-->Entenda quando o Corrimento Marrom é normal ou pode ser doença

Corrimento Marrom: o que pode ser e quando não é normal

Publicado em 10/12/2018. Revisado por Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093) a 10 dezembro 2018

O corrimento marrom é considerado normal quando ocorre devido á presença de pequenas quantidades de sangue da última menstruação. No entanto, também pode ser sinal de uma série de condições ginecológicas que requerem atenção médica, que incluem, vaginose bacteriana, síndrome do ovário policístico, endometriose, tricomoníase, clamídia, ou câncer cervical. Dor extrema ou desconforto ao urinar, mau cheiro, períodos irregulares, fortes ou ausentes, ganho de peso ou excesso de pelos faciais e corporais, e dor durante ou após a relação, são alguns dos sintomas a que deve estar atenta.

Corrimento Marrom

Existem certos aspectos que determinam se um corrimento vaginal é ou não normal. Entre as diversas colorações que esse tipo de secreção pode apresentar, aquela tonalidade amarronzada é bem frequente. Isso se deve ao fato do corrimento marrom ocorrer bastante na fase final do período menstrual. A cor é gerada devido à presença de coágulos sanguíneos.

Esse tipo de corrimento pode igualmente ser consequência de uma irritação promovida nas extremidades do canal vaginal. Essa irritação é um problema recorrente no decorrer da fase menstrual ou início do período gestacional.

Com relação à saúde corporal, o corrimento marrom também pode ser um alerta do organismo para algum problema mais grave. Uma delas é a temida tricomoníase, uma doença sexualmente transmissível.

Vale lembrar que este tipo de infecção deriva, geralmente, de um baixo índice de pH da vagina. Essa queda do potencial de hidrogênio (pH), por sua vez, costuma resultar da lavagem excessiva da vagina com água corrente.

Caso o corrimento marrom persistir por 5 dias ou mais, a mulher tem razões para se preocupar. Nessas circunstâncias, ela só precisa se consultar com um bom ginecologista. A partir do diagnóstico exato, o tratamento mais apropriado poderá ser indicado pelo médico especialista.

Quando o corrimento marrom é normal

Essa variedade de corrimento é considerado normal se o fluxo estiver correlacionado à/ao:

  • substituição da pílula anticoncepcional normalmente usada pela mulher;
  • consumo de remédios destinados ao tratamento de reequilíbrio de hormônios — comum em terapias ligadas à disfunção tireoidiana, por exemplo;
  • à fase da puberdade;
  • gravidez;
  • perimenopausa;
  • período atrasado ou parcial;
  • ovulação;
  • mudanças das concentrações de hormônios;
  • prática sexual após a gravidez.

Corrimento marrom pode ser gravidez?

Embora haja essa ligação entre o corrimento amarronzado e a gravidez, o corrimento que marca o início do período tende a ser rosa. Essa última secreção começa a ser liberada depois da concepção do feto. Além disso, existem muitos outros indícios de gravidez. Portanto, não é aconselhável levar em consideração apenas a coloração do corrimento vaginal.

Por outro lado, também é válido dizer que as gestantes tendem a emitir um corrimento escuro. Este fluxo se assemelha àquele típico da menstruação. Normalmente, a cor mais escurecida está vinculada à mistura da secreção natural da vagina com a corrente sanguínea.

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Todo esse contexto precisa ser investigado pelo obstetra. A avaliação médica se torna urgente caso o corrimento seja acompanhado de:

  • odor desagradável;
  • quadro hemorrágico;
  • coceira na área da vagina;
  • dores na região abdominal;
  • Dor extrema ou desconforto ao urinar;
  • Períodos irregulares, fortes ou ausentes;
  • Ganho de peso;
  • Excesso de pelos faciais e corporais.

Alguns desses sinais podem apontar para um quadro de gestação ectópica, caracterizada pela formação do feto na parte externa do útero. Portanto, trata-se de um caso que precisa ser devidamente monitorado pelo corpo médico. Para entender melhor esta complicação da gravidez, consulte o artigo Gravidez Ectópica: Causas, Sintomas e Tratamentos.

Doenças que causam corrimento marrom

Entre as origens dessa variedade de corrimento estão a ardência do colo uterino, um ovário policístico e a DIP (doença inflamatória pélvica). Existem ainda outras procedências do corrimento marrom. Confira!

Irritação do colo do útero

Por se tratar de uma área extremamente suscetível, o colo uterino exibe uma forte tendência a sofrer irritação. A depender de cada organismo, a simples repetição do ato sexual (com penetração excessiva) pode acarretar o referido problema. O útero de algumas mulheres também exibe certo grau de irritabilidade após a realização do papanicolau, um exame bem comum.

Tratamento

Na verdade, não há a necessidade de providenciar uma terapia para esses eventos de irritação. A mulher pode ficar tranquila, desde que haja um baixo volume de secreção. Também é importante que a irritação não seja acompanhada de outros sinais.

Geralmente, um corrimento marrom não agravante pode desaparecer após a melhora dos hábitos de higiene na região íntima. Bons resultados podem ser conquistados em cerca de 2 dias. Mas para isso, a mulher precisa evitar a prática de relações enquanto estiver em fase de recuperação.

Doença inflamatória pélvica

Esse tipo de processo inflamatório tende a se iniciar nas áreas internas da vagina. Com o passar do tempo, ele se propaga para outras regiões, atingindo a região uterina.

Tratamento

Assim como acontece com outras patologias, essa doença é tratada conforme a sua origem. Normalmente, o tratamento é feito com remédios antibióticos, que podem ser tanto de via tópica quanto oral.

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É possível que o quadro não apresente nenhum sinal de estabilidade nos dias seguintes após o início do tratamento antibiótico. Nestes casos, o ginecologista costuma trocar as medicações. Além disso, é igualmente frequente a prescrição de medicamentos anti-inflamatórios e antitérmicos.

A realização de qualquer prática sexual também fica proibida durante o tratamento. Afinal, a doença inflamatória pélvica é sexualmente transmissível.

Cisto no ovário

Uma vez instalados no ovário, esses cistos costumam provocar sangramentos. Esses sangramentos podem se antecipar ao próprio período menstrual da mulher ou ocorrem depois dessa fase.

Como já comentado anteriormente, a mistura de sangue com as secreções podem originar o corrimento marrom. No entanto, a presença de cistos no ovário é marcada por um conjunto de sintomas, como:

  • ganho de peso;
  • dores no decorrer do período de ovulação;
  • dificuldade da mulher para entrar em fase gestacional;
  • prática sexual dolorosa.

Tratamento

Por ser um problema razoavelmente frequente em mulheres mais jovens, o tratamento não costuma ser específico. Em alguns casos, entretanto, o médico prescreve algum medicamento anticoncepcional.

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Por outro lado, os quadros graves podem culminar na realização da ooforectomia, a cirurgia de remoção dos ovários. Essa medida drástica se faz necessária quando há o risco de desenvolvimento de um tumor maligno, por exemplo.

Síndrome dos ovários policísticos

O corrimento marrom é uma das possíveis consequências dessa síndrome. Os ovários policísticos também podem provocar o desbalanceamento do período menstrual, além do surgimento de acne e pelos em quantidade excessiva.

Tratamento

Uma das formas eficazes de tratamento reside na adoção de uma pílula anticoncepcional. Este medicamento é importante porque promove o reequilíbrio da fase menstrual, pois age diretamente na concentração de hormônios disponível.

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Vale observar que cada mulher deve tomar um tipo de anticoncepcional específico. O objetivo é o de evitar efeitos colaterais indesejáveis. Para tanto, basta seguir as orientações do ginecologista.

Câncer de útero

A formação de um tumor maligno na região uterina costuma provocar:

  • profundo incômodo na área pélvica;
  • sangramento em intervalos desalinhados com o período menstrual;
  • sensação dolorosa depois da atividade sexual;
  • corrimento marrom.

Tratamento

Ao manifestar esses sintomas, a mulher deve buscar um atendimento ginecológico. O profissional efetuará um procedimento denominado colposcopia. Trata-se de um exame destinado a uma avaliação minuciosa dos tecidos vaginais, uterinos e da vulva.

Caso o câncer seja confirmado, a mulher terá à disposição os seguintes tratamentos:

  • conização — nesse caso, o médico remove uma parte (formato cônico) do colo do útero;
  • braquiterapia — trata-se de um tipo de radioterapia interna;
  • radioterapia — consiste no uso da emissão de ondas radiativas sobre o tecido atacado pelo câncer.

Como intervenção mais radical, pode-se também recorrer à completa remoção do útero.

Outras causas incluem:

Vaginose bacteriana: A condição pode afetar pessoas que nunca tiveram relações sexuais e pessoas em relacionamentos do mesmo sexo. É comum em mulheres grávidas, e ocorre quando há um desequilíbrio em algumas bactérias na vagina. A principal característica da vaginose bacteriana é um cheiro de peixe e a secreção  castanha originada da vagina.

Endometriose: A secreção também pode ser sinal de endometriose, no caso de ser acompanhada de dor pélvica extrema e períodos muito fortes. Trata-se de uma condição na qual o revestimento endometrial que normalmente se forma no interior do útero, cresce fora do útero, ao redor dos ovários, no tecido intestinal, no colo do útero ou na vagina.

Se notar algum dos sintomas indicados, deve consultar o ginecologista, pois ela pode causar infertilidade se não for tratada.

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Infecção: A secreção também pode ser um sinal precoce de infecção, quando acompanhada por outros sintomas como, erupções cutâneas ao redor da vagina ou ânus, dor ou sensação de queimação ao urinar, dor durante ou após a relação, dor abdominal, febre e corrimento fétido.

A clamídia, a gonorreia, as verrugas genitais (HPV), e a vulvovaginite, qualquer uma delas pode causar corrimento acastanhado.

Quando ir ao ginecologista

Tenha em mente que alguns sinais são preponderantes para se ir rapidamente ao consultório ginecológico, como:

  • corrimento marrom que aparece misturado com o sangue vermelho;
  • corrimento escuro seguido de um conjunto sintomático específico — vale se atentar ao odor desagradável, coceira e dores na área do abdômen;
  • corrimento persistente por 4 dias ou mais;
  • dor ou sangramento durante / após a relação, dor embaixo da barriga, períodos excessivamente pesados, dor ao urinar, dor pélvica ou secreção fétida;
  • qualquer mancha anormal que ocorra por três ou mais ciclos menstruais consecutivos;
  • qualquer sangramento vaginal anormal ou secreção após completar a menopausa.

Para efetuar o diagnóstico correto, o ginecologista verificará possíveis marcas no interior da calcinha da paciente. Naturalmente, o exame clínico também prevê a exame da ala interna da vagina com o auxílio de um especulo.

Como evitar o corrimento vaginal

Para evitar o corrimento escuro, a mulher não deve exagerar na lavagem da vagina. Esse péssimo hábito destrói uma barreira de proteção natural do órgão. Com isso, cria-se um ambiente favorável ao acúmulo de micro-organismos nocivos.

Além disso, as roupas íntimas devem ser de 100% algodão. Isso manterá a área vaginal longe da umidade excessiva. Por fim, as demais peças do vestuário não podem comprimir a região da vagina. Quanto mais arejada essa área for, menores serão as chances de a mulher ser infectada por agentes indesejáveis.

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Referências

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Holzer, R. A., Persons, R. K., & Jamieson, B. (2011, August 1). Evaluation of ovarian cysts. American Family Physician84(3). Retrieved from https://www.aafp.org/afp/2011/0801/od1.html

How many people are affected or at risk for PCOS? (2017, January 31). Retrieved from https://www.nichd.nih.gov/health/topics/pcos/conditioninfo/risk

Autores
Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093)

Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093

Dra Camille Vitoria Rocha Risegato - CRM SP nº 119093 é formada há 14 anos pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro.

Dra Camille mudou se para São Paulo onde realizou e concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (RQE nº 25978) no Centro de Referência de Saúde da Mulher no Hospital Pérola Byington em 2007.

Em 2008 se especializou em Patologia do Trato Genital Inferior nesse mesmo serviço. Ainda fez curso de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia na Escola Cetrus.

Trabalha em setor público e privado, atendendo atualmente em seu consultório médico particular situado na Avenida Leoncio de Magalhães 1192, no bairro do jardim São Paulo, zona norte de São Paulo.

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