Cancro mole: O que é, úlceras na região genital + 5 sintomas, tratamentos e prevenção

Atualizado e Revisado por Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093) a 27/06/2019. Publicado originalmente em 27 de junho de 2019

O que é? O cancro mole, também conhecido como úlcera mole venérea ou cancroide é uma infecção genital bacteriana transmitida após o contato íntimo. É descrita como uma úlcera genital caracterizada por feridas, lesões ulcerosas e dolorosas que ocorrem em qualquer região da genitália e virilha. O seu agente causador é a bactéria anaeróbia Gram-negativa Haemophilus ducreyi, e pode afetar pacientes de ambos os sexos. De acordo com as diretrizes terapêuticas do CDC o tratamento com antibióticos normalmente cura a infecção, alivia os sintomas e evita a transmissão para outras pessoas. Alguns exemplos incluem a Azitromicina, Ceftriaxona, Ciprofloxacina ou Eritromicina. Partilhe este guia educativo.

Cancro Mole, O Que é, úlceras Na Região Genital + 5 Sintomas, Tratamentos E Prevenção

O que é cancro mole?

Trata-se de uma infecção bacteriana (bactéria Haemophilus ducreyi) transmitida por meio dos fluidos trocados durante a relação sexual. A secreção infectada permeia o corpo do parceiro sexual, através das pequenas lesões que ocorrem durante o contato sexual. Após contato, o corpo fica então exposto e pode passar a desenvolver alguns dos sintomas característicos do cancro mole, que pode conferir mais abaixo..

Fatores de risco

Gênero

Embora seja uma doença que atinge ambos os sexos, a incidência é maior em homens. Estima-se que, a cada 20 homens com cancro mole, exista apenas uma mulher infectada.

Saneamento básico e higiene

Em zonas com poucas condições de desenvolvimento humano, o cancro mole é mais comum, principalmente em países subdesenvolvidos. Quanto mais escasso é o hábito de higiene de determinada população, maior é a incidência da doença. Portanto, em zonas pobres, a probabilidade de contrair a infecção durante a contato íntimo sem preservativo é maior.

Sexo desprotegido

Por se tratar de uma doença transmitida através das secreções libertadas durante as relações sexuais, os indivíduos que praticam esse tipo de relação sem preservativos possuem maior risco de contrair a infecção.

Sexo anal

Por ser uma região íntima com um maior número de bactérias e menor lubrificação (proporcionando mais micro lesões) a prática de sexo anal sem o uso de preservativo também aumenta o risco da transmissão da doença.

Infecção por HIV

A AIDS é uma doença que prejudica em muito o sistema imunológico do paciente. Por conta disso, pacientes soropositivos têm mais riscos de contrair cancro mole – já que estão mais vulneráveis.

É preciso entender a importância do uso de preservativos em todas as relações sexuais, sobretudo atualmente, já que as Infecções Sexualmente Transmissíveis têm aumentado cada vez mais na nossa sociedade.

Principais sintomas

Os sintomas do cancro mole normalmente variam de indivíduo para indivíduo e tendem a manifestar-se em até 10 dias após a exposição à bactéria. De uma forma geral, os primeiros sintomas geralmente são genéricos de uma infecção, como dor de cabeça e febre.

Após alguns dias, podem começar a manifestar-se úlceras na região genital (semelhante a uma afta), normalmente com 2 cm de tamanho, cobertas por uma secreção levemente amarelada. O paciente muitas vezes relata dor ocasionada pelas úlceras. As lesões são frágeis e sangram com facilidade após o toque. Normalmente estão localizadas em uma região avermelhada.

Em alguns casos (raros), sobretudo em homens, há o aparecimento de uma íngua na zona da virilha, que também é conhecida como “desenvolvimento do bubão”. Essa íngua é dolorosa e apresenta pus em seu interior. É importante dizer que não é indicada a remoção da íngua em casa, nem a tentativa de drenagem, sob o risco de agravamento da infecção.

Outros sintomas comuns em pacientes que apresentam cancro mole são: dor e desconforto durante as relações sexuais, dor e ardência ao urinar e inchaço na região da virilha. Confira o que pode significar dor ao urinar.

Sintomas no homem

Em pacientes do sexo masculino, as manifestações de cancro mole são mais comuns na região da glande do pênis, interior e ligamento do prepúcio (Ver Imagem) e saco escrotal – ainda que, em casos mais raros, todo o órgão possa ser comprometido. A maioria dos homem apresenta lesões vermelhas no pênis que podem se tornar feridas, sobretudo se não houver o devido cuidado de higiene no local. Entenda o que pode significar a presença de feridas no pênis.

Sintomas na mulher

Nas mulheres, muitas vezes a infecção é assintomática. Nos casos em que o cancro mole exibe sintomas, eles surgem na região interna da vagina, grandes e pequenos lábios, e proximidades do orifício uretral. (Ver Imagem). É importante um bom acompanhamento ginecológico, pois algumas lesões também podem afetar a mucosa vaginal, colo do útero, e proporcionar complicações futuras, já que, nestas regiões geralmente não causam dor e a mulher por vezes não percebe a infecção.

A presença de feridas na região da virilha e ânus é menos frequentes em mulheres, mas ocorre em alguns casos.

Como é feito o diagnóstico

É importante que sempre que seja identificada qualquer alteração nos genitais seja consultado um especialista, já que existem outras infecções transmitidas durante o contato íntimo com sintomas parecidos. A herpes e a sífilis são apenas dois exemplos. Para isso, é importante que durante o banho (por exemplo) o indivíduo tenha o hábito regular de avaliar o aspecto dos seus órgãos genitais, a fim de perceber qualquer lesão.

Para confirmar o diagnóstico, o especialista poderá recorrer, além do exame físico, a um exame de sangue, um teste molecular e a uma análise do líquido presente no interior da úlcera.

Qual especialista devo procurar?

Os profissionais habilitados para tratar o cancro mole são o urologista (no caso dos homens) e o ginecologista (no caso de mulheres), embora inicialmente o indivíduo também possa recorrer a um clínico geral que, em seguida, encaminhará o/a paciente para o médico adequado.

Tem cura?

Sim! O cancro mole é uma doença de tratamento relativamente simples, portanto, o paciente fica totalmente curado desde que siga as orientações terapêuticas corretamente.

No entanto, se as indicações médicas forem negligenciadas, podem ocorrer algumas complicações graves, como o surgimento de cicatrizes genitais (no caso dos homens) e infecções mais graves em pacientes do sexo feminino, sobretudo em mulheres que desenvolveram lesões no útero.

Como é feito o tratamento

Na maioria dos casos o tratamento para cancro mole é feito com a administração de medicamentos por via oral. Quando existe a presença de úlceras genitais mais graves ou várias lesões no mesmo local, pode ser indicada cirurgia – sobretudo pequenas cirurgias que favoreçam a drenagem do líquido no interior das úlceras em caso de feridas genitais muito inflamadas.

Remédios

A administração de antibióticos por via oral é realizada com o objetivo de matar as bactérias que levam ao desenvolvimento das úlceras. Os principais medicamentos antibióticos elegidos pelos especialistas incluem a Azitromicina, a combinação de Sulfametoxazol + trimetropim, o Ciprofloxacino, a Eritromicina e o Ceftriaxone. Além disso, também podem ser indicados analgésicos e anti-inflamatórios para aliviar a dor provocada pelas lesões e proporcionar uma melhor qualidade de vida ao paciente.

Nota: A medicação deve ser prescritos unicamente pelo médico. A automedicação está totalmente contraindicada.

Drenagem ou cirurgia

Em casos mais graves, em que existe a presença de um maior número de lesões ou quando as úlceras causam maior desconforto, o especialista pode optar por drenar o líquido presente nelas, para garantir um maior alívio do inchaço, da dor, e evitar a possibilidade de disseminação da infecção. No entanto, e apesar serem procedimentos que promovem a cura do cancro mole, por vezes deixam pequenas cicatrizes na região.

Convivendo com o problema

Após o diagnóstico, e para acelerar o processo de cura, o tratamento deve ser seguido tal como indicado pelo médico. Algumas recomendações importantes para garantir a eficácia do tratamento incluem:

  • A manutenção da higiene local (sobretudo em pacientes que transpiram muito ou vivem em zonas muito quentes);
  • A ausência de relações sexuais (que podem provocar novas feridas ou mesmo piorar as antigas);
  • Uma alimentação saudável, com uma boa ingestão de líquidos.

Durante o tratamento, é também importante tomar algumas medidas para evitar que o quadro piore:

O parceiro sexual devem realizar exames para identificar a infecção, já que, se estiverem contaminados, as hipóteses de reincidência são ainda maiores.

Possíveis complicações

Qualquer infecção torna o organismo vulnerável e frágil. Portanto, o cancro mole pode ser um precursor de infecções por HIV, herpes genital ou sífilis por exemplo.

É possível prevenir?

Sim! A forma mais eficaz de prevenção é a prática de relações sexuais seguras, fazendo o uso de preservativos (mesmo com parceiros de longo prazo) –  pois mesmo em relações em que não existe ejaculação, há o risco de transmissão por doenças sexualmente transmissíveis.

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Referências
Autores
Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093)

Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093

Dra Camille Vitoria Rocha Risegato - CRM SP nº 119093 é formada há 14 anos pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro.

> Consultar CRM (Fonte: https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59)

Dra Camille mudou-se para São Paulo onde realizou e concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (RQE nº 25978) no Centro de Referência de Saúde da Mulher no Hospital Pérola Byington em 2007.

Em 2008 se especializou em Patologia do Trato Genital Inferior nesse mesmo serviço. Ainda fez curso de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia na Escola Cetrus.

Trabalha em setor público e privado, atendendo atualmente em seu consultório médico particular situado na Avenida Leoncio de Magalhães 1192, no bairro do jardim São Paulo, zona norte de São Paulo.

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