-->Biópsia da Próstata: como é feita, quando fazer, preparação e resultados - Educar Saúde

Biópsia da próstata: entenda como é feita e como interpretar os resultados

Publicado em 28/02/2019. Revisado por Dr Nilo Jorge Leão Barretto (Urologista - CRM-BA 22237) a 28 fevereiro 2019

A biópsia de próstata é um procedimento realizado através da recolha de uma pequena amostra de tecido da próstata para ser examinada em busca de sinais de câncer. Constitui a base do diagnóstico do câncer de próstata e deve ser realizada quando durante uma avaliação urológica são identificadas anomalias durante o toque retal, ou quando os níveis de PSA estão acima do seu valor normal.

A biópsia prostática é um procedimento fundamental no diagnóstico do câncer de próstata. Em 60% dos casos não é detectada neoplasia maligna, mas o paciente foi submetido a um procedimento invasivo, o que em alguns casos podia ter sido evitado.

A concentração elevada da enzima conhecida como PSA (Antígeno Prostático Específico), medida através de uma análise sanguínea, pode indicar doenças na próstata. Da mesma forma, o exame de toque retal pode contribuir para a afirmação de um diagnóstico específico de tumor, quando é constatada alguma anormalidade na próstata. Para confirmar o diagnóstico após a presença de alguma dessas alterações, uma biópsia de próstata pode ser indicada.

O procedimento é consideravelmente invasivo, mas indolor, já que é realizado com a presença de uma anestesia local. Em outros casos, pode ser realizado com uma sedação sutil do paciente, que não demora a ter alta médica.

Nas horas iniciais após o exame, algum desconforto é normal, portanto somente há motivos para preocupações maiores em caso de permanência dos sintomas.

Biópsia Da Próstata

Quando fazer a biópsia da próstata

Por ser um procedimento delicado, esse exame só é realizado com indicações específicas de alterações corporais, como por exemplo, em caso de rigidez ou dilatação na próstata. Além disso, o procedimento também pode ser realizado após a constatação de níveis alterados da enzima PSA no sangue.

Os níveis de PSA que levam a indicação de uma biópsia de próstata dependem da idade do paciente. Acima de 4ng/mL, há a indicação de biópsia para quaisquer idades. Acima dos 55 anos, no entanto, a biópsia é indicada se os níveis ultrapassarem 2,5ng/mL. Além disso, é também indicada quando a densidade da PSA estiver acima de 0,15ng/mL ou a velocidade de PSA estiver acima de 0,75 ng/ml por ano.

Se os resultados da primeira biópsia não forem conclusivos, o médico poderá solicitar um segundo exame. Um novo exame também deve ser solicitado em casos de PSA permanentemente elevada, acima de 0,75 ng/ml ao ano, em casos de neoplasia intra-epitelial prostática (NIP) ou em casos de proliferação atípica de pequenos ácinos (ASAP).

Como é feita a biópsia da próstata

Após ser concluído o procedimento de sedação, o paciente deve se deitar lateralmente, com as pernas flexionadas. O médico, então, após higienizar o local, faz um toque retal para avaliar as condições da próstata. Se tudo estiver correto para o início do procedimento, o especialista introduz o mecanismo de ultrassonografia no ânus do paciente que vai guiar a agulha até ao órgão.

A agulha presente no aparelho chega ao intestino e retira pequenos fragmentos (amostras) do tecido da glândula. Em seguida, o material é enviado ao laboratório para análise e para a possível identificação de células cancerígenas.

Quanto custa uma biópsia de próstata

O preço do exame oscila dependendo da clínica escolhida. Nas clínicas mais baratas, pode-se realizar uma biópsia da próstata por 200 reais, enquanto nas clínicas mais caras o preço pode ultrapassar os 500 reais. O governo oferece o exame de forma gratuita pelo SUS, no entanto o período de espera pode ser grande, fazendo com que muitas vezes os pacientes recorram a clínicas particulares.

Como se preparar para a biópsia

Por conta da sedação e de possíveis desconfortos, é obrigatória a presença de um acompanhante para auxiliar o retorno do paciente à sua residência após o exame. Como em qualquer procedimento médico, os cuidados prévios são fundamentais para o sucesso do exame. O médico prescreverá orientações ao paciente que devem ser seguidas à risca, do contrário o exame pode ser prejudicado.

Estas orientações normalmente iniciam nas 72 horas que antecedem o exame, quando o paciente passa a ingerir um antibiótico sob orientação médica para prevenir possíveis infecções. Além disso, nas 6 horas anteriores ao exame, o paciente deve iniciar um jejum total. Próximo ao momento do exame, o paciente deve urinar e, em seguida, realizar uma limpeza do intestino.

Após a biópsia, o paciente deve tomar os antibióticos indicados pelo médico, realizar uma alimentação leve nas primeiras horas, abster-se de grandes esforços físicos nas primeiras 48 horas e privar-se de relações sexuais durante pelo menos 3 semanas.

Entendendo o resultado da biópsia

A partir das características observadas após a análise do material, a biópsia de próstata pode apresentar um resultado positivo, quando há a presença de um tumor se desenvolvendo na próstata, ou negativo, quando as células examinadas não demonstraram alteração.

Se o médico duvidar de um falso negativo, pode solicitar que o procedimento seja repetido após mais ou menos um mês do primeiro exame. Deste modo, é garantida a veracidade das análises.

Em aproximadamente dois terços dos pacientes, a anatomia patológica mostra hiperplasia prostática benigna. Em apenas um terço o diagnóstico é de câncer de próstata. O tipo mais comum de câncer é o adenocarcinoma.

O nível de malignidade do câncer de próstata é determinado de acordo com o chamado “Escore de Gleason” , que varia de 3 + 3 o mais benigno, a 5 + 5 o mais maligno:

  • Grau 6 (3 + 3): bom prognóstico com tratamento radical (cirurgia, braquiterapia ou radioterapia externa) ou mesmo às vezes sem tratamento (vigilância ativa).
  • Grau 7 (3 + 4 ou 4 + 3): este é um grupo de risco intermediário. Requer sempre tratamento radical, com bons resultados em termos de cura.
  • Grau 8, 9 ou 10: alto risco, pior prognóstico. São tumores que por vezes se espalham para fora da próstata no momento do diagnóstico, e a terapia hormonal é a única opção. Se for demonstrado, através de exames radiológicos, a presença de câncer, pode optar-se pelo tratamento radical (cirurgia, braquiterapia ou radioterapia externa), no entanto, o risco de recorrência do câncer com o tempo nesses casos é maior.

Quais os possíveis riscos e as complicações da biópsia

Não é comum existirem efeitos colaterais graves após o exame, no entanto, pequenas complicações podem surgir. Os sintomas a seguir exigem atenção por parte do paciente e, em caso de persistência, devem ser informados ao médico responsável.

1) Sangramento

Por conta de o exame ser realizado numa região muito vascularizada, é normal que surjam pequenos sangramentos durante as primeiras semanas. O sangue pode se apresentar nas roupas íntimas, no papel higiênico e mesmo durante as ejaculações. Se após as duas primeiras semanas o sangramento não desaparecer ou se ele se apresentar em maiores quantidades, o especialista deve ser consultado para avaliar o caso.

2) Infecção

O procedimento da biópsia causa uma microferida no intestino e na próstata, já que é preciso retirar um pouco de tecido para a análise. Com isso, o risco de infecção é iminente, por conta do excesso de bactérias que transitam por esta área do corpo. O especialista costuma adotar uma prescrição com medicamentos antibacterianos, mas há relatos de pacientes em que os antibióticos não foram suficientes. Em caso de febre alta, dores intensas ou odores atípicos, procure imediatamente o médico para averiguação de possíveis infecções.

3) Dor ou desconforto

Por ser um procedimento delicado, algumas pessoas podem apresentar queixas de sofrimento ou dor na região anal. Nesses casos, alguns medicamentos leves (analgésicos como o Paracetamol) podem ser prescritos. Esse desconforto, no entanto, não costuma persistir, desaparecendo em até sete dias após o procedimento.

4) Retenção urinária

Em caso da inflamação da próstata, uma das consequências pode ser a retenção urinária, já que a uretra acaba sendo comprimida pela próstata dilatada. Se isso acontecer e o homem observar dificuldade para urinar após o procedimento, é preciso ir a uma unidade hospitalar para retirar a urina acumulada. Na maior parte dos casos, uma sonda vesical é colocada para aliviar o desconforto do paciente.

5) Disfunção erétil

É raro o caso em que a biópsia interfere no desempenho sexual dos pacientes, mas há registros desses sintomas após o exame, que costumam desaparecer em até sessenta dias. Nestes casos, o mais indicado é o acompanhamento médico, a fim de não prejudicar a qualidade de vida do paciente.

A importância das consultas de rotina

A biópsia de próstata é indicada em situações específicas para reconhecer um possível tumor. É fundamental o acompanhamento regular por parte de um urologista, sobretudo após os quarenta anos, já que após essa faixa etária as lesões na próstata são mais frequentes. Com um acompanhamento correto, as possíveis doenças podem ser identificadas ainda no início, fazendo com que o prognóstico seja mais benéfico para o paciente.

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Referências
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    https://www.webmd.com/prostate-cancer/what-is-prostate-biopsy#1
  • Mayo Clinic
    https://www.mayoclinic.org/tests-procedures/prostate-biopsy/about/pac-20384734
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  • Tests for prostate cancer. (2017, May 15). Retrieved from https://www.cancer.org/cancer/prostate-cancer/detection-diagnosis-staging/how-diagnosed.html
Autores
Dr Nilo Jorge Leão Barretto (Urologista - CRM-BA 22237)

Urologista - CRM-BA 22237

Consultar > Currículo Lattes.

O Dr. Nilo Jorge é Graduado em Medicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Publica- 2010. Além disso possui:

- Especialização em Urologia e Cirurgia Geral na Universidade de São Paulo – 2013/2015.

- Título de especialista em Especialização em Fellowship em UroOncologia, Laparoscopia e Cirurgia Robótica.

Fundação Antônio Prudente- AC Camargo Câncer Center, AC CAMARGO, Brasil.

Título: Cirurgias Laparoscópicas e Robótica em Urologia. - Orientador: Dr. Gustavo Cardoso Guimarães – 2017.

- Coordenador do Núcleo de Uro-Oncologia do Hospital Santo Antônio- Obras Sociais Irmã Dulce. Preceptor do núcleo de Urologia do Hospital São Rafael. Uro-oncologista do Grupo OncoClinicas do Brasil e sócio do grupo Uroclinica da Bahia.

Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia, cirurgião geral e urologista pela Universidade de São Paulo (USP- RP). Fellowship em Uro oncologia, laparoscopia e cirurgia robótica no AC Camargo Câncer Center.

Cirurgião robótico certificado pela Intuitive/Strattner. "International Member" da European Association of Urology (EAU) e da "American Urological Association" (AUA). Possui trabalhos publicados em congressos, periódicos e livros em Urologia.

Endereço: Rua Anita Garibaldi, 1815 CME Federação, Salvador/BA - Telefone: (70) 3235-0867 / 2626-3030

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