Celecoxib – Tratamento da osteoartrose e da artrite reumatóide

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Tratamento da osteoartrose e da artrite reumatóide – Celecoxib permite diminuição de acontecimentos adversos gastrointestinais

Os resultados do Estudo CONDOR, publicados na edição electrónica da revista The Lancet a 17 de Junho último, revelam vantagem na utilização de celecoxib no tratamento da osteoartrose e da artrite reumatóide, por comparação com a associação diclofenac SR/ omeprazol. O primeiro fármaco demonstra menor incidência de acontecimentos adversos gastrointestinais.

O Estudo CONDOR pretendeu determinar se o risco de acontecimentos adversos em todo o tracto gastrointestinal (superior e inferior) associado à toma de celecoxib era inferior ao da administração de diclofenac SR/ omeprazol, em doentes com osteoartrose e artrite reumatóide com riso gastrointestinal aumentado.

Os resultados, que foram também apresentados na recente reunião da EULAR [European League Against Rheumatism], em Roma, evidenciam que a probabilidade de ocorrência de um acontecimento adverso no tracto gastrointestinal superior ou inferior é quatro vezes mais elevado nos doentes tratados com um anti-inflamatório não esteróide tradicional (AINE-t) em associação com um inibidor da bomba de protões, comparativamente aos doentes medicados com celecoxib, um inibidor selectivo da ciclooxigenase 2 (COX 2), informa, em comunicado de imprensa, a Pfizer, farmacêutica produtora do Celebrex®, cujo princípio activo é o celecoxib.

Este ensaio clínico envolveu 4484 doentes com artrite reumatóide ou osteoartrose com risco gastrointestinal aumentado e que não estavam a tomar ácido acetilsalicílico ou outro antiplaquetário. Os resultados demonstraram que, com a utilização de celecoxib, não se verificaram acontecimentos gastrointestinais adversos nos primeiros 60 dias de tratamento.

Pelo contrário, a percentagem de doentes que descontinuaram o tratamento devido a acontecimentos deste género foi 8, 2 por cento superior no grupo dos doentes medicados com diclofenac SR/ omeprazol.

Guidelines devem ser alteradas

No referido comunicado, a Pfizer salienta ainda que “os autores do estudo concluem que, uma vez que a selecção da terapêutica anti-inflamatória para um doente deve ter em consideração os efeitos gastrointestinais do tratamento, as implicações dos resultados do Estudo CONDOR são de relevância para a prática clínica e devem encorajar a revisão das actuais recomendações para o tratamento dos doentes com doença reumática”.

O Estudo CONDOR foi desenvolvido com a colaboração de 204 centros de 32 países, incluindo quatro instituições de saúde nacionais (o Instituto Português de Reumatologia, o Hospital Militar Principal de Lisboa, o Hospital Conde Bertiandos e o Hospital do Divino Espírito Santo).

O PAPEL DA CICLOOXIGENASE NA DOR

• A inibição da enzima da ciclooxigenase (COX) pode proporcionar alívio dos sinais e sintomas de inflamação e dor. Existem duas variantes da enzima COX: a COX-1 e a COX-2;
• Os AINE tradicionais (AINE-t), como o ibuprofeno e o diclofenac, não são inibidores selectivos da COX e exercem a sua actividade através da desactivação das duas enzimas, a COX-1 e a COX-2. Os inibidores da COX-2 são selectivos e apenas exercem a sua actividade inibitória relativamente à enzima COX-2;
• Os diferentes tecidos revelam níveis variados de COX-1 e de COX-2. Embora as duas enzimas se comportem de forma semelhante, a inibição selectiva da COX-2 conduz a uma diferença significativa, em termos de efeitos secundários.