Circulação Ocular

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Modelo animal para o estudo dos efeitos do sistema nervoso autónomo sobre a circulação ocular:

C. MARQUES-NEVES, A. ESCALDA, I. ROCHA, L. SILVA-CARVALHO
Universidade de Lisboa, Faculdade de Medicina de Lisboa, Instituto de Fisiologia.

Introdução: A circulação ocular é em parte regulada pelo Sistema Nervoso Autónomo, cujas aferências têm origem a vários níveis do sistema nervoso central. As potenciais implicações clínicas da desrregulação destes mecanismos são de relevante importância em situações em que o sistema nervoso autónomo está comprometido (desautonomias, diabetes, etc.). No entanto muitos dos aspectos morfológicos e funcionais da interligação do sistema nervoso com a circulação ocular não estão ainda esclarecidos, o que se deve em grande parte à falta de métodos fiáveis e reprodutíveis que permitam estudar em simultâneo os dois componentes, nervoso e vascular. No presente trabalho descrevemos um método aplicável a um modelo animal que permite o estudo da influência do SNA sobre a circulação ocular.

Material e métodos: Foram utilizados 52 coelhos neozelandeses híbridos de ambos os sexos. Foram monitorizados as seguintes variáveis, pressão arterial geral, débito da carótida esquerda, pressão lateral da carótida esquerda. O débito da artéria oftálmica foi medido no seu tronco comum- técnica desenvolvida pelos autores – utilizando um Crystal Biotech VF-1 Pulsed Doppler Flow/ Dimension System. Para a estimulação do Núcleo do Tracto Solitário (NTS) usou-se um eléctrodo concêntrico bipolar. Os locais de estimulação foram marcados com uma corrente de lesão. Foram registadas as variações do débito da oftálmica após estimulação do NTS, Nucleo EW, compressão do globo ocular, após a instilação de múltiplas drogas colocadas no fundo de saco conjuntival.

Resultados: A angiografia permite localizar a artéria oftálmica.A pressão arterial registada em condições basais foi de 94.73 mmHg, 22.62. O débito na artéria oftálmica registado 2.0 mmLmin 0.79.Para testar o método foram feitas estimulações do NTS (n=20), a estimulação do núcleo de EW, n=4, a instilação de maleato de timolol 0.5, e manobras de compressão do globo ocular.

Conclusões: Os autores mostram a utilidade e reprodutibilidade deste modelo no estudo das variações da circulação ocular, em tempo real e após estimulação de áreas seleccionadas do SNC, com ou sem efeito de drogas de instilação no fundo de saco conjuntival.