Dermatofitose: causas, sintomas e tratamento

Atualizado e Revisado por Dr Pedro Secchin (Dermatologista CRM-SP 195965) a 21/12/2018. Publicado originalmente em 21 de dezembro de 2018

Popularmente conhecida como frieira (“pé-de-atleta”), a dermatofitose é um tipo de micose, problema de ordem cutânea causado pelos chamados dermatófitos, uma variedade de fungos que se alimentam de queratina – uma proteína encontrada na epiderme. Essa micose é adquirida pelo contato com determinados ambientes e tem como principais sintomas a manifestação de pequenas manchas, que podem se estender ao resto do corpo.

Dermatofitose: sintomas e tratamento

Qual profissional devo procurar? Qual o diagnóstico?

Como qualquer outra condição médica vinculada à pele, o dermatologista é o profissional especializado em micoses. Porém, nada impede que um clínico geral possa efetuar esse tipo de diagnóstico, dado o caráter comum que ele apresenta.

O diagnóstico é embasado na avaliação do histórico médico do paciente. Alguns exames feitos em laboratório também ajudam na hora de definir o diagnóstico. Mas o exame decisivo para determinar os quadros de dermatofitose é a raspagem e a coleta de uma amostra de pele da região suspeita.

Depois da coleta, as partículas da amostra são tratadas com hidróxido de potássio (KHO) a 10 ou 20%. Esse composto permite a visualização de conídios fúngicos, artrósporos e hifas.

Depois da conclusão da análise, uma porção do fungo coletado fica armazenada para pesquisas posteriores.

Quaisquer possíveis substâncias que possam comprometer os resultados desse tipo de exame devem ser descartadas. Por esse motivo, o médico deve questionar se o paciente consumiu algum remédio antifungo no período anterior de uma semana à realização da análise.

Vale frisar também que os procedimentos que compreendem a coleta e manuseio da amostra do exame seguem um protocolo extremamente severo. O objetivo é evitar que haja quaisquer tipos de contaminação que possam prejudicar a conclusão do diagnóstico.

Diagnóstico em pequenos animais

Em animais de pequeno porte, como os cachorros, o diagnóstico dessa variante de micose segue algumas táticas peculiares. Ao todo, são 3 exames. O problema é que, isoladamente, nenhum deles produz resultados realmente conclusivos e satisfatórios.

Assim, o ideal é que todos sejam realizados e, posteriormente, tenham seus resultados comparados. Esse cuidado diminui consideravelmente a frequência de resultados falsos positivos e vice-versa.

Desse modo, evita-se que animais saudáveis sejam medicados desnecessariamente. Vale lembrar que as substâncias medicamentosas podem provocar reações adversas.

Microscopia direta

Embora produza resultados significativamente mais consistes do que a lâmpada de Woods (que será comentada logo a seguir), a microscopia direta ainda não é totalmente confiável. De acordo com algumas pesquisas, o índice de confiabilidade do exame, que consiste na remoção e avaliação de uma amostra do pelo do anima, oscila de 65% a 80%.

Como você pode notar, há até uma alta discrepância na própria taxa de sensibilidade da técnica.

Lâmpada de Wood

A capacidade da lâmpada de Wood em diagnosticar a dermatofitose é de cerca de 40%. Com uma taxa de precisão tão baixa, a presença do fungo causador da doença tende a passar despercebida. Porém, se a inconsistência do teste produz um elevado número de falsos negativos, o mesmo não se pode dizer com relação aos falsos positivos.

A raridade desse último resultado justifica a adoção da lâmpada de Wood. Afinal, em caso de um resultado positivo, é quase certeza que o fungo está instalado naquele animal. Outros fatores favoráveis ao uso do método são a simplicidade de rapidez.

Para efetuar o teste, basta posicionar o animal em um ambientes destituído de luminosidade e, sem seguida, expô-lo à luz negra. A infecção será caracterizada pela exibição de uma pelagem verde fluorescente no local atacado supostamente atacado pelo fungo.

Cultura fúngica

Dos 3 exames em consideração, esse é o mais eficaz para o diagnóstico da dermatofitose. Uma demonstração do poder do teste se refere ao fato de ele também ser aplicado em seres humanos com o mesmo fim.

Logo, o exame de cultura fúngica consiste naquele processo de coleta de uma parte do tecido sob ataque fúngico. Em ambiente laboratorial, são reproduzidas as condições ideais de síntese da espécie. Desse modo, o fungo irá se reproduzir, facilitando a sua identificação e investigação.

Quais os sintomas

Vale lembrar que qualquer região corpórea está sujeita a desenvolver a dermatofitose. No entanto, algumas partes do corpo exibem uma incidência mais frequente, como as áreas compreendidas pela virilha, axilas e articulações. As áreas entre os dedos também são um alvo bem comum.

Uma vez que a o fungo esteja sobre a pele, o indivíduo pode exibir os seguintes sintomas:

  • Dores e rachaduras — quando o problema atinge os pés;
  • Surgimento de nódoas avermelhadas ou esbranquiçadas seguidas de coceira;
  • Erupções cutâneas — apresentam-se sob a aparência de um círculo com as margens erguidas. Na região central, a epiderme exibe um aspecto normal. Além disso, essas erupções tendem a provocar comichões e a se alastrarem (o que depende do progresso da infecção fúngica);
  • Proeminência da parte lesionada — com o risco de formação de crostas.

Em casos avançados de dermatofitose, aqueles círculos (assemelham-se a anéis) citados há pouco podem se fundir uns aos outros. Nos mesmos estágios, as regiões do entorno dos círculos podem exibir bolhas com pus.

Tipos de dermatofitose

A dermatofitose refere-se a uma infecção micótica superficial causada por um de três grupos de fungos queratinofílicos: Trichophyton (infecta pele, unhas, cabelo), Microsporum (pele e cabelo), e Epidermophyton (pele e unhas). Os tipos de dermatofitose conhecidos são:

  • Tinea;
  • Profunda;
  • Subcutânea;
  • Onicomicose dermatofítica;
  • Epidermofitíase.

Confira os detalhes sobre cada um desses tipos na sequência.

Tinea capitis e Tinea barbae

Esse é o tipo de dermatofitose que atinge a região da barba e couro cabeludo. No couro cabeludo, o transtorno apresenta 3 variações:

  • Alopecia areata ou multifocal;
  • Formação de uma camada caracterizada pela presença de exsudação, eritemas e crostas;
  • Líquido com soro que se deposita no entorno do pelo — após secar, esse líquido forma uma camada de cor amarela e passa a emanar um cheiro intenso. Em casos crônicos, o problema ainda produz uma foliculite que, conforme cada caso, pode culminar no desenvolvimento de cicatrizes sobre os pelos. Esse último processo, por sua vez, pode evoluir para um quadro de alopecia permanente.

Em qualquer uma das situações acima, o fungo causador dos problemas se introduz na área mais externa da pele.

Na barba, a tinea é marcada pela ocorrência de foliculite. Esses casos de tinea na barba são mais recorrentes nos indivíduos que residem nos campos.

Epidermofitíase (corporis, cruris e pedis)

Nesse caso, a dermatofitose é aquela que atinge as áreas destituídas de pelos. O ataque fúngico se limita à parte mais externa da pele. Nas pequenas partes entre os dedos, o ataque é acompanhado de comichão e de uma sensação de ardor. Mas há 3 vertentes de epidermofitíases:

  • Tinea corporis;
  • Tinea cruris;
  • Tinea pedis.

Tinea corporis

Esta tinea é caracterizada por um processo inflamatório que se afasta da região central da lesão. Ela pode conter apenas um ou mais focos de ação. Quando multifocal, os pontos lesionados podem se fundir. Além disso, as regiões atingidas ganham aspecto eritematoso, ocasionam coceira e se descamam.

Tinea cruris

Este tipo de tinea atinge a virilha masculina. Visualmente, ela exibe uma tonalidade vermelha devido à mescla de algumas nódoas no local.

A tinea cruris também é caracterizada pela presença de eritemas e bolsas de pus. A lesão pode igualmente acometer as axilas, além das áreas compreendidas entre os glúteos e entre as mamas.

Tinea pedis

Das 3 epidermofitíases, a tinea pedis é a mais frequente. Essa forma de lesão surge nas regiões interdigitoplantares e pode tanto desenvolver eczemas como resultar na condensação do estrato córneo.

Há ainda uma subdivisão clínica:

  • Hiperqueratótica — a região afetada ganha um aspecto eritematoso e forma crostas (situadas nas plantas ou laterais dos pés);
  • Desidróitica — caracterizada pela presença de uma bolha que contém um líquido semelhante ao de frutas cítricas;
  • Intertriginosa — essa tinea corresponde ao popular “pé-de-atléta”. Ela ocorre após um profundo e frequente atrito na parte inferior dos dedos do pé. As rachaduras provenientes desse processo causam uma coceira de nível relativo.

Onicomicose dermatofítica (Tinea ungium)

Variante mais frequente de onicomicose, a Tinea ungium aparece nas unhas (das mãos ou dos pés). Nesse caso, o fungo se instala sobre as extremidades das unhas, que passa a exibir um aspecto fosco. A Onicomicose dermatofítica se subdivide em 4 tipos:

  • Distrófica total;
  • Subungueal proximal;
  • Superficial branca;
  • Subungueal distal — responsável por cerca de 90% das ocorrências; deixa a unha grossa e fosca.

Dermatofitose subcutânea e profunda

Como as áreas desse tipo de dermatofitose ficam abaixo da epiderme, elas não possuem queratina. Na dermatofitose subcutânea, há processos inflamatórios que culminam no intumescimento e aglutinações purulentas na região em questão.

Vale observar que as erupções cutâneas decorrentes desse processo não surgem nas palmas das mãos, plantas dos pés, nos arredores das virilhas ou no couro cabeludo, mas podem aparecer em todas as outras áreas cutâneas.

O que causa?

Como dito no início desse artigo, a dermatofitose recebe esse nome porque é causada pelos dermatófitos, que podem ser classificados em 3 gêneros:

  • Epidermophyton — desse gênero, somente a espécie floccosum pode adoecer a raça humana. Esse fungo pode se instalar nas unhas ou na epiderme;
  • Trichophyton — é desse gênero que provém a espécie rubrum, o principal fungo infeccioso que se alimenta de queratina. Além das unhas e da pele, esse fungo também acomete os pelos;
  • Microsporum — ataca somente os pelos e a pele.

Os fungos queratinofílicos (que se alimentam de queratina) permanecem na epiderme. Ao alcançarem as camadas situadas abaixo da epiderme, esses micro-organismos provocam intumescimento e processos inflamatórios no local.

Segundo estimativas, os 3 gêneros de dermatófitos abrangem aproximadamente 30 espécies desse fungo, capaz de atacar quais animais e pessoas.

No que se refere ao habitat, os fungos dermatófitos podem ser:

  • Zoofílicos — esses fungos são aqueles que se instalam nas peles, penas e cascos dos animais (silvestres ou de estimação). Entre as espécies mais frequentes estão o T. verrucosum, o T. equinum, o Microsporum canis, o Trichophyton mentagrophytes e o M. gypseum.

Tem cura? Como é feito o tratamento

Como o agente causador do problema é um fungo, ele deve ser eliminado com compostos antifúngicos. Na maioria dos casos, basta o uso de medicamentos tópicos, sob a forma de gel, pomada ou spray, como o clotrimazol, miconazol ou bifonazol.

Além do tratamento medicamentoso, também é importante o indivíduo seguir as orientações médicas, principalmente no que concerne à retirada dos pelos da região atingida pelos fungos.

Simultaneamente à remoção dos pelos, devem ser removidos quaisquer vestígios cutâneos infectados pelos fungos.

Em relação aos remédios tipicamente receitados pelo dermatologista, existem vários, e geralmente incluem:

  • Predsim;
  • Itraspor;
  • Itraconazol;
  • Decadron;
  • Canesten;
  • Candicort;
  • Antimicóticos;
  • Clotrimazol;
  • Betametasona;
  • Cetoconazol;
  • Clotren;
  • Icaden;
  • Nitrato de miconazol;
  • Tolnaftato;
  • Miconazol;
  • Fungirox;
  • Ciclopirox olamina;
  • Nitrato de isoconazol;
  • Terbinafina;
  • Fluconazol;
  • Dexanetasona.

Tratamento caseiro

Reunimos uma lista de plantas e compostos naturais que podem ajudar a curar a dermatofitose e a aliviar a coceira causada pela infecção. As plantas que podem ser usadas para preparar alguns remédios caseiros para a micose de pele são a cúrcuma, vinagre de maçã, neem, óleo de coco, alho e óleo de melaleuca. Veja como usar estes remédios caseiros:

Cúrcuma: O açafrão-da-terra é conhecido pelas suas propriedades anti-inflamatórias. Acredita-se que a curcumina presente na cúrcuma tenha propriedades antimicrobianas. (R)

Como usar: Use o açafrão-da-terra no chá ou na preparação de refeições, ou faça uma pasta de cúrcuma com água ou óleo de coco e aplique na região infectada. Nota: A aplicação de cúrcuma diretamente na pele pode fazer com que ela fique amarela, mas não se preocupe, pois desaparece em poucos dias.

Vinagre De Maçã: As propriedades anti-fúngicas do vinagre de maçã podem ajudar a tratar a coceira e a secura provocada pela micose, neutralizando o pH. (R)

Como usar: Aplique o vinagre de maçã na área infectada usando uma bola de algodão. Repita o processo até 3 vezes ao dia. Lave o local após 15 minutos.

Extrato de folhas de Neem: A Azadirachta indica, também conhecida como “Neem”, é considerada o melhor desintoxicante natural e antifúngico na Índia há centenas de anos, ajudando a remover os principais patógenos e dermófitos da pele. (R)

Como usar: Ferva as folhas de neem em água durante alguns minutos. Lave a área infectada com água. Não ferva as folhas por muito tempo, nem aplique as folhas diretamente sobre a infecção, pois pode causar irritação na pele.

Óleo De Coco: O óleo de coco contém ácidos graxos que ajudam em alguns quadros infecciosos, danificando as membranas celulares do fungo. No entanto, ele apenas é eficaz em infecções leves e moderadas. (R)

Como usar: Aplique o óleo de coco na região infectada 3 vezes por dia. Use-o durante algumas semanas, mesmo depois da infecção ter desaparecido.

Óleo de Orégano: O óleo de orégano (principalmente o orégano selvagem (Origanum vulgare) contém timol e carvacrol, que podem impedir o crescimento de fungos. (R)

Como usar: Use sempre o óleo de orégano diluído na região infectada. Aplique até 3 vezes ao dia. Nota: Certifique-se de comprar um óleo de orégano selvagem (Origanum Vulgare) já que, a maioria dos óleos de orégano vendidos no mercado são provenientes da manjerona (Origanum majorana).

Alho: O alho é provavelmente a planta mais usada em casa para tratar infecções. Ele pode ser eficaz contra micoses, bem como contra a Trichophyton, Torulopsis, Candida e Cryptococcus. (R)

Como usar: Não aplique a pasta de alho diretamente no fungo, pois pode causar irritação. Em vez disso, misture-a com azeite ou óleo de coco e aplique uma camada fina na área infectada usando uma bola de algodão ou um pano limpo. Mantenha a solução no local durante 2 horas e enxague. Pode repetir a aplicação duas vezes ao dia, até ver melhoras.

Óleo de melaleuca (árvore do chá): Os nativos australianos acreditaram nas propriedades antibacterianas e anti-fúngicas do óleo de melaleuca há séculos. Atualmente é um produto muito usado no tratamento de infecções fúngicas, agindo como desinfetante e redutor de estados inflamatórios. (R)

Como usar: Dilua 2% de óleo de melaleuca em óleo de coco. Aplique 3 vezes ao dia na região infectada.

Como prevenir? É transmissível?

Os fungos podem, de fato, passar de um organismo para outro. Esse tipo de micro-organismo está presente nos ambientes, nas pessoas e nos animais. O contato com qualquer indivíduo, animal ou pessoa contaminados resultará na transmissão do fungo.

O uso compartilhado de cobertas, travesseiros, escovas de cabelo, roupas ou qualquer outro objeto contaminado já é o suficiente para que o fungo se desloque para o corpo de outra pessoa, multiplicando-se nele.

Como as pessoas ou animais de estimação podem conter o fungo sem apresentar quaisquer sintomas, evitar a dermatofitose não é algo tão simples. Caso algum animal doméstico do lar seja diagnosticado com o problema, ele deve ser imediatamente isolado. A manutenção da quarentena deve perdurar até que o animal esteja totalmente curado.

No que diz respeito aos ambientes, infelizmente alguns fungos podem permanecer vivos durante cerca de 20 meses.

Caso alguém da casa seja infectado pela dermatofitose, recomenda-se que os objetos pessoais dela, bem como o ambiente de convívio, sejam submetidos a um processo de limpeza e desinfecção.

Para isso, é necessário formar uma solução com soda cáustica a 5% e hipoclorito de sódio na proporção de 1: 10.

Na falta da soda cáustica, ela pode ser substituída por Biocid (produto que, dentre outras funções, é um poderoso fungicida) na proporção de 1: 250.

Além de todos esses cuidados, você também deve se atentar a essas recomendações extras:

  • Examine seus animais de estimação em busca de possíveis falhas nas pelagens — em caso positivo, você deve levá-los a um veterinário imediatamente;
  • Evite o acúmulo de suor;
  • Utilize luvas antes de mexer com a terra;
  • Evite a utilização de peças de vestuário muito justas;
  • Tome cuidado ao praticar esportes que o exponham ao contato físico;
  • Evite emprestar certos itens, como toalhas, cortadores de unhas, luvas e roupas;
  • Cuide-se para que a imunidade do seu organismo esteja em alta;
  • Evite o contato com ambientes excessivamente úmidos.

Possíveis complicações

Longe de ser uma doença grave, a dermatofitose não tende a ultrapassar as camadas mais superficiais da pele.

Apesar disso, vale salientar que os indivíduos com o vírus da AIDS ou que sejam portadores de qualquer outra doença que debilite o sistema imunológico se tornam mais vulneráveis. Com isso, eles são propensos a conviver com o problema durante um período mais longo.

Uma infecção cutânea sempre pode predispor a pele a sofrer outras lesões. De uma forma ou de outra, a dermatofitose costuma causar irritação, fissuras e coceiras na pele. Esses pequenos transtornos podem fornecer o meio necessário para que algumas bactérias adentrem o organismo.

A Dermatofitose em animais

A dermatofitose zoofílica é aquela que acomete os animais (silvestres ou domésticos). Saiba quais são os animais que podem sofrer com o problema.

Cães: Nos cães, a dermatofitose pode ser identificada pelo aparecimento de uma alopecia, marcada por falhas circulares nos pelos. A formação de pústulas e a descamação da pele também são fortes indícios. Em alguns casos, o animal pode desenvolver crostas.

Gatos: Nos felinos domésticos de pelos longos, a identificação da dermatofitose é dificultada. Assim como os cachorros, os gatos também podem exibir pelos frágeis, que se quebram com facilidade. Ao entrar em contato com a pele de uma pessoa, o pelo transmite o fungo causador da micose.

No gato persa, a micose pode atingir as camadas mais profundas da pele e acarretar o desenvolvimento de nódulos. No entanto, esses casos são bem incomuns.

As pseudomicetonas (quando o fungo atinge a derme) ocorrem no início do rabo e na parte do tronco dos animais (tanto em gatos como em cachorros).

A causa dessa complicação pode estar ligada à ruptura do folículo piloso. Outra possível origem é uma infecção dermatofílica crônica. Nenhuma dessas duas hipóteses, entretanto, já foi realmente comprovada.

Ademais, as unhas de cachorros e gatos também podem ser atacadas pelos dermatófitos, ficando secas, com fissuras e formato irregular, além do risco de se tornarem quebradiças.

Bovinos e equinos: Nesses animais, o problema também é caracterizado por uma alopecia circular. A coloração do pelo pode ganhar tons cinzas, enquanto a pele pode sofrer descamação.

Uma particularidade da dermatofitose na espécie bovina é que as regiões iniciais da infecção abrangem a cabeça e a coluna cervical. Posteriormente, os fungos podem se deslocar para o tronco e rabo. Nos casos crônicos da micose, ocorre a formação de camadas espessas e protuberantes.

Nos cavalos e animais da mesma espécie, as lesões começam nas regiões do lombo e depois se espalham para a cabeça. Os ataques não chegam a causar coceira.

Dermatofitose

Grupo de risco

Apesar de qualquer indivíduo correr o risco de contrair a dermatofitose, as crianças merecem uma atenção especial, já que são mais vulneráveis.

De acordo com alguns estudos sobre o assunto, cerca de 15% da população mundial será contaminada com algum tipo de fungo ao longo da vida. Evite a aplicação de cremes na pele sem realizar uma consulta prévia com um dermatologista.

A utilização inadequada pode dificultar o diagnóstico de uma possível dermatofitose. Portanto, a orientação médica continua vindo em primeiro lugar.

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Autores
Dr Pedro Secchin (Dermatologista CRM-SP 195965)

Dermatologista - CRM-SP 195965 / RQE 73850

Consultar > Currículo Lattes.

O Dr. Pedro Secchin é Graduado em Medicina pela Universidade Gama Filho (UGF) – 2011. É Mestrado em Medicina pela Fundação Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Além disso o Dr. também possui:

- Especialização em Dermatologia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (HUCFF/UFRJ) - 2018.

- Título de especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e Associação Médica Brasileira (AMB).

- É membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Endereço: Rua Inglês de Sousa, 449. CEP: 01546-010 - Jardim da Glória São Paulo - São Paulo Telefone: ‪(11) ‬4301-9931

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