Buraco macular: o que é e como tratar

Publicado em 21/04/2011. Revisado por Dr. Iuuki Takasaka (Oftalmologista CRM-SP: 124621 / RQE: 35595) a 29 dezembro 2018

O buraco macular é uma alteração que afeta o centro da retina (mácula) e que se caracteriza pela ausência de tecido retiniano. A mácula é responsável pela visão central (por exemplo: ler ou reconhecer um rosto). Em pacientes míopes, ou pessoas com maior risco de desenvolver a doença, o buraco macular pode dar origem ao descolamento de retina, sendo muito importante a intervenção rápida nestes pacientes para evitar complicações maiores.

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Como ocorre?

O buraco macular pode ocorrer após um trauma ocular ou após uma cirurgia de descolamento de retina, mas na maioria dos casos ele é produzido por uma tração do vítreo (substância gelatinosa que ocupa 80% do conteúdo do globo ocular). Quando contrai, puxa o centro da retina para a frente, produzindo um buraco na área correspondente ao centro de visão.

Uma vez aberto, a chance de ele se fechar espontaneamente é muito pequena.

Buraco Macular

Abaixo você tem um índice com todos os pontos que discutiremos neste artigo:

Quais são os sintomas mais comuns?

Muitas vezes os sintomas não são completamente óbvios nos estágios iniciais. A visão central fica borrada e distorcida. Quando o buraco progride, desenvolve-se um ponto cego na visão central e prejudica a capacidade de ver objetos próximos e distantes. Normalmente, os sintomas ocorrem em apenas um olho, e raramente ocorre em ambos.

Os principais sintomas incluem:

  • Diminuição da capacidade de ver detalhes ao olhar diretamente para algo de qualquer distância;
  • Visão distorcida (metamorfopsias) semelhante à visão através de uma névoa ou vidro ondulado.
  • Mancha escura (escotomas) ou ponto cego no centro do campo de visão.

Se algum destes sintomas ocorrer, é importante marcar uma consulta com o seu oftalmologista o mais rapidamente possível.

Como identificar

O diagnóstico é feito através da realização de um exame de fundo e confirmado por tomografia de coerência óptica (TCO) que determina a extensão do orifício, é útil para ver o prognóstico, e também confirma o fechamento do buraco no período pós-operatório.

Podemos classificar os buracos maculares dependendo se eles afetam total ou parcialmente a espessura da retina. Os buracos que afetam toda a espessura da retina são chamados de buracos maculares completos. Aqueles que afetam apenas parcialmente a espessura da retina são chamados de buracos maculares lamelares.

Em relação à sua origem, chamamos de buracos maculares pós-traumáticos, quando eles ocorrem após o indivíduo sofrer um trauma direto no globo ocular.

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No entanto, na maioria dos casos não há histórico de trauma anterior que justifique a ocorrência do buraco. Nestes casos eles recebem o nome de buracos maculares idiopáticos.

Tratamento

No caso de buracos maculares parciais ou lamelares, geralmente existe uma membrana epirretiniana macular ou pucker macular associada a eles, que é o que causou a formação do buraco macular lamelar.

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Nestes casos, a diminuição visual causada pela alteração existente, assim como outros sintomas associados que possam existir, deve ser avaliada para decidir se é necessário ou não realizar algum tratamento.

Nos casos em que é necessário tratamento, pode ser realizada uma vitrectomia posterior para remover a membrana acima da mácula e, assim, favorecer o fechamento do buraco macular.

Nos buracos maculares completos, é sempre indicada a intervenção cirúrgica, pois geralmente produzem uma diminuição muito importante na visão central. Nestes casos, também é realizada uma vitrectomia posterior para acessar a região central da retina (mácula), que é onde o buraco está localizado.

Existem complicações associadas à cirurgia? 

Existem várias complicações associadas à cirurgia, que felizmente são raras, mas incluem: rupturas da retina, desenvolvimento de catarata, descolamento de retina (1,8%), aumento da pressão ocular, inflamação e outras. Para conhecer alguns sinais de descolamento de retina consulte o artigo: 4 Sintomas de descolamento de retina a ficar atento.

Como é a recuperação

É importante notar que, no período pós-operatório, o paciente terá que ficar olhando para baixo entre um a dez dias, dependendo das circunstâncias específicas de cada caso.

Este tipo de operação favorece a progressão da catarata, de modo que em muitos pacientes com mais de 50 anos de idade é possível optar pela operação simultânea da catarata e da membrana epirretiniana para evitar uma segunda intervenção.

Como pode ser evitado

Consultas oftalmológicas regulares permitem a detecção de lesões na retina que poderiam passar despercebidas. Por esta razão, é importante que a população em risco seja submetida a exames oftalmológicos completos pelo menos uma vez por ano.

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