Como se superam os problemas causados por nascer antes do tempo

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 12 dezembro 2018

Como se superam os problemas causados por nascer antes do tempo

Um recém-nascido de tempo deve pesar entre os 2,5 e 4,5 kg. A debilidade de um bebé normal é indiscutível: o pulso está acelerado, a cabeça não se sustém sozinha, apenas pode ver…
Pensemos agora num bebé prematuro. Se nasce antes do tempo, é porque alguma coisa não correu bem. O seu peso é sempre inferior a 2,5 kg e ainda perde muitos gramas ao expulsar a urina e as primeiras fezes. E, além da maturação dos seus órgãos ser incompleta, alguns ainda não são sequer capazes de respirar sem ventiladores.

Falta-lhes peso mas sobra-lhes moral

Sem qualquer margem para dúvida, a maioria destes bebés são enérgicos lutadores. Muitos ficam restabelecidos em pouco tempo e outros, de uma forma quase inacreditável, conseguem superar dificuldades extremamente graves e transformam-se em crianças fortes e saudáveis.

No nosso país as possibilidades de sobrevivência dos prematuros aumentam de dia para dia e, actualmente, são muito superiores às de há vinte ou mesmo dez anos atrás. Entre as complicações mais frequentes encontra-se a incapacidade cardíaca, pulmonar e hepática. A sua pele é extremamente frágil e devemos tratar deles com toda a delicadeza. Também são frequentes a icterícia, a anemia e os problemas de retina. Além disso, são mais vulneráveis às infecções.

Depois de superarem a batalha hospitalar podem ter necessidade de fazer exercícios de reabilitação. Em alguns casos pode surgir um certo grau de atraso mental, dificuldades em andar, miopias consideráveis ou problemas de audição. A algumas destas crianças custa-lhes resolver problemas de matemática, aprender a ler ou praticar desportos de coordenação como o futebol e o basquetebol. A detecção precoce destas deficiências facilita notavelmente a sua resolução. Actualmente, os tratamentos são bastante eficazes e, mesmo que a reabilitação não faça milagres, em alguns casos quase parecem.

Cada vez superam melhor os problemas

É um facto que a percentagem de bebés mais afectados por algum tipo de deficiências, diminuiu nos últimos anos. A maioria das crianças prematuras desenvolve-se normalmente e transforma-se em jovens fortes e saudáveis. O primeiro susto é um parto precipitado e com dificuldades. Depois, o impacto de ver aquele bebé tão pequenino dentro da incubadora, rodeado de tubos e sondas, sem os quais não poderia existir.

Muito pais temem, em cada dia que passa, o momento de entrar na Unidade de Cuidados Intensivos. Têm de fazer um esforço enorme para se controlarem antes de ouvirem as palavras do neonatologista. Saber se consegue superar as primeiras 24 ou 48 horas não é suficiente. A dúvida da sua posterior sobrevivência e as sequelas com que possa ser afectado são também motivo de preocupação.

Os médicos só lhes concedem alta quando estão plenamente convencidos que ficarão melhor em casa que no hospital. Os seus sinais vitais têm de ser estáveis e os órgãos devem funcionar a cem por cento. Quando a criança fica, finalmente, completamente restabelecida é, naturalmente, uma grande alegria para os pais poder entrar em casa com ela nos braços e poder integrá-la na família.

E as mães? Como se sentem depois deste duro golpe? Frequentemente costumam-se culpabilizar pelo sucedido e não desistem de perguntar a si próprias o que fizeram de errado durante a gravidez. Mas parece não haver resposta.

Muitos prematuros nascem de mulheres perfeitamente saudáveis e que passaram por gravidezes muito boas, sem que cheguem a descobrir as causas de tal desfecho. Apesar de tudo, existem alguns factores que podem ser desencadeantes, como as gestações múltiplas, as maternidades na adolescência, factores genéticos ou complicações prévias à gravidez ou próprias da gestação, como a diabetes ou a hipertensão. O álcool e o tabaco também podem influir, mas não de forma definitiva.

Guia da Gravidez