10 Regras para Fazer a Higiene Íntima e evitar doenças

Conteúdo revisado por Drª Camille Rocha Risegato. Última Atualização: 23/06/21

Muitas infecções que tanto atormentam a mulher se originam de péssimos hábitos de higiene íntima. Fato é que boa parte das mulheres desconhece os preceitos básicos de uma higienização adequada da região vaginal.

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Desde que esteja saudável, o pH dessa área deve exibir um índice ligeiramente inferior a 7. Portanto, trata-se de um meio naturalmente ácido. Para que esse habitat bacteriano mantenha essa característica, a vagina jamais deve ser lavada como qualquer outra parte do corpo.

Como Fazer A Higiene Íntima

Existem ainda outros hábitos que interferem drasticamente na estabilidade do pH. Para que a mulher se previa eficientemente de contrair variadas infecções, todos os comportamentos mencionados abaixo devem ser seguidos rotineiramente. Esses hábitos quotidianos colaboram para evitar a criação de um campo fértil para o desenvolvimento de micoses, irritações vaginais e manter a vagina saudável.

1 – Lave a região externa da vagina usando um sabonete íntimo

A limpeza da região vaginal não deve — em hipótese alguma — ser efetuada com um sabonete comum. No entanto, algumas mulheres imaginam que podem usar o sabonete íntimo à vontade, o que é um erro.

Mesmo que sejam constituídos de substâncias propícias à limpeza vaginal, esses sabonetes também podem prejudicar o equilíbrio da flora bacteriana local. Esse risco está ligado à utilização exagerada desses sabonetes.

O recomendável é utilizar porções moderadas do produto e evitar a aplicação direta na vagina. Ele deve ser usado na parte externa. O melhor mesmo é diluir um pouco do sabonete íntimo em água antes de utilizá-lo.

2 – Não usar duchas vaginais

Esguichar chuveirinhos na vagina também é uma prática extremamente prejudicial ao pH da região. O uso do bidê até é liberado, mas com cuidado. De qualquer forma, o importante é evitar que o jato d’água seja diretamente direcionado para a área vaginal.

3 – Usar roupa íntima de algodão

A escolha da calcinha também é fundamental. Basicamente, a mulher deve priorizar os materiais fabricados com algodão. As roupas íntimas de fibra sintética obstruem os poros da pele, o que favorece a aglutinação de suor na região vaginal. Essas condições são as ideias para a produção em massa dos micro-organismos que causam infecções na vagina. Conheça os sintomas de candidíase.

Além de privilegiar as peças de algodão, é importante lembrar que elas devem ser substituídas todos os dias. O ideal é adquirir o costume de trocar a calcinha a cada banho. Depois de limpar a vagina, a região deve entrar em contato com um tecido limpo.

4 – Não use lenços umedecidos perfumados ou papel higiênico com perfume

Algumas mulheres também costumam recorrer aos lenços umedecidos para limpar a vagina. A utilização desses produtos deve se restringir a situações de urgência. Se houver algum “acidente” e a mulher estiver fora de casa, por exemplo, ter um pacote de lenços umedecidos é providencial.

Porém, a utilização precisa ser realmente contida. A justificativa reside no elevado poder de absorção desses lenços. O ressecamento completo da região vaginal a deixa propícia a apresentar coceira e vermelhidão. Esse tipo de lenço prejudica a lubrificação natural da vagina.

5 – Não exagerar na depilação

A depilação é um ato necessário, mas que igualmente precisa ser feito com bastante cautela. Seja por meio do uso de uma lâmina ou de outros métodos, é preferível que o procedimento não ultrapasse a frequência de 2 vezes a cada 7 dias.

Além disso, há que se observar os riscos de uma depilação completa. Os pelos cumprem a função de proteger a região, assim como aquela primeira camada epidérmica. A depilação exagerada elimina toda essa proteção natural.

A elevada ausência de pelos facilita a ação de agentes infecciosos. Como consequência, a mulher fica propensa a desenvolver corrimentos vaginais com coloração ou cheiro estranhos. Geralmente, essas mudanças estão correlacionadas a algumas infecções vaginais.

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6 – Uso de Probióticos

Enquanto uma dieta nutritiva e balanceada é importante para manter uma boa saúde reprodutiva, os probióticos têm um papel muito especial. Algumas pesquisas mostram que quantidades reduzidas de boas bactérias na vagina, incluindo os Lactobacillus, podem levar a uma maior vulnerabilidade do organismo a infecções fúngicas e até mesmo ao HIV tipo 1.

Adicione alguns alimentos ricos em bactérias probióticas á sua dieta. O iogurte e alguns alimentos fermentados como o chucrute, kimchi e o miso são boas opções.

7 – Mude o absorvente íntimo a cada 6 a 8 horas

Para evitar o supercrescimento bacteriano, erupções cutâneas e desconforto geral na região, recomenda-se que a mulher substitua o absorvente a cada 6 a 8 horas e mude o tampão ou absorvente interno 4 a 5 vezes por dia.

Deixar o absorvente íntimo por mais de 8 horas dentro da vagina aumenta as chances de síndrome do choque tóxico. Alguns estudos indicam também que as dioxinas e as fragrâncias químicas encontradas em muitos tampões e absorventes podem representar um risco para a saúde reprodutiva e endócrina, além de causarem alergias e infecções.

8 – Pratique sexo seguro

Não existe nada de errado em proteger a sua saúde sexual quando está com um novo parceiro. Use barreiras físicas como preservativos ou diafragmas para se proteger de doenças sexualmente transmissíveis.

Outra prática recomendada é a micção depois da relação. Este hábito simples ajuda a eliminar muitas bactérias da uretra e da bexiga. Também pode lavar a vagina após o sexo para evitar que bactérias indesejadas e corpos estranhos entrem no canal vaginal, mas lembre-se que, essa ação não impedirá o contágio de infecções sexualmente transmissíveis.

9 – Realize exercícios de Kegel

O canal vaginal é composto por músculos. Alguns exercícios para o assoalho pélvico que envolvam a contração e o relaxamento dos músculos da região do quadril, podem ser muito úteis para manter a vagina forte e flexível, especialmente após a gravidez, quando a vagina é sujeita a uma grande tensão e perde alguma da sua elasticidade. Os exercícios de Kegel são uma boa opção.

10 – Ioga

A prática regular de ioga pode ajudar a fortalecer os músculos vaginais. O ashwini mudra (postura do cavalo) ajuda a aumentar o fluxo sanguíneo na região pélvica, tonificar os músculos vaginais e manter o tecido vaginal saudável. O movimento é realizado através da contração e relaxamento dos músculos na região pélvica.

Outras Asanas como a postura de rã (mandukasana), a postura de peixe (matsyasana) e a postura de liberação de vento (pawanmuktasana) também podem ser muito benéficas para problemas urológicos.

Como fazer a Higiene Íntima após o Contato Íntimo

Após cada relação sexual, é recomendável que toda a área da vagina seja devidamente limpa. Esse cuidado é bem efetivo na prevenção de patologias vinculadas à região vaginal.

Ainda após o sexo, é aconselhável ir ao banheiro e forçar uma micção. O objetivo é impedir novas possíveis infecções. Posteriormente, é preciso lavar toda a região com bastante água. Se preferir, a mulher pode usar sabonete íntimo — desde que seja em pequena quantidade. A calcinha também deve ser substituída.

Caso a mulher costume utilizar lubrificantes íntimos, ela deve privilegiar os produtos à base de água. Os lubrificantes à base de substâncias siliconadas são de difícil remoção. Isso significa que alguns vestígios sempre permanecem na vagina. O resultado é o desequilíbrio da flora bacteriana da vagina.

Some-se a esses hábitos a substituição diária do absorvente íntimo. Caso alguma secreção se extravase desproporcionalmente, o absorvente deve ser trocado imediatamente.

Antes de descartar o produto, é importante observar as características daquela secreção, como a coloração e o odor. Esses detalhes são primordiais para o diagnóstico ginecológico.

Por fim, qualquer sinal de anomalia na região vaginal deve ser relatada ao médico. Cada indício, por menor que seja, pode estar ligado a determinadas patologias, como infecção do trato urinário, tricomoníase, candidíase  e herpes genital.

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A presença de caroços inflamados e inchados na região íntima, principalmente na virilha e ânus, são um sintoma de hidrosadenite supurativa, uma doença inflamatória e crônica das glândulas sudoríparas que também precisa de atenção médica.

Como você pode constatar, a realização de uma higiene íntima apropriada é primordial para que a mulher fique livre de infecções vaginais. Se apesar desses cuidados, ocorrer algum problema, basta se consultar com um ginecologista de sua confiança.


Outras Referências
  • Zhang, Jun, A. George Thomas, and Etel Leybovich. “Vaginal douching and adverse health effects: a meta-analysis.” American Journal of Public Health 87, no. 7 (1997): 1207-1211.
  • Douching fact sheet. Office on Women’s Health.
  • Scranton, A. “Chem Fatale: Potential Health Effects of Toxic Chemicals in Feminine Care Products.” Missoula, MT: Women’s Voices for the Earth (2013).
  • Keeping your vagina clean and healthy. NHS Choices.
  • Personal hygiene. Better Health Channel, Victoria State Government.
  • Kegel, Arnold H. “Progressive resistance exercise in the functional restoration of the perineal muscles.” American journal of obstetrics and gynecology 56, no. 2 (1948): 238-248.
  • Sander, Ellen. “Menopause The Yoga Way”. Yoga Journal. Jan-Feb 1996.
  • Ripoll, Emmey, and Dawn Mahowald. “Hatha Yoga therapy management of urologic disorders.” World journal of urology 20, no. 5 (2002): 306-309.
Autores
Drª Camille Rocha Risegato

Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093

Dra Camille Vitoria Rocha Risegato - CRM SP nº 119093 é formada há 14 anos pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro.

> Consultar CRM (Fonte: https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59)

Dra Camille mudou-se para São Paulo onde realizou e concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (RQE nº 25978) no Centro de Referência de Saúde da Mulher no Hospital Pérola Byington em 2007.

Em 2008 se especializou em Patologia do Trato Genital Inferior nesse mesmo serviço. Ainda fez curso de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia na Escola Cetrus.

Trabalha em setor público e privado, atendendo atualmente em seu consultório médico particular situado na Avenida Leoncio de Magalhães 1192, no bairro do jardim São Paulo, zona norte de São Paulo.

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    Última atualização da página em 23/06/21