Clinica de Todos os Santos

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Criada em 1973 a partir de um sonho de um cirurgião plástico, a Clínica de Todos os Santos foi a primeira a ter um bloco operatório com salas de atmosfera pressurizada e uma Unidade de Tratamento Intensivo de Queimados.

Foi também nesta instituição que, pela primeira vez em Portugal, se fez uma intervenção de microcirurgia do plexo-braquial. Se nos hospitais a cirurgia plástica reconstrutiva e estética aparece no fim de linha, neste caso, ela foi a mãe de todas as outras especialidades hoje presentes na clínica.

Um exemplo de pioneirismo. Entre muitas outras, esta é, sem dúvida, uma das características da Clínica de Todos os Santos, inaugurada a 1 de Novembro de 1973, precisamente no Dia de Todos-os-Santos. O Dr. José Baptista Fernandes, do Conselho de Administração da Clínica, conta que esse pioneirismo teve origem no seu Pai.

«Embora estes projectos tenham sempre uma componente financeira agregada, este não teve no pensamento a vertente negócio, mas muito mais o amor à arte e à ciência, e simultaneamente preencher a lacuna existente no nosso País na área desta cirurgia.» O nome deste espaço, para além de ter ligação com o dia em que foi inaugurado, procura homenagear e relembrar o nome do célebre Hospital Real de Todos os Santos, pretendendo
ainda manter aceso o espírito vanguardista que marcou esta unidade até ao seu desaparecimento em 1 de Novembro de 1755.

Em Portugal, a clínica apresentou-se como o primeiro Centro de Cirurgia Plástica Reconstrutiva e Estética, tendo como actividade principal os diferentes ramos desta especialidade, entre os quais a cirurgia Crânio-Maxilo-Facial, a Cirurgia da Mão, toda a Cirurgia Estética e o tratamento de Queimaduras e Malformações Congénitas.

Unidade Oncoplástica da Mama

Agora apostada em estar sempre na linha da frente, a Clínica de Todos-os-Santos tem na Cirurgia Oncoplástica da mama uma das suas mais fortes apostas.

O Prof. Manuel Caneira, colaborador médico desta Unidade, refere que a ideia foi a de criar, fora do Serviço Nacional de Saúde, uma infra-estrutura em que a mulher com cancro da mama tivesse à sua disposição todas as vertentes do tratamento oncológico. Com mais detalhe, Manuel Caneira salienta que este trabalho do foro oncológico constitui um desafio para a Clínica, de tão vastas que são as valências necessárias.

«Esta situação é muito heterogénea e grande parte do sucesso passa por um bom apoio psicológico desde início, e ao mesmo tempo procura centralizar todos os cuidados necessários para este tipo de doença.»

Nesta unidade, é realizado um estudo da neoplasia, de modo a esclarecer a necessidade de cirurgia, e em caso afirmativo qual o tipo específico de cirurgiões que procede à intervenção.

Nesta fase preliminar, é também estudada a necessidade de quimioterapia, de radioterapia, sendo que ambos são procedimentos que exigem meios terapêuticos adequados, bem como outro tipo de médicos e técnicos.

Manuel Caneira acrescenta que «é também pensada a parte respeitante à reconstrução mamária, que será a parte final de todo o processo, e exige um grupo de intervenção profissional específico, nunca sendo negligenciado o apoio constante que estas situações exigem».

Com esse propósito, foi mesmo criada a figura da breast nurse, uma enfermeira que recebe a doente, a orienta nas suas diferentes necessidades, funcionando como ponto de referência em pedidos de ajuda e esclarecimento de dúvidas.

O cirurgião plástico da Unidade Oncoplástica da Mama revela que outras necessidades vão sendo articuladas:
«É o caso da fisioterapia, um forte apoio psicológico. Procuramos que todas essas valências estejam integradas numa só unidade, em que a mulher não se sinta perdida em busca dos melhores cuidados.»

Não menos importante é o trabalho de laboratório e genética e também esse a Unidade tem condições para oferecer, estudando do ponto de vista familiar e cromossómico as perturbações genéticas que existam e possam conduzir a outras terapêuticas.

Neste trabalho global e de equipa, Manuel Caneira acrescenta que não está posta de parte a colaboração com diversos profissionais e diversos locais, no sentido de dar uma melhor resposta à doente.

«Toda a actividade cirúrgica e de consulta desenrola-se na clínica. No entanto, o apoio da radioterapia é feito no Centro Natália Chaves, com quem temos um protocolo e onde a quimioterapia é feita em excelentes condições. A filosofia é trabalhar de uma forma integrada, com reuniões de grupo, discussão dos casos clínicos e planeamento da terapêutica caso a caso.

Esta filosofia parecenos facilitar a vida das mulheres e, ao mesmo tempo, possibilita-lhes todas as valências que elas necessitam para a resolução dos seus problemas.»

Os profissionais que diariamente lidam com estes cenários destacam que outro ponto forte no interior da Unidade Oncoplástica da Mama é a colaboração estreita entre o cirurgião plástico e o cirurgião oncológico no planeamento e tratamento que é feito pelas duas equipas cirúrgicas. «Os cirurgiões plásticos não entram só em acção depois de todo o processo já ter decorrido. Muitas vezes, estas cirurgias, a nível hospitalar, costumam ser desfasadas.

Ou seja, primeiro actua a cirurgia oncológica, que trata a parte tumoral, e só depois entra a cirurgia plástica, para início de reconstrução. Neste caso, como o próprio nome indica, o conceito de cirurgia oncoplástica reside na possibilidade da vertente plástica estar englobada na componente oncológica. No mesmo acto cirúrgico, a doente é operada ao tumor e logo de imediato inicia-se o primeiro passo na reconstrução mamária».

Depois de passadas duas gerações de cirurgiões plásticos, o administrador da clínica alega que «o facto de estar em actividade a terceira geração só confirma a qualidade que a clínica procura, no âmbito do objectivo de crescer dentro da especialidade».

Em termos de futuro, as perspectivas passam pelo avanço em relação à cirurgia plástica, depois de anos consecutivos marcados pela modernidade.

Contactos:

Clínica de Todos Os Santos
Rua Gonçalves Crespo 39, 1169-084 Lisboa

Mapa: