Blefaroespasmo: Causas, Tipos, Sintomas e Tratamentos

Atualizado e Revisado por Dr. Iuuki Takasaka (Oftalmologista CRM-SP: 124621 / RQE: 35595) a 30/08/2019. Publicado originalmente em 29 de agosto de 2019

O blefaroespasmo é uma distonia muscular (distúrbio do tônus ​​muscular) que origina a contração involuntária e descontrolada dos músculos em redor dos olhos (as pálpebras). Esse aperto descontrolado dos músculos oculares leva a que o olho feche, comprometendo a visão e tornando atividades comuns, como trabalhar em frente a um computador ou dirigir um carro, quase impossíveis.

Embora muitas vezes não seja um problema sério, é irritante, principalmente quando permanece durante dias, semanas ou até meses.

A distonia ocorre principalmente em idosos, geralmente em ambos os lados (olho direito e esquerdo). No entanto, pode afetar apenas um olho. Atinge as mulheres com maior frequência e ocorre muitas vezes na mesma família.

A causa do tremor (Ver Imagem) ou espasmo não é totalmente compreendida mas pode ser desencadeada pela presença de luz forte ou intermitente, vento, poeira, ansiedade, fadiga, alguns irritantes oculares (por exemplo: triquíase, corpo estranho na córnea, ceratoconjuntivite seca), ou doenças neurológicas sistêmicas que originam espasmos (a doença de Parkinson, por exemplo).

Em casos raros, o tremor dos olhos pode ser um sinal precoce de uma desordem mímica facial crônica, principalmente quando ocorrem contrações involuntárias em outras regiões do rosto.

No início, o distúrbio é moderado e raramente ocorre desconforto, irritação ou o piscar involuntário dos olhos.

Com o tempo torna-se mais pronunciado e, além de apertar as pálpebras, pode ocorrer contração descontrolada do rosto ou da testa.

Em alguns pacientes, o blefaroespasmo inicia ao mesmo tempo que a síndrome do olho seco. Acredita-se que o olho seco é, na verdade, apenas um gatilho em pacientes que já têm essa predisposição.

À medida que o quadro avança, o piscar torna-se mais frequente, mais intenso e mais descontrolado, reduzindo drasticamente a qualidade de vida do indivíduo.

Blefarospasmo, Causas, Tipos, Sintomas E Tratamentos

Formas

Existem duas formas de blefarospasmo, que podem ser vistas como dois estágios de um único processo: clônico e tônico.

No blefaroespasmo clônico, a contração muscular involuntária geralmente é acompanhada de uma dor localizada e endurecimento prolongado do músculo. Afeta inicialmente apenas um olho, mas também acomete o outro após algum tempo. Na prática clínica, são raras as situações em que afeta apenas um olho (unilateral), embora em intensidades diferentes.

De forma lenta, e com o passar dos anos, a duração e a intensidade dos ataques aumentam.

O blefaroespasmo tônico é um ou uma série de espasmos involuntários que alternam com relaxamento. Esta forma cria um problema ainda mais sério ao paciente. Em casos graves, cerca de 70% dos pacientes desenvolve cegueira mecânica ou perda de visão, devido à incapacidade de abrir as pálpebras.

Em mulheres jovens com histeria (transtorno psicológico), o blefarospasmo bilateral (quando atinge os dois olhos) pode ocorrer de repente, mas desaparece depois de algumas horas.

Tipos

Reflexo

O blefaroespasmo reflexo é um espasmo tônico do músculo em redor do olho causado pela irritação do nervo trigêmeo, devido a várias doenças oculares. Nesse tipo, as pálpebras ficam permanentemente convulsionadas. A distonia ocular associada a olhos lacrimejantes (epífora) e intolerância à luz (fotofobia) é uma manifestação que ocorre muitas vezes em alterações inflamatórias, como conjuntivite, ceratite, etc.).

A terapia destina-se portanto a tratar a doença ou distúrbio que está na sua origem.

Sintomático

O blefarospasmo sintomático é originado pela estimulação das regiões centrais ou periféricas do nervo facial e pelos reflexos dos estímulos do nervo oftálmico e óptico. Com as pálpebras fechadas, outros músculos faciais inervados pelo mesmo nervo podem ser afetados pelo espasmo. Geralmente é uma combinação de espasmos tônicos e clônicos.

Geralmente resulta de processos no interior do crânio (parkinsonismo pós-encefalítico, abscessos, tumores, etc.).

O tratamento consiste em tratar a doença subjacente. Podem ser conseguidas melhorias temporárias injetando 50% de álcool nos músculos em redor do olho. Além disso, pode ser utilizada toxina botulínica do tipo A, que atua transmitindo impulsos químicos ao músculo, com o objetivo de reduzir a sua atividade.

Sintomas

O blefaroespasmo pode ocorrer na pálpebra superior, inferior, ou afetar as duas ao mesmo tempo. A contração do olho ocorre em intervalos curtos (geralmente a cada poucos segundos) e pode durar alguns minutos ou horas. O desconforto pode permanecer durante dias ou meses. A sua presença contínua (mais de 2 meses) pode indicar um problema mais sério. O distúrbio é caracterizado por:

  • Piscar excessivo do olho;
  • Contração lenta do olho;
  • Sensibilidade á luz (fotofobia);
  • Espasmos dos músculos faciais;
  • Secura na córnea:

Causas

Abaixo listamos algumas condições ou situações que podem estar associadas ao sintoma:

  • ingestão de álcool,
  • ingestão exagerada de cafeína,
  • hipovitaminose (falta de vitaminas);
  • muitas horas em frente ao computador;
  • exposição ao estresse;
  • irritação da superfície do olho ou no interior das pálpebras,
  • privação crônica do sono,
  • fadiga física e mental,
  • atividade física,
  • fumar.

O blefaroespasmo que ocorre durante a gravidez é muitas vezes originado pelo estresse ou pela falta de minerais e vitaminas. O magnésio por exemplo, é necessário para o funcionamento correto dos músculos oculares, por vezes em falta em mulheres grávidas. É importante realizar uma dieta equilibrada e saudável, e em consulta com o ginecologista, pedir aconselhamento sobre suplementos nutricionais.

Além disso, os níveis hormonais também são diferentes durante a gravidez, levando muitas vezes a secura ocular – um possível gatilho para o problema. Nestes casos, a grávida pode usar gotas específicas para hidratar os olhos. Não se auto-medique. Peça sempre aconselhamento especializado.

Por fim, as novas mães, com tanta preocupação com o bebê, muitas vezes acabam dormindo pouco, o que pode originar contrações ou tremores frequentes nos olhos.

Quando o sintoma acompanha dores de cabeça pode também ser um sinal de distúrbios na tireoide.

O blefaroespasmo essencial benigno refere-se ao movimento palpebral crônico e descontrolado em ambos os olhos. A causa exata é desconhecida. Abaixo listamos algumas condições que ocorrem muitas vezes antes deste tipo de distonia:

  • blefarite,
  • corpo estranho no olho,
  • síndrome do olho seco,
  • sensibilidade à luz,
  • conjuntivite.

Muito raramente a sua origem está relacionada a um distúrbio cerebral ou nervoso. Alguns distúrbios nervosos e cerebrais que podem desencadear a contração ocular involuntária incluem:

  • paralisia de Bell,
  • distonia cervical,
  • paralisia supranuclear,
  • distonia,
  • parkinsonismo,
  • efeitos colaterais de alguns medicamentos (drogas neurolépticas, por exemplo), especialmente usados ​​no tratamento da epilepsia e psicose,
  • síndrome de Tourette.

Quando procurar ajuda médica?

É importante obter aconselhamento médico se: o espasmos não passarem dentro de uma a três semanas; se o olho fecha completamente de forma involuntária e o indivíduo tem dificuldade em abrir o olho; se ocorrerem espasmos em outras zonas do rosto; ou na presença de sintomas como: olho vermelho (Ver Imagem), inchado, que liberta secreções, ou ptose (pálpebra superior caída).

Que médico devo consultar?

Os especialistas indicados no diagnóstico desta distonia são o clínico geral, oftalmologista ou neurologista.

Diagnóstico

O distúrbio é determinado pela presença de um quadro clínico característico. É importante determinar a causa da sua ocorrência, pois só assim se consegue um efeito positivo do tratamento. Para este propósito, é realizado um exame oftalmológico completo.

Quando a distonia não é explicada por uma patologia oftalmológica, é importante consultar um neurologista, psiquiatra ou dentista, até identificar a sua origem.

Tratamento

Toxina Botulínica tipo A

O tratamento muitas vezes envolve a aplicação de injeções de Botox (toxina botulínica tipo A) nos músculos da pálpebra. Na maioria dos casos, o tratamento deve ser repetido, pois o distúrbio pode causar ptose permanente (Ver imagem).

O Botox é usado desde 1989 para reduzir este tipo de sintomas. Trata-se de uma neurotoxina aplicada no músculo afetado que leva ao relaxamento do espasmo muscular. A aplicação em si não é dolorosa – apenas um desconforto mínimo no local da injeção.

Os primeiros resultados podem ser vistos, três dias a duas semanas após a sua administração. O seu efeito tem uma duração próxima de três a quatro meses, podendo ser repetido se houver necessidade.

Após o tratamento, o relaxamento muscular, a redução do piscar involuntário e descontrolado, e o retorno às tarefas diárias são conseguidos na maioria dos casos.

Cirurgia

O blefaroespasmo cônico pode ser tratado cirurgicamente, através da remoção de alguns músculos oculares. A cirurgia recebe o nome de miectomia (cirurgia de intersecção periorbital) e mostra ser eficaz, no entanto, devido a possíveis complicações, só é considerada quando o tratamento com toxina botulínica não oferece os resultados previstos.

Óculos de sol

O uso de óculos de sol pode ajudar a reduzir a sensibilidade à luz, que muitas vezes causa ou acompanha o blefarospasmo. Os ansiolíticos também podem ajudar em alguns casos.

Como Prevenir?

A prevenção pode ser realizada evitando, identificando, e tratando doenças oculares, dentárias, neurológicas e mentais. Outras instruções preventivas incluem:

  • Consumir menos cafeína,
  • dormir o suficiente,
  • usar colírios,
  • colocar almofadas de água morna ou gel nos olhos.

Dúvidas frequentes

O blefarospasmo desaparece com o tempo?

Até o momento não existe um cura definitiva bem sucedida para este tipo de distonia. No entanto, existem vários tratamentos que podem aliviar o desconforto. A toxina botulínica (Botox) é apenas um exemplo. (Fonte)

Em casos mais graves, a miectomia é uma boa opção, quando os métodos anteriores não mostram o resultado pretendido. (Fonte)

Pode causar cegueira?

Em casos avançados, esses episódios podem causar cegueira funcional devido à incapacidade periódica de abrir os olhos, o que limita severamente a capacidade do paciente realizar atividades diárias simples. (Fonte)

O que posso fazer em casa para aliviar o desconforto?

É importante determinar a gravidade da contração: é leve ou grave? Para aliviar pequenas contrações oculares o paciente pode:

  • Relaxar. Tente eliminar o estresse da sua vida diária.
  • Limitar o consumo de cafeína.
  • Descansar o suficiente. Durma bem e faça pausas frequentes sempre que estiver em frente ao computador.
  • Aplicar compressas mornas no olho afetado e massajar suavemente a pálpebra com os dedos.
  • Tentar alguns anti-histamínicos orais ou tópicos (colírios) indicados pelo médico para prevenir possíveis contrações involuntárias. (Fonte)

Quanto tempo dura?

A frequência e a gravidade dos espasmos muitas vezes piora ao longo de um a dois anos. Por vezes ocorre em conjunto com distonia da boca, mandíbula ou língua (oromandibular). O termo médico para este evento é síndrome de Meige. (Fonte)

Pode ser sinal de tumor cerebral?

Muito raramente, o tremor nos olhos é sinal de um distúrbio cerebral ou do sistema nervoso. Quando é, quase sempre é acompanhado por outros sinais e sintomas. No entanto, embora seja raro, sim, o blefarospasmo secundário pode estar associado a tumores cerebrais, bem como lesões cerebrais ou outras patologias, que incluem, isquemia ou acidente vascular cerebral, lesões desmielinizantes… (Fonte: (1),(2)

O que é a síndrome de Meige?

A síndrome de Meige é um distúrbio de movimento, raro, no qual o indivíduo tem movimentos involuntários e irregulares que envolvem a contração dos músculos responsáveis ​​pela abertura da pálpebra, face inferior e mandíbula. As contrações podem ser fortes e muitas vezes dolorosas. (Fonte)

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Referências
  • Ministério da Saúde
  • Sociedade Brasileira de Oftalmologia
  • Genetics Home Reference
    https://ghr.nlm.nih.gov/condition/benign-essential-blepharospasm
  • Wakakura M, Tsubouchi T, Inouye J (March 2004). “Etizolam and benzodiazepine induced blepharospasm”. Journal of Neurology, Neurosurgery, and Psychiatry 75 (3): 506–7.
    https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/14966178?dopt=Abstract
  • EyeWiki
    https://eyewiki.aao.org/Blepharospasm
  • National Institute of Neurological Disorders and Stroke
    https://www.ninds.nih.gov/disorders/all-disorders/benign-essential-blepharospasm-information-page
  • American Association of Neuromuscular e Electrodiagnostic Medicine
    https://www.aanem.org/Patients/Muscle-and-Nerve-Disorders/Blepharospasm
  • NORD (National Organization for Rare Disorders)
    https://rarediseases.org/rare-diseases/benign-essential-blepharospasm/
Autores
Dr. Iuuki Takasaka (Oftalmologista CRM-SP: 124621 / RQE: 35595)

Oftalmologista - CRM-SP 124621 / RQE 35595

Consultar > Currículo Lattes.

O Dr. Iuuki Takasaka é Graduado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas – UNICAMP em 2006.

Realizou Residência Médica em Oftalmologia no Hospital das Clinicas da UNICAMP entre 2008 e 2010.

Fellow em Retina Clínica e Cirúrgica no Hospital da Clinicas da UNICAMP em 2011.

Mestre em Oftalmologia pela Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP em 2012.

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