10 Regras para Fazer a Higiene Íntima e evitar doenças

Muitas infecções que tanto atormentam a mulher se originam de péssimos hábitos de higiene íntima. Fato é que boa parte das mulheres desconhece os preceitos básicos de uma higienização adequada da região vaginal.

Desde que esteja saudável, o pH dessa área deve exibir um índice ligeiramente inferior a 7. Portanto, trata-se de um meio naturalmente ácido. Para que esse habitat bacteriano mantenha essa característica, a vagina jamais deve ser lavada como qualquer outra parte do corpo.

Como Fazer A Higiene Íntima

Existem ainda outros hábitos que interferem drasticamente na estabilidade do pH. Para que a mulher se previa eficientemente de contrair variadas infecções, todos os comportamentos mencionados abaixo devem ser seguidos rotineiramente. Esses hábitos quotidianos colaboram para evitar a criação de um campo fértil para o desenvolvimento de micoses, irritações vaginais e manter a vagina saudável.

1 – Lave a região externa da vagina usando um sabonete íntimo

A limpeza da região vaginal não deve — em hipótese alguma — ser efetuada com um sabonete comum. No entanto, algumas mulheres imaginam que podem usar o sabonete íntimo à vontade, o que é um erro.

Mesmo que sejam constituídos de substâncias propícias à limpeza vaginal, esses sabonetes também podem prejudicar o equilíbrio da flora bacteriana local. Esse risco está ligado à utilização exagerada desses sabonetes.

O recomendável é utilizar porções moderadas do produto e evitar a aplicação direta na vagina. Ele deve ser usado na parte externa. O melhor mesmo é diluir um pouco do sabonete íntimo em água antes de utilizá-lo.

2 – Não usar duchas vaginais

Esguichar chuveirinhos na vagina também é uma prática extremamente prejudicial ao pH da região. O uso do bidê até é liberado, mas com cuidado. De qualquer forma, o importante é evitar que o jato d’água seja diretamente direcionado para a área vaginal.

3 – Usar roupa íntima de algodão

A escolha da calcinha também é fundamental. Basicamente, a mulher deve priorizar os materiais fabricados com algodão. As roupas íntimas de fibra sintética obstruem os poros da pele, o que favorece a aglutinação de suor na região vaginal. Essas condições são as ideias para a produção em massa dos micro-organismos que causam infecções na vagina. Conheça os sintomas de candidíase.

Além de privilegiar as peças de algodão, é importante lembrar que elas devem ser substituídas todos os dias. O ideal é adquirir o costume de trocar a calcinha a cada banho. Depois de limpar a vagina, a região deve entrar em contato com um tecido limpo.

4 – Não use lenços umedecidos perfumados ou papel higiênico com perfume

Algumas mulheres também costumam recorrer aos lenços umedecidos para limpar a vagina. A utilização desses produtos deve se restringir a situações de urgência. Se houver algum “acidente” e a mulher estiver fora de casa, por exemplo, ter um pacote de lenços umedecidos é providencial.

Porém, a utilização precisa ser realmente contida. A justificativa reside no elevado poder de absorção desses lenços. O ressecamento completo da região vaginal a deixa propícia a apresentar coceira e vermelhidão. Esse tipo de lenço prejudica a lubrificação natural da vagina.

5 – Não exagerar na depilação

A depilação é um ato necessário, mas que igualmente precisa ser feito com bastante cautela. Seja por meio do uso de uma lâmina ou de outros métodos, é preferível que o procedimento não ultrapasse a frequência de 2 vezes a cada 7 dias.

Além disso, há que se observar os riscos de uma depilação completa. Os pelos cumprem a função de proteger a região, assim como aquela primeira camada epidérmica. A depilação exagerada elimina toda essa proteção natural.

A elevada ausência de pelos facilita a ação de agentes infecciosos. Como consequência, a mulher fica propensa a desenvolver corrimentos vaginais com coloração ou cheiro estranhos. Geralmente, essas mudanças estão correlacionadas a algumas infecções vaginais.

6 – Uso de Probióticos

Enquanto uma dieta nutritiva e balanceada é importante para manter uma boa saúde reprodutiva, os probióticos têm um papel muito especial. Algumas pesquisas mostram que quantidades reduzidas de boas bactérias na vagina, incluindo os Lactobacillus, podem levar a uma maior vulnerabilidade do organismo a infecções fúngicas e até mesmo ao HIV tipo 1.

Adicione alguns alimentos ricos em bactérias probióticas á sua dieta. O iogurte e alguns alimentos fermentados como o chucrute, kimchi e o miso são boas opções.

7 – Mude o absorvente íntimo a cada 6 a 8 horas

Para evitar o supercrescimento bacteriano, erupções cutâneas e desconforto geral na região, recomenda-se que a mulher substitua o absorvente a cada 6 a 8 horas e mude o tampão ou absorvente interno 4 a 5 vezes por dia.

Deixar o absorvente íntimo por mais de 8 horas dentro da vagina aumenta as chances de síndrome do choque tóxico. Alguns estudos indicam também que as dioxinas e as fragrâncias químicas encontradas em muitos tampões e absorventes podem representar um risco para a saúde reprodutiva e endócrina, além de causarem alergias e infecções.

8 – Pratique sexo seguro

Não existe nada de errado em proteger a sua saúde sexual quando está com um novo parceiro. Use barreiras físicas como preservativos ou diafragmas para se proteger de doenças sexualmente transmissíveis.

Outra prática recomendada é a micção depois da relação. Este hábito simples ajuda a eliminar muitas bactérias da uretra e da bexiga. Também pode lavar a vagina após o sexo para evitar que bactérias indesejadas e corpos estranhos entrem no canal vaginal, mas lembre-se que, essa ação não impedirá o contágio de infecções sexualmente transmissíveis.

9 – Realize exercícios de Kegel

O canal vaginal é composto por músculos. Alguns exercícios para o assoalho pélvico que envolvam a contração e o relaxamento dos músculos da região do quadril, podem ser muito úteis para manter a vagina forte e flexível, especialmente após a gravidez, quando a vagina é sujeita a uma grande tensão e perde alguma da sua elasticidade. Os exercícios de Kegel são uma boa opção.

10 – Ioga

A prática regular de ioga pode ajudar a fortalecer os músculos vaginais. O ashwini mudra (postura do cavalo) ajuda a aumentar o fluxo sanguíneo na região pélvica, tonificar os músculos vaginais e manter o tecido vaginal saudável. O movimento é realizado através da contração e relaxamento dos músculos na região pélvica.

Outras Asanas como a postura de rã (mandukasana), a postura de peixe (matsyasana) e a postura de liberação de vento (pawanmuktasana) também podem ser muito benéficas para problemas urológicos.

Como fazer a Higiene Íntima após o Contato Íntimo

Após cada relação sexual, é recomendável que toda a área da vagina seja devidamente limpa. Esse cuidado é bem efetivo na prevenção de patologias vinculadas à região vaginal.

Ainda após o sexo, é aconselhável ir ao banheiro e forçar uma micção. O objetivo é impedir novas possíveis infecções. Posteriormente, é preciso lavar toda a região com bastante água. Se preferir, a mulher pode usar sabonete íntimo — desde que seja em pequena quantidade. A calcinha também deve ser substituída.

Caso a mulher costume utilizar lubrificantes íntimos, ela deve privilegiar os produtos à base de água. Os lubrificantes à base de substâncias siliconadas são de difícil remoção. Isso significa que alguns vestígios sempre permanecem na vagina. O resultado é o desequilíbrio da flora bacteriana da vagina.

Some-se a esses hábitos a substituição diária do absorvente íntimo. Caso alguma secreção se extravase desproporcionalmente, o absorvente deve ser trocado imediatamente.

Antes de descartar o produto, é importante observar as características daquela secreção, como a coloração e o odor. Esses detalhes são primordiais para o diagnóstico ginecológico.

Por fim, qualquer sinal de anomalia na região vaginal deve ser relatada ao médico. Cada indício, por menor que seja, pode estar ligado a determinadas patologias, como infecção do trato urinário, tricomoníase, candidíase  e herpes genital.

A presença de caroços inflamados e inchados na região íntima, principalmente na virilha e ânus, são um sintoma de hidrosadenite supurativa, uma doença inflamatória e crônica das glândulas sudoríparas que também precisa de atenção médica.

Como você pode constatar, a realização de uma higiene íntima apropriada é primordial para que a mulher fique livre de infecções vaginais. Se apesar desses cuidados, ocorrer algum problema, basta se consultar com um ginecologista de sua confiança.

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Referências
  • Zhang, Jun, A. George Thomas, and Etel Leybovich. “Vaginal douching and adverse health effects: a meta-analysis.” American Journal of Public Health 87, no. 7 (1997): 1207-1211.
  • Douching fact sheet. Office on Women’s Health.
  • Scranton, A. “Chem Fatale: Potential Health Effects of Toxic Chemicals in Feminine Care Products.” Missoula, MT: Women’s Voices for the Earth (2013).
  • Keeping your vagina clean and healthy. NHS Choices.
  • Personal hygiene. Better Health Channel, Victoria State Government.
  • Kegel, Arnold H. “Progressive resistance exercise in the functional restoration of the perineal muscles.” American journal of obstetrics and gynecology 56, no. 2 (1948): 238-248.
  • Sander, Ellen. “Menopause The Yoga Way”. Yoga Journal. Jan-Feb 1996.
  • Ripoll, Emmey, and Dawn Mahowald. “Hatha Yoga therapy management of urologic disorders.” World journal of urology 20, no. 5 (2002): 306-309.
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