Berlengas

Revisado por Andre a 28 outubro 2018

As Berlengas são um pequeno arquipélago que emerge brutalmente do mar ao largo da costa de Peniche. A ilha maior e a única habitada, a Berlenga, deu o nome ao conjunto de minúsculos ilhéus de pedra, demasiado inóspitos para serem colonizados pela presença humana. São os Farilhões e as Estelas, onde para além de gaivotas e um farol automático, nada mais existe.

De viagem para as Berlengas (Caramusteiro)

A aventura começa de manhã por volta das 9h no porto de Peniche. Existem várias embarcações a realizar a viagem mas, a principal, é o Cabo Avelar Pessoa,  que sai de Peniche às 9h30m e 11h30m e regressa às 16h30m e 18h30m (preço 18€ ida e volta). Para lá, a viagem demora quase uma hora e normalmente sente-se muito a crispação do mar, a força das ondas que esbatem contra o casco oscilando o barco como se este fosse uma casca de noz, apesar de transportar mais de 100 pessoas.

Se enjoas com facilidade, o truque para sobreviver a esta provação é deixar-te estar de pé junto à popa, onde apanhas o ar fresco e não sentes tanto o efeito «montanha russa», ainda que de vez em quando alguma onda traiçoeira te possa salpicar.

Após estes 60 minutos de tortura, parece que chegaste ao paraíso. Começas a avistar com nitidez a encosta esverdeada da ilha sobre a qual se ergue o farol das Berlengas (batizado como duque de Bragança), e muitas gaivotas.

http://olhares.uol.com.br/farol_ilha_berlenga_foto1355485.html

As gaivotas são aos milhares e parecem histéricas a voar pelos céus. Com sorte ainda consegues escapar a algum projéctil que esta poderosa armada deixa cair do céu, afinal, estes passarocos de simpáticos têm pouco. O barco aporta na enseada do Caramusteiro, onde existe a única praia da ilha, para ir fundear em mar alto, à espera da hora do regresso.

Quase todos os habitantes da ilha vivem no Caramusteiro, onde está o bairro dos pescadores. São casinhas toscas que ganham vida apenas durante o Verão, quando são habitadas por famílias que tiram o seu ganha pão do mar. Também há um café e restaurante com todas as comodidades, que também só funciona sazonalmente. A cerca de 150 metros dali, eleva-se na encosta o parque de campismo, escavado no socalco da rocha, criando pequenas plataformas aplanadas para que possas montar a tenda, caso te apeteça ficar por cá. E se assim for, fazes bem porque é das paisagens mais românticas, especialmente se estiver lua cheia. Porém, como o tempo por vezes é instável, tem cuidado com vento, que quando sopra não é para brincadeiras. Outra solução será alugares um quarto, sim, aqui também encontras quartos para alugar.

Percorrer a Ilha

Agora já conheces a parte civilizada da ilha, mas é tempo de partires à descoberta deste enorme rochedo de 80 metros de altura e quase 500 de comprimento. Normalmente se fores a andar a bom ritmo, podes percorrer toda a ilha em menos de um par de horas, só que há muitos detalhes para descobrir.

A caminho do farol do Duque de Bragança, tens o primeiro encontro à séria com as gaivotas que repousam por todo o lado, sobre os íngremes planaltos da Berlenga. Um bando de 100 ou 200 aves, decide investir e levanta voo em simultâneo, qual esquadra aérea. Pela passagem, vão despejando “presentes” a torto e a direito num sinal claro que não somos bem vindos.

Parece quase um filme de terror, estilo “Os pássaros” de Hitchcock. As gaivotas da Berlenga são uma autêntica praga, têm uma população de milhares de aves e vêm nidificar de todas as partes de Portugal e até mesmo da Galiza. Estão sobre dimensionadas em relação ao tamanho da ilha e como a reserva natural não permite que se cacem os ovos, a população aumenta desmesuradamente.

Depois desta recepção de boas vindas, é sempre possível tentar visitar o farol, ainda que dependa muito da boa vontade do faroleiro de serviço. No Verão, a vida até é alegre para estes homens, só que durante o Inverno, estão votados a um isolamento forçado. São os únicos habitantes e é frequente permanecerem semanas a fio isolados, devido à agitação excessiva do mar.

Prosseguindo viagem, vais finalmente encontrar a jóia da coroa, o forte de São João Baptista. Já foi fortaleza marítima no século XVII e também o cenário de escaramuças entre tropas portuguesas e castelhanas, com o sequestro de uma princesa à mistura. Nos anos 50 foi a melhor pousada de Portugal, com empregados de fraque e laço. Entretanto encerrou e após o 25 de Abril, ficou votado ao abandono. Hoje em dia está sobre a guarda da Associação dos Amigos da Berlenga.

Estelas: São pequenas ilhas rochosas e desertas ao norte da Berlenga.

Farilhões: Mais a Norte que as Estelas, também não se pode visitar, embora haja um minúsculo cais de desembarque que dá acesso a um farol de funcionamento automático.