Doenças na Gravidez: Tratamentos que curam sem prejudicar o bebê

Em caso de doença na gravidez, o objectivo é: curar a mãe, sem prejudicar o futuro bebê.

Desde que sabem que estão à espera de um bebê, as mulheres adoptam um estilo de vida mais saudável e evitam tudo aquilo que possa repercutir-se negativamente no pequenino.

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Não obstante, apesar das prevenções, há alturas em que a gestante se vê inesperadamente afectada por uma doença.

Nestes casos, o primeiro passo é dirigir-se ao médico sem demora (é aconselhável fazê-lo ao menor sintoma de que algo não está bem).

O médico fará o diagnóstico e aconselhará as medidas oportunas. Felizmente, a maior parte das indisposições leves de que a grávida sofre, por piores que possam parecer, não costumam afectar o feto e é possível aliviá-las ou curá-las sem ter que recorrer a medicação.

Nas situações em que não se possa prescindir dos fármacos, não deve preocupar-se.

O especialista indicará o tratamento mais adequado ao estado da paciente, tratamento esse que deve ter em conta as necessidades, tanto da doente como do seu filho.

A questão é como tratar dela sem o prejudicar a ele.

Apendicite na gravidez

Por mais alarmante que ao princípio possa parecer esta doença, com um diagnóstico a tempo não há razão para prejudicar o curso da gravidez.

Pelo contrário, se o problema demorar a detectar-se, podem produzir-se gravíssimas complicações que colocarão em risco a vida da mãe e do filho, ou seja a perfuração do apêndice e/ou peritonite (inflamação da membrana que cobre a cavidade e os órgãos abdominais).

Tratamento

A intervenção cirúrgica é urgente. Hoje em dia, apenas existe diferença entre operar na gravidez ou fazê-lo em qualquer outro momento: tecnicamente é mais complicado, mas no entanto os riscos – mínimos – são semelhantes.

Embora que por vezes a operação seja feita com anestesia epidural, a gestante não pode optar por ela.

O apêndice é um dos órgãos que se desloca para cima devido ao crescente volume do útero, ficando fora da «área de influência» da epidural (só adormece a parte inferior do corpo).

Isto não deve inquietar a grávida: sabe-se que a anestesia geral tem pouca repercussão fetal.

Hipertensão na gravidez

Ter a pressão sanguínea alta é perigoso para a mãe e para o bebé, pois faz com que a correcta irrigação da placenta seja ameaçada. Com um controlo ginecológico adequado, os riscos diminuem notavelmente.

A hipertensão pode ser crónica ou aparecer repentinamente em algum momento da gestação. Actualmente, todos os obstetras controlam de forma regular a tensão arterial das suas pacientes, com o fim de detectar o mais depressa possível qualquer alteração e prevenir complicações (como a pré-eclampsia, um quadro grave que pode requerer hospitalização).

No caso contrário, hipotensão, também pode ser perigosa, pois pode reduzir a oxigenação fetal. Enquanto que a hipertensão não costuma apresentar sintomas, a descida da pressão arterial produz sensação de apatia e de cansaço.

Tratamento

As mulheres hipertensas deveriam informar o especialista antes de ficar grávidas, para o caso de ter de alterar o tratamento: algumas vezes é melhor mudar de medicação (receita-se um produto mais adequado para tomar, até que nasça o bebé); outras, basta corrigir a dose habitual.

Se a hipertensão aparecer durante a gravidez e for leve, é suficiente repousar na cama (a mulher deve deitar-se de lado e nunca de barriga para cima).

Se for preciso, receitar-se-á um medicamento anti-depressivo que não danifique o feto. A gravidez pode continuar com normalidade; a cesariana só se recomendará caso a patologia seja grave e não tenha sido possível controlá-la.

Em caso de pré eclampsia, além do repouso, pode ser necessário receitar hipotensores (medicamentos que reduzem a tensão) e inclusivamente anti-convulsivos, uma vez que nos casos mais graves podem apresentar-se convulsões.

No que respeita à hipotensão, quase nunca requer tratamento farmacêutico.

Existem medidas muito simples que servem para estimular a pressão sanguínea (colocar os pés mais alto do que a cabeça, fazer exercício físico, usar meias de compressão para activar a circulação), que muitas vezes são efectivas.

Edemas na gravidez

Durante a gravidez, o volume de sangue e água no organismo é maior. Além disso, o sangue torna-se mais fluido e isso propicia a sua saída para fora dos vasos.

À medida que a gestação avança, aumenta a pressão do feto sobre as veias maiores: o sangue circula pior e tende a acumular-se nas extremidades inferiores.

Ao mesmo tempo, aumenta a produção de aldosterona, a hormona que favorece a retenção de líquidos.

Tudo isto contribui para a formação de edemas, ou seja, acumulações de líquido seroso no exterior dos vasos.

O problema manifesta-se com inchaços em diferentes partes do corpo, geralmente nos pés e tornozelos, se bem que também possa afectar as barrigas das pernas, as mãos ou a cara.

Algumas mulheres notam os dedos das mãos entumecidos (até ao ponto de não poder agarrar na carteira), consequência da pressão que o edema exerce nos músculos.

Costuma regredir depois do parto.

Tratamento

Os edemas da gestação costumam ser ligeiros e corrigir-se com repouso (na posição horizontal e com as pernas ao alto). Andar, evitar estar muito tempo em pé e levar meias «de descanso» previne o seu aparecimento.

Os diuréticos são desaconselhados, mesmo em casos extremos, uma vez que podem ter efeitos indesejáveis na mulher e no bebé.

Resfriado durante a gravidez

Uma constipação normal não tem consequências nem para a mãe nem para o feto.

Apesar de tudo, deve-se estar alerta, pois algumas doenças víricas que podem, isso sim, ameaçar a saúde do futuro bebé iniciam-se por vezes com um simples resfriado (como é o caso da rubéola).

Outras vezes, os sintomas (tosse, mucosidades, espirros, falta de apetite…) confundem-se com os da gripe; mas esta, diferente da constipação, costuma manifestar-se também com febre alta e dores musculares.

Tratamento

Por leves que sejam as consequências, a visita ao médico é sempre obrigatória. Tanto se for um resfriado como se se tratar de uma gripe, somente se tratam os sintomas.

Quando uma mulher espera um bebé, o melhor é recorrer a remédios caseiros sem contra-indicações.

Por exemplo, para desfazer as mucosidades e combater a congestão, é bom fazer inalações de vapor (melhor se se juntarem à água algumas folhas de eucalipto, tomilho ou menta), procurar manter um ambiente húmido em casa (com recipientes cheios de água ou um humidificador) e beber muitos líquidos; para suavizar a garganta, o clássico copo de leite com mel, etc.

Infecções respiratórias na gravidez

Por vezes, um simples resfriado oculta uma doença mais grave. Bronquite, amigdalite, faringite, otite, pneumonia… são infecções mais ou menos comuns do aparelho respiratório que poderão afectar a doente.

A visita ao médico é indispensável, uma vez que uma infecção não tratada pode derivar para múltiplos problemas, alguns de enorme gravidade (no pior dos casos pode causar morte fetal).

O médico confirmará se existe infecção e se esta é de origem viral ou bacteriana (a terapia é diferente para cada caso).

Tratamento

As consequências (tosse, dor de garganta, congestão, secreções abundantes…) podem atenuar-se com recursos naturais.

Se a infecção é bacteriana, será preciso tomar antibióticos (o médico aconselhará que sejam aptos para a gravidez).

Ainda que os sintomas diminuam ou desapareçam, deve levar-se até ao fim o tratamento receitado para evitar possíveis recaídas. Da mesma maneira, deve controlar-se a temperatura com antipiréticos (se possível, paracetamol).

Gastroenterite na gravidez

Diarreia e às vezes vómitos são os sinais típicos de uma irritação e inflamação do trato digestivo (gastroenterite).

Com frequência, o causador é um vírus ou também um alimento contaminado por germes (como a salmonela). Costuma ser leve e desaparecer em cerca de 48 horas.

Em qualquer caso, é sempre necessário ir ao médico.

Tratamento

É provável que o médico recomende fazer uma dieta líquida durante 24 ou 48 horas (é preciso beber muito para manter uma hidratação correcta).

Anti-eméticos e anti–diarreicos só podem tomar-se se o médico os receitar (a dose dependerá da gravidade de cada caso).

Em casos agudos (diarreia e vómitos excessivos, febre, alteração do estado geral, desidratação), a paciente tem de dar entrada num centro hospitalar.

Problemas gástricos da gestante

São numerosas as gestantes que sofrem de doenças estomacais mais ou menos intensas: flatulência, acidez, sensação de saciedade, indigestão… Não é de estranhar.

O útero comprime o aparelho digestivo, o qual, junto com a relaxação dos músculos intestinais (propiciada pela hormona progesterona), dificulta as digestões, complica a eliminação de gases e favorece o refluxo dos ácidos gástricos no esófago, causando ardores incomodativos.

Tratamento

É preciso evitar as refeições abundantes (é preferível consumir pequenas quantidades, mas espaçadas) e alimentos picantes ou muito condimentados.

Também deve evitar ir para a cama imediatamente depois de comer. Um copo de leite morno pode aliviar o mal-estar (vale a pena experimentar).

Os antiácidos que contêm alumínio e magnésio não prejudicam o bebé; o médico pode receitá-los se as perturbações forem demasiadas. Por outro lado, não é recomendável tomar bicarbonato.

Infecção vaginal na gravidez

Na gravidez, produz-se uma alteração da flora bacteriana vaginal que torna mais frequentes as infecções.

Irritação, aumento do fluxo vaginal, mau odor das secreções, ardor… são alguns dos sintomas que podem aparecer.

É preciso ir imediatamente ao médico, uma vez que algumas destas infecções poderiam prejudicar o bebé, tanto durante a gravidez como no momento de dar à luz.

As doenças mais frequentes são as provocadas por fungos; calcula-se que duas em cada dez grávidas sofrem uma infecção deste tipo.

Tratamento da infecção genital

Os fungos tratam-se localmente com creme ou óvulos (inócuos para a criança).

No caso de contágio mãe-filho durante o parto, o bebé sofrerá uma infecção cutânea superficial pouco intensa. Para combater as infecções por herpes, administra-se aciclovir localmente.

Dado que o maior perigo de contágio está no parto (se o vírus passa para o recém-nascido, pode provocar-lhe desde febre e vómitos até infecções cerebrais), o ginecologista realizará uma cesariana se a infecção ocorre perto do termo.

Se o agente infeccioso for uma bactéria (como o gonococo), receitam-se antibióticos.

As conjuntivites bacterianas no recém-nascido, por transmissão da mãe durante o parto, previnem-se colocando gotas desinfectantes nos olhos a todas as crianças acabadas de nascer.

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Prisão de ventre na gravidez

Como os movimentos intestinais são mais lentos na gravidez, as dejecções podem ser menos frequentes, mais duras e secas.

Se a mulher sofria de prisão de ventre antes de ficar grávida, o problema pode agudizar-se.

O esforço de defecar, juntamente com a pressão crescente do feto e a maior irrigação sanguínea de toda a zona genital favorecem a formação de hemorróidas (inflamação das veias que rodeiam o ânus).

Ambas as doenças podem tornar-se muito incomodativas para a mãe, mas não afectam o futuro bebé.

Tratamento

É preferível que o problema seja combatido fazendo mais exercício, bebendo mais água e consumindo mais alimentos ricos em fibras (frutas e vegetais frescos, produtos integrais…).

Em determinadas ocasiões, é preciso ingerir um suplemento de fibra e, se a prisão de ventre for aguda, aplicar um clister.

Os laxantes devem evitar-se; em todo o caso, podem ser purgantes naturais (à venda em ervanárias), mas sempre com o consentimento do médico. No que respeita às hemorróidas, tratam-se com banhos de água fria e pomadas específicas.

Rubéola e gravidez

É uma doença leve para a mãe, mas que pode acarretar graves consequências para o embrião ou para o feto.

A melhor arma é a prevenção: as mulheres que ainda não tiveram rubéola (pode averiguar-se com uma simples análise de sangue) devem vacinar-se antes de ficarem grávidas.

O contágio mãe-filho produz-se através da placenta.

Se a mãe adoece nos primeiros três meses, existem muitas possibilidades (cerca de 90 por cento) de que o feto sofra mal-formações (cegueira ou surdez entre outras) e inclusivamente a morte…

Passado o primeiro trimestre, o risco de anomalias decresce.

Tratamento da rubéola

Se se acredita que a mulher tenha sido contagiada (por exemplo, tenha estado em contacto com uma pessoa doente), ser-lhe-ão administradas gamaglobulinas (anticorpos) para fortalecer as suas defesas contra o vírus.

Esta medida reserva-se para os casos especiais (não se recomenda como forma preventiva) e só tem sentido se se produzir nos dias seguintes ao contágio.

O êxito deve ser comprovado uma ou duas semanas depois, através de um teste sanguíneo.

Quando a mãe adoece, a mulher pode considerar a possibilidade de interromper a gravidez (através de um dos mecanismos previstos na Lei).

Varicela na gravidez

A possibilidade de que o vírus da varicela passe da mãe para o bebé causando-lhe danos é mínima, mas não se deve descartar totalmente essa hipótese.

O risco de contágio e as suas consequências variam segundo o momento em que se produz a infecção.

No princípio e no fim da gestação, o perigo é maior: nos quatro primeiros meses, pode provocar malformações diversas e lesões cutâneas; nos dias anteriores ao parto, o recém-nascido poderia sofrer uma varicela neonatal.

Não obstante, se o nascimento tiver lugar pelo menos cinco dias depois de que a mãe contraia a varicela, o perigo para o bebé é muito menor, pois teve oportunidade de receber anticorpos maternos.

Por isso, se uma grávida adoece no fim da gestação, convém atrasar o parto cerca de cinco dias.

Tratamento

Se a mãe ainda não teve varicela e entra em contacto com um doente, deve receber uma injecção de imunoglobulinas nos três dias seguintes ao possível contágio.

Ao reforçar o seu sistema imunitário, previnem-se ou atenuam-se os efeitos da infecção.

Se finalmente desenvolve a doença, receitam-se-lhe produtos farmacêuticos para diminuir a febre e aliviar a comichão (e antibióticos se o quadro se agravar com pneumonia).

Caso o recém-nascido fique doente, deverá ser tratado imediatamente com um anti-vírico específico (aciclovir).

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Diabetes na gravidez

As mulheres com um nível de glucose anormalmente elevado no sangue podem continuar a sua gravidez com relativa normalidade, sempre que mantenham um bom controlo da doença.

Dessa maneira, diminui-se o risco de defeitos congénitos no recém-nascido, assim como das complicações gestacionais (problemas vasculares maternos, aborto, parto prematuro…).

Na gravidez produz-se um aumento da resistência do organismo à insulina, a hormona que regula a quantidade de glucose no sangue.

Ele favorece o aparecimento da diabetes gestacional, um tipo de diabetes transitória (costuma desaparecer depois de dar à luz), que afecta aproximadamente cinco em cada cem grávidas, sobretudo a partir da semana 20 da gestação.

O problema detecta-se através de uma simples prova (o teste de O´Sullivan), que hoje se realiza a todas as gestantes. Se se vigiar adequadamente, não são de temer complicações (a mais comum é um aumento exagerado do tamanho do feto, com as dificuldades que isso representa face ao parto).

Tratamento da diabetes

As mulheres diabéticas teriam de ir ao especialista antes de ficarem grávidas.

O médico deve manter um seguimento continuado da doença durante os nove meses e, se for preciso, mudar o tratamento: talvez tenha que ir modificando as doses de insulina segundo as necessidades.

Se a diabetes vem associada à gestação, é preciso manter um peso correto, seguir uma dieta adequada (sem açúcares) e fazer também algum exercício físico, costuma ser suficiente para reduzir o nível de glicemia.

Caso contrário, pode ser necessário recorrer à insulina. Os anti-diabéticos orais não são indicados, porque atravessam a placenta e podem ser prejudiciais para o feto.

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