Beneficios da prática regular de actividade física

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 14 dezembro 2018

Descubra por que a prática regular de uma actividade física se pode revelar um excelente aliado na melhoria da sua qualidade de vida psicológica e emocional.

Independentemente dos motivos que levam qualquer pessoa a para praticar desporto, uma coisa é certa: a actividade física contribui para a melhoria da saúde mental e do estado de espírito. A prová-lo está toda a investigação científica desenvolvida nas últimas décadas, nomeadamente no que concerne o papel do exercício físico no combate à depressão, ansiedade e stress. E o melhor é que não é preciso ser-se um atleta de alta competição nem passar a vida no ginásio para usufruir destes benefícios.

Puro prazer

Tomemos como exemplo a Meia Maratona de Lisboa. De um lado, atletas de elite; do outro, milhares de pessoas “normais” de todas as idades inscritas todos os anos. Este é o cenário do evento desportivo que mais pessoas movimenta em todo o País. O que as leva a correr? A medalha não, certamente. Fazem-no, sobretudo, por prazer, porque lhes dá gozo, porque assim podem testar os seus limites.

Ou talvez porque enquanto o corpo está a “trabalhar”, deixam para trás as preocupações, a agenda diária que têm de cumprir, e aquele momento passa a ser apenas seu. Ou talvez pela sensação de euforia resultante do esforço. Ou quiçá, porque, como explica Manuel Fernandes, 51 anos, acerca do seu hobby , corridas de rua, “correr mudou a minha personalidade”. E especifica: “Fiquei mais perseverante, a minha auto-estima aumentou e aprendi a enfrentar os problemas.” Quem diz correr diz caminhar, jogar ténis, praticar remo, artes marciais ou fazer aulas de aeróbica, por exemplo.

Demasiado bom para ser verdade? Nem por isso. Um estudo da responsabilidade do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais da Duke University (EUA) demonstrou que períodos breves de oito minutos de exercício podem chegar para aliviar a tensão, reduzir a agressividade e até mesmo a tristeza.

Um antidepressivo natural

A prática de uma actividade física regular tem-se revelado benéfica na prevenção e redução dos sintomas de depressão, doença que afecta actualmente cerca de 121 milhões de pessoas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

O exercício estimula a produção de serotonina, neurotransmissor responsável pelo bom humor, com um efeito muito semelhante ao dos antidepressivos, e de endorfinas, hormonas anti-stress, consideradas os analgésicos naturais do corpo, que produzem sensações de bem-estar e relaxamento. Não admira, por isso, que o tratamento da depressão tenha começado a incluir uma terapia combinada de exercício (regra geral, três dias por semana) e medicação.

De acordo com Daniel M. Landers, professor de Exercício e Educação Física na Universidade Estadual do Arizona, praticar exercício “durante um período de pelo menos 16 semanas pode ter os mesmos efeitos de melhoria de humor do que os antidepressivos [em pessoas com depressões leves e moderadas]”.

Adeus stress e ansiedade

O stress e a ansiedade são outras das áreas onde a influência do exercício regular se faz sentir, sobretudo se forem actividades aeróbias – corrida lenta, natação, cardio-fitness, bicicleta, por exemplo – e se o treino se prolongar por mais de dez semanas, segundo o PCPFS Research Digest (1996).

Uma melhor condição cardiovascular leva-nos, aparentemente, a não reagir exageradamente aos problemas e a recuperar melhor de situações stressantes. Além de que a tendência é esquecermos o que nos preocupa durante o tempo em que estamos a fazer exercício.

Noites tranquilas

Manter hábitos regulares de actividade física significa também uma melhor qualidade de sono. O exercício prolonga a duração do sono e diminui a sua fase REM (um estágio recorrente do sono caracterizado por movimentos rápidos dos olhos, pulsação e actividade cerebral elevadas e sonhos), menos repousante do que as outras fases, mais profundas.

A justificação pode dever-se a um simples processo de compensação, pelo menos de acordo com Karla Kubitz, professora de Cinesiologia na Universidade de Towson, para quem “uma actividade diurna fatigante (por exemplo, exercício) resultaria provavelmente num aumento compensatório da necessidade e profundidade de sono nocturno. Isso iria facilitar os processos de recuperação, restauração e conservação de energia”. Quando realizado pela manhã, o exercício tem uma maior influência no sono.

Que boa disposição!

Reservar algumas horas do nosso tempo para nos exercitarmos melhora ainda a imagem que temos de nós próprios e proporciona-nos uma maior sensação de bem-estar, o que se repercute numa melhor interacção com tudo o que nos rodeia.

Contas feitas, e independentemente da idade em que se começa, só se tem a ganhar com uma prática regular de actividade física. Quer melhor razão para incluir o desporto na sua vida?…

Quando praticar

A melhor altura do dia para praticar uma actividade física está relacionada com os ritmos circadianos, os ciclos diários seguidos pelo corpo que regulam o metabolismo, a temperatura corporal, a pressão sanguínea e o sono.

Aparentemente, é a influência dos ritmos circadianos na temperatura corporal que determina a qualidade dos treinos, mais produtivos quando a temperatura atinge os seus picos máximos, o que acontece ao final da tarde. Para uma maior precisão, experimente medir e registar a sua temperatura várias vezes por dia, durante alguns dias. Procure, depois, exercitar-se cerca de três horas depois do período em que regista as temperaturas mais elevadas.

Esta não é, no entanto, razão para alterar os seus horários se se sentir bem com a sua rotina diária. Os praticantes matinais são, aliás, os mais persistentes, apresentando menores níveis de desistência.