-->Cisto pilonidal: o que é, tratamentos, causas e complicações

Cisto pilonidal: o que é, tratamentos e causas

Publicado em 28/04/2011. Revisado por Dr Daniel Dourado (Dermatologista - CRM: 46.608 / RQE: 32.368) a 12 março 2019

O que é? O cisto pilonidal, também conhecido como doença pilonidal ou abscesso pilonidal é o mais frequente dentro da classe dos cistos dermoides – que acometem também outras regiões do corpo, como nariz, orelhas e pescoços. No caso do cisto pilonidal, é uma inflamação que atinge os pelos existentes no espaço entre uma nádega e outra, no final da coluna. Por conta do maior número de pelos existentes, os homens sofrem mais com a doença. A estimativa é de que, a cada cem mil pessoas, 26 apresentem esse problema. Quanto maior é a quantidade de pelos de uma pessoa, maior é o risco.

Cisto Pilonidal Ou Fístula Sacral

O que causa o desenvolvimento do cisto nesta região

Ainda que seja conhecido como “cisto” é, na verdade, um fragmento embrionário da pele. Ainda durante a gestação, o embrião forma excessos de pele – conhecidos como “dobras” – em algumas zonas do corpo, no entanto, com a evolução embrionária, esses excessos são eliminados. Alguns, porém, mantém-se no interior da pele. Se forem suficientemente grandes para inflamarem, causam os conhecidos cistos dermoides.

Os especialistas ainda não conseguiram chegar a um consenso sobre a causa específica do cisto pilonidal, mas acredita-se que são causados pelo crescimento dos pelos no interior da pele, na dobra existente no meio das nádegas (região sacral, no final da coluna).

Fatores de risco

A cada quatro pessoas que desenvolvem a doença, três são homens. O problema também acomete, em sua maioria, pessoas jovens. Além disso, o cisto pilonidal também é mais frequente em pessoas que estão acima do peso (principalmente em casos de obesidade), indivíduos com os pelos grossos na área interglútea e glútea, pessoas que utilizam roupas muito justas ou pessoas que passam muito tempo sentadas durante o dia. Outros fatores de risco incluem:

  • História pessoal ou familiar de problemas semelhantes (por exemplo, acne, furúnculos, abscessos, foliculite, etc.).
  • Infecção no cóccix.
  • Andar a cavalo, andar de bicicleta .
  • Lesões (inchaços) na região glútea.
  • Transpiração excessiva.

Sintomas do cisto pilonidal

Há raros casos assintomáticos que mostram apenas um pequeno abscesso na região sacral, próxima ao ânus. De forma geral, os sintomas mais relatados envolvem dor na parte inferior da coluna, inchaço e vermelhidão na região anal, apresentação de pus e presença de pelos no local. A depender da gravidade da inflamação, podem surgir novos orificios, levando por vezes à eliminação espontânea do pus contido na região.

Quando procurar ajuda médica

Com a presença dos sintomas descritos acima, é importante o indivíduo consultar um médico. Um clínico geral, dermatologista ou ortopedista são os profissionais que poderão diagnosticar, indicar as medidas iniciais e encaminhar o paciente a um coloproctologista ou proctologista.

Na consulta médica

Algumas medidas podem otimizar a consulta e facilitar o diagnóstico médico, por isso tenha sempre em mente as recomendações a seguir:

  • Faça uma lista com todos os sintomas que surgiram nos últimos dias, mesmo os que aparentemente não possuem ligação direta com o caso.
  • Indique ao médico a existência de doenças pré-existentes e possíveis alergias a medicamentos.
  • Apresente a região de maior dor e conte ao médico se tomou algum medicamento para tentar aliviar os sintomas.
  • Tente ser o mais fiel possível aos níveis de dores existentes: não exagere e nem amenize sintomas!

Como é realizado o diagnóstico

Após um exame físico e uma pesquisa acerca do histórico familiar do paciente, o especialista poderá indicar um diagnóstico. Se as dúvidas persistirem, o médico poderá também solicitar uma biópsia para realizar uma análise detalhada do cisto, no entanto, a biópsia somente é realizada após a remoção cirúrgica do mesmo.

Como é feito o tratamento

A solução deste problema se dá, na maior parte dos casos, por via cirúrgica. Os antibióticos não conseguem resolver o problema de forma definitiva, camuflando apenas os sintomas que logo voltam a aparecer. É um procedimento simples e de fácil recuperação para o paciente.

Por vezes existe também a necessidade de administrar medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos (que devem ser prescritos pelo médico).

Há divergências sobre os tratamentos mais eficazes, mas a grande maioria dos médicos recorre às cirurgias de remoção, pois são raros os casos em que os cistos se curam apenas após a drenagem do conteúdo purulento.

Métodos cirúrgicos: Existem duas técnicas utilizadas para a resolução do problema. Na primeira, todo o cisto é removido. Os resultados são bons, mas a recuperação é longa, visto que há uma grande zona a ser cicatrizada.

O segundo método implica numa pequena incisão com curetagem. Atualmente é o método mais indicado, pois a recuperação tende a ser mais rápida e satisfatória, diminuindo os riscos de infecção pós-cirúrgica por conta da demora na cicatrização.

Como fazer o curativo

Após o procedimento cirúrgico o curativo é aplicado e mudado diariamente, sendo realizada a lavagem da ferida com soro fisiológico e a ajuda de um algodão para limpar o orifício. No fim, coloca-se uma nova gaze para proteger a região. Este método permite a cicatrização uniforme do orifício.

Quando a fenda estiver quase fechada, não existe necessidade de usar uma gaze para a proteger, mas é muito importante haver cautela ao fazer o curativo, para evitar a presença de pelos soltos na ferida, que podem originar uma nova infecção.

Tratamento caseiro

Embora a única forma de se livrar do cisto seja através de um procedimento cirúrgico, existem algumas coisas que podem ser realizadas em casa para aliviar a dor, coceira e o desconforto presentes.

Tente aplicar uma compressa úmida e quente no cisto algumas vezes por dia. O calor ajuda na remoção espontânea do pus, permitindo que o cisto seja drenado.

Outra sugestão será mergulhar a área afetada em água morna durante alguns minutos. Por exemplo, pode realizar um banho de assento. Veja aqui outros remédios caseiros.

O cisto tem cura?

Na maioria dos casos, após a cirurgia e o período de recuperação, o problema fica resolvido. Em raras exceções, no entanto, o cisto pilonidal pode retornar, por isso é fundamental o acompanhamento do especialista no período após a cirurgia.

Que complicações pode causar

Quando um cisto pilonidal infectado de forma crônica é deixado sem tratamento ou não é tratado da maneira adequada, existe um maior risco de ocorrer um tipo de câncer de pele chamado «carcinoma espinocelular». Felizmente, a degeneração maligna do cisto é rara, mas pode ocorrer. O tratamento nestes casos geralmente é feito através de ressecção cirúrgica e radioterapia.

Como prevenir

Ainda que seja uma doença teoricamente imprevisível, alguns fatores podem contribuir significativamente para a prevenção dos cistos pilonidais. São eles:

  • Higiene adequada das regiões sacral e anal
  • Cuidado com o acúmulo excessivo de pelos na região anal – remova-os para evitar infecções.
  • Intercalar longos períodos sentados com breves caminhadas
  • Os banhos de assento são eficazes na prevenção deste tipo de infecções.
  • Usar roupas largas.
  • Utilizar roupas de fibras naturais que permitem a respiração corporal
  • Praticar atividades físicas para evitar o acúmulo de gordura.

Fotos

Clique para ver as imagens completas. Nota: as imagens podem ser chocantes para algumas pessoas.

cisto pilonidal

imagem de cisto pilonidal depois de removido

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Autores
Dr Daniel Dourado (Dermatologista - CRM: 46.608 / RQE: 32.368)

Dermatologista - CRM: 46.608 / RQE: 32.368

O Dr. Daniel Seixas Dourado é Graduado em Medicina pela Universidade Severino Sombra – RJ – 2007. Para além disso possui:

- Especialização em Dermatologia: Hospital Eduardo de Meneses (FHEMIG) – 2009.

- Pós-Graduação Lato-Sensu em Medicina e Cirurgia Aplicada a Estética: CEMEPE – Belo Horizonte – 2010.

- Título de especialista em Dermatologia: Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e pela associação médica brasileira – AMB.

- Especialização em cirurgia da restauração capilar: Facultè de médecine Pierre et Marie de Curie de Paris / France – 2014.

- É membro titular da sociedade brasileira de dermatologia – SBD.

- Membro titular da sociedade brasileira de cirurgia Dermatológica (SBCD).

- Membro da associação brasileira de cirurgia e restauração capilar- ABCRC.

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