Entenda o que é a Displasia do Colo do Útero

A displasia do colo do útero é uma doença na qual células saudáveis do colo do útero sofrem algumas alterações anormais. O colo do útero é a parte mais baixa do útero e estende-se até a vagina. É o colo do útero que dilata durante o parto para permitir a passagem do feto.

Na displasia do colo do útero, as células anormais não são cancerosas, mas podem evoluir para câncer se não forem identificadas precocemente e tratadas.

Segundo o Centro de Câncer Kimmel da Johns Hopkins University (Johns Hopkins University Kimmel Cancer Center), nos EUA a displasia do colo do útero afeta entre 250.000 e 1 milhão de mulheres anualmente. (JHU) Esta doença é observada com maior frequência em mulheres entre 25 e 35 anos de idade.

Causa

A doença é causada por um vírus comum denominado papilomavírus humano ou HPV. O HPV é um vírus sexualmente transmissível. Há centenas de cepas de HPV, sendo que algumas são de baixo risco e causam verrugas genitais, enquanto que outras são de alto risco e causam alterações celulares que podem evoluir para displasia e câncer do colo do útero.

Segundo o Jornal da Associação Médica Americana (Journal of the American Medical Association – JAMA), estima-se que 26,8% de mulheres tiveram resultados de exames positivos para uma ou mais cepas de HPV. (Dunne, et al., 2007)

Riscos

Há vários fatores de risco para a doença, sendo que algumas delas estão diretamente relacionadas com o risco de HPV:

  • ter uma doença que iniba o sistema imunológico ou fazer uso de medicamentos imunossupressores;
  • ter vários parceiros sexuais;
  • dar à luz antes dos 16 anos;
  • ter relações sexuais antes dos 18 anos de idade;
  • tabagismo.

Se a pessoa for sexualmente ativa, um preservativo pode diminuir o risco de contrair HPV, mas o vírus ainda pode permanecer vivo na pele ao redor dos órgãos genitais que não foram cobertos pelo preservativo.

Como identificar

Existem Três Categorias De Neoplasia Intraepitelial Cervical, NIC 1, NIC 2 E NIC 3

Geralmente, não há sintomas na displasia do colo do útero, mas pode ocorrer ocasionalmente uma menstruação anormal. Entretanto, na ausência de sintomas, as alterações celulares são invisíveis a olho nu, mas geralmente são encontradas em um exame Papanicolau comum.

Os resultados do exame de Papanicolau indicarão uma lesão intraepitelial escamosa, indicando dano ao tecido celular ou displasia.

Há categorias diferentes de lesão intraepitelial escamosa, incluindo:

  • lesão intraepitelial escamosa de baixo nível;
  • lesão intraepitelial escamosa de alto nível;
  • possibilidade de câncer;
  • células glandulares atípicas (AGUS).

Muitas vezes, a lesão intraepitelial escamosa de baixo nível desaparece por si só. O médico pode recomendar um exame de Papanicolau de acompanhamento durante vários meses para monitorar as alterações celulares.

Se o médico estiver preocupado, ou a paciente apresentar alterações de alto nível, poderá ser feita uma colposcopia.

A colposcopia é um procedimento ambulatorial que possibilita ao médico ter uma visão bem próxima do colo do útero. Uma solução de vinagre é aplicada no colo do útero, usando uma luz especial; isso fará com que quaisquer células anormais sejam realçadas.

Em seguida, o médico pode retirar uma pequena amostra de tecido do colo do útero (biópsia) para enviá-la a um laboratório para exame adicional.

Se uma biópsia indicar displasia, será classificada como uma neoplasia intraepitelial cervical (NIC). Existem três categorias de neoplasia intraepitelial cervical (NIC):

  • NIC 1 para displasia leve;
  • NIC 2 para displasia moderada;
  • NIC 3 para displasia severa ou carcinoma in situ.

O carcinoma in situ é um câncer que não se espalhou para baixo da camada superficial.

Como tratar

O tratamento da doença depende da severidade da doença. Uma displasia leve pode não ser tratada imediatamente, já que pode ser resolvida sem tratamento. A repetição do exame de Papanicolau pode ser feita a cada 3 a 6 meses. Para NIC 2 ou 3, o tratamento pode incluir:

  • criocirurgia, que congela as células anormais;
  • laserterapia;
  • excisão eletrocirúrgica por alça (LEEP), usando eletricidade para remover o tecido afetado;
  • biópsia em cone, quando uma porção do colo do útero em formato de cone é removida do local onde há tecido anormal.

Geralmente, a displasia é identificada precocemente devido a exames regulares de Papanicolau. Normalmente, o tratamento cura a doença, mas ela pode retornar. Se não for feito nenhum tratamento, a displasia pode se agravar, possivelmente transformando-se em câncer.

Como prevenir

A única maneira definitiva de prevenir a doença é praticar abstinência sexual. Entretanto, há algumas medidas que podem ser adotadas para reduzir o risco de HPV e displasia do colo do útero:

  • Praticar sexo seguro usando preservativo;
  • Considerar tomar a vacina de HPV quando a paciente tiver entre 9 e 26 anos de idade;
  • Evitar o uso de cigarros;
  • Esperar, pelo menos, até os 18 anos de idade para ter relações sexuais;
  • Evitar ter vários parceiros sexuais;
  • Conversar com o médico sobre a atividade sexual e medidas para reduzir o risco de a paciente desenvolver a doença.
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