Vinhos da Casa Cadaval

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018 - Publicado a 10 de janeiro de 2011

Os vinhos da casa cadaval são uma referência no sector vinícola português. Uma Casa que alia o classicismo à modernidade e que há cinco gerações é gerida por mulheres. Encorpado, sólido e garrido. Três adjectivos que juntos num copo fizeram o néctar de eleição da “Mulher do Vinho” de 2008. O seu nome? Teresa Schönborn. Um nome com eco em Espanha, país que atribuiu à produtora de vinhos portuguesa o único prémio gastronómico feminino internacional.

 

O Prémio Eva é uma criação da Associação de Mulheres Empresárias e do Governo de Navarra e pretende homenagear personalidades que se destacam a nível mundial como promotoras da excelência gastronómica. “Estou agradecida e surpreendida por ter recebido o prémio. Acho que é óptimo para a Casa Cadaval e para o país. É importante pronunciar o nome de Portugal lá fora”. E Teresa Schönborn pronuncia-o em quantas línguas fala, no total são seis: português, alemão, espanhol, italiano, inglês e francês.

A infância foi passada na Alemanha, país de origem do pai, o Conde Schönborn. A mãe, filha dos Marqueses de Cadaval, incutiu-lhe o gosto por Portugal, pela luz de um sol que parece mais intenso em terras lusas, pela gastronomia de paladares e segredos, difícil de encontrar noutra parte do Mundo. Depois de um longo período no estrangeiro, onde estudou Turismo, regressou a Portugal, a pedido da mãe, para assumir o comando da Casa Cadaval, em Muge. Pela quinta geração a tradição cumpria-se: uma mulher liderava os negócios da família.

“O meu avô morreu quando a minha mãe tinha cinco anos, a minha avó teve de assumir o papel de cabeça de casal. A minha mãe teve de dividir os pelouros com o meu pai, que administrava as propriedades na Alemanha. Eu não tive outro remédio senão abraçar o desafio.” Um desafio que cresceu com ela: fazer um vinho que esteja ao nível dos melhores do Mundo, que tenha um perfil internacional. É esta a ambição dos grandes produtores de vinho. “Para mim e para os meus irmãos o vinho é mais um irmão e todos estamos ligados à produção vinícola.

Provamos os vinhos uns dos outros, trocamos impressões. O truque é a procura constante de novos mercados, para conseguir ter o produto certo, na altura certa.” A exportação é uma aposta forte da Casa Cadaval. De entre os principais mercados, destacam-se os Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Polónia, Macau e Angola.

A Herdade tem a área total de 5400 hectares, o espaço actual de vinhas em produção ronda os 50 hectares. Teresa Schönborn gosta de acompanhar todas as fases de produção, de estar perto da sua equipa de 43 trabalhadores, muitos deles na Herdade há mais de quarenta anos, que tal como ela conhecem cada palmo de terra. As castas que dão origem ao vinho tinto são a Touriga Nacional, Trincadeira, Merlot Cabernet e Pinot, o vinho branco é feito com as castas Fernão Pires, Arinto e Riesling.

“O meu vinho de eleição é o Padre Pedro Reserva. É um vinho complexo, tem um gosto intenso e acho que liga muito bem com a cozinha que se faz lá em casa, que é ligeira e portanto ajuda o vinho a brilhar.” O Marquesa de Cadaval é outro dos vinhos de referência da Condessa e uma homenagem à sua avó, uma mulher com visão de futuro, que impulsionou o sector da vinha desta casa:

“A minha avó e a minha mãe foram duas referências para mim. A avó pela rectidão e sentido de justiça, a mãe pela bondade, feitio ponderado e pelo charme que tinha.” O cunho feminino, deixado de legado há cinco gerações, sente-se na gestão da Herdade, na sensibilidade das palavras, mas sobretudo no punho forte das acções. Porque manter a tradição significa dar as mãos à modernidade:

“Acho a expressão tradição perigosa, as grandes casas têm constantemente de evoluir para alcançar a tradição. Há um lema na nossa família que é: recebes mas tens de melhorar. E é isso que tento fazer, todos os dias.”

Teresa Schönborn é também presidente da Rota dos Vinhos do Ribatejo. Considera que nos últimos 40 anos tem sido feita uma aposta forte na qualidade por parte dos vinicultores, o que tem reforçado a posição de marcas portuguesas que são hoje de referência. Os consumidores e apreciadores também aumentaram. Um gole de vinho é hoje saboreado de forma diferente, há muita literatura sobre o tema e uma corrida aos vinhos premiados: “As pessoas a partir dos 35 anos começam a interessar-se por vinho. Acho que é uma moda, mas ainda bem que são adeptos das provas de vinho e que querem aprender a degustá-lo.”

Há muito que fazer vinho deixou de ser um métier eminentemente masculino. A ciência comprova que as mulheres têm mais sensibilidade paliativa e são mais olfactivas, mas Teresa Schönborn não acredita que o sexo feminino tenha vantagens no sector. Até porque a prova de vinhos é muito prática e os sentidos também se apuram com a experiência. Provada está a consagração da produtora portuguesa que divide a paixão pelos vinhos com a paixão pelos cavalos lusitanos.

Teresa Schönborn é diplomata e lacónica nas palavras. Gosta de ter casa cheia, de multiplicar projectos, de conversas ora soltas, ora sérias. Por hábito, não brinda quando bebe um copo de vinho. Palavras para quê se, como diz o poeta, “num só copo de vinho há mais sabedoria do que em todos os tratados de filosofia”.