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Cirurgia de Coronária: indicações, segurança e como é executada

Publicado em 19/01/2019. Revisado por Dr Vagner Montes (Cardiologista - CRM RJ nº 52 163890) a 19 janeiro 2019

As doenças coronárias e suas complicações representam a principal causa de morte no Ocidente. A obstrução ocorre quando os depósitos de gordura, chamados placas de ateroma, são depositados, impedindo que o coração receba sangue e oxigênio suficientes.

Esta placa é composta por colesterol, compostos graxos, cálcio e material fibrótico. Forma-se nas artérias, ao longo dos anos, por um processo chamado aterosclerose. O tabaco, colesterol, hipertensão e a diabetes são alguns fatores de risco.

Quando a obstrução das artérias coronárias é parcial ou total, o sangue não tem oxigênio suficiente para o coração desempenhar adequadamente a sua função. É neste momento que ocorrem os sintomas de aperto do peito, asfixia, etc. Quando isso ocorre, existem várias alternativas terapêuticas. Entre elas está a cirurgia coronária ou cirurgia de revascularização coronária.

A cirurgia consiste em “saltar” a obstrução na artéria coronária (bypass) utilizando vasos (enxertos) do próprio paciente (veia safena ou artéria mamária, extraídos da perna e do tórax, respetivamente).

As doenças coronárias para as quais a cirurgia é indicada são arritmias, angina de peito e enfarte agudo do miocárdio.

Cirurgia De Coronária

O que é a cirurgia de revascularização do miocárdio?

Também conhecida como cirurgia de bypass coronário, o procedimento consiste em desviar o fluxo sanguíneo interrompido pela obstrução de uma artéria coronária (bypass) utilizando vasos (enxertos) do paciente, seja de uma perna (enxerto de safena) ou do tórax (artéria mamária). Geralmente é realizada nos seguintes casos:

  • Pacientes que apresentam obstrução do tronco da artéria coronária esquerda (principal vaso que dá dois ramos e que irriga todo o ventrículo esquerdo).
  • Nos casos de obstrução proximal de duas ou três artérias coronárias (coronária direita, circunflexa ou descendente anterior).
  • Em situações de obstrução proximal da artéria descendente anterior, em que é impossível realizar uma angioplastia coronária.

Ao fazer essa conexão abaixo da obstrução, é possível fornecer sangue para as áreas do coração mal irrigadas e, assim, permitir que ele recupere adequadamente.

Como é executada a cirurgia das coronárias?

O procedimento, que geralmente dura várias horas, é realizada sob anestesia geral e através de uma incisão realizada na parte anterior do tórax. Pode exigir a ajuda da circulação sanguínea extracorpórea. Com o coração do paciente parado, suturam-se os enxertos necessários nos vasos coronários. Depois de realizadas todas as conexões, a circulação sanguínea é restaurada e o tórax é fechado.

O procedimento é seguro?

Entre todos os avanços e melhorias realizadas nos últimos anos, a eficácia e a segurança do procedimento incluem:

O procedimento é realizado sem interromper a circulação, com a ajuda de dispositivos que imobilizam parcialmente o coração, permitindo a realização das suturas necessárias.

Uso de enxertos somente arteriais: É uma técnica na qual são utilizadas apenas artérias mamárias internas (encontradas em ambos os lados do esterno), com melhores resultados a longo prazo e com complicações reduzidas em pacientes diabéticos, já que não são usadas as veias das pernas.

Extração de veias safenas por videoendoscopia: método pelo qual a veia safena é retirada da perna do paciente através de uma pequena incisão, com redução de dor significativa e recuperação mais rápida.

Antes da cirurgia

A maioria dos pacientes entram no hospital no dia anterior à intervenção ou, em alguns casos, na manhã da intervenção. O paciente será solicitado tomar banho na noite anterior para reduzir a quantidade de micróbios na pele. Após a entrada no hospital, o paciente será lavado, desinfetado com um antisséptico e, se necessário, procede-se á raspagem da área a ser operada.

O risco de complicações da anestesia é menor se o paciente estiver em jejum. Desta forma, o indivíduo será instruído a não comer ou beber nada depois da meia-noite do dia anterior à cirurgia. No caso de ter comido ou bebido alguma coisa, é importante notificar o anestesista e o cirurgião.

Os fumantes serão instruídos pelo cardiologista a parar de fumar pelo menos duas semanas antes do procedimento. Fumar antes de uma intervenção cirúrgica pode desencadear problemas relacionados à coagulação do sangue e respiração.

Como é feita a recuperação

A permanência no hospital dura aproximadamente uma semana. Após a cirurgia, o paciente geralmente permanece um dia na unidade de terapia intensiva, onde será monitorada a função cardíaca. No total, a permanência hospitalar será de 5 a 7 dias.

Após a cirurgia de bypass, o paciente deve limitar o consumo de gordura e colesterol. O cardiologista geralmente aconselha o paciente a caminhar ou nadar para recuperar a força. Por vezes é recomendado um programa de reabilitação cardíaca, que ajuda o indivíduo a implementar mudanças no seu estilo de vida, como a adoção de uma nova dieta, um plano de exercícios físicos, formas que ajudem a parar de fumar e aprender a gerenciar melhor o estresse.

O objetivo desta intervenção é permitir um suprimento adequado de sangue e oxigênio ao coração para prevenir a angina de peito e reduzir o risco de infarto. No entanto, é importante o indivíduo entender que a cirurgia não impede a ocorrência de um novo bloqueio coronário. Para evitar isso, são necessárias mudanças no estilo de vida: não fumar, realizar uma dieta saudável, exercitar-se regularmente e tratar tanto a hipertensão quanto o colesterol alto.

Se o trabalho do paciente não exigir grande esforço físico, ele poderá incorporar-se novamente após 4 ou 6 semanas. Se por outro lado, ele ocupa uma posição mais exigente fisicamente, poderá necessitar de esperar mais algum tempo.

Cerca de 70 a 80% dos pacientes operados estão livres de sintomas 10 anos após a intervenção.

Quanto custa a cirurgia?

O preço da cirurgia coronária varia de acordo com alguns fatores, como a técnica cirúrgica empregada, medicação necessária, seguro de saúde do paciente, entre outros fatores. Apenas o Médico cardiologista poderá determinar com certeza o valor do procedimento após análise em consulta.

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Autores
Dr Vagner Montes (Cardiologista - CRM RJ nº 52 163890)

Cardiologista - CRM RJ nº 52 163890

Com 46 anos de experiência médica, Vagner Montes é Graduado Medicina pela Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro (EMC) desde 1972. Pós Graduado e Especialista em Cardiologia Clínica pela Escola de Pós Graduação Carlos Chagas da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, Brasil.

Com registro no Conselho Regional de Medicina CRM RJ- nº 52 163890 trabalhou na rede hospitalar pública, como médico da Força Aérea Brasileira, na Indústria Farmacêutica e atualmente atende em consultório particular, Av das Américas 8505 – Barra da Tijuca Tel – (21) 3205-8742, no consultório da Associação dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro e no Consultório Satélite da AMIL, ambos no Centro da Cidade do Rio de Janeiro.

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