Diabetes – Quando nos falta o açucar

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 12 dezembro 2018

Diabetes – Quando nos falta o açucar.

Muitas vezes ignorada, é uma doença que pode surgir em qualquer idade. Embora existam actualmente tratamentos eficazes que permitem levar uma vida normal, o diagnóstico precoce é ainda a melhor arma para evitar complicações graves.

Durante muito tempo os médicos deram mais importância à diabetes infantil, que obriga a injecções diárias de insulina. Aperceberam-se, entretanto, que se tratava de um erro, já que a diabetes em idade adulta implica os mesmos riscos para a saúde.

Mas dois problemas se levantam: cerca de 25 por cento de diabéticos ignoram a sua própria doença; e entre aqueles que dela têm consciência, mais de metade não a vigia convenientemente, a maior parte das vezes por falta de informação. Para ajudar a compreender mais claramente o tema, apresentamos-lhe quatro situações comuns e o modo como reagir perante as mesmas.

O seu filho é diabético?
Em primeiro lugar, não se culpabilize. Você não é responsável, até porque a grande maioria das diabetes infantis não tem antecedentes familiares. Em segundo lugar, não se preocupe demasiado. O seu filho terá necessidade de levar injecções diárias de insulina, mas elas são indolores; além disso, não está sozinha para o ajudar: uma equipa médica irá apoiá-la, podendo também recorrer às associações de diabéticos.

Deverá, contudo, vigiar o crescimento do seu filho. Com o acompanhamento devido, um jovem diabético deve crescer como as outras crianças e sem apresentar excesso de peso. O seu papel é o de levá-lo a aprender a tomar conta de si próprio. Deverá, pois, encontrar a justa medida entre apoiá-lo o suficiente, e não o proteger demasiado. Esteja presente nos momentos em que lhe for difícil enfrentar a doença, mas não ande sempre atrás dele. Incentive-o a fazer desporto e a conviver com as outras crianças.

Se, na escola, a professora se mostrar preocupada, peça ao médico do seu filho para intervir, informando-a do que fazer em caso de crise. Por último, consciencialize-se de que a adolescência será um período particularmente difícil, durante o qual o seu filho se arrisca a passar por momentos de grande desânimo. Não hesite em pedir ajuda especializada e encoraje-o a participar em colónias de férias, ou outras actividades, organizadas pelas associações de diabéticos.

Se tem uma filha, não se preocupe quanto às suas possibilidades de vir a engravidar; hoje em dia, em caso de diabetes, mães e bebés não correm quaisquer riscos especiais, desde que a gravidez seja seguida por uma equipa especializada.

Aos 40 anos descobre que é diabética
Esta notícia, embora não seja, evidentemente, agradável, também não representa uma catástrofe. O mais importante, para já, é que se convença de duas coisas. Em primeiro lugar, mesmo que não apresente nenhum sintoma, os perigos para a sua saúde são reais.

Mas se lidar correctamente com a doença pode evitar complicações: hoje em dia está provado que um bom equilíbrio da glicemia (a percentagem do açúcar no sangue) a protegerá das mesmas. Depois, para ficar com todos os trunfos do seu lado, deve alterar algumas regras de vida:

• Altere os hábitos alimentares. Não se trata de seguir um regime draconiano mas, antes, de se alimentar de uma forma mais correcta: evite andar a petiscar durante todo o dia, não salte refeições, beba menos álcool e coma menos gorduras (menos do que doces). Na verdade, a redução do açúcar não é prioritária na dieta de um diabético. Peça ajuda a um médico nutricionista e, sobretudo, aprenda a ler os rótulos: um chocolate “magro” contém com certeza menos açúcar, mas muito mais gorduras, logo, nada de excessos.

Como comer sem se privar?
É possível, se adaptar a sua alimentação aos seus gostos e educação. Durante muito tempo, a dieta do diabético consistiu, erradamente, em reduzir o açúcar. Actualmente os médicos já não se focalizam no açúcar, por duas razões. Por um lado, porque suprimi-lo significa aumentar as gorduras, já que é necessário substituí-lo. Por outro, porque os medicamentos actuais permitem um melhor controlo da glicemia. As restrições ao açúcar já não são, portanto, tão severas, e definem-se caso a caso.

Quando o pâncreas se desregula
Existem dois tipos de diabetes:
• A forma juvenil, que aparece na infância ou adolescência, é devida a uma perturbação do sistema imunitário que leva à destruição das células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Essa hormona permite a entrada do açúcar nas células e, na sua ausência, este vai directamente para o sangue, o que conduz à “hiperglicemia”.
• Os diabetes em idade adulta, que se declaram, maioritariamente depois dos 40 anos, são devidos a uma outra razão. As células do organismo tornam-se resistentes à insulina. Para tentar forçar a passagem, o pâncreas produz cada vez mais insulina, mas esgota-se e a hiperglicemia aparece. Mas, seja qual for a sua origem, este excesso de açúcar é tóxico, nomeadamente para os olhos (risco de cegueira), os rins (insuficiência renal) e as artérias, que têm tendência para se entupirem (enfartes, arterite, impotência sexual).

Ler Também:

Diabéticos – Cuidados com os Pés