Clitóris: o que é, função e doenças que afetam o órgão

Publicado em 15/01/2019. Revisado por Dr Wesley Timana (Ginecologista e Obstetra - CRM-PR -30998) a 15 janeiro 2019

O que é? O clitóris é o órgão sexual feminino localizado no interior da vagina e visível desde a parte superior da vulva, embora cubra todo o períneo feminino.

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O seu nome vem da palavra grega Kleitoris, traduzida como pequena montanha. É o único órgão que a mulher possui dedicado exclusivamente a proporcionar prazer. Para consegui-lo ele é formado por milhares de vasos sanguíneos, glândulas e terminações nervosas que executam a mesma função que o pênis. No entanto, neste caso, o clitóris não tem funções reprodutivas, nem participa na secreção de urina. A sua única função é dedicada ao prazer sexual da mulher.

Através da sua estimulação, a mulher pode atingir o orgasmo, se for encontrado um eixo interno, chamado ponto G, que o ativa.

O Que é O Clitóris

Abaixo você tem um índice com todos os pontos que discutiremos neste artigo:

Estrutura

O clitóris é rodeado por órgãos e zonas que interferem na reprodução. Os mais importantes são o meato uretral, estrutura pela qual se acede a uretra, formado por inúmeras terminações nervosas que, ao estimuladas, proporcionam prazer em algumas mulheres. Junto do clitóris também se encontra o Monte de Vênus, que permite o acesso à zona genital e constitui o limite até atingir a vulva.

O clitóris está localizado na região superior da vulva. O órgão está unido aos pequenos lábios e permanece parcialmente coberto por eles. Consiste nas seguintes estruturas:

Glande: Tem a forma de um botão no qual estão localizadas todas as terminações nervosas que possibilitam à mulher alcançar o prazer sexual e o orgasmo. É a região mais sensível do corpo feminino. Quando a mulher fica excitada, o tamanho da glande pode aumentar o seu tamanho e, em alguns casos, pode ser vista entre as dobras dos pequenos lábios.

Tronco: O tronco também pode ser chamado de corpo (pela semelhança com a sua aparência). Esta zona consiste em dois corpos cavernosos que permanecem unidos até o osso púbico. No final dos corpos cavernosos o corpo leva a dois caminhos, chamados de raízes, que são bandas finas de tecido eréctil que cobrem o corpo, os ossos que formam o púbis e rodeiam a vagina e a uretra, até ao início do reto e da vagina. Junto a estas raízes encontra-se uma região conhecida como bulbos do vestíbulo, uma zona fortemente vascularizada.

Todas as estruturas que compõem o clitóris caracterizam-se por conter milhares de nervos e serem áreas extremamente sensíveis e erógenas. Quando a mulher está sexualmente excitada, o sangue estende-se pelo tecido erétil, glande, e os bulbos aumentam de tamanho. A partir desse momento desencadeiam-se uma série de reações que dilatam e endurecem todas essas zonas, e enviam ao cérebro estímulos químicos que aumentam a sensação de bem-estar na mulher. Se a estimulação do órgão for mantida, a mulher atinge o orgasmo.

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A história do clitóris

O órgão desde sempre foi desvalorizado pela medicina no que diz respeito ao estudo do trato reprodutivo da mulher, onde a protagonista sempre foi a vagina, pelo seu papel central na reprodução da mulher.

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Em algumas culturas, como a África, Ásia e América do Sul, o clitóris foi lesado durante anos através de práticas e costumes que causaram um impacto extremamente negativo sobre o órgão. Nestas culturas é frequente a ablação genital, que consiste na mutilação parcial ou total do clitóris e dos órgãos sexuais externos femininos. A circuncisão é realizada em meninas de tenra idade e é considerada parte de um ritual que serve de iniciação à fase da puberdade. O único propósito desta prática é garantir que a mulher chegue virgem ao casamento e não descubra o prazer sexual e o orgasmo.

Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) luta para erradicar esta prática que ainda é realizada em mais de metade do continente africano. Para dar maior visibilidade a este tema, a OMS criou no dia 6 de fevereiro o Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.

Distúrbios do Clitóris

Tal como a maioria dos órgãos, o clitóris também está sujeito a alguns distúrbios e infecções. É importante a mulher estar alerta a sinais como dor, inchaço, coceira, inflamação (clitorite), falta de sensibilidade, ou até mesmo quando o clitóris parece excessivamente grande, já que, nestes casos pode se tratar de um hematoma clitoriano.

Os sintomas mais comuns no clitóris incluem:

  • Dor que ocorre devido à prática de masturbação ou relações vigorosas.
  • Coceira que ocorre devido a reações a sabonetes, loções, e produtos de higiene íntima no geral.
  • Dor ou coceira causada por lesões presentes no próprio clitóris ou na vulva, causadas por infecções fúngicas como a candidíase ou a herpes genital.
  • Dor e / ou coceira relacionada ao câncer vulvar, doenças sexualmente transmissíveis.

A maioria dos distúrbios ou infecções do clitóris podem ser tratados com o auxilio de pomadas ou antibióticos. É importante mulher estar atenta a alguns sintomas. Situações graves como a presença de melanomas ou outros tipos de câncer, geralmente iniciam-se com a presença de caroços ou inchaços no local. Em caso de dúvida é importante a mulher consultar o ginecologista para identificar o problema.

Saiba mais sobre:
Ver referências +
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