Damião de Góis

Revisado por Andre a 28 outubro 2018

Damião de Góis nasceu em Alenquer em Fevereiro de 1502. Era filho de Rui Dias de Góis e de D.Isabel Gomes Limi. Órfão de pai em 1513, foi recebido no paço de D. Manuel e aí fez a sua formação em contacto com os grandes nomes da cultura do seu tempo: matemáticos, músicos, poetas e navegadores… Com vinte anos, parte para Anvers onde desempenhou o cargo de Secretário da Feitoria portuguesa. Nos anos seguintes; “servio nas partes da Alemanha, Flandres, Barbante e Holanda em negócios de muita importância onde foi tão quisto e aceito que o tinham todos por seu natural”.

Em 1529, em missão oficial, Damião de Góis vai ao Báltico, visita Danzigue e segue até aos confins da Lituânia; de regresso passou por Poznan demora-se na Corte da Cracóvia tendo ali, segundo consta, dado a provar, pela primeira vez, o açúcar.

Em 1531, noutra missão, vai à Dinamarca, segue para a Polónia, visita no caminho Lubeque e Vitemberga avistando-se nesta última cidade com Lutero e Melanchton.

Em 1532 desiste dos cargos e inicia uma nova fase da sua vida. Em 1534 vive em Basileia na companhia de Erasmo. Depois segue para Pádua onde frequenta durante quatro anos a Universidade. Nas férias contacta com as grandes figuras do humanismo do seu tempo e visita Veneza, Roma e a Itália de norte a sul. Buonamici, Sadoleto e Bembo figuram entre os seus amigos humanistas.

Terminada a sua escolaridade em Pádua, vai continuá-la em Lovaina. Foi nesta cidade e neste ano de 1538 que constituiu família, casando com D. Joana de Hargen.

Entre 1539 e 1542, com o perfeito domínio da língua latina, publica vários opúsculos: Commentarii rerum gestarum in India (1539) e Fides, religio moresque Aethioporum sub imperio Preciosi Joanni (1540).

Em 1545 regressa à Pátria “aureolado de prestígio pelas amizades que contraíra na Europa”.

Em 1548 é nomeado guarda-mor da Torre do Tombo, a título interino. Ao dispor, assim, das fontes documentais do arquivo régio, pode Damião de Goes dar início à sua obra de cronista.

Em 1566 saiu a primeira edição da Crónica do Felícissimo Rei D. Manuel que levantou protestos de certas famílias nobres que se “julgaram diminuídas pela narração do autor” e no ano seguinte foi reimpressa a 1ª. parte da Crónica com alterações marcando a “vitória dos cortesãos sobre o cronista probo que ousara flagelar os desvios da classe privilegiada”. Segue-se a Crónica do Príncipe Dom João o Segundo de Nome, em 1567.

Na variedade dos seus talentos Damião de Góis também foi amador de pintura, coleccionador de arte e cultivou a música tendo deixado algumas composições de natureza religiosa e profana. Daqui o poder afirmar-se que Damião de Góis foi uma “figura ímpar do renascimento português, como historiador e humanista, viajante e epistológrafo, diplomata e funcionário régio”.

Mas este homem de superior craveira, clássico de formação, de tendência cosmopolita, não encontrou no ambiente português as condições para desenvolver este belo ideal de vida. Acusado de heterodoxia e denunciado pelo seu companheiro de estudos em Pádua, P e. Simão Rodrigues de Azevedo, à Inquisição em 1545, veio a cair nas garras do Santo Oficio. Embora tivesse provado a sua inocência, foi preso e transferido, depois, para o Mosteiro da Batalha. Damião de Góis que tanto amou a sua terra, não omitindo na Crónica do reinado de D. Manuel “nenhuma acção valente praticada por um alenquerense” nela veio a encontrar, afinal, um trágico fim de vida. Nesta “nobre e histórica” vila, berço e túmulo de Damião de Goío, orgulho de todos nós, apareceu morto com suspeitas de assassinato, na sua casa de Alenquer em 30 de Janeiro de 1574.

O Município de Alenquer mandou erigir em honra à sua memória uma estátua. Está localizada junto ao edifício do Tribunal Judicial ­ à entrada da Vila de Alenquer.