Dez Monumentais Esculturas Britânicas – Exposição VilaMoura

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

O passado e o presente aliam-se na exposição Dez Monumentais Esculturas Britânicas, em exibição até Setembro de 2011.

É conhecida pelos seus excelentes campos de golfe e grande marina, mas Vilamoura é também a morada do Cerro da Vila, uma estação arqueológica e museu com uma casa romana excepcionalmente bem-preservada. E, se visitar a estação até Setembro do próximo ano, terá o privilégio acrescido de poder admirar aquela que é considerada como uma das melhores colecções de arte contemporânea do mundo.

Parte da aclamada Colecção Berardo, as Dez Monumentais Esculturas Britânicas repre­sentam três gerações de escultores, e estão espalhadas pelas ruínas de uma antiga casa romana, resultando numa exposição absolutamente única no Algarve.

Situada numa paisagem tranquila, mesmo no centro de Vilamoura, e parte do programa Allgarve, que pretende trazer mais cultura à região, esta é a primeira exposição pública das dez importantes esculturas, que pertencem à Colecção Berardo, patente em Lisboa. Com obras figurativas, abstractas e metafóricas, incluindo a única peça exibida em Portugal pelo escultor Henry Moore, e uma das últimas obras esculpidas por Lynn Chadwick antes da sua morte, a expo­sição alia a arte antiga e a arte contemporânea de forma notável.

O museu, um edifício modesto na Avenida Cerro da Vila, fica ao lado dos impressionantes vestígios, que sobreviveram quase dois mil anos, e tem uma exibição permanente que mostra os achados romanos e islâmicos de grande valor arqueoló­gico. Com a crença de que “as grandes obras de arte são somente grandes quando acessíveis, compreendidas, vistas e admiradas por todos᾿, o proprietário da colecção, José Berardo, decidiu colocar as suas esculturas entre a antiga casa e os seus balneários, tanques de salga de peixe e torre funerária, acrescentando uma nova dimensão a este já impressionante local, num diálogo único entre a antiguidade e a modernidade.

Com um pequeno guia em mãos, os visitantes começam na Line of Thought, uma intrigante escultura em bronze do artista de Liverpool, Tony Cragg. Feita em 2006, esta grande peça é uma das mais multi-facetadas da exposição – de facto, ao admirar esta escultura metamórfica, os visitantes podem observar várias caras na peça, uma “complexa conversação a três vozes entre o material, o objecto e a imagem᾿, com infinitas possibilidades de forma e significado.

Uma escadaria que parece desafiar a gravi­dade é a obra do americano Danny Lane e a segunda paragem na nossa visita. Intitulada Stairway e feita em vidro e aço, a escultura cintilante de 2005 assemelha-se mesmo a uma escadaria para o céu. Residente há muitos anos no Reino Unido, Lane usou as qualidades reflectivas e refractárias do vidro azul/verde para atrair o observador para “um diálogo físico e metafísico᾿ ao manipular o espaço e a luz.

Enquanto seguimos ao longo da exposição, chegamos ao ponto alto da colecção, com a escultura em bronze de Moore, Reclining Figure: Arch Leg. Criada pelo artista – considerado o mais importante escultor britânico do século XX – em 1969-70, a escultura em bronze com patina verde centra-se na figura humana e está dividida em duas partes; a falha entre ambas é uma espécie de espaço intermediário, que permite a interacção entre a peça e o cenário envolvente. Uma escultura elegante, as suas linhas ondulantes evocam os vales de Yorkshire, onde Moore nasceu.

Looking Back (2005) é talvez a escultura mais apelativa e representativa da exposição. A obra em bronze com 5.1 metros de altura, do escultor oriundo do Iémen, Zadok Ben-David, retrata uma figura feminina – feita a partir de centenas de formas humanas delicadamente desenhadas -, que olha para trás, para uma figura mais pequena. Representada como uma silhueta e como uma intrigante mistura entre escultura e desenho, a paisagem circundante pode também ser vista através das falhas entre os pequenos corpos esculpidos.

Por detrás dos balneários romanos está a dinâmica Ace of Diamonds III, uma das últimas peças esculpidas por Lynn Chadwick antes da sua morte, em 2003. Construída em aço inoxidável, esta obra móvel reflecte a paixão da artista pela construção. Englobando um diamante rotativo, encastrado num rectângulo também rotativo, a peça representa a interacção entre o homem e a mulher, movendo-se elegantemente com a brisa do vento, apesar da sua escala monumental.

Evocando os campos de concentração da Segunda Guerra Mundial, Register, de Peter Burke, foi feita com 2.100 mãos forjadas em ferro, viradas todas na mesma direcção em grelhas de 100, a partir de um molde da própria mão do artista. Inspirada pelas imagens das multidões em eventos um pouco por todo o mundo, particularmente num protesto em Madrid, a obra de 2003 feita de ferro forjado e aço corten reflecte também o interesse de Burke pela estandardização e produção em massa. Colocada numa posição ambígua, a partir da qual se podem interpretar diversos significados, Register “explora o quão poderosas as mãos podem ser enquanto forma de comunicação᾿.

Um “edíficio᾿ quadrado onde assenta uma figura feminina é a interpretação de Allen Jones do passado artístico e práticas culturais. Temple (ed.1/3), produzida em 1997 a partir de aço e mosaicos em cerâmica, aparenta ser maior do que realmente é, ao manipular a percepção do observador do espaço, escala e distância. Inspirada na figura feminina, representada aqui de uma forma “divina᾿, a escultura foi decorada por um ceramista com um degradé de cores, passando pelo amarelo, vermelho, verde e azul, para realçar a carga sexual da imagem feminina.

Breed, de Richard Deacon, é uma obra metafórica feita de alumínio, e também uma espécie de narrativa. Juntando várias peças de metal, o aço foi torcido de forma a que a peça pareça “determinada organicamente᾿ e não se assemelhe apenas a uma combinação de juntas e rebites. Com uma engenharia elegante, a escultura foi criada em 1989, e tem um toque barroco, centrando-se na forma e sofisticação.

Uma das peças mais interactivas da expo­sição, Wall of Sound, de William Furlong (1998), convida os visitantes a percorrer as paredes paralelas de aço inoxidável e a ouvir os sons do ambiente envolvente. Enquanto criança, o escultor apercebeu-se de que raramente vivemos em silêncio total e, por isso, o seu trabalho é quase “uma parte da paisagem, quer visualmente, quer a nível de audição᾿. Os discos digitais e amplifi­cadores colocados no interior da obra repro­duzem gravações feitas pelo artista na praia e na paisagem campestre inglesa, complementando a própria luz e reflexões da obra oca.

Considerado o sucessor de Henry Moore, a peça de aço pintado Fleet (1971), de Anthony Caro, foi buscar o seu nome a um dos tributários do rio Tamisa. Colocada directamente sobre o chão, a peça não tem base, de modo a ganhar um carácter mais unitário. Pintada em verde – o que aumenta a sua unidade formal -, a escultura parece ser muito mais leve do que aparenta e assemelha-se a um desenho tridimensional.

Aberto todos os dias até 10 de Setembro de 2011, das 9h30 às 12h30 e das 14h às 18h.
A entrada custa cinco euros (preços reduzidos para grupos, Cartão de Estudante e de Idoso; grátis para crianças até 13 anos).

LOCAL: Vilamoura, Estação Arqueológica Cerro da Vila – Avenida do Cerro da Vila
HORARIOS: De 10-09-2010 a 10-09-2011 – Terça a domingo das 09h30 às 13h00 e das 14h00 às 18h00
PREÇO: 5€ (c/descontos); Entrada livre (-13).
OBSERVAÇÕES: Escultura. Allgarve’10. Inaugura 10/9 às 17h.
ARTISTA/S: Lynn Chadwick, Peter Burke, Zadok Ben-David, Allen Jones, Tony Cragg

www.allgarve.pt