Bebés Prematuros – massagens

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 12 dezembro 2018

Os bebés prematuros adoram massagens –  Os benefícios são para toda a família

Superar o nascimento de um prematuro será mais fácil para os pais se, desde o princípio, estabelecerem uma relação íntima e directa com o seu bebé, e isto também ajudará o pequenino a recuperar mais cedo.

O pequenino corpo de Inácio quase cabe nas mãos abertas da sua mãe. Nasceu um mês e meio antes do tempo previsto e está sendo submetido a tratamento na Unidade de cuidados intensivos Neonatais do Hospital Universitário Juan XXIII, em Terragona. Está ligado a um ventilador e há vários sensores que controlam as suas funções vitais. Todavia vai passar algum tempo antes que lhe seja dado alta. Enquanto esse dia não chega, terá que suportar vários tubos, sondas e catéteres cravados nas suas minúsculas veias.

Para conseguir ultrapassar esta fase, é preciso rodeá-lo de uma série de cuidados que, inevitavelmente, resultarão muito dolorosos para ele. Há que se observar o seu ritmo cardíaco e respiratório, aplicar-lhe a medicação que necessita e inclusivamente o alimento, se ainda não pode mamar. A primeira experiência de vida destas crianças, em relação ao seu meio ambiente e às pessoas que os rodeiam e que se aproximam deles, são sempre amargas: as enfermeiras e os médicos têm que picá-los, colocar-lhes o termómetro e revisar os detectores várias vezes por dia.

É penoso pensar que sensações podem estar a receber do mundo em que lhes calhou viver: devem pensar que todos os seres têm más intenções para eles. Mas não é assim. Com efeito, nem todas as primeiras vivências com Inácio neste hospital vão ser desagradáveis. Diariamente um especialista do centro vai aproximar-se dele com a única intenção de lhe proporcionar uns minutos de prazer, relaxe e tranquilidade.

Impregnará as suas mãos e o corpo do bebé num óleo especial de frutos e começará a acariciá-lo com sabedoria e meticulosidade. E se, uma boa massagem relaxa e agrada a um adulto, a um bebé prematuro – que passa o dia envolvido em tubos, cabos e pensos – sabe-lhe maravilhosamente. Eles também têm direito a uns minutos de paz.

O doutor José Moralejo, pediatra do citado hospital, explica o que pensa ser para estes bebés prematuros receber uma massagem reconfortante, no meio do doloroso trajecto diário de picadas e termómetros: «para eles é uma experiência muito gratificante. Uma vez habituados, entregam-se de corpo e alma. Quando ouvem que o técnico está esfregando as mãos com óleo, suspeitam que se está a preparar para lhes dar a massagem e adoptam espontaneamente a postura em que os colocamos ao iniciar as sessões».

Devemos proceder com muita cautela
Nos primeiros dias, as enfermeiras efectuam a massagem enquanto os pais observam. «A eles, no princípio assusta-os muito tocar no seu pequeno bebé mas, ao ver as manipulações que realizam as massagistas, aprendem a fazê-lo e perdem o medo. Já durante a estada no Hospital, os pais começam a massajar os filhos», continua a explicar o doutor Moralejo.

Não há nenhuma contra-indicação que impeça aplicar esta terapia aos bebés prematuros. «Desde o segundo ou terceiro dia que iniciamos a estimulação. É importante começar cedo a trabalhar com eles para que se habituem. A massagem aplica-se inclusivamente a bebés recém-nascidos intubados e submetidos a ventilação mecânica», afirma o pediatra. Sem dúvida, as massagens não podem efectuar-se na sua totalidade desde o nascimento: «No primeiro dia só se inicia o processo. Basta massajar um pouco a criança, com suavidade e nas zonas menos frágeis.

A duração das sessões depende sempre da resposta do bebé. Enquanto demonstre que desfruta, a massagem continua. Mas, se cerra os punhos ou encrespa os pezinhos, termina-se a sessão. Quando o bebé não quer mais, não insistimos. Nunca procedemos contra a sua vontade. Além disso, devemos sempre começar por períodos curtos, pois ao fim de um bocadinho cansa-se», prossegue o doutor Moralejo. Depois de umas poucas sessões os bebés estão alegres. Assim os demonstram os seus sorrisos.

Segundo Maria José Martínez, enfermeira da Unidade UCI neonatal do mesmo centro, «nos nascimentos em que se detecta sofrimento fetal, asfixia neonatal ou sequelas de qualquer tipo, o nível de resposta do bebé pode ser muito débil ou estar inibido no início. As massagens contribuem para que esse nível de resposta se desenvolve como deve ser». Entre outros benefícios, intensifica os vínculos materno ou paterno-filiais e melhora a relação afectiva. Além disso, contribui ainda para que os bebés superem o stress diário e alivia as tensões físicas e emocionais que padecem.

Em particular, é especialmente bom para melhorar o trânsito digestivo. Favorece a eliminação de gases e do conteúdo intestinal, pelo que é muito eficaz para diminuir as cólicas do lactente. Neste hospital pratica-se também o banho diário, o método canguru – que consiste em que a mãe tenha o bebé sobre o peito a maior parte do tempo possível – e proporciona-se o aleitamento materno. São facetas de um mesmo programa de estimulação precoce que pretende facilitar a adaptação ao mundo dos bebés prematuros.