Clitóris: o que é, função e doenças que afetam o órgão

Conteúdo revisado por Drª Camille Rocha Risegato. Última Atualização: 23/06/21

O que é? O clitóris é o órgão sexual feminino localizado no interior da vagina e visível desde a parte superior da vulva, embora cubra todo o períneo feminino.

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O seu nome vem da palavra grega Kleitoris, traduzida como pequena montanha. É o único órgão que a mulher possui dedicado exclusivamente a proporcionar prazer. Para consegui-lo ele é formado por milhares de vasos sanguíneos, glândulas e terminações nervosas que executam a mesma função que o pênis. No entanto, neste caso, o clitóris não tem funções reprodutivas, nem participa na secreção de urina. A sua única função é dedicada ao prazer sexual da mulher.

Através da sua estimulação, a mulher pode atingir o orgasmo, se for encontrado um eixo interno, chamado ponto G, que o ativa.

O Que é O Clitóris

Estrutura

O clitóris é rodeado por órgãos e zonas que interferem na reprodução. Os mais importantes são o meato uretral, estrutura pela qual se acede a uretra, formado por inúmeras terminações nervosas que, ao estimuladas, proporcionam prazer em algumas mulheres. Junto do clitóris também se encontra o Monte de Vênus, que permite o acesso à zona genital e constitui o limite até atingir a vulva.

O clitóris está localizado na região superior da vulva. O órgão está unido aos pequenos lábios e permanece parcialmente coberto por eles. Consiste nas seguintes estruturas:

Glande: Tem a forma de um botão no qual estão localizadas todas as terminações nervosas que possibilitam à mulher alcançar o prazer sexual e o orgasmo. É a região mais sensível do corpo feminino. Quando a mulher fica excitada, o tamanho da glande pode aumentar o seu tamanho e, em alguns casos, pode ser vista entre as dobras dos pequenos lábios.

Tronco: O tronco também pode ser chamado de corpo (pela semelhança com a sua aparência). Esta zona consiste em dois corpos cavernosos que permanecem unidos até o osso púbico. No final dos corpos cavernosos o corpo leva a dois caminhos, chamados de raízes, que são bandas finas de tecido eréctil que cobrem o corpo, os ossos que formam o púbis e rodeiam a vagina e a uretra, até ao início do reto e da vagina. Junto a estas raízes encontra-se uma região conhecida como bulbos do vestíbulo, uma zona fortemente vascularizada.

Todas as estruturas que compõem o clitóris caracterizam-se por conter milhares de nervos e serem áreas extremamente sensíveis e erógenas. Quando a mulher está sexualmente excitada, o sangue estende-se pelo tecido erétil, glande, e os bulbos aumentam de tamanho. A partir desse momento desencadeiam-se uma série de reações que dilatam e endurecem todas essas zonas, e enviam ao cérebro estímulos químicos que aumentam a sensação de bem-estar na mulher. Se a estimulação do órgão for mantida, a mulher atinge o orgasmo.

A história do clitóris

O órgão desde sempre foi desvalorizado pela medicina no que diz respeito ao estudo do trato reprodutivo da mulher, onde a protagonista sempre foi a vagina, pelo seu papel central na reprodução da mulher.

Em algumas culturas, como a África, Ásia e América do Sul, o clitóris foi lesado durante anos através de práticas e costumes que causaram um impacto extremamente negativo sobre o órgão. Nestas culturas é frequente a ablação genital, que consiste na mutilação parcial ou total do clitóris e dos órgãos sexuais externos femininos. A circuncisão é realizada em meninas de tenra idade e é considerada parte de um ritual que serve de iniciação à fase da puberdade. O único propósito desta prática é garantir que a mulher chegue virgem ao casamento e não descubra o prazer sexual e o orgasmo.

Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) luta para erradicar esta prática que ainda é realizada em mais de metade do continente africano. Para dar maior visibilidade a este tema, a OMS criou no dia 6 de fevereiro o Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.

Distúrbios do Clitóris

Tal como a maioria dos órgãos, o clitóris também está sujeito a alguns distúrbios e infecções. É importante a mulher estar alerta a sinais como dor, inchaço, coceira, inflamação (clitorite), falta de sensibilidade, ou até mesmo quando o clitóris parece excessivamente grande, já que, nestes casos pode se tratar de um hematoma clitoriano.

Os sintomas mais comuns no clitóris incluem:

  • Dor que ocorre devido à prática de masturbação ou relações vigorosas.
  • Coceira que ocorre devido a reações a sabonetes, loções, e produtos de higiene íntima no geral.
  • Dor ou coceira causada por lesões presentes no próprio clitóris ou na vulva, causadas por infecções fúngicas como a candidíase ou a herpes genital.
  • Dor e / ou coceira relacionada ao câncer vulvar, doenças sexualmente transmissíveis.

A maioria dos distúrbios ou infecções do clitóris podem ser tratados com o auxilio de pomadas ou antibióticos. É importante mulher estar atenta a alguns sintomas. Situações graves como a presença de melanomas ou outros tipos de câncer, geralmente iniciam-se com a presença de caroços ou inchaços no local. Em caso de dúvida é importante a mulher consultar o ginecologista para identificar o problema.


Outras Referências
  • Katz VL. Reproductive anatomy: Gross and microscopic, clinical correlations. In: Lentz GM, Lobo RA, Gershenson DM, Katz VL. eds. Comprehensive Gynecology. 6th ed. Philadelphia, PA: Elsevier Mosby; 2012: chap 3.
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  • O’connell HE, Sanjeevan KV, Hutson JM. Anatomy of the clitoris. The Journal of urology. 2005 Oct 31;174(4):1189-95.
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    Jones RE, Lopez KH. Human reproductive biology. Academic Press; 2013 Sep 28.
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  • Oakley SH, Mutema GK, Crisp CC, Estanol MV, Kleeman SD, Fellner AN, Pauls RN. Innervation and histology of the clitoral-urethal complex: a cross-sectional cadaver study. J Sex Med. 2013 Sep;10(9):2211-8.
  • The World Health Organization. Female genital mutilation fact sheet. Jan 2018.
Autores
Drª Camille Rocha Risegato

Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093

Dra Camille Vitoria Rocha Risegato - CRM SP nº 119093 é formada há 14 anos pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro.

> Consultar CRM (Fonte: https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59)

Dra Camille mudou-se para São Paulo onde realizou e concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (RQE nº 25978) no Centro de Referência de Saúde da Mulher no Hospital Pérola Byington em 2007.

Em 2008 se especializou em Patologia do Trato Genital Inferior nesse mesmo serviço. Ainda fez curso de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia na Escola Cetrus.

Trabalha em setor público e privado, atendendo atualmente em seu consultório médico particular situado na Avenida Leoncio de Magalhães 1192, no bairro do jardim São Paulo, zona norte de São Paulo.

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