Dermatite Atópica

Revisado por Equipe Editorial a 26 abril 2018

A dermatite atópica é uma inflamação crônica da pele, muito comum na infância, e apresenta, uma prevalência crescente, em especial, em zonas urbanas.

Estima-se que 10-20% das crianças e 1-3% dos adultos tenham dermatite atópica, atingindo tanto o sexo masculino como feminino.

Foto de Dermatide Atópica

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Em geral, surge durante o primeiro ano de vida, mas pode surgir até aos 5 anos, e persistir na adolescência e na idade adulta.

Sintomas de dermatite atópica

A dermatite atópica tem como principais sintomas a presença de prurido, coceira, lesões eritematosas, xerose (pele seca) e liquenificação (aumento da espessura da pele com acentuação do seu reticulado). É ainda característico haver uma alternância entre os períodos de exacerbação e os períodos de remissão.

É por isso importante reforçar a intervenção da farmácia prestando o melhor aconselhamento e informação quanto a:

  • Identificação de factores que podem agravar a doença;
  • Medidas práticas que promovem o bem-estar da pele;
  • Produtos adequados a este estado de pele;
  • Orientação na terapêutica farmacológica, em especial nos períodos de agravamento.

Os aspectos clínicos dominantes da dermatite atópica são:

  • prurido de intensidade variável;
  • carácter crónico;
  • recidivas frequentes com remissões intervaladas por crises de exacerbação;
  • tendência para a generalização nas fases agudas ou localização das lesões (acantonamento) quando a doença tende para a cronicidade.

Trata-se de uma reacção cutânea inflamatória com a sucessão de eritema, pequenas pápulas eritematosas e vesículas de conteúdo líquido claro amarelado que podem coalescer dando origem a bolhas de tamanhos variáveis.

Com o rebentamento das vesículas e bolhas formam-se erosões exsudativas cobertas por crostas amarelo-acastanhadas, por vezes espessas e aderentes. Na fase de resolução a pele descama e finalmente cicatriza.

Quando este processo não melhora, a inflamação mantém-se e surge o espessamento da pele, com acentuação das linhas cutâneas, muitas vezes escoriadas. Nesta fase crônica, o eczema diz-se liquenificado.

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As características clínicas da dermatite atópica variam em função da idade, particularmente no que diz respeito à morfologia e distribuição das lesões. Clinicamente podemos considerar três fases evolutivas mais ou menos distintas:

Bebê

No bebê, a face é a zona mais afectada, poupando a região central. Posteriormente podem ser atingidos a couro cabeludo, as partes laterais externas das pernas e tronco.

Em casos excepcionais o eczema pode generalizar a toda a pela da criança. As lesões são avermelhadas e ásperas, mas podem progredir em pequenas pápulas e vesículas, com exsudação, formação de crosta e descamação.

Em muitos casos ocorre a sobre-infecção secundária das erosões. A evolução é irregular, alternando períodos de agravamento e melhoria (por vezes relacionados com situações como infecções respiratórias, erupção dentária ou estímulos emocionais).

A afecção pode regredir totalmente durante o segundo ano de vida ou prosseguir durante a infância, com características algo diferentes.

Infância

Na infância as lesões são mais secas e a pele afectada torna-se mais espessa, formando placas de eczema escoriado, localizadas predominantemente nas pregas corporais, em especial, nas dobras dos braços e dos joelhos, e tornozelos.

O prurido é, por vezes muito intenso, podendo interferir com o sono da criança. Por vezes associam- se áreas hipopigmentadas arredondadas, mal delimitadas, finamente descamativas, na face e membros superiores.

A afecção tende a regredir mais cedo ou mais tarde até ao inicio da adolescência, podendo as lesões permanecer em algumas pessoas ou voltar na idade adulta.

Adultos

Na vida adulta as lesões são mais disseminadas e afectam em geral a fronte, as pálpebras, o pescoço, as pregas de flexão dos cotovelos e joelhos, os pulsos e a parte dorsal das mãos e pés.

Embora a cor, a intensidade e a localização das lesões possam variar, estas provocam sempre prurido. Este sintoma activa um ciclo de comichão-coçar-erupção-comichão que agrava o problema pois danifica a pele, permitindo a proliferação de bactérias e a ocorrência de infecções.

O agente mais frequentemente envolvido é o Staphilococcus aureus.

Tratamento para dermatite atópica

As medidas de tratamento da dermatite atópica devem ser sempre associadas à correcta identificação e evicção dos factores de agravamento. Os objectivos principais da terapêutica são: diminuir a secura, acalmar o prurido e controlar a inflamação. No final da matéria poderá encontrar também algumas soluções naturais para minimizar e tratar a doença.

1. Reequilíbrio da barreira cutânea

Produtos de higiene suaves (sem sabão/detergentes) para não irritar a pele;

Hidratante ou emoliente reduzem o número de exacerbações e a necessidade de utilização de terapêutica farmacológica. Aplicar diariamente após o banho e repetir a sua aplicação ao longo do dia de acordo com a gravidade da secura. Ambos devem aplicar-se sempre, mesmo nos intervalos das crises.

2. Tratamento farmacológico

a) Tratamentos tópicos

Os corticosteróides tópicos são essenciais para o controlo da dermatite, em especial nas fases agudas. Devem ser de baixa ou média potência (menos efeitos adversos) e usados o menor tempo possível (1-2 semanas).

Está disponível em Dermatite Atópica www.anfonline.pt uma tabela de classificação dos corticosteróides tópicos em função da sua potência relativa (baseada na acção vasoconstritora e resultados de ensaios clínicos).

Uma vez que apenas aliviam os sintomas, pode ocorrer efeito rebound quando descontinuados.

Os níveis de absorção estão na razão directa da dimensão da superfície corporal tratada – a criança tem uma elevada relação superfície corporal/peso -, da espessura da pele – a criança tem uma camada córnea mais fina – e da duração do tratamento.

As zonas de pele fina e áreas escoriadas têm uma maior absorção, e a oclusão também a potencia. Quanto à formulação, os cremes (óleo/água) são úteis para aplicação em lesões húmidas ou exsudativas, enquanto as pomadas (água/óleo) são reservadas para as lesões secas, liquenificadas ou escamosas, ou quando se pretenda um efeito mais oclusivo.

As loções estão mais indicadas quando se pretende a aplicação duma dose mínima numa área mais vasta, como o couro cabeludo ou zonas pilosas.

Qualquer concentração de corticosteróide é mais potente no veículo pomada do que no veículo creme ou loção, em virtude do seu excipiente gordo, que porporciona boa hidratação e potencia a penetração do corticóide por efeito oclusivo.

Os imunomodeladores tópicos – tacrolímus (Protopic®) e pimecrolímus (Elidel®) – devem ser reservados para as situações em que há resistência aos corticosteróides ou em tratamentos de manutenção para prevenir os efeitos secundários dos corticosteróides.

Actuam por inibição local da activação das células inflamatórias envolvidas (inibidores da calcineurina), em especial dos linfócitos T.

b) Tratamento sistémico

1 – Os corticosteróides estão destinados a situações pontuais – formas agudas e muito extensas – que não se conseguem controlar com medidas tópicas.

São feitos tratamentos de curta duração, 5 a 10 dias, com prednisona (Meticorten®) 0,5-1 mg/Kg ou deflazacorte (Rosilan®) 1 mg/Kg. Após este período efectuar a sua redução progressiva e intensificar as medidas tópicas.

2 –  Imunossupressores, como a ciclosporina ou interferão-gama são raramente utilizados.

c) Tratamento Adjuvante

1 –  A antibioterapia deve ser utilizada sempre que se verifica o aparecimento de pústulas sobre as lesões de eczema e formação de exsudado e crostas amarelas cor de mel.

A gravidade e extensão da lesão determinam o recurso a formulação antibiótica tópica ou sistémica (eritromicina, claritromicina, azitromicina ou flucloxacilina, dicloxacilina).

2 –  Os antihistamínicos permitem interromper o ciclo vicioso de prurido e subsequente escoriação, melhorando a qualidade de vida dos doentes em especial da criança.

Os anti-histamínicos orais de 1ª geração são os mais úteis (hidroxizina) dada a sua maior eficácia antipruriginosa. Os anti-histamínicos orais de 2ª geração – cetirizina, loratadina – constituem opção quando o efeito de sedação interfere com a vida quotidiana do doente.

3 – Os probióticos (Lactobaciollus) parecem ter algum interesse mas a dose, eficácia, segurança e duração da terapêutica não estão ainda estabelecidas.

4 –  A fototerapia com radiação UVA, UVB e combinação de ambas ou psoraleno e UVA (PUVA) é usada apenas nos casos mais graves e refractários.

Outras medidas de tratamento

  • Banho diário com água morna (33-34ºC), lavagem rápida, aplicar sabão neutro apenas nas pregas do pescoço, axilas, zona genital (Leia: Coceira Vaginal), mãos e pés;
  • Secar, sem esfregar, com toalha macia de algodão;
  • Vestir roupa de algodão, em especial roupa interior, e evitar a lã ou fibras. A roupa deve ser larga e não causar sobreaquecimento;
  • Evitar a utilização de amaciadores e lixívia na lavagem da roupa;
  • Limitar a ingestão dos alimentos mais associados a reacções alérgicas: ovo, leite de vaca, amendoim, marisco, soja e chocolate;
  • Evitar actividade física que cause transpiração excessiva;
  • Protecção solar.

A identificação e tratamento precoce da dermatite atópica são importantes para reduzir as lesões e os sintomas, prevenir as recorrências e para modificar o curso natural da doença.

A farmácia, pela proximidade com as pessoas com dermatite atópica e pais de crianças com esta patologia, deve reforçar a comunicação no sentido de assegurar os resultados terapêuticos, através da promoção da aderência ao tratamento e disponibilização de toda a informação acerca dos benefícios, riscos e limitações do tratamento.

O farmacêutico deve ainda incentivar e capacitar o doente para os autocuidados, que devem estar sempre presentes mesmo quando não há exacerbações da dermatite atópica.

Medicamentos Manipulados

Dermatite atópica em Fase Aguda

Nesta fase pretende-se eliminar o processo inflamatório e prurido. Em lesões excudativas usam-se soluções secantes e desinfectantes. Noutras lesões utilizam-se:

  • a) corticosteroides níveis III ou II atendendo à toxicidade, severidade da patologia e extensão de aplicação;
  • b) antibióticos tópicos (de largo espectro ou específicos de estafilococos);
  • c) regeneradores de tecido epitelial, hidratantes e emolientes,
  • d) antipruriginosos.

Os veículos são emulsões O/A fluídas (corpo), O/A de baixo ou média % oleosa (creme de Beeler / creme aquoso BP) e O/A glucídicas.

Águas secantes: soluções aquosas desinfectantes. A utilizar em lesões exudativas.

Solução aquosa de:

  • 1) permanganato de potássio 0,005% a 0,2%
  • 2) eosina 1% a 2%
  • 3) sulfato de cobre a 0,1%, sulfato de zinco a 0,2% e alumínio a 0,3%
  • 4) fusidato de sódio a 2%

Aplicar sobre a zona a limpar, sem esfregar, pelo menos duas vezes ao dia, ou antes da aplicação de outra medicação tópica para tratamento da dermatite atópica.

Emulsões O/A de corticoides tópicos, antibióticos, inibidores da calcineurina e outros. A utilizar em lesões de exudação diminuída ou não existente.

1) (zona corporal)

  • Prednicarbato (corticoide nível III ) 0,25%
  • Ácido fusídico (antibacteriano) 2%
  • Óleo de borragem (c/ ac. Insaturados) 4%
  • Óleo de Rosa Mosqueta (c/ ac. Insaturados) 5%
  • Creme base Aq. BP (médio conteúdo oleoso) 100 g

2) (zona corporal extensa)

  • Triancinolona acet. (corticoide nível III ) 0,1%
  • Gentamicina (antibacteriano) 0,1%
  • Loção O/A 250 g

3)

  • Tacrolimus (inibidores da calcineurina) 0,03% a 0,1%
  • Fusidato de sódio (antibacteriano) 2%
  • Creme base Aq. BP ou Em. O/A glucídica 50 g

Dermatite atópica em Fase Sub Aguda e Crônica

Nesta fase utilizam-se corticosteroides de menor potência, inibidores da calcineurina, antibacterianos, antipruriginosos e veículos emolientes hidratantes.

1 (lesões sub-agudas)

  • Betametasona Val. (corticoide nível II ) 0,1%
  • Ext Avena 5%
  • Alantoína (reparador tecidular) 1%
  • Ext Centelha 1%
  • Creme base Aq. BP 100g

2 (lesões crônicas)

  • Clobetasol (corticoide nível II ) 0,05%
  • Tacrolimus (inibidores da calcineurina) 0,05% a 0,1%
  • Creme Lanette 80 g

3 (lesões crónicas)

  • Clobetasol (corticoide nível II ) 0,05%
  • Propilenoglicol 20%
  • Ácido Salicílico 3%
  • Pomada hidrófila 100g

Prurido (coceira ou comichão)

O prurido ou comichão é pruritoceptivo e neuropático, ocasionando processos de inflamação.

1)

  • Doxepina (antidepressivo tricíclico) 5%
  • Triancinolona acet. (corticoide nível III ) 0,1%
  • Em. O/A não iónica 80 g

2)

  • Lidocaina (anestésico local) 3%
  • Ext. Alcatrão mineral 2%-4%
  • Polidocanol (tensioactivo anestésico) 4%-6%
  • Em. O/A 60 g

3)

  • Capsaicina (anestésico local) 0,05%-0,1%
  • Em. O/A 50 g

Fase de manutenção

Nesta fase é fundamental manter o regime de hidratação da pele para evitar a reincidência de surtos. Para tal utilizam- se Emulsões:

1) O/A aniónicas (base de Beeler e creme aquoso BP),

2) O/A não iónicas e 3) O/A glucídicas, com as seguintes características:

  • a) fase oleosa: 15% (emulsões fluídas corporais) a 30% (emulsões consistentes para peles secas), composta por óleos com ácidos insaturados.
  • b) humetantes: a glicerina e o sorbitol, são preferenciais. O propilenoglicol pode ser irritante.
  • c) Hidratante: a ureia (5% a 6%).
  • d) Outras substâncias: d1) nicotinamida (2%-5%), diminui a perda transepidérmica de água; d2) estabilizadores da reactividade cutânea (extracto de avena, extrato de camomila); d3) promotores da epitelização: alantoína, extrato de centelha asiática, óleo de rosa mosqueta, óleo de calêndula.

Utilizam-se ainda, nesta fase, óleos de hidratação corporal, a aplicar antes da emulsão, compostos por lípidos de alta qualidade, ácidos gordos insaturados em grandes concentrações e, em certos casos, antipruriginosos.

Fotos de Dermatite Atópica

Fotos Antes e Depois da dermatite atópica

Esta criança sofria de dermatite atópica grave e infecção bacteriana secundária. O transtorno foi rapidamente eliminado com a administração de cefalexina oral, prednisolona, e aplicação da pomada tópica tacrolimus.

Conclusão: Poderá, eventualmente, necessitar de tomar remédios (medicamentos) para alívio da coceira.

Cremes hidratantes e pomadas de diversos produtos activos, incluindo corticóides, podem ser utilizados para tratar a dermatite atópica.

Poderá até necessitar de tomar antibióticos se a sua pele estiver infectada, como consequência do ato de coçar. Não passe muito tempo dentro de água pois ela poderá secar a sua pele ainda mais.

Informe-se sobre as atividades e tudo aquilo que pode causar irritações cutâneas e afaste-se delas.

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Links Úteis

Referências: (Sociedade Portuguesa de Dermatologia)