Cisto de Naboth: o que é, como identificar e tratar

No colo do útero existem glândulas responsáveis pela liberação de muco – conhecidas como glândulas de Naboth. Quando esse muco se acumula, é possível que ocorra o surgimento de pequenos nódulos ou caroços benignos que recebem o nome de Cistos de Naboth (ou folículos nabothianos). Este fenômeno ocorre quando as glândulas que produzem o muco são revestidas por um tecido celular semelhante ao da pele e ficam entupidas, impossibilitando a passagem do muco e levando ao seu acúmulo. Esse muco retido gera o cisto que aparece na superfície do colo do útero e apenas pode ser visualizado através de exame ginecológico.

O diagnóstico é realizado através de exames ginecológicos, portanto, apenas o ginecologista poderá indicar o tratamento adequado. O evento é mais recorrente em mulheres jovens, que se encontram em idade fértil ou durante a gestação. Também se observa um maior número de casos em mulheres que já engravidaram.

Não existem sequelas graves associadas ao cisto de naboth, por isso as suspeitas de câncer originadas a partir do cisto ou mesmo o receio de infertilidade após o tratamento devem ser descartadas. É, de forma geral, uma lesão simples e sem efeitos colaterais.

Qual a duração? Geralmente são uma condição de longo prazo, que com o tempo podem ficar maiores.

Variantes: Cluster do túnel – um tipo especifíco de cisto de Naboth, caracterizado pela dilatação multicística complexa das glândulas endocervicais. É encontrado em cerca de 8% das mulheres adultas, 40% das quais são grávidas.

Cisto De Naboth

Sintomas e diagnóstico

Devido à sua localização e tamanho (normalmente de 2 a 10 milímetros de diâmetro), geralmente é assintomático. O seu surgimento pode significar alguma infecção recente na região do útero, por isso é importante haver acompanhamento. Normalmente costumam ser identificados através de palpação no colo do útero, durante o exame ginecológico de rotina conhecido por Papanicolau. A lesão tem uma forma redonda e cor branca fácil de visualizar durante o exame.

Se o médico tiver dúvidas sobre o diagnóstico, poderá recorrer a exames de imagem, como a colposcopia ou recolher uma amostra do tecido (biópsia) para análise em laboratório. A maioria dos casos dispensa exames posteriores, sobretudo porque se tratam de procedimentos mais invasivos para a paciente e que acabam por gerar riscos desnecessários.

Os cistos de Naboth, também conhecidos como cistos de inclusão epitelial, foram assim designados após o anatomista alemão Martin Naboth (1675-1721) ter escrito sobre eles em um tratado de 1707, intitulado De sterilitate mulierum. No entanto, já tinham sido descritos anteriormente pelo cirurgião francês Guillaume Desnoues (1650-1735).

Quais são as causas

O cisto de Naboth possui uma origem simples: o líquido acumulado devido ao “entupimento” provocado nas glândulas de Naboth. Por vezes, é causado por infecções genitais que, como forma de proteção para o corpo feminino, proporcionam uma camada fina de pele para proteger o colo do útero das bactérias. Essa proteção, por consequência, acaba por interromper a passagem natural do muco através do canal uterino, gerando o cisto.

É preciso tratar o cisto de Naboth?

São tumores benignos. Na maioria das vezes são assintomáticos e não requerem tratamento, pois acabam desaparecendo por conta própria. Embora seja raro, o cisto de Naboth pode expandir o seu tamanho. Nesses casos específicos, o ginecologista poderá remover o nódulo com o auxílio de um instrumento de calor (ablação por eletrocautério) ou mesmo com um bisturi simples.

Outro método usado é a crioterapia – em que o médico usa nitrogênio líquido para congelar e remover o cisto. No entanto, a necessidade destes procedimentos não é muito frequente.

Possíveis complicações

Não existem complicações sérias associadas a estes tumores. Podem ocorrer como uma complicação de uma histerectomia, mas geralmente não representam um grande risco à sua saúde da mulher.

Em algumas situações pode tornar doloroso ou até mesmo impossibilitar a realização do simples exame de Papanicolau, quando os cistos adquirem um grande volume ou apresentam-se em grande volume no colo do útero. Nestas situações é importante ponderar juntamente com o ginecologista a sua remoção imediata.

O fato de poderem estourar e estarem cheios de muco, pode ser também um problema. Não é incomum ocorrer descarga, odor e sangramento quando rompem. Caso ocorra, é importante consultar o médico.

Houve um caso raro de um grande cisto de naboth que foi confundido com um tumor maligno, levando a mulher a ser encaminhada para uma histerectomia. Felizmente, o crescimento foi corretamente identificado após realizada uma ultra-sonografia, onde foi drenado e removido com sucesso.

Durante a gravidez

A maioria dos cistos de Naboth são identificados por acidente durante exames rotineiros de gravidez. É bastante comum o seu sesenvolvimento durante a gravidez.

Normalmente o colo do útero está aberto para permitir que o fluido menstrual passe do útero para a vagina, e que o espermatozoide entre no útero através da vagina. Durante a gravidez, o colo do útero fecha para manter o feto em desenvolvimento dentro do útero. Após o bebê nascer, crescem novos tecidos sobre as glândulas mucosas. Num processo que recebe o nome de “metaplasia“, as células da pele produzem-se em quantidades excessivas e impedem o muco de sair das glândulas. Com o tempo, origina-se a formação destes cistos.

Sempre que a mulher suspeite de um cisto anormalmente grande no colo do útero enquanto estiver grávida, notar dor durante a relação sexual, sangramento anormal ou corrimento, é importante consultar o ginecologista para diagnosticar e sugerir o melhor tratamento.

A importância do exame ginecológico de rotina

Como ficou claro, o acompanhamento de rotina é imprescindível para o correto diagnóstico e acompanhamento do cisto. As mulheres devem manter a saúde genital como uma prioridade, sobretudo para que seja possível identificar a tempo doenças mais graves.

No caso do cisto de Naboth, o diagnóstico médico serve não apenas para observar o cisto mas também para tentar perceber se ele foi originado por alguma infecção recente. Se for esse o caso, deve ser realizado o tratamento da infecção, para garantir o bem estar da paciente.


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