Disfunção orgásmica

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 12 dezembro 2018

A disfunção orgásmica, com a designação médica de frigidez, pode existir a vários níveis mas, qualquer que seja a forma que assuma, não resulta de um problema orgânico. A mulher não sente desejo sexual nem prazer físico. Nunca teve orgasmo vaginal ou clitoriano.

O Que fazer? “Diante destes casos, sentimo-nos desprovidos de soluções”, explica Marie-Helène Colson, “porque estão, quase sempre, relacionados com traumas graves sofridos na infância: maus tratos, abandono, incesto”. A aprendizagem sexual não se fez e a mulher não consegue alcançar o prazer físico. Só um persistente trabalho psicofísico, conduzido pelo terapeuta, pode levar à cura.

Sente desejo e prazer mas não autêntico gozo. Este tipo de frigidez explica-se, muitas vezes, por preconceitos de educação ou por tabus que continuam a existir. Este problema é mais fácil de resolver que o anterior, já que a mulher se revela capaz de sentir prazer.

Que fazer? Iniciar uma terapia que permita descobrir a causa profunda desta incapacidade e ultrapassar, assim, as inibições.

É capaz de sentir prazer. A mulher pode ter um orgasmo clitoriano sozinha, por meio da masturbação, mas não o alcança com o parceiro. Na verdade, não se pode falar de frigidez. Trata-se antes de mulheres cuja vida sexual é monótona e que têm parceiros também não muito imaginativos.

Que fazer? O tratamento nestes casos passa por restabelecer a comunicação no casal. Consiste em iniciar uma aprendizagem que, graças à participação de ambos, ajude a mulher a reconciliar-se com o seu corpo e o do seu cônjuge.

A mulher queixa-se, simplesmente, de não conhecer o orgasmo vaginal. Cansaço e depressão que tendem a aumentar o nível de prazer podem explicar este tipo de frigidez ocasional. Uma outra situação: a mulher nunca teve orgasmo vaginal mas atinge, sem dificuldade, o orgasmo clitoriano com o seu companheiro.

Que fazer? O médico aconselha posições sexuais que possibilitem a estimulação dupla.

Antes de 1970, este termo foi descrito como frigidez. Era um termo geralmente utilizado para descrever as mulheres totalmente desinteressadas pelo sexo, e que nunca tinham atingido um orgasmo.

A disfunção orgásmica primária, ou anorgasmia, é definida como uma condição em que a mulher nunca obteve um orgasmo em nenhuma circunstância.

A disfunção orgásmica situacional é chamada quando as mulheres alcançam o orgasmo de outra forma, através da masturbação ou estimulação mútua pelo seu parceiro.

A disfunção orgásmica secundária descreve as mulheres que tenham tido orgasmos regulares no passado e hoje já não o consigam atingir.

As estatísticas variam bastante sobre a percentagem de mulheres que nunca atingiram o orgasmo. Kinsey relata que aproximadamente 10% de todas as mulheres casadas nunca tiveram um orgasmo. E não ficamos por aqui. Varias Pesquisas sugerem que entre 33% a 50% das mulheres raramente atingem o orgasmo e as que atingem estão insatisfeitas com a forma como muitas vezes o atingem.

Há muitas condições físicas que podem causar a anorgasmia, incluindo tumores da medula espinhal, traumas, doença de Lou Gehrig, deficiências nutricionais, diabetes e diminuição da circulação vaginal, esclerore múltiplas, neuropatia diabética, embora estas sejam bastante raras. As Doenças endócrinas também podem desempenhar um papel de culpadas, como o hipotireoidismo ou o hipertireoidismo.

A ansiedade é considerada uma das causas mais comuns deste problema, e 90% ou mais dos problemas relacionados com os orgasmos parecem ser de natureza psicológica.

Existem no entanto tambem algumas drogas e medicamentos que podem sedar e prejudicar a resposta orgástica, incluindo o álcool, os antidepressivos ISRS – fluoxetina (Prozac), a paroxetina (Paxil), sertralina (Zoloft), entre outras. Qualquer uma delas pode estar relacionada com a falta de orgasmo, atraso do orgasmo ou orgasmo insatisfatório em ambos os sexos, homens e mulheres.

As atitudes negativas em relação ao sexo relacionadas com algumas experiências passadas na infância podem inibir a resposta orgásmica, tal como sentimentos não resolvidos associados com experiências de abuso sexual ou estupro.

Se uma mulher atingia o orgasmo com regularidade, mas não o faz atualmente, o problema pode estar relacionado à disputa do relacionamento ou alguma falta de proximidade emocional, que também pode causar uma baixa no desejo sexual.

O tédio e a monotonia na atividade sexual também podem contribuir para a anorgasmia secundária. Normalmente, as mulheres são muito tímidas e têm vergonha de falar sobre os prelimiares que funcionam melhor para elas. Este constrangimento pode levar à disfunção sexual feminina.

Prevenção

Uma boa educação sobre a estimulação e resposta sexual e atitudes saudáveis em relação ao sexo tendem a minimizar os problemas. O princípio de assumir a responsabilidade pelo seu próprio prazer sexual também é de vital importância.

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