Como identificar e tratar o Cisto no Ovário

Atualizado e Revisado por Dr Wesley Timana (Ginecologista e Obstetra - CRM-PR -30998) a 09/08/2019. Publicado originalmente em 10 de maio de 2011

O cisto no ovário é um dos problemas mais frequentemente diagnosticados em consulta ginecológica. No entanto, entenda que a maioria é benigna e não deve ser motivo de preocupação. Geralmente não causam sintomas e a maioria dos casos são identificados “por acaso” em testes de rotina. No entanto, a presença de dor pélvica (se a mulher não tiver menstruando); dor súbita durante a relação; ou quando a menstruação se torna dolorosa quando antes não o era, podem ser sinais da presença de cistos avarianos.

Estes cistos são uma espécie de bolsa ou reservatório de fluidos. Nos ovários, eles podem aparecer tanto na área interna do órgão quanto na região externa. Quando isso acontece, a mulher costuma manifestar problemas para ter filhos, sangramentos fora do período menstrual e dores na área da pélvis. Neste Guia vamos ficar a saber como identificar e tratar o cisto no ovário e, assim, impedir que a paciente corra riscos desnecessários.

Este conteúdo tem o objetivo de educar a mulher sobre os tipos, os principais sinais de alerta, e mostrar como é feito o tratamento, mas não substitui o conselho de um médico.

Os cistos ovarianos geralmente são benignos. A maioria dos casos desaparece naturalmente. O tratamento, quando necessário, é usado para aliviar o desconforto causado pelo seu crescimento. Geralmente ocorrem em mulheres com idades entre os 15 e 35 anos.

Cisto no Ovário

É possível engravidar com cisto no ovário?

Embora não chegue a tornar a mulher infértil, os cistos ovarianos podem diminuir significativamente as chances de ela engravidar. Quando esta dificuldade ocorre é importante a mulher realizar a terapia indicada pelo ginecologista, para o organismo retomar o ritmo de síntese hormonal ideal, essencial para que a concepção ocorra.

No entanto, apesar de ser plenamente possível que a mulher com cisto no ovário engravide, estes casos devem ser acompanhados pelo ginecologista ou obstetra bem de perto, pois existe maior risco de problemas. A gravidez ectópica é uma das possíveis complicações.

Tipos de cistos no ovário

Os cistos nos ovários são subdivididos nos seguintes tipos:

Cisto de corpo lúteo: Extremamente comum, essa variação acontece depois do óvulo ser liberado para a fecundação. Em geral, é um tipo de cisto que desaparece do organismo de forma natural. As dimensões desta bolsa pode chegar a 4 cm. Normalmente, eclode durante a penetração peniana. A cirurgia (laparoscopia) para a remoção só é recomendada nos casos em que a mulher exibe os seguintes sintomas:

  • hipotensão;
  • intensificação do ritmo cardíaco;
  • dor profunda.

Cisto folicular: Se o óvulo não for liberado no decorrer do período fértil da mulher ou se ela não conseguir sequer ovular, existe o risco de aparecimento da variante folicular. Essa variação não costuma causar complicações, dispensando a realização de qualquer terapia. O tamanho varia entre 2 cm a 10 cm, e geralmente desaparece em cerca de 2 meses.

Cisto hemorrágico: Ocorre quando as extremidades da bolsa começam a sangrar, causando dores na região pélvica.

Cisto de teca-luteína: Forma bem insólita de quisto, geralmente resulta do uso de medicamentos que estimulam a fertilização.

Endometrioma: É caracterizado pelo desenvolvimento do endométrio nos ovários e deve ser removido com tratamento medicamentoso. Em alguns casos exige a necessidade de uma intervenção cirúrgica.

Fibroma do ovário: Trata-se de uma variedade de tumor. Mais frequente durante a menopausa, este pode atingir uns incríveis 23 kg. O tratamento de remoção é cirúrgico.

Cisto adenoma: Nestes casos, a mulher precisa passar por uma laparoscopia, procedimento usado na sua remoção. O diagnóstico do cisto, neste caso, benigno, pode ser confirmado através de exames de sangue, ultrassonografia ou laparoscopia.

As pílulas anticoncepcionais são úteis para evitar a formação de cistos foliculares — aqueles ligados à ovulação. O uso de alguns analgésicos, como a Dipirona, ajuda a amenizar as dores. A aplicação de compressas (com água morna) pode igualmente aliviar o incómodo no local.

Quando as dores atingem níveis exagerados a mulher precisa consultar o ginecologista e realizar uma ultrassonografia. A ultrassonografia ajuda o médico a descobrir se o cisto se rompeu ou se expandiu. Conforme a análise do exame, a mulher pode ser encaminhada para uma cirurgia de remoção.

Quais os Sintomas de cisto no ovário

Geralmente são assintomáticos. No entanto, quando atingem um tamanho superior a 3 cm podem manifestar problemas na paciente, que podem ser observados através dos seguintes sintomas:

  • hipersensibilidade mamária;
  • sensação de desconforto no decorrer do processo de ovulação;
  • dores durante a penetração peniana;
  • dores na região de localização do cisto no ovário atingido;
  • menstruação tardia;
  • problemas para engravidar;
  • sangramentos nos intervalos dos ciclos menstruais;
  • ganho de peso devido às oscilações da concentração de hormônios.

Para confirmar a presença de um ou mais cistos no ovário, o médico pode apalpar a região da pélvis ou recorrer aos seguintes procedimentos:

  • ressonância magnética;
  • ultrassom transvaginal;
  • tomografia computadorizada.

Para descartar a possibilidade de gravidez nas trompas (gravidez ectópica), o ginecologista também pode realizar um teste de gravidez. Nesse exame, o objetivo é verificar a taxa de Beta HCG e identificar a variedade cística sob análise.

Uma vez identificado o cisto, realiza-se um exame de sangue para avaliar os valores do CA 125, que não podem ultrapassar os 35 mUL. Valores acima disso podem indicar a existência de um tumor maligno, ou seja, um câncer de ovário

Sinais de alerta

Em casos de torção do ovário, a mulher precisa ser submetida a uma intervenção cirúrgica o mais rapidamente possível. Esse tipo de complicação causa os seguintes sintomas:

  • náuseas;
  • vômito;
  • dores em uma das laterais da região abdominal — normalmente suavizadas após a aplicação de compressas preparadas com água quente.

A avaliação desses quadros exige máxima atenção, pois os sintomas podem enganar o parecer médico. Isso acontece devido à semelhança do quadro sintomático com os casos de apendicite. Seja como for, ambas as situações requerem atendimento médico de urgência.

Vale ressaltar que o risco de torção ovariana está atrelado aos cistos excessivamente grandes, ou seja, com tamanho acima de 8 cm. Além disso, se a mulher iniciar a gestação com um cisto grande no ovário, a probabilidade de sofrer uma torção no órgão aumenta.

Nesses casos, o problema costuma acontecer após a 10º semana de gravidez. É nesse período que o útero se expande e tende a afastar o ovário, que termina por se torcer.

Cisto no ovário pode ser câncer?

É sempre bom lembrar que os cistos ovarianos não são tumores malignos, mas sim benignos. O procedimento cirúrgico de remoção só costuma ser adotado nos casos de maior gravidade.

Trata-se daqueles quadros caracterizados por cistos de grandes proporções. A ruptura desse tipo de cisto pode resultar em consequências drásticas para a paciente. Se a mulher se queixar de muitas dores no local do cisto, o médico também deve ficar atento para tentar prever uma possível complicação mais séria.

Quando se manifesta, o câncer ovariano atinge a mulher com idade superior a 50 anos de idade. Os registros dessa doença em pacientes com idade inferior a 30 anos são muito baixos. Além disso, os cistos que são tumores malignos costumam reunir algumas particularidades, como o tamanho excessivo e uma camada grossa.

Como comentado anteriormente, as altas taxas de CA 125 costumam revelar a existência de um tumor maligno. No entanto, vale frisar que o endometrioma também eleva esse índice. Portanto, é necessária alguma cautela médica antes da confirmação do diagnóstico positivo para câncer no ovário.

Tratamento para cisto no ovário

Conforme exposto ao longo do artigo, o cisto no ovário tende a ser uma condição médica razoavelmente tranquila. Quando não causam desconforto, não comprometem a fertilidade e não apresentam risco de malignidade, geralmente não necessitam de ser tratados. Apenas devem ser controlados para avaliar a sua evolução.

Na maioria das vezes, desaparecem espontaneamente. Apesar desse cenário favorável, é importante que as mulheres fiquem atentas às sensações de desconforto na região. Qualquer anomalia deve ser prontamente comunicada ao especialista habilitado, o ginecologista.

Quando existe necessidade de tratamento, uma das abordagens mais usadas consiste na prescrição de pílulas anticoncepcionais. O tratamento com pílulas anticoncepcionais geralmente visa regular a menstruação, pois pode diminuir o crescimento dos cistos já presentes ou impedi-los de se multiplicar. Mas nem sempre é necessário.

Contudo, há grandes chances desses medicamento causarem reações adversas, o que pode levar a paciente a necessitar de remover o cisto através de cirurgia.

O intuito do procedimento é o de justamente preservar a saúde do ovário, substancial para que a mulher consiga ovular e, consequentemente, engravidar. Infelizmente, no entanto, a retirada do ovário pode se tornar inevitável. Isso acontece quando o cisto atinge um tamanho desproporcional em relação ao ovário, evolui para um câncer ou ocasiona uma torção no órgão.

Tratamento natural para cisto no ovário

A alimentação pode ajudar a aliviar os sintomas associados à presença dessas bolsas fluídicas nos ovários. Para realizar a uma dieta que seja favorável, a paciente deve reduzir bastante o consumo de alimentos ricos em açúcar. Com isso, o organismo diminuirá a taxa de resistência à insulina, um dos aspectos relacionados à SOP (Síndrome do Ovário Policístico).

Essa medida também diminui o risco de desenvolvimento do diabetes. A taxa de resistência à insulina é proporcional à propensão do indivíduo em ingerir açúcar. O consumo excessivo de carboidrato elevada a concentração de gordura abdominal, o que por sua vez eleva novamente a taxa de resistência insulínica. Em outras palavras, tem-se um círculo vicioso.

Outra recomendação, ainda mais relevante no que tange aos cistos nos ovários, refere-se ao consumo de até 2 copos de leite de soja por dia. Esse hábito ajuda a mulher a reequilibrar as concentrações de testosterona e estrogênio. O desiquilíbrio entre essas taxas é a principal causa de cistos no ovário. Se preferir, a paciente pode trocar o leite de soja por 30g de linhaça.

Uma dica igualmente útil é ampliar o consumo de alimentos concentrados nas vitaminas A e E, como:

  • mamão;
  • abóbora;
  • sementes de girassol;
  • cenoura;
  • manga;
  • espinafre;
  • brócolis.

A priorização de um cardápio mais balanceado com todos os alimentos listados pode ajudar a tratar o cisto de forma natural. No entanto, a adoção de qualquer dieta precisa passar pelo crivo médico. Isso significa que a paciente deve manter o médico bem informado sobre todos os hábitos de vida mantidos por ela no decorrer do tratamento.

Veja também: Remédio caseiro para cisto no ovário

Foto

Foto de cisto no ovário

Continuação » Os Cistos de Ovário São Perigosos? Pode ser Cancerígeno?

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Autores
Dr Wesley Timana (Ginecologista e Obstetra - CRM-PR -30998)

Ginecologista e Obstetra - CRM-PR: 30998 , RQE Nº: 20428 | CRM-SC: 24905 , RQE Nº: 15506

O Dr. Wesley Jose Timana Yovera é um médico jovem e carismático formado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná com especialização em ginecologia e obstetrícia pela Santa Casa de Misericórdia de Curitiba.

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Desenvolveu já no início da sua carreira o Espaço Timana - uma clínica voltada ao atendimento de excelência. Sempre multiconectado e influente no Facebook e Instagram, possui mais de 3 milhões de visualizações no YouTube, com vídeos que trazem ao público informação de qualidade dentro do universo feminino.

Selecionado por diversos projetos como médico do futuro sempre assiste as mulheres com respeito, carinho e atenção. É adepto da Slow Medicine (Medicina Sem Pressa) - uma forma humanizada de fazer medicina que aproxima pacientes e profissionais da saúde.

Com registro no Conselho Regional de Medicina do Paraná n° 30.998, atende atualmente em consultório particular, Av. Visconde de Guarapuava, 2764 - Centro - Curitiba - Tel. (41) 3503-9333 / 9.9995-5117.

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Última atualização da página em 09/08/19