”. Apenas na posse de alguns desses documentos se pode provar que a reserva de facto foi feita e que o cliente tem direito ao quarto.

Como resolver – Quando, apesar de ter feito reserva o seu nome não constar na lista, procure a gerência e apresente os documentos acima citados. Se for um hotel responsável, por certo encontrará solução para melhor satisfazer os seus clientes, ainda que seja preciso acomodá-lo num hotel de categoria equivalente. Se houver dificuldades, telefone para o seu agente de viagens e peça a sua intervenção.

Se mesmo assim não conseguir resolver a situação, e estamos a falar no caso de existirem documentos comprovativos da reserva, instale-se num hotel, pague a diária respectiva e guarde os comprovativos para depois pedir contas à sua agência de viagens. Nos casos de não existirem quaisquer papéis comprovativos da reserva, esqueça e abra os cordões à bolsa.

A mala desapareceu?
O problema – A reunião em Londres até era importante e o fato com gravata era indispensável. Mas já era de estranhar que, depois de duas horas à frente do tapete rolante que nos faz passar à frente dos olhos toda a espécie de malas e sacos de viagem, o saco de Raul não aparecia. Depois de confirmar que estava a procurar no tapete certo, Raul desesperou…

Como prevenir – A melhor protecção, se as roupas forem de facto caras, é declarar os valores correspondentes antes de embarcar. Pode sempre fazer um seguro de viagem, com cobertura para roubo de bagagem. Contudo, é aconselhável evitar as malas da moda, com bom ar e novas em folha. São sempre uma atracção para os que gostam de agarrar nas alças erradas… é ainda aconselhável, sobretudo nos voos com ligações, transportar consigo na cabina uma muda de roupa, para o caso de a mala em vez de ir ter a Londres apanhar o avião errado e só aparecer no dia seguinte.

Como reclamar – Depois de recuperar do trauma, a saída é procurar a empresa aérea e reclamar para que encontrem a sua bagagem, descrevendo o seu itinerário nas próximas 72 horas. Se a companhia encontrar a sua bagagem neste espaço de tempo tem obrigação de fazê-la chegar às suas mãos. Contudo, só depois de um mês de desaparecimento é que terá direito a qualquer indemnização. Contudo, se a culpa for de facto da companhia e não tiver muda de roupa, a companhia aérea assegura uma muda de roupa (você compra e guarda os recibos para ser reembolsado) e produtos de higiene diária.

O hotel do folheto era melhor
O problema – Naquele fim-de-semana romântico a Paris o folheto dizia que o hotel que Marta e Rui escolheram era bem no centro da cidade. Contudo, quando chegaram à capital francesa descobriram que tinham de ficar a 20 quilómetros da cidade. Nada mais enervante!!!

Como prevenir – Para evitar grandes decepções, o melhor é perguntar tudo o que lhe vem à cabeça ao seu agente de viagens. Quanto mais específicas forem as perguntas menos probabilidade há de se ficar a 20 quilómetros de Paris, quando a ideia era dormir a olhar para a Torre Eifel. Preços, localização específica e serviços oferecidos são algumas das ideias para se poder inteirar do sítio onde vai ficar. Hoje em dia, com a Internet, só mesmo se não quiser é que não confirma todas as informações e procura até outras que o seu agente não esteja habilitado para lhe dar.

Como resolver – Contudo, se mesmo assim o hotel não corresponder ao combinado, informe o agente de viagem. Ao reclamar da longa distância a que o hotel ficava do centro de Paris, Marta e Rui conseguiram reaver as diárias e ganhar um bónus da agência para a próxima viagem. Esta última parte, diga-se, já com muita sorte…

Perdi o passaporte!
O problema – Para comprar álcool nos Estados Unidos você vai precisar de provar ao barman que é maior de idade. No caso de turistas estrangeiros, é mesmo só de passaporte na mão. Depois de várias visitas a bares e de tanto mostrar o passaporte e voltar a metê-lo no bolso, Nuno entrou em pânico. O seu documento de identificação tinha desaparecido.

Como prevenir – Antes de mais, faça como com as passagens aéreas: tire cópias do passaporte e deixe a sua no cofre do hotel. Além disso, convém verificar se o bolso do casaco não está roto… é que Nuno, como bom rapaz solteiro que vive sozinho, não tinha qualquer jeito para coisas de costura.

Como resolver – Vá até ao posto de polícia mais próximo e dê conta do roubo ou perda. Depois é bom ir até ao consulado português explicar o que aconteceu. Como um passaporte tem sempre um bom valor no “mercado paralelo”, prepare-se para responder a um inquérito das autoridades. Além disso, para ter direito a um novo documento de identificação, convém ter consigo a cópia do boletim de ocorrência da polícia. O bilhete de identidade português neste caso também pode facilitar. Sem qualquer desses documentos, atravessar a fronteira é tarefa impossível.

O autocarro já partiu
O problema – O passeio resumia-se a uma excursão de autocarro pelo Canadá. Uma das turistas fazia sempre questão em chegar atrasada. É daquelas pessoas para quem o relógio nunca fez sentido na vida, pelo menos até àquele dia. Numa manhã em que acordou menos bem-disposto, o guia decidiu não esperar. Resultado: a turista teve que efectuar o percurso Quebec/Montreal num autocarro das linhas regionais.

Como prevenir – O melhor é mesmo usar o relógio, ter respeito pelos outros e não presumir que o autocarro espera. É que nem sempre o guia está para aí virado. Caso contrário, contrate serviços exclusivos ou vá de táxi!

Como resolver – Há três soluções: ou paga por um meio de transporte particular (táxi) para apanhar o autocarro na primeira paragem inicialmente programada, ou embarca na excursão seguinte, se for permitido, ou então esqueça o passeio e amargue o seu mau humor no bar do hotel…

Bati com o carro que aluguei
O problema – Acontece aos melhores. Infelizmente o tempo e a sorte não estava do lado do Luís, quando decidiu alugar um carro e viajar pela Europa.

Como prevenir – Quem viaja com carro alugado deve ter o triplo do cuidado a conduzir. Lá porque não é o seu, não é preciso ir a acelerar e “arranhar” em todas as mudanças. Além disso, um seguro é sempre necessário. Aliás, às vezes custa mais do que o aluguer do veículo. Mas avance sem medos e pague o seguro, pode sempre vir a precisar. Mas atenção: alguns cartões de crédito já têm esse seguro agregado. Dê uma olhadela e veja se é o seu caso.

Como resolver – Com ou sem seguro, ligue para a empresa em que alugou o carro, relate o sucedido e espere ajuda. Caso não tenha sequer seguro contra terceiros, torça para que a câmara local não lhe cobre o poste com que acabou de chocar…

Desculpe, mas o seu cartão de crédito…
O problema – Toda a gente o avisou: “não precisa de levar cheques-viagem nem muito dinheiro.., nos Estados Unidos o cartão de crédito até é aceite para pagar uma Coca-Cola”. Óptimo, pensou. Contudo, o que os seus amigos esqueceram de avisar foi que, numa viagem ao exterior, o limite do cartão deve ser ampliado. As empresas de aluguer de automóveis, por exemplo, fazem uma factura de segurança superior a mais de 1000 euros. Resultado, no primeiro bar que parou para tomar a tal Coca-Cola, o cartão foi recusado.

Como prevenir – Para quem de facto não sabe viver sem o “dinheiro de plástico”, a melhor solução é aumentar o seu limite. Também será útil contratar mais um cartão. Ainda assim, e para qualquer emergência, leve sempre algum “pocket money” ou cheques-viagem. Por fim, informe-se sobre os costumes do país que vai visitar. por exemplo, em Cuba, um cartão de crédito de vários bancos americanos não serve nem para mexer o açúcar do café…

Como resolver – Dá sempre algum jeito pedir ao garçon que tente passar o cartão uma vez mais. Mas a única solução, se facto, é pagar em dinheiro, ou então ficar a lavar uns pratos…:-)

Partiu um pé no melhor da viagem
O problema – No primeiro dia do Carnaval da Baía curtiu até cair. No segundo, não mudou a programação e, no terceiro, o pé traiu-o.

Como prevenir – Grave um CD com todas as recomendações da mamã e oiça-a diariamente quando se levanta. “Agasalha-te, não bebas água da torneira, cuidado com os vírus…” são frases que por vezes parecem chatas mas têm todo o sentido de existir. Nestas situações, o melhor é fazer sempre um seguro de viagem ou de saúde. Veja se o seu cartão se crédito lhe oferece alguns destes benefícios. Caso contrário, pague um seguro de saúde, nem que seja por uma semana. Pode parecer caro, mas a nossa saúde não tem preço.

Como resolver – Quem tem seguro de saúde deve usá-lo nestas alturas. Quem não tem, paciência… informe-se sobre o serviço público do país em que está e reze para que seja melhor do que em muitos sítios…

Afinal, o hotel fica para que lado
O problema – É normal. Toda a gente fica confusa num local estranho. Quando se trata de um país com uma língua da qual não entendemos uma única palavra, a situação fica mais complicada.

Como prevenir – Encontrar um mapa da cidade na Internet é por certo fácil, mas se não é um fã das novas tecnologias agarre num lápis e num papel e anote a rua do hotel assim que chegar. Depois, convém andar sempre com o papel no bolso e não o perder.

Mesmo assim, para ter maior liberdade de movimentos, compre um mapa da cidade no aeroporto e peça ao empregado da recepção do hotel para lhe assinalar o local em que este se encontra. Assim poderá dar uns passeios a pé, a melhor forma de conhecer certas cidades. Pelo menos de dia.

Como resolver – Veja se há alguns restaurantes ou hotel na área circundante do hotel, para ficar com um ponto de referência. Assim será mais fácil encontrar ou indicar ao motorista de táxi o seu caminho de volta.

Foi passear a pé, mas pelas ruas erradas…
O problema – Pois é… passear a pé é o melhor para conhecer de facto a maior parte das cidades, mas convém andar nos sítios certos às horas mais indicadas…

Como prevenir – Turistas são minas em ouro para qualquer assaltante. E se for facilmente identificado (máquinas fotográficas ao peito, etc…) melhor ainda. Deixe de ser ingénuo e esconda a máquina num local pouco visível. Evite abrir o mapa da cidade em cada esquina por onde passar, ou também chamará a atenção. Abrir uma carteira cheia de notas no primeiro bar é outro dos erros. Leve sempre “pouco” dinheiro consigo e informe-se no hotel para que lados não deve de facto ir a pé.

Como resolver – Se não tomou qualquer precaução e acabou por cair como um pato, a única hipótese é ir ao posto de polícia mais próximo e apresentar queixa. Comunicar o roubo ao consulado do seu país no local é também uma boa opção. Quem sabe um bom samaritano ache os seus documentos e os encaminhe para o consulado, com um pouco de sorte.

Overbooking, o eterno problema
O problema – É uma prática comum junto das companhias aéreas, sobretudo no Verão. Para evitar que, em caso de desistências, o voo siga com metade dos passageiros inicialmente programados, é normal fazerem-se reservas acima das possibilidades do avião. Assim, em caso de desistências, o avião segue sempre pleno de passageiros e o voo é mais rentável para a companhia.

Como prevenir – Confirme sempre a reserva nos prazos indicados. Não importa o que o agente de viagens prometeu. Pegue no telefone e “faça-o você mesmo”. Três dias antes da partida, telefone para a companhia aérea, confirme a data e a hora do seu voo e marque o número do assento, se possível. No dia da viagem, chegue ao aeroporto com a antecedência devida, seja o voo interno ou internacional.

Como resolver – Para poder reclamar, precisa de ter confirmado a reserva, caso contrário esqueça. É ainda preciso ter chegado com a antecedência necessária ao balcão de check-in. Se for o caso, a companhia aérea deve oferecer-lhe algumas oportunidades de seguir viagem noutro voo, até a quatro horas de diferença. Se não conseguir, deverá aconselhá-lo a tomar algo ou a almoçar, porque já vai sendo hora… Até novo embarque, se necessário, a companhia também se responsabiliza pelo alojamento, telefonemas necessários e transporte de e para o hotel. Com a nova carta dos direitos dos passageiros não há nada que enganar…