Dor na bexiga: o que pode ser e como tratar

Revisado por Drª Camille Rocha Risegato. Publicado em 24 de janeiro de 2019

Um dos principais sintomas de infecção do trato urinário é a sensação de dor na bexiga. No entanto, entenda que este desconforto também pode estar relacionado a outros quadros clínicos, como um processo inflamatório na região intestinal ou até mesmo no útero. Portanto, o diagnóstico exato depende do conjunto de uma série de sinais e exames.

Na hora de procurar ajuda médica, o paciente pode recorrer até mesmo a um clínico geral. Caso prefira ser consultado por um profissional da especialidade, só precisa marcar uma consulta em uma clínica de urologia (no caso dos homens) ou ginecologia (no caso de mulheres).

Vamos então conhecer as principais causas de dor na bexiga.

O Que Pode Ser Dor Na Bexiga E Como Tratar

Infecção urinária

Esse tipo de infecção apresenta diferentes graus de evolução. Depois da uretra (primeira parte atingida pela doença), a infecção pode alcançar a bexiga. É aqui que ela costuma provocar muitas dores.

Caso as bactérias cheguem aos rins, existe o risco real de uma infecção generalizada no organismo. Nesse estágio, a infecção urinária pode, de fato, levar o indivíduo à morte. Em relação aos sintomas vinculados a ela, os principais incluem:

  • filetes sanguíneos liberados junto com a urina;
  • dores na bexiga ou na região pélvica durante a micção;
  • vontade constante e excessiva de ir ao banheiro urinar — com baixo volume de urina;
  • estado febril;
  • dores na uretra ao praticar o ato sexual.

Apesar de elevada incidência em mulheres, é bom lembrar que os homens também estão sujeitos à ITU. Em ambos os organismos (masculino e feminino), a infecção pode se manifestar em qualquer fase da vida. Em muitos casos, as pessoas demoram muito tempo para buscar ajuda médica. Enquanto isso, os micro-organismos se alastram pelo corpo, o que pode exigir um atendimento de urgência. Entenda como reconhecer os sintomas de infecção urinária.

Como tratar: Normalmente, a ITU é tratada com medicamentos antibióticos como (o Norfloxacino, Sulfa ou Fosfomicina são alguns exemplos) que combatem a bactéria causadora da infecção. Simultaneamente, também costuma ser receitado algum analgésico e um anti-inflamatório.

O objetivo destes fármacos é proporcionar o máximo de conforto até o fim do tratamento. Afinal, é normal que o paciente sinta algumas dores durante o processo infeccioso.

Ao mesmo tempo, o paciente também é orientado a ingerir bastante líquido, de preferência àgua (aproximadamente 2 L diariamente). Preservar bons hábitos associados à região vaginal ou peniana é igualmente importante — tanto durante quanto depois do tratamento.

Por fim, também é possível contar com a ajuda de soluções caseiras, que podem potencializar os resultados fornecidos pela terapia. Um desses remédios naturais é o chá de arando.

Síndrome da bexiga dolorosa

Igualmente chamada de cistite intersticial, essa síndrome deriva de um processo inflamatório nas extremidades da bexiga. A origem do problema não é totalmente conhecida. Com o risco de acometer qualquer indivíduo, a cistite intersticial está ligada aos seguintes sintomas:

  • problemas ao urinar;
  • incômodos na bexiga;
  • idas frequentes ao banheiro ao longo de todo o dia;
  • ardor ao urinar;
  • dores no decorrer da relação sexual.

Como se vê, é fácil confundir a síndrome da bexiga dolorosa com uma infecção do trato urinário. Caso esse equívoco de diagnóstico aconteça, o paciente será submetido ao consumo de antibióticos inócuos para a cura da síndrome.

Uma forma de se tentar evitar a confusão é notar uma persistência dos sintomas, que no caso da cistite intersticial alternam fases mais e menos intensas. Além da origem psicológica, outro ponto a ser observado é se o agravamento dos sintomas ocorre com a ingestão de determinadas substâncias, como:

  • bebidas alcoólicas;
  • bebidas com cafeína;
  • cigarro;
  • ácidos provenientes da alimentação.

Como tratar: Para a amenização dos sintomas, é comum a prescrição de remédios com função anti-inflamatória ou analgésica. Alem disso, é recomendável tomar medidas que diminuam os efeitos causadores das crises de ansiedade e estresse.

Nesse sentido, as melhores soluções partem de abordagens psicoterapêuticas. A prática de meditação, ioga ou qualquer outra terapia alternativa semelhante também ajuda bastante. Naturalmente, também é importante não consumir as substâncias que possam desencadear crises.

Bexiga neurogênica

Em um organismo saudável, a bexiga é um órgão que expande e contrai automaticamente sempre que necessário. No entanto, uma pessoa com bexiga neurogênica perde esse controle. O problema tem origem neurológica e pode provocar:

  • dores abaixo do abdômen;
  • sensação de que o corpo ainda não liberou totalmente a urina;
  • incontinência urinária.

Existem dois tipos de bexiga neurogênica:

  • bexiga neurogênica hipoativa — incapaz de se contrair normalmente, a bexiga não consegue expulsar toda a urina, o que resulta em um acúmulo interno desse líquido;
  • bexiga neurogênica hiperativa — neste caso, a bexiga pode ficar se contraindo o tempo todo. Esse tipo é mais frequente nas mulheres, deixando-as com vontade de urinar nos momentos mais inesperados.

Como tratar: O tratamento da bexiga neurogênica varia de acordo com a causa do problema. Em geral, as terapias consideram o uso de:

  • oxibutinina — remédio anticolinérgico;
  • exercícios fisioterápicos;
  • uso de sonda vesical;
  • cirurgia.

Inflamações na bexiga

Caso sofra alguma inflamação, a bexiga pode se tornar uma fonte de dores para o paciente. O processo pode ter origem nas seguintes causas:

  • utilização de sonda vesical por um período extremamente prolongado;
  • presença de um tumor maligno;
  • endometriose vesical — raro, esse tipo de endometriose é ocasionado pela adesão do endométrio na bexiga. As dores resultantes disso são profundas e crônicas. Além disso, na mulher elas se intensificam antes da menstruação;
  • realização de quimioterapia — o que irrita as partes internas da bexiga;
  • doenças autoimunes, caracterizadas pelo ataque das células de defesa sobre as células sadias do referido órgão.

Nos homens, mudanças na próstata (desenvolvimento inflamatório ou associado a um tumor maligno) também podem culminar em dores na bexiga.

Como tratar: Assim como acontece com outras complicações, as inflamações relacionadas à bexiga devem ser curadas conforme a fonte do problema. Em primeiro lugar, serão prescritos medicamentos que amenizem as dores e os efeitos da inflamação.

Depois, o especialista apresentará as terapias disponíveis para cada caso. Em geral, o tratamento pode ser medicamentoso, mas pode haver a necessidade de cirurgia.

Pedra nos rins

Apenas as pessoas que já tiveram cálculos renais sabem bem como eles podem ser dolorosos. As pedras são como pequenos cristais, que obstruem os canais urinários.

Com o aumento da dificuldade para urinar, o indivíduo sofre muitas dores. Em alguns casos, o transtorno se manifesta após uma simples movimentação corporal. Além disso, os cálculos renais também podem provocar ânsia de vômito e sangramentos.

Como tratar: Ao avaliar o quadro do paciente, o urologista proporá a abordagem de tratamento mais apropriada. Ela dependerá do local das pedras no trato urinário e das suas dimensões. Existem tratamentos mais conservadores, mas a cirurgia a laser é uma realidade para muitas pessoas.

Seja qual for o método determinado para a eliminação das pedras, é importante que o paciente reveja alguns hábitos. O principal deles se refere à ingestão diária mínima de 2 L de água. O líquido é vital para criar um fluxo que resultará no deslocamento dos cristais até a sua completa expulsão do organismo.

O consumo adequado de água ao longo do dia é uma solução de grande valor para prevenir o desenvolvimento de cálculos renais e preservar a saúde dos rins, órgãos fundamentais para o pleno funcionamento de todo o organismo. Consulte aqui alguns remédios caseiros para eliminar as pedras dos rins.

Dor Na Bexiga Durante A Gravidez

Dor na bexiga pode ser gravidez?

Normalmente, as dores manifestadas pela bexiga não estão associadas à gestação. No entanto, é importante entender que as mulheres são mais predispostas a sofrer uma infecção urinária durante a gravidez.

Isso explica o fato de muitas mulheres reclamarem de dores na bexiga enquanto estão grávidas. Vale observar, entretanto, que os problemas vinculados à infecção urinária surgem ao longo da gravidez, e não no período anterior a ela.

De uma forma geral, as dores sentidas na região da bexiga durante a gravidez são mais comuns no final da gestação. Totalmente natural, esse desconforto geralmente decorre da compressão exercida pelo útero sobre as estruturas da região pélvica.

Somada a essa pressão, está a elevação dos níveis de progesterona (o hormônio feminino). Esse aumento da concentração hormonal diminui a frequência de contração da bexiga. Com isso, ela retém um volume maior de urina.

Esse acúmulo de urina ligado à pressão do útero sobre o reservatório desse líquido provoca dores, que geralmente pioram durante a micção. Além disso, trata-se de uma urina com maior concentração proteica. Isso cria um ambiente propício à proliferação de bactérias causadoras de infecções urinárias — uma das principais causas de dores na bexiga.

Como tratar: Para amenizar ou diminuir esses desconfortos na bexiga, a mulher grávida pode tomar as seguintes medidas:

  • priorizar a utilização de vestuário leve e confeccionado com algodão;
  • aumentar a ingestão diária de água;
  • evitar o contato com situações que possam elevar o nível de estresse;
  • proporcionar uma boa higienização da área da vagina.

Outras causas de dor na bexiga

Existem alguns processos inflamatórios (provocados por infecções vaginais ou uterinos) que atingem a região pélvica e podem provocar dores no abdômen. Essas dores podem se espalhar para outros órgãos, como a bexiga. Por fim, as dores na bexiga também podem estar relacionadas com:

  • condições médicas associadas à área intestinal — SCI e DII, que são a síndrome do cólon irritável e a doença inflamatória intestinal, respectivamente;
  • inflamações musculares;
  • adesão do endométrio nas regiões intestinal, ovariana ou peritoneal, podendo ainda ocorrer nas trompas uterinas;
  • cólicas menstruais.

Todas estas causas devem ser levadas em consideração quando nenhuma das outras possibilidades foi confirmada pela análise clínica. Caso sofra qualquer um dos sintomas mencionados, o indivíduo deve se dirigir a um consultório ginecológico ou urológico.

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Autores
Drª Camille Rocha Risegato

Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093

Dra Camille Vitoria Rocha Risegato - CRM SP nº 119093 é formada há 14 anos pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro.

> Consultar CRM (Fonte: https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59)

Dra Camille mudou-se para São Paulo onde realizou e concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (RQE nº 25978) no Centro de Referência de Saúde da Mulher no Hospital Pérola Byington em 2007.

Em 2008 se especializou em Patologia do Trato Genital Inferior nesse mesmo serviço. Ainda fez curso de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia na Escola Cetrus.

Trabalha em setor público e privado, atendendo atualmente em seu consultório médico particular situado na Avenida Leoncio de Magalhães 1192, no bairro do jardim São Paulo, zona norte de São Paulo.

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Última atualização da página em 22/04/19