Cancro da Mama – Prevenção do cancro da mama

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 12 dezembro 2018

A prevenção através de uma detecção precoce por rastreio e um tratamento rápido são as armas fundamentais no combate ao cancro da mama.

O cancro da mama é a segunda causa de morte em Portugal, entre a população feminina. Mas muitas pessoas têm até receio de pronunciar a palavra. “Na população em geral, o cancro tem fortes aliados: medo, ignorância e negligência. Há mulheres que chegam aqui preocupadas só por virem ao Instituto. À partida, pressupõe logo uma forte suspeição oncológica”.

A verdade é que o número de casos de cancro da mama tem vindo a aumentar em Portugal. De acordo com os especialistas, surgem anualmente quatro mil novos casos. E embora não existam dados estatísticos recentes relativamente à doença oncológica, porque é difícil que os hospitais e centros de saúde forneçam os números atempadamente, sabe-se que em 1996 vitimou 1600 mulheres, o sexo mais atingido por este mal (para cada 100 mulheres há um homem).

Uma história na primeira pessoa

Destes dados estatísticos fez parte Fernanda Monteiro, 51 anos, muito embora a sua história tenha tido um final feliz. Há dois anos, foi-lhe diagnosticado cancro da mama. De urgência, fez uma mamografia seguida de uma biópsia. Identificadas as células cancerosas, era necessário partir para a operação.

“Entrei em estado de choque. Pensei que iria morrer”, recorda Fernanda. Esta doente foi submetida a uma intervenção cirúrgica em que lhe foi retirado parte do tecido mamário e os nódulos linfáticos da axila. Posteriormente, fez sessões de radioterapia. “Hoje, sinto-me curada”.

Nesta altura de desespero, qual é o papel do médico? Desmistificar. É necessário informar que existe a possibilidade de cura para o cancro da mama e que essa possibilidade é tanto maior quanto mais pequena for a lesão. Tudo vai depender de um diagnóstico precoce, no qual a mulher tem uma palavra a dizer.

“Cada vez mais os tratamentos são selectivos e raramente se faz uma amputação completa da mama”, avança o oncologista João Paulo Fernandes.

A arma fundamental: o diagnóstico precoce do cancro da mama

Apesar de o número de novos casos ter vindo a aumentar, a taxa de mortalidade diminuiu. O que mudou? “A perspectiva de diagnóstico precoce do cancro da mama através de métodos auxiliares de diagnóstico, nomeadamente, a mamografia”, salienta Mário Bernardo.

Em Portugal, a Liga Portuguesa Contra o Cancro (NRS) promove rastreios com abrangência nacional de dois em dois anos. “O rastreio é feito através de várias unidades móveis que se deslocam às sedes dos concelhos e onde se fazem as mamografias na zona Centro, Norte e Sul.

O objectivo do rastreio é incutir nas mulheres com mais de 45 anos o hábito de se submeterem a um exame mamográfico regular. Os exames são analisados por dois radiologistas e, em caso de suspeita, é aconselhada uma consulta especializada, de aferição, na Liga Portuguesa contra o Cancro.

Não se esqueça, a prevenção através de uma detecção precoce por rastreio e um tratamento rápido é a solução para fazer frente à doença.

Grupos de risco

Apesar de não se conhecerem os factores responsáveis pelo aparecimento do cancro na mama, sabe-se, todavia, que existem determinadas características que aumentam o risco. São quatro os factores mais importantes:

Idade superior a 50 anos.

Antecedentes familiares de linha directa com cancro da mama.

Ausência de filhos ou primeira gravidez com mais de 35 anos.

Menarca (primeira menstruação) antes dos 12 anos e menopausa depois dos 54 anos.