Possíveis causas de Corrimento na Gravidez e quando pode ser grave

Revisado por Dr. Wesley Timana. Publicado em 22 de janeiro de 2019

O período de gestação de um bebê acarreta alguns sintomas bem particulares na mulher, como o corrimento vaginal. Para que seja considerado normal, o corrimento na gravidez deve ser transparente. Basicamente, essa secreção é liberada devido a uma superprodução de estrogênio e também acompanhada pelo aumento da circulação sanguínea na região pélvica.

Como se trata de um corrimento totalmente esperado (fisiológico), a gestante é orientada apenas a preservar os bons hábitos higiênicos relacionados à vagina. Na maior parte das vezes, essa secreção também possui uma textura levemente espessa, além de ser inodora.

A preocupação em relação a qualquer secreção vaginal apenas deve ser motivada na existência de algumas características anormais, como:

  • mau odor;
  • tonalidade diferente daquela translúcida;
  • textura pastosa.

Na presença de qualquer um desses aspectos, a gestante deve procurar ajuda médica. Muito provavelmente, estará infectada por alguma bactéria ou qualquer outro micro-organismo, alguns deles responsáveis por determinadas DSTs (doenças sexualmente transmissíveis). Portanto, todo cuidado é pouco. Afinal, a mulher deve evitar quaisquer chances de a contaminação chegar ao feto.

O Corrimento Faz Parte Da Gravidez De Uma Mulher, Por Isso Não Deve Ser Um Problema

Quando o corrimento pode ser grave

O nível de gravidade vai depender do tipo de cada corrimento. Conforme a coloração, o ginecologista é capaz de supor qual é o provável micro-organismo causador do malefício. Naturalmente, a comprovação é feita através de exames clínicos. A mulher deve ficar especialmente atenta quando o corriento tem uma tonalidade esverdeada, amarelada, tem um odor forte, ou motiva algum tipo de desconforto. As razões mais frequentes para mudanças no corrimento incluem:

1. Candidíase

Um dos micro-organismos responsáveis por gerar corrimentos vaginais irregulares são os fungos. O caso mais conhecido está ligado à atuação do Candida albicans.

Esta espécie provoca a chamada candidíase, uma infecção vaginal que libera secreções brancas e com consistência semelhante a certos queijos. Essas características se somam à irritabilidade cutânea e a uma coceira acentuada na região íntima da mulher.

A candidíase é extremamente frequente durante a gravidez, pois é uma fase marcada por profundas oscilações nas concentrações hormonais. O lado positivo é que a infecção não é transmitida ao feto enquanto ele estiver dentro da barriga da mãe.

No entanto, os agentes infecciosos podem ser transmitidos ao bebê no decorrer do parto normal. Isso acontece porque a boca do bebê é exposta ao contato da vagina. Como consequência, a criança ainda pode retransmitir os fungos para a mãe durante a amamentação.

O que fazer: Como se entende, o não tratamento da candidíase pode desencadear alguns sérios problemas. Após a identificação do fungo Candida albicans, o ginecologista receita alguns compostos fungicidas, disponíveis sob as formas tópica (pomadas) e oral (via comprimidos). O Miconazol e o Terconazol são alguns exemplos.

Complementarmente ao tratamento medicamentoso, a paciente pode cuidar melhor da alimentação. O ideal é que evite o consumo de alimentos muito açucarados. Entre os alimentos que melhoram os resultados proporcionados pelo tratamento destacamos o iogurte natural. Outra opção é o uso de alguns remédios caseiros, como o óleo de coco, iogurte natural e o aloe vera, para amenizar a coceira e maximizar a terapia indicada pelo médico.

2. Vaginose bacteriana

As mudanças nas quantidades de hormônios disponíveis também facilita a proliferação de bactérias no corpo da mulher. Com isso, a gestante fica muito mais predisposta a desenvolver uma infecção bem comum: a vaginose bacteriana. Vale lembrar que as chances de infecção aumentam dependendo do nível de negligência da mulher em relação à sua higiene vaginal. Em caso de dúvidas consulte o artigo: 10 Regras para Fazer a Higiene Íntima e evitar doenças.

O corrimento típico da vaginose bacteriana exibe uma coloração amarela ou acinzentada. Além disso, a secreção costuma exibir um forte odor desagradável, similar àquele gerado durante a deterioração dos peixes.

O que fazer: Em consultório ginecológico ou obstétrico, a mulher será analisada com toda a perícia necessária. Caso a proveniência do corrimento estranho seja mesmo bacteriana, a paciente terá de tomar antibióticos indicados e seguros para a gestação. O Metronidazol e a Clindamicina são dois exemplos. Geralmente, esse tipo de tratamento medicamentoso deve se manter por, no máximo, 1 semana.

é preciso consultar o obstetra ou o ginecologista para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento com antibióticos seguros para a gestação, como o Metronidazol ou a Clindamicina, por cerca de 7 dias. Veja mais sobre como é feito o tratamento desta infecção.

3. Gonorreia

A responsável pela contaminação da gonorreia é a Gonococo, uma bactéria que costuma se desenvolver na região dos órgãos sexuais. O aparecimento da gonorreia durante a gravidez segue o mesmo padrão de transmissão dos demais casos.

Logo, a única forma de se prevenir é através do uso constante de preservativos durante as relações sexuais. Se a gestante notar a saída de uma secreção amarelada, é motivo para alarme. Outros sintomas que acompanham o corrimento estranho são a liberação de grânulos na urina, além da incontinência urinária.

Ao contrário da candidíase, a gonorreia é uma doença que promove riscos à gestação do bebê. Como consequências principais destaca-se a:

  • probabilidade de aborto;
  • risco de parto prematuro;
  • contaminação do fluido amniótico.

O que fazer neste caso: Em caso de gravidez e perante a dúvida quanto ao contágio de uma DST, a mulher não deve hesitar em ir ao médico. Muitas vezes, é recomendável ir diretamente ao pronto-socorro. A terapia usada contra a gonorreia também é à base de antibióticos, sendo os medicamentos mais usados no tratamento, a ofloxacina, ciprofloxacinae a penicilina.

4. Tricomoníase

Igualmente classificada como DST, a tricomoníase é mais uma doença que pode levar a complicações graves na gestação do feto. O problema precisa ser igualmente diagnosticado com antecedência. Caso contrário, o feto pode nascer pré-maturo ou com uma pesagem inferior à média ideal para um recém-nascido.

Quanto à identificação prévia da tricomoníase, ela tende a gerar um corrimento de tonalidade amarela ou verde. Ao mesmo tempo, a mulher pode sentir uma forte coceira, além de uma irritação na pele. Também é comum a liberação de pequenas quantidades de sangue através da vagina.

O que fazer: Após a confirmação da tricomoníase, a mulher seguirá uma terapia antibiótica (ininterrupta) por até 1 semana. O Metronidazol é um dos fármacos usados.

Como distinguir o corrimento do rompimento da bolsa

A ruptura da bolsa d’água que circunda o útero da gestante é um evento esperado. O problema é quando a mulher não tem certeza se o líquido pertence ao fluido amniótico ou se é, na verdade, um corrimento qualquer. Para resolver essa incerteza, é necessário avaliar a textura e coloração do líquido:

  • fluido amniótico — deve ser incolor (no máximo, com uma coloração com traços de um tom amarelo) e inodoro;
  • corrimento — exibe uma textura pegajosa, além de uma coloração mais intensa e um odor acentuado.

Há ainda o chamado tampão mucoso. Essa secreção é tão espessa e amarela que lembra muito as características de um catarro. Ocasionalmente, pode ser acompanhado por traços sanguíneos, o que confere uma tonalidade que pende para o castanho. Por tudo isso, o tampão mucoso é bem distinto de qualquer outra secreção.

É natural que algumas gestantes liberem parte do fluido amniótico no período anterior ao parto. Se for esse o caso, o obstetra precisa examinar a paciente com atenção.

O uso de absorventes, mais do que nunca, cumpre uma segunda função. Eles ajudam a mulher a identificar os principais aspectos ligados a cada secreção emitida. Isso pode antecipar bastante a suspeita de algum corrimento anormal e, portanto, acelerar o início do tratamento – se necessário.

Quando ir ao médico

Em resumo, a gestante sempre deve ir ao consultório ginecológico ou obstétrico sempre que note ou sinta:

  • dores ou vestígios de sangue durante as relações sexuais;
  • dores durante a passagem da urina pela vagina;
  • corrimento vaginal com coloração intensa e cheiro fétido.

Obviamente, somam-se a isso os casos associados a quaisquer suspeitas de ruptura da bolsa d’água que reveste o útero. O mesmo se aplica à saída de sangue através do canal vaginal no decorrer do parto.

Algumas dicas a ter em conta

  • Use apenas roupas íntimas de algodão ou fibras naturais.
  • Não use papel higiênico perfumado ou géis de banho, pois os produtos químicos presentes nos perfumes podem causar infecções.
  • Lave a roupa interior com sabão neutro, em vez de detergente normal.

Como foi possível entender, o corrimento na gravidez pode ser um indício de algo muito grave. Vale enfatizar que a gravidez é uma fase muito delicada e que, portanto, merece todos os cuidados possíveis. Diante disso, a mulher precisa manter um cronograma de visitas médicas bem regular. Qualquer adversidade deve ser examinada e tratada com o máximo de antecedência, a fim de preservar a saúde da gestante e do feto.

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Autores
Dr. Wesley Timana

Ginecologista e Obstetra - CRM-PR: 30998 , RQE Nº: 20428 | CRM-SC: 24905 , RQE Nº: 15506

O Dr. Wesley Jose Timana Yovera é um médico jovem e carismático formado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná com especialização em ginecologia e obstetrícia pela Santa Casa de Misericórdia de Curitiba.

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Desenvolveu já no início da sua carreira o Espaço Timana - uma clínica voltada ao atendimento de excelência. Sempre multiconectado e influente no Facebook e Instagram, possui mais de 3 milhões de visualizações no YouTube, com vídeos que trazem ao público informação de qualidade dentro do universo feminino.

Selecionado por diversos projetos como médico do futuro sempre assiste as mulheres com respeito, carinho e atenção. É adepto da Slow Medicine (Medicina Sem Pressa) - uma forma humanizada de fazer medicina que aproxima pacientes e profissionais da saúde.

Com registro no Conselho Regional de Medicina do Paraná n° 30.998, atende atualmente em consultório particular, Av. Visconde de Guarapuava, 2764 - Centro - Curitiba - Tel. (41) 3503-9333 / 9.9995-5117.

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