Crianças que sobrevivem ao cancro têm maior risco de ter doenças cardíacas

Atualizado e Revisado por Drª Raquel Pires (Nutricionista - CRN-6 nº 23653) a 07/08/2019

Crianças que sobrevivem ao cancro têm maior risco de ter doenças cardíacas

Indivíduos que sobreviveram ao cancro na infância e adolescência têm uma maior probabilidade de vir a sofrer várias complicações cardíacas associadas à terapêutica a que foram submetidos. Esta é a conclusão geral de um estudo publicado na edição de 8 de Dezembro do British Medical Journal.

Daniel Mulrooney e colegas, da Universidade do Minnesota (EUA), compararam os dados de 14 358 sobreviventes do cancro durante cinco anos com irmãos de 3 899 sobreviventes da mesma doença. Os primeiros foram diagnosticados entre 1970 e 1986, antes dos 21 anos, e tinham um dos seguintes tipos de cancro: leucemia, tumor cerebral, linfoma de Hodgkin, linfoma não-Hodgkin, cancro renal, neuroblastoma, sarcoma dos tecidos moles ou cancro ósseo.

Verificou-se que os que sobreviveram ao cancro tiveram uma maior propensão para desenvolver insuficiência cardíaca congestiva, enfarte do miocárdio, doença pericárdica ou anomalias valvulares. Os investigadores constataram ainda que a exposição a 250 mg/m2 ou mais de antraciclinas aumentou em duas ou cinco vezes o risco relativo de insuficiência cardíaca congestiva, doença pericárdica e anomalias valvulares em comparação com os sobreviventes que não tinham sido expostos a esses fármacos.

Por outro lado, a exposição a radiações iguais ou superiores a 1500 centiGrays aumentou o risco relativo em duas ou seis vezes para aquelas complicações cardíacas comparativamente aos não-sobreviventes irradiados. A incidência cumulativa de efeitos adversos cardíacos em sobreviventes do cancro continua a aumentar até 30 anos após o diagnóstico.

“Os jovens adultos que sobrevivem a uma infância ou adolescência com cancro estão claramente em risco para uma morbilidade e mortalidade cardíaca precoces, as quais, em geral, não são reconhecidas nesta faixa etária. Esses indivíduos necessitam de acompanhamento clínico constante, especialmente quando se aproximam as idades em que a doença cardiovascular se torna mais predominante”, alerta Daniel Mulrooney.

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