Cesariana cada vez mais fácil

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Cesariana cada vez mais fácil

Segundo as estatísticas oficiais, um em cada quatro partos, levados a cabo pela saúde privada e um em cada cinco na pública realizam-se mediante cesariana. Quanto evoluiu esta intervenção desde o seu início? Muitíssimo, sem dúvida. A última novidade surgiu na Alemanha, onde se desenvolveu um novo método que reduz consideravelmente o tempo da intervenção. Se até agora demorava 45 minutos para fazer uma cesariana, esta revolucionária técnica permite fazê-lo em apenas 7 minutos; assombroso!

Em numerosas ocasiões, as mulheres que dão à luz através de cesariana sentem-se quase como se fossem mães de segunda categoria. Aquelas que pariram por via vaginal puderam tomar depois um duche relaxante e refrescante, e dedicar-se em seguida a cuidar do seu bebé; as que deram à luz mediante a intervenção vêem-se prostradas na cama por algum tempo, com uma sonda de drenagem na incisão, ligadas ao soro, com analgésicos, alimentadas por via intravenosa… Não é estranho que sintam sentimentos de impotência e frustração.

O êxito deste novo método está comprovado por mais de cem intervenções.

A primeira parte da intervenção está concluída: o bebé já está nas mãos do obstetra. Os que praticam esta nova técnica afirmam rotundamente que a mãe se encontra melhor e se recuperas mais depressa.

A mãe recupera-se antes e pode cuidar melhor do recém-nascido Os obstetras de todo o mundo estão conscientes do sentimento de frustração que experimentam as mulheres submetidas à cesariana.

Isto explica o enorme interesse que despertou a conferencia feita há cerca de três anos pelo Dr. Michael Stark no Congresso de Obstetrícia de Jerusalém. A sua nova técnica permitia realizar a cesariana – desde a primeira incisão até ao último ponto em apenas sete minutos. Algo extraordinário, pois mediante o método tradicional demora cerca de 45 minutos e, até há poucos anos, a duração de uma cesariana rondava cerca de 1 hora e meia na sala de operações.

Segundo a proposta do Dr. Stark, não é só que a nova técnica permita trabalhar ao cirurgião com muita rapidez, mas porque além disso acarreta grandes vantagens para a mamã. A cesariana Misgav Ladach, que deve a sua denominação à clinica onde trabalha este conhecido médico, é menos traumática para as futuras mães e permite-lhes recuperar melhor e mais depressa.

A novidade técnica, passo a passo

Em que consiste o novo método? «Sobretudo corta-se menos», diz o Dr. Eldering, Chefe da Maternidade do Hospital Vinzenz-Pallotti de Bensberg (Alemanha), que aplica o novo método.

Mas, como se pode chegar ao útero fazendo apenas uma incisão? Tal como explicam os partidários desta técnica, o cirurgião utiliza o bisturi apenas uma vez para fazer uma incisão na epiderme, que tem a espessura de poucos milímetros. A partir daí empregam-se unicamente as tesouras e as mãos; enquanto que no método tradicional se continua cortando com o bisturi até chegar ao útero.

São as mãos que trabalham

Fazem-se só duas incisões muito pequenas, com as tesouras. São as mãos que abrem os orifícios. Deste modo, tanto os nervos como os vasos sanguíneos sofrem menos danos e consequentemente há que suturar menos. Para os especialista alemães, não só permite diminuir a duração da intervenção (e da anestesia, seja esta epidural ou geral), pelo que, ao tratar-se de uma incisão menos profunda, o organismo se vê menos afectado, e a mãe encontra-se fisicamente melhor.

Outra novidade é que o médico pode suturar o útero com muito poucos pontos, ainda quando este se encontra sobre o abdómen da mãe, evitando-se assim o dano de outros órgãos. O habitual é cosê-lo dentro e retirá-lo suturado, para se observar se se produziu alguma lesão na parte posterior.

Segundo explica quem pratica este tipo de cesariana, não são necessários tampões de algodão nem retracção. Não são necessários anti-coagulantes e pode prescindir-se das sondas de drenagem. Os casos de febre ou as infecções são também menos frequentas e pode reduzir-se a administração de analgésicos.

O factor tempo é vital para as mães

Para Bensberg, Alemanha, ultrapassaram-se as centenas de cesarianas realizadas por este sistema, o método de Misgav-Ladach. Apesar de ainda não se praticar na península Ibérica (Portugal e Espanha), é provável que possa vir a realizar-se no futuro, já que é evidente que é uma intervenção cinco vezes mais curta e que faz sofrer menos a mulher. Para uma mãe, cujo recém-nascido a espera, é vital poder dedicar-se quanto antes e ter um pós-operatório menos doloroso.

A mulher da nossa reportagem, Inge V. T., disse: «Foi a experiência mais emocionante da minha vida. Senti como o médico fazia uma enorme força para tirar a menina e, logo de seguida pude vê-la». Com o seu primeiro filho também necessitou de uma cesariana, ainda que tenha sido realizada com o método tradicional e anestesia geral. «Sem dúvida, prefiro a epidural. Agora voltaria tranquilíssima à sala de operações, especialmente porque saberia que era coisa de uns minutos».

O útero volta ao seu lugar

A diferença do método tradicional, é que o útero se sutura dentro, aqui cose-se estando ainda de fora, sobre o abdómen da mãe, antes de o voltar a introduzir. Depois juntam-se os tecidos esgarçados, aplicando alguns pontos. A incisão fecha-se com uns agrafos, que se retiram aos 5 dias.