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Câncer no Ovário Depois de Uma Histerectomia: É possível?

Publicado em 10/10/2017. Revisado por Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093) a 28 novembro 2018

A histerectomia remove o útero e deixa os ovários no lugar. Reduz o risco de câncer de ovário, mas, o procedimento elimina completamente o risco? Descubra!

Se já se submeteu a uma histerectomia é possível que descarte por completo a possibilidade de vir a ser diagnosticada com câncer de ovário.

Ainda que a remoção do útero possa contribuir para reduzir consideravelmente o risco de desenvolvimento de câncer de ovário, a realidade é que esse risco não é, necessariamente, erradicado por completo, uma vez que nem sempre uma histerectomia remove ambos os ovários.

Em certos casos apenas um é removido, mas também existe a possibilidade de nenhum deles ser retirado.

O câncer de ovário desenvolve-se a partir das células do ovário.

Para além de serem responsáveis pela produção dos óvulos, os ovários constituem, também, a principal fonte de hormonas femininas, estrogênio e progesterona.

É Possível Ter Câncer De Ovário Depois De Realizar Uma Histerectomia

A maior parte dos canceres de ovário tem inicio nas células epiteliais que cobrem a superfície do ovário.

Este tipo de cancro também pode desenvolver-se dentro das células germinativas, responsáveis pela produção dos óvulos, ou até mesmo nas células estromais, onde as hormonas são produzidas.

A histerectomia constitui um um procedimento cirúrgico através do qual o útero é removido. Existem diversos tipos de histerectomia:

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– Histerectomia parcial ou supracervical: o útero é removido, mas o colo do útero é deixado intacto.

– Histerectomia total ou pan-histerectomia: tanto o útero quanto o colo do útero são removidos.

– Histerectomia radical: o útero e o colo do útero são removidos, juntamente com o tecido da vagina e o tecido situado em torno do colo do útero.

Em qualquer um destes procedimentos os ovários são deixados no seu sitio.

Tipos de histerectomias

De acordo com a American Cancer Society (ACS), a histerectomia pode reduzir as probabilidades de câncer de ovário em cerca de 33%, mesmo se os ovários não tiverem sido removidos.

Por vezes ambos os ovários e as trompas de falópio são removidos durante a histerectomia. A este procedimento dá-se o nome de salpingo-ooforectomia bilateral, ou BSO.

Com a remoção dos ovários, o risco de desenvolvimento de câncer é mais reduzido, mas continua a existir, uma vez que, por vezes, as células ovarianas migram para o períneo, área situada entre a vagina e o ânus.

Caso esta migração tenha ocorrido antes dos ovários serem removidos, então essas células mantém-se presentes nessa região, podendo, eventualmente, tornar-se cancerígenas, tal como acontece com os ovários.

Mesmo que os ovários sejam removidos, o problema continua a denominar-se de câncer de ovário.

Também é possível que o câncer se desenvolva a partir das células do peritoneu, membrana mucosa que cobre as paredes do abdómen.

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Ainda que isto não seja classificado como câncer, os sintomas e o tratamento são muito semelhantes.

O que posso fazer para prevenir o câncer ovariano?

Certas mulheres apresentam uma predisposição natural para o desenvolvimento da doença.

Nestes casos, deverá ponderar a adopção de medidas preventivas. Uma dessas medidas poderá ser a remoção dos ovários.

A esta medida de prevenção dá-se o nome de ooforectomia bilateral profilática.

Ainda que mesmo sem os ovários seja possível ser diagnosticada com cancro do ovário, as probabilidades são consideravelmente mais reduzidas.

Em mulheres que apresentem os genes BRCA1 e BRCA2 essa redução andará entre os 80% e os 90%, de acordo com a Mayo Clinic.

Mulheres que comportam estes genes tendem, também, a apresentar um risco mais elevado de câncer de mama.

A remoção dos ovários antes da menopausa pode ajudar a reduzir o risco de câncer de mama entre quem possui estes genes.

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Saiba Como Fica a Vida Sexual Após a Histerectomia

Quais são os sintomas?

Independentemente do tipo de histerectomia à qual se tenha submetido, é importante que continue a fazer despistes regularmente.

Apesar de não haver nenhum exame de rotina especificamente direccionado para o câncer de ovário, existem sintomas que podem anunciar a possibilidade de presença deste problema e poderão ajudar na identificação do mesmo.

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Inchaço e desconforto abdominal

– Dificuldade em comer ou sentir-se excessivamente cheio

– Necessidade excessiva de urinar

– Fatiga

– Azia ou dor de estômago

– Dores nas costas

– Dor durante a relação sexual

– Prisão de ventre

Quando causados pelo câncer de ovário, estes sintomas não desaparecerão com o tempo nem serão amenizados através de medicação.

É importante reportar estes sintomas ao seu médico o mais rapidamente possível, uma vez que casos diagnosticados numa fase ainda inicial tendem a ser mais eficazmente tratados.

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Um exame pélvico poderá constituir um bom ponto de partida. No entanto, sentir tumores de menor dimensão nem sempre se revelará possível.

Exames de imagem, como é o caso da ultra-sonografia transvaginal e da ressonância magnética também podem ser de grande utilidade na detecção de tumores.

Adicionalmente, poderá realizar um exame de sangue destinado à detecção do marcador tumoral CA-125.

Ainda que estes métodos possam auxiliar na detecção do problema, a única forma de confirmar o diagnóstico deste tipo de câncer é através de uma biopsia ao ovário e a outros tecidos suspeitos.

Factos e estatísticas

O câncer de ovário é relativamente raro.

De acordo com o National Cancer Institute estima-se que as probabilidades de desenvolvimento deste câncer ao longo da vida sejam de 1,38%.

Para mulheres que apresentam certas mutações genéticas esse risco é consideravelmente mais elevado.

Para as portadoras da mutação BRCA1, o risco de desenvolvimento de cancro do ovário até aos 70 anos é de cerca de 39% e entre 11% e 17% para quem possui a mutação BRCA2.

Muitos são os factores que podem influenciar o prognóstico, entre eles a fase em que a doença é diagnosticada.

A taxa de sobrevida relativa em 5 anos para todas as fases do câncer ovariano é de 44%.

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Quando a doença é diagnosticada e tratada ainda nas fases iniciais, essa mesma taxa sobe para os 92%.

Infelizmente, apenas cerca de 15% destes casos são detetados na primeira fase, por isso é importante relatar o mais rapidamente possível ao seu médico quaisquer sintomas suspeitos que possa vir a sentir.

Referências

1 – http://www.cancer.gov/
2 – http://www.cancer.org/
3 – http://www.womenshealth.gov/
4 – http://www.mayoclinic.org/
5 – http://www.mayoclinic.org/
6 – http://www.cancer.gov/
7 – http://www.cancer.org/
8 – http://www.ovarian.org/
9 – http://www.cancer.org/
10 – http://www.cancer.org/

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Nota: O Educar Saúde não é um prestador de cuidados de saúde. Não podemos responder a perguntas de saúde ou aconselhá-lo nesse sentido.
Autores
Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093)

Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093

Dra Camille Vitoria Rocha Risegato - CRM SP nº 119093 é formada há 14 anos pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro.

Dra Camille mudou se para São Paulo onde realizou e concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (RQE nº 25978) no Centro de Referência de Saúde da Mulher no Hospital Pérola Byington em 2007.

Em 2008 se especializou em Patologia do Trato Genital Inferior nesse mesmo serviço. Ainda fez curso de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia na Escola Cetrus.

Trabalha em setor público e privado, atendendo atualmente em seu consultório médico particular situado na Avenida Leoncio de Magalhães 1192, no bairro do jardim São Paulo, zona norte de São Paulo.

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