Descolamento de retina: Entenda o que é e como tratar

Revisado por Equipe Editorial a 29 novembro 2018

O que é o descolamento de retina? Cerca de 20 mil brasileiros são surpreendidos anualmente com o diagnóstico positivo para o descolamento de retina. Trata-se de um transtorno grave. Após essa notícia, eles são informados sobre o maior risco atrelado ao problema: a perda da visão — a probabilidade é proporcional à hesitação em iniciar o tratamento adequado.

Entenda O Que é Descolamento De Retina E Qual O Melhor Tratamento

O risco de cegueira se justifica pelo fato de a retina ser uma película muito delicada e vulnerável. Após o registro dos objetos presentes no campo de visão, a retina codifica as imagens, deixando-as na linguagem que pode ser interpretada pelo cérebro: a dos estímulos nervosos.

Com isso, é possível concluir que todas as imagens que nós imaginamos ver não passam de uma mera interpretação resultante das projeções criadas pela retina, uma membrana extremamente fina que recobre internamente os olhos.

Ocorre que essa membrana (a retina) não fica fixa sobre o globo ocular. Na verdade, a retina é uma camada tão fina que é possível compará-la com um tecido de seda — levando-se em conta todas as proporções, evidentemente.

O chamado descolamento de retina acontece quando essa delicada membrana se solta da superfície do globo ocular. Para que isso aconteça, é necessário que a região atingida sofra alguma compressão ou abertura significativas. Vale lembrar que a retina pode se desprender parcial ou totalmente.

Essas falhas, por sua vez, podem resultar não somente de danos oculares, mas igualmente cranianos. Some-se a isso algumas infecções ou enfermidades, que também podem culminar no mesmo problema. A idade avançada também é outra causa de descolamento de retina.

Porém, convém observar que a violação da retina não implica, obrigatoriamente, no descolamento dela. Conforme o caso, um procedimento com o auxílio de um laser costuma ser o bastante para evitar o agravamento do quadro. No entanto, se a retina realmente estiver separada do globo ocular a solução será uma intervenção cirúrgica — o que evidencia a severidade do caso.

Com o descolamento, a membrana deixa de ser devidamente nutrida. Consequentemente, inicia-se um processo degenerativo implacável e que pode culminar na perda da visão. As sequelas deixadas pelo processo podem ser irrecuperáveis.

É importante notar que o descolamento de retina não provoca dores, mas apenas um suave incômodo. Isso tende a confundir o indivíduo acometido pelo problema. Contudo, ele deve sentir uma pequena redução do campo visual. A visão deve ficar turva devido ao surgimento de manchas. Outro sinal são o aparecimento de alguns flashes.

O olho é composto por várias estruturas, que incluem:

  • Córnea
  • Esclera
  • Conjuntiva
  • Íris
  • Corpo ciliar
  • Humor aquoso
  • Humor vítreo
  • Cristalino
  • Coróide
  • Nervo óptico
  • Aparelho lacrimal
  • Retina

É importante entender como cada uma delas funciona. Para conhecer as funções de cada uma consulte o artigo Estrutura do olho humano e suas funções.

Tipos de descolamento

Existem 3 tipos de descolamento de retina, cada um causado por diferentes mecanismos:

  • Regmatogênico: ocorre quando um buraco ou lágrima se desenvolve na retina, permitindo que o fluido do vítreo (a gelatina que preenche o meio do olho) passe através do rasgo e se acumule entre a retina e o tecido subjacente, separando assim a retina do tecido subjacente, levantando-o; esse é o tipo mais comum de descolamento.
  • Tracional: neste tipo o tecido cicatricial puxa a retina para longe de seu apego. Pode ser causado por infecção, trauma e hemorragia.
  • Exsudativo: o vazamento de fluido sob a retina causa descolamento e pode ser desencadeado várias causas, incluindo o vazamento de vasos sanguíneos ou inflamação. Esse é o tipo menos comum de descolamento.

Para conhecer melhor cada um deles consulte o artigo aqui.

Condição para o descolamento

Buracos

Esses “buracos” são ocasionados no descolamento regmatogênico. Com o afinamento de determinadas áreas, a membrana típica da retina se torna mais vulnerável e propícia a ser furada.

Rasgaduras

Essas são outras condições inerentes ao descolamento regmatogênico. As rasgaduras dependem de uma movimentação inadequada do corpo vítreo, o que termina com a compressão da retina.

Tração

A tração é uma característica da variedade tradicional de descolamento de retina.

Acúmulo de líquido

Esse acúmulo está presente no descolamento exsudativo, que resulta da secreção desregulada e causada por complicações inflamatórias ou oriundas de processos degenerativos.

Causas do descolamento Regmatogênico

Miopia de alto grau

A miopia causa modificações na anatomia dos globos oculares. Essas transformações são assinaladas pelo adelgaçamento da retina e pela ampliação dos olhos.

Principalmente nos quadros de miopia severa (quando ela supera os 6 graus) a tendência de descolamento da retina é bem alto, já que a referida membrana se torna mais suscetível ao problema.

A realização de uma cirurgia voltada à reparação da visão também pode terminar em um descolamento da retina. Nesse caso, o descolamento não é proporcionado pela intervenção cirúrgica propriamente. O problema está ligado ao afinamento da película, o que a impossibilita de resistir a uma cirurgia.

Traumas oculares

Traumatismos cranianos, ferimentos e demais lesões por queimação que atinjam o globo ocular podem levar ao descolamento de retina. Esses eventos envolvem o contato de objetos ou corpos estranhos com os olhos, o que culmina em um dano direto na retina.

Observe que, mesmo que sejam acompanhados de perfuração ocular, os traumas podem provocar cortes e, consequentemente, o descolamento da retina. Normalmente, esses casos estão relacionados a fortes colisões.

Degeneração da retina

Há algumas enfermidades que podem afinar a retina, levando igualmente ao descolamento dela. O processo degenerativo da retina está intimamente ligado à velhice, pois conforme os anos avançam, os tecidos começam a se definhar. No entanto, o problema também pode estar atrelado a alguma doença degenerativa — a doença de Alzheimer é um bom exemplo.

Cirurgias intraoculares

Um dos riscos inerentes às cirurgias intraoculares é justamente o descolamento da retina. Embora a cirurgia usada na remoção de catarata seja constantemente mencionada, outras operações também oferecem o mesmo risco de descolamento da retina. Uma delas é o método de Lasik, técnica cirúrgica usada para tratar os casos de miopia, astigmatismo e hipermetropia.

A probabilidade de descolamento da membrana é diretamente proporcional ao nível de debilidade dela. À medida que a visão do paciente passa por determinadas mudanças ao longo da vida, a retina pode se tornar mais fina. Além disso, existem doenças também podem contribuir para esse afinamento — como a própria catarata.

Histórico familiar e de descolamento anterior

Caso alguém da família já tenha sofrido um descolamento de retina, a probabilidade de o problema se repetir nas gerações seguintes aumenta. Afinal, o afinamento da retina é transmitido geneticamente.

Caso haja alguma anomalia, ela pode ser repassada aos membros da mesma família. Naturalmente, uma retina mais fina se torna mais predisposta à ocorrência de lesões provocadas por pancadas ou traumas.

Causas do descolamento tracional

As doenças que incidem especificamente sobre a retina são denominadas retinopatias. Elas são as grandes responsáveis — na maior parcela dos casos — pelo descolamento tracional.

Essas patologias possuem ligações com problemas degenerativos ou vasculares, que interferem no processo de irrigação sanguínea dos globos oculares. Uma das consequências é a proliferação de neovasos, que consiste no surgimento desordenado de novos vasos sanguíneos.

Retinopatia hipertensiva

Essa retinopatia é ocasionada pelo aumento da pressão sanguínea nos vasos que passam pela retina. Como consequência disso, os vasos ficam constritos, sob risco de sofrerem entupimento e uma posterior ruptura.

Retinopatia diabética

Nesse caso, os vasos sanguíneos do nervo óptico ou da retina ficam impossibilitados de levar nutrientes às regiões internas do globo ocular. Nos casos mais graves, a doença avança e o entupimento dos vasos leva ao desenvolvimento de novos vasos, que tendem a provocar sangramentos ou fibroses.

Sem um monitoramento médico apropriado seguido da administração adequada do nível de glicose no sangue, a pior consequência para o paciente é cegueira.

Causas do descolamento exsudativo

Em um sistema plenamente saudável, o líquido que ocupa uma depressão do corpo vítreo se desloca para a coróide — que abrange os vasos que ficam na parte de trás da retina.

Contudo, o aparecimento de tumores ou inflamações tende a ampliar a síntese do desse líquido ou a deslocá-lo em maior volume. O resultado é uma aglutinação fluídica nos espaços de comunicação entre as membranas. Com isso, a retina sofre o chamado descolamento exsudativo.

Com relação aos tumores, convém destacar o linfoma intraocular, o melanoma da coróide, e o retinoblastoma.

Quanto às infecções causadoras desse tipo de descolamento da retina, as principais são:

  • Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada — uma rara infecção causada por vírus;
  • Toxoplasmose — infecção provocada pela ação do Toxoplasma gondii, um protozoário que habita o organismo de gatos, que podem passar a doença para os seres humanos;
  • Síndrome que acarreta o excesso de fluido na área externa da coróide;
  • Toxocaríase — infecção causada pelo parasita Toxocara canis, que habita o corpo de cachorros, que podem transmiti-los para seres humanos;
  • Esclerite posterior — processo inflamatório que acomete a esclera;
  • Doença de Lyme — patologia repassada pelos carrapatos.

Fatores de risco

O risco de desenvolver descolamento de retina é maior em pessoas com:

  • idade avançada;
  • miopia;
  • uma lesão ocular anterior;
  • cirurgia de catarata anterior;
  • uma história de descolamento no outro olho; ou
  • uma história familiar de descolamento de retina.

Para conhecer todos os fatores de risco consulte o artigo Entenda quem corre risco de Descolamento da Retina.

Sintomas

O descolamento é indolor. No entanto a ruptura pode ser acompanhada pela sensação de flashes de luzes piscando no olho, moscas volantes e visão embaçada. Saiba quais os sinais a que deve estar atento aqui, e consulte o médico ou oftalmologista imediatamente se sentir algum dos distúrbios visuais indicados, já que o descolamento pode provocar danos permanentes na visão.

Diagnóstico

Pelo fato de a retina ser uma membrana extremamente fina, o diagnóstico do descolamento dela, conduzido por um oftalmologista, é determinado mediante realização de alguns exames intraoculares. O profissional utiliza um oftalmoscópio binocular indireto, dispositivo que proporciona uma visualização privilegiada das regiões internas dos olhos.

A depender da situação, também é realizada uma ultrassonografia ocular. Esse exame é utilizado nos casos em que a observação manual se mostrar insuficiente. O ultrassom não é um método desconfortável. Basta que o paciente feche as pálpebras durante a emissão dessas superondas sonoras.

Tem cura?

Desde que sejam realizadas as terapias necessárias para restaurar a retina, o descolamento da membrana é perfeitamente curável. Porém, observe-se que, para diminuir ao máximo o risco de sequelas, o indivíduo deve se submeter ao tratamento o mais rapidamente possível.

Quase 90% dos pacientes que se submetem ao procedimento cirúrgico apresentam uma resposta satisfatória. No entanto, isso não significa que a recuperação da visão ocorrerá imediatamente. Na verdade, o processo é gradativo. Além disso, a deterioração aguda da retina diminui consideravelmente as chances de restauração da visão. Para conhecer todas as opções de tratamento consulte o artigo Como tratar o descolamento de retina.

Complicações

O nível de urgência de um caso envolvendo descolamento de retina é considerável. Em algumas pessoas, inicialmente o descolamento é parcial. Mas com o passar do tempo, e sem tratamento, o quadro pode piorar até o momento em que a retina se soltar completamente.

Sempre é bom lembrar que o afastamento da retina compromete sensivelmente a reposição de nutrientes. Em alguns casos, a absorção de oxigênio pode ser totalmente anulada. Nesse estado de escassez, a membrana morre e o indivíduo sofre a cegueira.

Convivendo

Caso o descolamento de retina seja tratado precocemente, a realocação da membrana contribui para a solução de 80% dos casos.

Mesmo assim, o paciente ainda pode sofrer uma perda parcial da visão. Isso já é o suficiente para que haja uma brusca mudança na execução de tarefas cotidianas, antes realizadas normalmente.

Mas ainda é possível viver uma vida normal, desde que sejam feitas as adaptações necessárias. Assim, será necessário:

  • Adaptar os ambientes de casa — é preciso reorganizar a disposição dos objetos e estabelecer caminhos seguros;
  • Não dirigir — a perda parcial da visão é o bastante para que o indivíduo fique proibido de dirigir. Logo, ele terá de se deslocar como passageiro, seja de carro, moto, metrô ou ônibus;
  • Solicitar o amparo de amigos e familiares — essencial no início da recuperação;
  • Visitar o oftalmologista frequentemente — esse acompanhamento é vital.

Prevenção

O descolamento de retina pode estar associado a muitos fatores. Portanto, a saúde precisa receber atenção redobrada. Tendo em vista que os olhos estão no rosto, os cuidados se referem a toda essa área.

Qualquer prática que exponha o rosto a riscos, como andar de skate, esquiar e surfar, amplia a probabilidade de ocorrência de um descolamento de retina. Sempre que possível, o uso de equipamentos de segurança é primordial.

As pessoas que tenham sido diagnosticadas com diabetes ou pressão alta, dentre outras patologias, precisam passar por um controle médico. Afinal, a desestabilização dos quadros pode favorecer o descolamento de retina.

No caso de patologias degenerativas, desenvolvimento de tumores ou infecções, elas devem ser devidamente tratadas. O acompanhamento médico se faz igualmente necessário. Independentemente do quadro, a visita ao consultório oftalmológico precisa ser regular.

Dúvidas frequentes

Ler no ônibus pode descolar a retina?

Embora a leitura feita em veículos que estejam em movimento possa provocar algumas tonturas, o hábito está longe de acarretar danos à retina. Essas tonturas, inclusive, decorrem de um conflito gerado entre as mensagens que são enviadas aos nervos.

Apesar de o foco principal ficar direcionado ao objeto de leitura (seja um livro, tablet ou celular), o campo de visão se estende para tudo o que envolve os olhos naquele momento. Com isso, é possível que haja alguma sensação de tontura ou até mesmo náuseas. Esses sintomas são uma forma de manifestação cerebral perante esse choque de informações.

Coçar os olhos pode causar o descolamento?

Normalmente, o hábito de coçar os olhos é insuficiente para descolar a retina. Contudo, uma coceira constante e profunda pode causar um atrito significativo na membrana, o que pode levar a microlesões.

Além disso, é necessário ficar atento às coceiras frequentes, pois elas podem indicar a existência de alguma reação alérgica. Conforme o caso, a alergia pode gerar transformações da córnea. Com isso, o risco de um descolamento de retina passa a ser real, já que a sensibilidade e o afinamento da retina podem ser ampliados.

O levantamento de peso pode ocasionar o descolamento da retina?

Segundo algumas pesquisas feitas para rever alguns resultados anteriores, não existe qualquer relação entre o descolamento de retina e o levantamento de grandes cargas de peso.

Apesar disso, se a prática de levantamento de peso for constante e executada por alguém que apresente tendência genética a ter descolamento de retina ou algum fator de risco que contribua para isso, a atividade deve ser revista.

Pular de bungee jump pode originar o problema?

Toda e qualquer prática esportiva de grande impacto cria uma situação propícia ao descolamento de retina. Em geral, a retina apresenta furos em virtude de alguns aspectos, como a própria miopia.

No caso do pulo de bungee jump, a retina fica vulnerável ao rompimento devido ao impacto final da queda — momento em que o saltador atinge o limite disponibilizado pela corda.

Se o descolamento ocorrer imediatamente após o salto, haverá sangramento. Porém, também é comum que não haja qualquer evidência marcante. No último caso, o rompimento da retina tende a ser diagnosticado somente muito tempo depois.

Sentido extremamente precioso, a visão também é muito delicada. Portanto, todo cuidado é válido para evitar problemas futuros relacionados aos olhos. Por fim, mesmo que haja uma predisposição ao descolamento de retina, ainda é possível evitá-lo ou, ao menos, diminuir os efeitos. Para isso, basta manter a saúde em dia e consultar um oftalmologista regularmente.